Pelas ruas do Porto

por Inês P. em domingo, 21 de março de 2010

A cada dia que passa, as ruas do Porto assumem um significado cada vez mais especial. Seja na companhia de amigos para a vida, ou nem tanto, cada aventura lá vivida dá-lhes uma cara diferente. A calçada portuguesa, o som dos saltos altos, o vento que nos despenteia, os pombos que pousam nos Leões, as esplanadas, os cheiros, as cores, as lojas, as quelhas, ganham outro ar à medida que o Porto se entranha em nós, cada vez mais.

Mas o mais extraordinário, nos lugares do Porto, é a quantidade e variedade de pessoas que se encontra a cada passo. Desde as típicas donas de casa, aos jovens como nós, às dúzias; artistas, mendigos, turistas, comerciantes ou gente de negócios; com ar atarefado, misterioso, ou simplesmente ocioso. Pessoas de ar feliz e pessoas de ar zangado, pessoas caladas que passam por nós discretamente ou pessoas que passam falando alto para o ar, pessoas que conhecemos bem, ou de vista, ou que nunca vimos nem voltaremos a ver, mesmo que nos voltemos a cruzar; pessoas que queremos ver e pessoas que não queremos encontrar. Há de tudo.
E, claro, há pessoas que não conhecemos de lado nenhum, mas já estamos tão habituados a vê-los naquele sítio e àquela hora, que caso lá não estejam estranhamos: o senhor à porta do café, o rapaz dos jornais, aquela que passa sempre por nós a caminho do emprego. Cada vez o Porto parece ser uma pequena aldeia, porque as pessoas com quem nos cruzamos são essencialmente as mesmas, sensação acentuada quando descobrem que o vosso amigo A é amigo do vosso amigo B que vocês conheceram na outra ponta da cidade; pela lógica vocês nunca os associariam, mas não, são amigos desde que andaram juntos na mesma escola primária.
Sim, as ruas do Porto são doces, e continuarão a sê-lo enquanto forem cenário de devaneios profundos e melancólicos, de gargalhadas alegres, de noitadas de copo na mão, de sorrisos e abraços. Somente enquanto estes forem superiores às tristezas, que também as há.