"Mándálá", Pearl S. Buck

por Inês P. em terça-feira, 12 de outubro de 2010

Um dia, por mero acaso, vocês vão a uma feira do livro local. Por acaso, encontram um livro cuja capa vos chama a atenção, por acaso sente-se tentados pelos cinquenta cêntimos que custa o livro e, por acaso, esse livro revela-se mais tarde ser um dos melhores que vocês alguma vez leram.
Demasiados acasos? Não. Na Índia de Pearl S. Buck nada acontece por acaso. "Mándálá" foi publicado em 1970 e tem uma história bastante simples, até. Um marajá vê-se desapossado do seu poder intemporal, as suas terras expropriadas e a sua dignidade abalada, pois já não lhe cabe a direcção dos destinos do seu povo. Para sobreviver transforma um dos seus antigos palácios em hotel de luxo, e é ao longo da construção do mesmo que a história decorre. Preso a um casamento arranjado e demasiado insípido, Jagat vê o filho partir para a guerra com a China, onde este acaba por perecer numa batalha. As dificuldades e o desalento, o acaso ou o destino, levam Jagat a conhecer Brooke, americana em viagem pela Índia, ela própria também à procura do seu destino. E é nesse país tradicionalista que se desenvolve o mais inconvencional dos amores.
Acaso ou destino? É difícil entender. Mas as "simpatias" que prendem Jagat e Brooke, Moti (mulher de Jagat) e o padre seu mentor, Bert Osgood (o construtor do hotel) e a filha de Jagat , Veera, são as mesmas empatias que muitas vezes sentimos por alguém totalmente desconhecido e quando menos esperamos.
Mas se estão à espera de finais felizes para sempre, esqueçam. Não são os finais felizes que normalmente idealizamos - casados e juntos para sempre - mas são os finais que os deixaram mais felizes, ou pelo menos mais harmonizados com as suas consciências. Destino? Talvez...