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Cada minuto que vivi
(e já me esqueço dos que nunca vivi)
é reflexo do lobo solitário que em mim habita,
Labirinto, ilustre labirinto, que me prende o corpo e me constrange ao longo da Natureza,
Meu corpo dissipa-se por entre meu sangue disperso em meu redor
(Lembro-me, um lobo tem que caçar)
O mundo é uma fábula, uma peça sem fim,
Ao qual o mais galvanizado dos homens geme pelo fim da tirania em seu próprio corpo.
A caça, luar a nossos olhos, é o que nos coage a assaltar outro coração,
Voracidade em nossas garras ao caçar e só nos fartamos quando, com nossos dentes, comemos as vísceras de outrem.
Degolamos, porque o desejo da caça é superior à humanidade que em nós reside.
(Lembro-me: um Lobo tem que caçar,
E a família reúne-se para meditar sobre os frutos da caça.
É dia de festa, todos os corpos se movimentam vagarosamente)
Remorso na esperança que nos leva à traiçoeira caça,
Fé nos olhos (verdes) que escarnecem o cadáver de outrem jazido a nosso lado,
Amamentamos deuses por entre ossos, carne putrificada e reminiscências.
Evocamos os nossos entes queridos e suas almas.
Após a caça, somos repetidamente humanos.
(Lembro-me, até um Lobo tem família)
As massas movem-se consoante as leis que as regem,
Cegas elas procuram o Bem-Comum,
Pura fantasia que as norteia. (O caos reina..)
(Lembro-me até um Lobo pode Amar)
Mas, amor de verdade?
Ou fantasia de amor?
Não vale a pena esculpir uma verdade,
Aqui me prostro, porque o amor de lobo tem tanto valor como o amor de cordeiro.
Somos Lobos? Todos?
(Cala-te, enfastias-me com tua prece!)
Abismo, até os Lobos têm um abismo (neles, não o coração, apenas e apenas só a Fome).
nota: originalmente aqui
Outrora defendia-se a ideia que viver a experiência do eterno é uma espécie de morte, dizia-se que nenhum ser vivo conseguiria aguentar aquele despertar e logo procuraria refúgio em algo mundano, em algo banal. Defendia-se porque o homem mortal tendia para a imortalidade.
Hoje, critica-se tal despertar, porventura o homem tão adverso àqueles segundos em que toca com sua mão na eterna verdade preferiu esquecer o que será aquela angústia divina. Vivemos ao som do que nos prende, do constrangimento. Coitados daqueles que teimam em abdicar do espaço público e se deparam na solidão onde poderão exercer a contemplação (que sempre foi tida como última actividade do homem, a mais importante das actividades). O trabalho, a riqueza, a política seriam estados prévios àquela contemplação, seriam um caminho para aquele estado último onde a esperança se dilui e fundamenta-se a solidão para que se roce o sangue que nos dá vida.
Não critico uns nem outros. Não critico os que se prendem à sua vida activa, à sua vida pública, pois faço parte desse mesmo grupo, igualmente não critico os que contemplam, porque em verdade eles nunca existiram e tal modelo de homem é mera imaginação. Utopia, pois este “homem”, não é homem, não o poderia ser, como custaria a alguém saber que o correcto é seu isolamento após uma vida meramente pública e mundana? Como se desprenderia ele deste seu bailado? Negaria toda a sua vida? Todo o seu Passado?
(...)
Com o tempo, aceitaremos que a própria crítica é mundana, é trivial e banal. Porque ela faz parte do espaço público, ela faz parte daquele estado prévio. Acrescento, exagerando, que faz parte do constrangimento. Eis que aquele que almeja a imortalidade, sabendo que a solidão é o seu espaço, sabendo que seu pensamento não pode e não deve ser comunicado*, apenas seguirá uma vida onde a resposta que irá semear será só sua, apenas sua. Não se tratará de egoísmo, visto que se todo e qualquer homem deseja a imortalidade, então cada um de nós terá que contar que outrem fará e descobrirá aquilo que nós mesmos desvendaremos ao tornarmo-nos imortais. E aqui reside o maior dos problemas sobre a imortalidade do homem: biologicamente condenados, a nossa contemplação só poderá estar associado a um qualquer novo estado de crisálida que catapultaria nossa essência para outro nível. Talvez, aqui se esculpa toda e qualquer teoria sobre Deus. Aqui mesmo, nós “seres” que não homens, caminhamos…
*Aquele que pensa, que contempla, ao resumir seus pensamentos pára sua excelsa actividade. Se a vida de contemplação é o último dos estados, então ao querer comunicar o que sente ao contemplar, regride e volta ao estado prévio de seu caminho.
(…)
Deparo-me com a seguinte conclusão: falar do "estado de contemplação" não é próprio da condição humana, muito menos da sua natureza...
(minhas notas e rascunhos)
I
“Põe a gramática em prática,
Didáctica, dramaticamente citando técnicas
Poéticas com estéticas
Fonéticas sempre atento ou surpreendente
Com métricas à frente, p’a mentes cépticas e exigentes”
Sam the kid
*("O génio por muito que saiba, quando entregue à sua criação, é inconsciente como o cedro", Ruy Belo)
Dá-me a sístole e eu, como reflexo, dar-te-ei a diástole.
"Consistência,integridade,longevidade na essência"
Sam the kid