As aventuras de uma jovem utente da CP no apeadeiro da Travagem

por D. em quarta-feira, 23 de março de 2011

Basicamente, enquanto a CP não pagar horas extra, os funcionários não as fazem. E parece que eram delas que dependia a circulação de todos os comboios que circulam segundo os horários. Ou seja, neste momento, ir apanhar o comboio é uma actividade tão emocionante como uma escalada, porque nunca sabemos quando podemos esperar duas horas, ter de apanhar o autocarro ou simplesmente voltar para casa, ou chegar atrasado uma hora ao destino. O que se passa é que para quem espera numa estação, até deve ser mais tolerável, para quem espera num apeadeiro é só decadente. Isto porque não existe informação alguma sobre os comboios que foram ou não suprimidos ou sobre os que circulam com atraso. E esperar num apeadeiro que consiste em meia dúzia de vidros partidos e bancos urinados, é ainda melhor. Principalmente porque eu tenho a certeza que qualquer dia vou ser roubada pelas crianças da escola básica da Travagem que faltam às aulas para estar no apeadeiro a fumar. E o autocarro que parte da Travagem está sempre cheio de gunas, os quais nunca usam o comboio (aqui está um interessante estudo sociológico), além de demorar o dobro do tempo que demora o comboio a chegar ao centro do Porto. E os velhotes tentam inevitavelmente convencer-me de que no tempo do Salazar é que era. Ora, não me parece que haja uma mudança de planos de pagamento tão cedo, pelo que cada vez mais fico tentada a empreender uma ida para o Porto a pé pela linha do comboio. De certeza que não existem funcionários suficientes para aplicar as coimas.

2 comentários

Costumo ser também utente diário da CP e tenho vivido também esse problema, embora não tenha que sofrer a espera num apeadeiro. Espero em Ermesinde ou em São Bento.

Não tenho sentido tantos problemas em Ermesinde, até porque já começo a saber quais os comboios que não deverei tentar apanhar, porque simplesmente não passam. Sofro mais no final do dia, a partir das 18h30, em São Bento. Aí sim é um selvajaria completa. Os comboios enchem para lá da lotação porque ficam parados muito tempo e as pessoas vão entrando. Ninguém sabe a que horas parte um comboio, pelo que é frequente haver êxodos de todos os utentes de um veículo para o outro quando percebem que este último é que partirá primeiro. Só espero é que nenhum revisor tenha lata de me vir pedir bilhete nestas condições.

E o pior é que as alternativas ou demoram o dobro do tempo ou então custam o dobro do preço.

by Ferreira Ribeiro on 23 de março de 2011 às 17:20. #

Esquece, autocarros para Ermesinde é totalmente caótico :P Vão por sítios mesmo muito remotos.
O apeadeiro da Travagem é mesmo muito mau, deve ser parecido com o de Cabeda.
No outro dia, às 20h e tal, tínhamos comboio na linha 4, mas depois mudaram para a 6, as pessoas saíram todas, e quando chegaram à 6 viram que o da linha 4 ia partir e começou tudo a correr para a linha 4 de novo. Totalmente surreal :p

p.s - só agora percebi que este post ficou neste blogue e não no meu, que era onde o queria publicar :s

by Daniela Ramalho on 26 de março de 2011 às 01:04. #