A ti Poeta

por Cláudia Isabel em sexta-feira, 5 de novembro de 2010



“ Está a olhar para o exterior, e isso é algo que não deveria fazer, muito especialmente agora. Ninguém pode dar-lhe conselhos ou ajudá-lo, ninguém. Só existe um meio. Entre em si mesmo. Procure as razões que o levam a escrever; verifique se elas lançam raízes nas profundezas do seu coração, pergunte e responda a si mesmo se morreria caso o impedissem de escrever. E acima de tudo: pergunte a si mesmo no mais silencioso da noite: tenho de escrever? Mergulhe nos abismos da sua essência em busca de uma resposta profunda. E caso seja afirmativa, se puder responder a esta pergunta séria com um simples e forte «Sim, tenho», então construa a sua vida à volta dessa necessidade; a sua vida tem de tornar-se, até ao mais indiferente e insignificante dos momentos, num sinal e num testemunho desse impulso. É então que deve aproximar-se da natureza. Nesse momento procure dizer, como se fosse o primeiro ser humano, o que vê e sente e ama e perde.

Rainer Maria Rilke in “Cartas a jovens poetas”