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Farpas e Moinhos de vento

por Don Quixote de la Mancha em sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Nem que seja por um minuto, deixem-se rir... Porque por vezes faz todo o sentido. Ainda que certas situações façam pouco...



Farpas e Moinhos de vento

por Don Quixote de la Mancha em sexta-feira, 17 de outubro de 2008

"Well your faith was strong but you needed proof
You saw her bathing on the roof
Her beauty in the moonlight overthrew you
And she tied you to her kitchen chair
And she broke your throne and she cut your hair
And from your lips you drew the halleluja..."
Jeff Buckley

Farpas e Moinhos de vento

por Don Quixote de la Mancha em sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Hoje é de farpas que vou tratar. Antes de mais quero que saibam que não sou crítico musical, tão pouco literário. No entanto há coisas que são óbvias...
Então hoje falo-vos duma linda canção, dum artista português que muito me surpreende. Houve mesmo momentos em que pensei que este belo intérprete apenas tinha uma música sua, mas eis que nos brinda com mais um leivo da sua arte de escritor e compositor. o Artista, André Sardet. A canção, Adivinha quanto eu gosto de ti... que lindo título meus amigos.
Vamos por partes...

"Já pensei dar-te uma flor, com um bilhete, mas nem sei o que escrever..."

Pois bem André (acho que o artista não se importa este meu informal trato), se pensaste dar-lhe uma flor, e queres colocar um bilhete também, convém que te lembres dum raio duma frase qualquer. Eu sei que passas muito tempo a pensar nas tuas letras e essas coisas musicais e tal, mas pára um pouco, muito até e em vez de uma canção mais, escreves uma frase bonita para pores no bilhete. Não precisa ser longa, sei lá... se for os anos dela ou dele pode ser , deixa cá ver... Parabéns moça / moço!!! Podes claro optar por algo mais fofinho e querido se o conteúdo tender para o romântico ou até para o erótico. Mas vá, um esforço e assim já podes dar as flores...

"... sinto as pernas a tremer quando sorris para mim, quando deixo de te ver..."

André...André, André, André ( isto acompanhado por um abanar a cabeça cabisbaixo) tenho duas hipóteses. Uma...leva um casaco e umas calças quentinhas, tremes porque está a ficar muito frio. A outra...rapaz se estás aflito, antes de saires de casa vai urinar e verás que quando ela/ele sorrir para ti serás um homem novo de pernas bem firmes. E quando a/o deixares de ver não fiques como um lorpa a olhar para o horizonte. Limpa a baba, e vai para casa, cobrir-te ou urinar conforme a hipótese mais adequada.

"...vem jogar comigo um jogo..."

Estou-te a ver estou... afinal não és muito lorpa...Boa André.

"...fecha os olhos e adivinha quanto é que eu gosto de ti..."

Primeiro...se não lhe deres a flor, se nao lhe escreveres o bilhete bem podes esperar sentado que ela/ele feche os olhos. Segundo, estavas no bom caminho, o do jogo, não estragues tudo André. Fechar os olhos, boa, acho bem, tem pinta. Mas adivinhas a esta altura do campeonato? Do tipo : " olha fecha os olhinhos, é um jogo... qual é a coisa qual é ela que por fora é branca e por dentro é amarela?" NÃO!!! Adivinhar quanto é que tu gostas dela/dele... Deixa-me ver...hmmmm...ah já sei. Não...bom deixo-te responder para ver esse tamanho do sentimento bonito de que falas. Força...

"...Gosto de ti desde aqui até à lua..."

Bem, tu és um mãos largas...olha que isso é longe rapaz, mas vá e mais, quanto mais?

"...Gosto de ti desde a Lua até aqui..."

Pois... se calhar tens razão. É melhor dar meia volta e voltar, porque os fatos e a a gravidade na lua são um problema. Mas é uma bela viagem... e mais, e mais?

"...Gosto de ti simplesmente porque gosto..."

Ok. Por vezes é melhor não dar tudo de uma vez é verdade. Já foste à lua, já voltaste. Agora pensas e toma lá....simplesmente porque gosto, sei lá. Muito bem imaginado...grande inspiração essa. Simplesmente porque gosto...eu é assim com as bananas. Não sei muito bem porque gosto. Gosto simplesmente. Muito bem...vá, podes prosseguir, perdão.

