Ao Fantas

por Frederico de Sousa Lemos em quarta-feira, 3 de março de 2010

Voltei hoje ao Fantasporto, pela quinta vez este ano. "Num país que não tem uma indústria cinematográfica relevante para a Europa", como referiu Beatriz Pacheco Pereira, o Fantas conseguiu afirmar-se internacionalmente como um dos melhores festivais de cinema do Mundo. É, sem dúvida, uma grande mais-valia para o Porto, para a sua cultura e para a dinamização da baixa da Cidade (que tão morta está à noite!).

Qualquer pessoa que goste de cinema entende a qualidade do Festival. Qualquer portuense entende a sua importância para a Cidade.

A Câmara Municipal do Porto não.

O apoio concedido pela CMP ao Fantas foi "excepcional", e não assegura apoios futuros (estranho num festival que vai já na sua 30.ª edição...). Por outro lado, Filipe La Feria pretende "explorar o teatro em exclusivo" (ver notícia) e Rui Rio nada diz sobre o maior festival de cinema do país (ver notícia). Aliás, nem esteve presente na sessão de abertura...

É um lugar-comum denunciar o "centralismo" e a "monocefalia de Lisboa" (estes complexos regionalistas aborrecem-me, confesso), nomeadamente no acesso à cultura. Mas quando os próprios responsáveis locais não apoiam quem, estoicamente, tenta dinamizar (com competência) outros pólos culturais, perde-se qualquer autoridade de reclamar mais apoios do Governo. Que, neste caso, até se "portou bem" (ver notícia).

Que o Fantas dure muitos anos. No Porto, claro.

Um comentário

O Governo não se portou muito bem, numa altura em que os fundos para o Fantas são reduzidos para patrocinar outros eventos sem relevância nacional que recebem verbas avultadas que anteriormente seriam do Fantas. Digamos que também ele teve de apertar o cinto.

by Daniela Ramalho on 4 de março de 2010 às 23:38. #