A esmeralda e o quartzo

por Inês P. em domingo, 7 de março de 2010

"A Filha do Capitão", de José Rodrigues dos Santos, e "Um Amor em Tempos de Guerra", de Júlio Magalhães.
Estão separados por cinco anos, mas são dois romances com algumas semelhanças curiosas. Foram escritos por dois jornalistas e pivots televisivos, sensivelmente com a mesma idade e conhecidos do público português. Ambos têm uma estreita ligação pessoal a África e começaram a escrever romances depois de uma sólida carreira no jornalismo.
As duas histórias contêm os mesmos ingredientes. São duas guerras do século XX (I Grande Guerra e Guerra Colonial), nas quais participam os protagonistas, Afonso e António. Deixam uma família pobre, numa aldeia perdida no Portugal rural, para lutar pela Pátria, por ideais que não compreendem inteiramente, à mercê das decisões do poder político. Deixam amores antigos à sua espera na terra onde cresceram, mas encontram um novo amor na terra onde lutam pelas suas vidas. Cada um deles tem um filho dessa segunda mulher das suas vidas (Mariana e António), mas as mães morrem enquanto os protagonistas regressam a Portugal. Elas chamavam-se Agnès e Dulce, trabalhavam como enfermeiras nos hospitais da guerra, e morreram de doença durante a ausência dos seus portugueses. No final estes acabaram casados com as namoradas de antigamente, ainda traumatizados pela guerra, mas vivendo um final feliz, dentro do possível, revisitando os camaradas e tentando refazer as suas vidas em Portugal.
Para escrever estas obras, os autores levaram a cabo uma pesquisa histórica aprofundada, recuperando histórias antigas, personagens já esquecidas, títulos de jornais da época e até mesmo o calão da época. Afonso e António fazem diversos amigos, cada um com um feitio especial, porque a guerra não acaba com as coisas belas da vida. No fundo, são duas histórias de sobrevivência num mundo que parecia estar de pernas para o ar.

Se as obras têm assim tantas semelhanças, como se explica que sejam, na sua essência, tão diferentes?