"...Ando a ver se me decido como te vou dizer, como te hei-de contar..."

André...outra vez sem saber como dizer as coisas? Pára um pouco e pensa. Tem calma, tens tempo... Tenho de ser eu a dizer-te tudo? A ideia das flores com um bilhete era interessante, mas com alguma coisa escrita claro. Queres mais ideias? Liga-lhe, combina qualquer coisa com ela/ele e dizes. Mas leva na mesma as flores, aí já podes prescindir do bilhete vês? Mais sugestões... Sms..se fores 91 e ela for 91 é na boa nem pagas. Se quiseres até me podes dar o número dela/dele que eu mando na boa. Sou amigo ou não? E tens sempre o messenger...é muito usado agora...

"Até já fiz um avião..."

..........não me tinha lembrado dessa. Tu gostas muito de coisas que voam não é André? Ir à lua...avião e tal... vê la se não te voa a rapariga/rapaz...

"...com um papel azul, mas voou da minha mão"

Azul é bonito sim senhor. Se fizeste um avião era para voar não? Ou contavas dar-lhe em vez das flores? Por mim tudo bem, desde que já te lembrasses o que escrever no avião era na boa André...

"...vem jogar comigo um jogo..."

Outra vez André? qual?

"...fecha os olhos e adivinha quanto é que eu gosto de ti...."

André, André... o mesmo de há pouco? Não achas que ela já sabe a resposta? Como te disse...fechar os olhos - bom, muito bom até. Adivinhas não!!!!

"...Gosto de ti desde aqui até à lua..."

Ok ok, já sabemos André . Vais até à lua e tal, depois voltas e é giro e redonda e a metáfora da distância . Muito criativo...mas segunda vez? nem de avião lá vais...

"...quantas vezes parei à tua porta. Quantas vezes nem olhaste para mim..."

André...Como te hei-de explicar isto? Tu não lhe deste as flores porque querias colocar lá um bilhete mas não te ocorre nada para escrever. Tu pedes para ela/ele fechar os olhos e depois pões-te com adivinhas. Tu fazes um avião de papel e ele voa da tua mão. Aliás parece que nisso és bom, porque o avião foi mesmo para longe não foi? Os meus geralmente não voam muito...deve ser do papel... Tu disseste-lhe: ah eu gosto de ti daqui à lua e depois da lua aqui e tal... mas depois chateaste-te e disseste: olha simplesmente porque gosto, que chatice!COMO É QUE QUERES QUE ELA/ELE OLHE PARA TI? Pelo menos toca à campainha ou bate à porta. Ficar ai a olhar para a porta vai ser uma valente seca. E depois ficas aflitinho e começam as pernas a tremer, claro...

"...quantas vezes eu pedi que adivinhasses o quanto eu gosto de ti..."

Duas André... duas desde que começaste, não vás mais por aí...já estás a aborrecer as pessoas agora. Já estás a ultrapassar os limites da boa educação..és rude André...

"... gosto de ti desde aqui até à lua. Gosto de ti desde a lua até aqui. Gosto de ti simplesmente porque gosto. E é tão bom viver assim..."

Pronto então...

E é isto... Depois do feitiço e de este artista não saber o que lhe aconteceu..agora não sabe o que escrever e o que dizer... Mas pelo menos, agora já sabemos que o André tem duas canções!!!
André, agora só para ti. Eu gosto muito de ti, és um grande artista sim senhor, gosto muito de te ver trabalhar...mas que tal mudares um pouco o rumo das coisas da tua vida e passares a fazer aviões de papel e depois atiravas os ditos duma ponte, e depois sabes o que era giro? Tentares apanhar um deles em pleno voo... aposto que te lembravas o que escrever o bilhete das flores num instantinho... Um abraço de um amigo. Para me agradeceres bastam as flores...deixa lá o bilhete!

Fechem os olhos... Vá abram porque senão não dá para continuar... a resposta à adivinha do que é branco por fora e por dentro é amarela pode ser dada nos comentários a esta minha farpa...interactividade e tudo já viram?
Até já...

