Sacos de plástico

por Ana em sábado, 27 de março de 2010


Uma das maiores ameaças à vida no planeta é todos os dias distribuída aos milhares e gratuitamente em Portugal. Em média, os sacos de plástico são usados durante 12 minutos, mas demoram centenas de anos a decompor-se, noticia a Lusa.
Os perigos ambientais deste lixo começam a preocupar governos e cidadãos, mas são muito poucos os que aceitam abdicar de um dos objectos com mais presença no dia-a-dia.
Se cada cliente do Modelo/Continente, a maior cadeia retalhista do país, levasse as compras em apenas um saco de plástico descartável, Portugal seria mesmo assim invadido por mais de 2,4 milhões de sacos em cada semana.
Mesmo sem dados, o impacte ambiental deste lixo já motivou uma petição para proibir a sua distribuição gratuita nas grandes superfícies e uma recomendação da Assembleia da República ao Governo para legislar nesse sentido.
«O Ministério do Ambiente está a trabalhar para evitar que sejam distribuídos gratuitamente. Até ao final do ano, o processo vai estar concluído», anunciou à Lusa fonte do ministério.
Em países como a Irlanda ou a Alemanha a obrigatoriedade de pagar o saco de plástico é imposta por lei. Por cá, o Pingo Doce é o mais recente exemplo de adesão a estas boas práticas.
Segundo o responsável desta cadeia de supermercados, só nos últimos três meses reduziu para metade a quantidade de sacos distribuídos, sem qualquer prejuízo nas vendas que, inclusive, cresceram 17,8 por cento.



Sacas de plástico matam espécies marinhas

No «mundo do plástico», os sacos descartáveis constituem um dos maiores perigos para a vida marinha, chegando a provocar a morte de espécies como as tartarugas, golfinhos ou baleias, que os tomam por alimento.

De acordo com o último relatório do Programa Ambiental das Nações Unidas, os oceanos estão ameaçados por várias formas de poluição, sendo os plásticos responsáveis por 46 mil detritos em cada milha quadrada.

A degradação de um saco demora entre 200 a 400 anos e, em Portugal, o destino que lhes é dado nem sempre é o mais correcto, segundo João Letras, da Sociedade Ponto Verde (SPV), entidade responsável pela gestão dos plásticos enviados para reciclagem.

«Existem três destinos possíveis: deixados ao abandono ou colocados directamente no lixo, a pior solução para o ambiente; usados para transportar o lixo doméstico, acabando num aterro ou numa incineradora; ou então depositados num ecoponto para reciclar», explicou.

No entanto, em apenas três zonas do país os sacos que vão para aterro são encaminhados para uma incineradora: em Lisboa pela Valorsul, no Porto pela Lipor e na Madeira pela Valor Ambiente.

in, http://diario.iol.pt/noticia.html?id=815496&div_id=4071