Control

por D. em segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Do realizador Anton Corbijn, inspirado no livro escrito pela viúva de Ian Curtis, Deborah Curtis, Control (2007), é a biografia de uma das personagens mais importantes do rock, mais precisamente do pós-punk: Curtis, vocalista dos Joy Division, banda formada em 1976, em Salford, nos subúrbios de Manchester. E provavelmente não mereceria destaque, o que acontece aliás com a maioria dos filmes biográficos, contudo, Sam Riley faz com que o filme salte um bocado fora da ideia de biografia, encarnando a personagem na perfeição, como se fosse uma mera personagem de um qualquer filme. Aliás, de muitos filmes biográfico que já vi, nunca tinha visto nenhum em que as semelhanças fossem tantas. E para tal basta ver os vídeos que espalhados pela internet e compará-los com os excertos do filme (aliás, alguns dos vídeos têm correspondência no filme e muitos estão identificados enquanto da banda, quando na realidade são excertos do filme).

O que ajuda o filme a ganhar uma dimensão perturbadora, especialmente quando Curtis não encaixa no estereótipo de músico morto precocemente devido ao consumo de drogas e álcool. Pelo contrário: à personagem melancólica, apagada, cinzenta, poeticamente torturada e deprimida que torna os Joy Division num daqueles casos raros de música desaconselhada para quem está triste (embora também não aconselhável a alguém que está bem disposto e que pretende ouvir um cd inteiro), junta-se a interpretação perfeita de Riley, encarnando o medo que Curtis desenvolve da epilepsia, quando num dia vê à sua frente uma mulher a ter um ataque, descobrindo mais tarde que ele próprio é epiléptico. O que o começa a consumir cada vez mais, especialmente porque os ataques passam a ser constantes em palco devido às luzes e à pressão dos concertos, fazendo com que a sua dança se torne bastante famosa (o que não deixa de ser mórbido) e com que tenha cada vez mais dificuldade em lidar com a fama em ascensão. Depois de tentar frustradamente o suicídio por overdose de comprimidos para a epilepsia, e antes do início da tournée americana, Curtis enforca-se na cozinha de Deborah ao som de The Idiot de Iggy Pop, quando tinha apenas 23 anos, deixando para trás um dos mais importantes legados da música actual (não é com dificuldade que se encontra um punhado de bandas recentes que tentam imitar o semblante de Curtis) e o nascimento dos New Order (que foram pioneiros na mistura entre a electrónica e o rock, a qual já estava presente nos Joy division).



6 comentários

E assim nasceu o post-punk. Absolutamente indispensável para quem aprecia música.

by Diderot on 18 de outubro de 2010 às 01:57. #

e cinema, claro. Parabéns pelo apanhado do filme.

by Diderot on 18 de outubro de 2010 às 01:58. #

ADORO joy division, esteja triste ou contente! Grande post :D bjinho

by Inês on 18 de outubro de 2010 às 11:03. #

Banda mais que de eleição. E o filme, apesar de ja o ter visto há muito tempo, é um dos que fica na memória! Nao só pela interpretação soberba, mas por tudo o que os Joy Division representam.

by Ana C J Sousa on 18 de outubro de 2010 às 21:29. #

Eu também gosto, mas fico muito deprimida quando ouço muito tempo :p é muito triste.

by Daniela Ramalho on 18 de outubro de 2010 às 23:31. #

É como Jeff Buckley, tenho de ouvir com moderação ;)

by Ana C J Sousa on 1 de novembro de 2010 às 21:23. #