#43 às terças

por TR em terça-feira, 9 de março de 2010

(Filosofia do Direito - parte 2)
Se somos acima de tudo reconhecimento, então não seremos reduto, onde apenas o mundo interno tem lugar, nem osmose com o externo. A chave está no verbo: reconhecer.
Reconhece-se o que já há, e o que já há só o é na medida em que se consciencializa. O reconhecimento não anula o sujeito: é um "posterius" em relação a um "prius" ou, mais certeiramente, é síntese entre o que havia e o que vem a haver. A busca de um novo equilíbrio. Estrutural na razão clássica, ganha agora diferente coloração, diferente harmonização entre a unidade e a totalidade, entre o eu e os outros - compreendendo que a unidade só se percepciona por referência ao todo (onde a parte conhece o todo de que toma parte), que a unidade é a pessoa humana.
E, se os clássicos nos legaram a forma, a palavra e as formas das palavras (todo o pensamento é forma, forma de um significado), o sentido do reconhecimento será revelado a seu modo. Um novo ponto de Arquimedes? Talvez. Sugere-se:
"Dai-nos um ponto de apoio e o mundo levantar-nos-á."