Farpas e Moinhos de vento

por Don Quixote de la Mancha em sexta-feira, 3 de outubro de 2008

A Cena do ódio, de Almada Negreiros


"Larga a cidade masturbadora, febril,

rabo decepado de lagartixa,

labirinto cego de toupeiras,

raça de ignóbeis míopes, tísicos, tarados,

anêmicos, cancerosos e arseniados!

Larga a cidade!

Larga a infâmia das ruas e dos boulevards,

esse vaivém cínico de bandidos mudos,

esse mexer esponjoso de carne viva,

esse ser-lesma nojento e macabro,

esse S ziguezague de chicote autofustigante,

esse ar expirado e espiritista,

esse Inferno de Dante por cantar,

esse ruído de sol prostituído, impotente e velho,

esse silêncio pneumônico

de lua enxovalhada sem vir a lavadeira

Larga a cidade e foge!

Larga a cidade!

Vence as lutas da família na vitória de a deixar.

Larga a casa, foge dela, larga tudo!

Nem te prendas com lágrimas que lágrimas são cadeias!

Larga a casa e verás — vai-se-te o Pesadelo!

A família é lastro: deita-a fora e vais ao céu!

Mas larga tudo primeiro, ouviste?

Larga tudo!

— Os outros, os sentimentos, os instintos,

e larga-te a ti também, a ti principalmente!

Larga tudo e vai para o campo

e larga o campo também, larga tudo!

— Põe-te a nascer outra vez!

Não queiras ter pai nem mãe,

não queiras ter outros nem Inteligência!

A Inteligência é o meu cancro:

eu sinto-A na cabeça com falta de ar!

A Inteligência é a febre da Humanidade

e ninguém a sabe regular!

E já há Inteligência a mais: pode parar por aqui!

Depois põe-te a virar sem cabeça,

vê só o que os olhos virem,

cheira os cheiros da Terra,

come o que a Terra der,

bebe dos rios e dos mares,

— põe-te na Natureza!

Ouve a Terra, escuta-A.

A Natureza à vontade só sabe rir e cantar!

Depois põe-te à coca dos que nascem

e não os deixes nascer.

Vai depois pla noite nas sombras

e rouba a toda a gente a Inteligência

e raspa-lhes a cabeça por dentro

coas tuas unhas e cacos de garrafas,

bem raspado, sem deixar nada,

e vai depois depressa, muito depressa,

sem que o sol te veja,

deitar tudo no mar onde haja tubarões!

Larga tudo e a ti também!

Mas tu nem vives nem deixas viver os mais,

Crápula do Egoísmo, cartola despanta-pardais!

Mas hás de pagar-Me a febre-rodopio

novelo emaranhado da minha dor!

Mas hás de pagar-Me a febre-calafrio

abismo-descida de Eu não querer descer!

Hás de pagar-Me o Abismo e a Morfina!

Hei de ser cigana da tua sinal

Hei de ser a bruxa do teu remorso!

Hei de desforra-dor cantar-te a buena-dicha

em águas fortes de Tróia

e nos poemas de Poe!

Hei de feiticeira a galope na vassoura

largar-te os meus lagartos e a Peçonha!

Hei de vara mágica encantar-te arte de ganir!

Hei de reconstruir em ti a escravatura negra!

Hei de despir-te a pele a pouco e pouco

e depois na carne viva deitar fel,

e depois na carne viva semear vidros,

semear gumes,

lumes,

e tiros,

Hei de gozar em ti as poses diabólicas

dos teatrais venenos trágicos do persa Zoroastro!

Hei de rasgar-te as virilhas com forquilhas e croques,

e desfraldar-te nas canelas mirradas

o negro pendão dos piratas!

Hei de corvo marinho beber-te os olhos vesgos!

Hei de bóia do Destino ser em brasa

e tu náufrago das galés sem horizontes verdes!

E mais do que isto ainda, muito mais:

Hei de ser a mulher que tu gostes,

hei de ser Ela sem te dar atenção!

Ah! que eu sinto claramente que nasci

de uma praga de ciúmes.

Eu sou as sete pragas sobre o Nilo

e a Alma dos Bórgias a penar!"