Uma Vida

por Inês P. em domingo, 8 de novembro de 2009

A literatura do século XIX sempre foi uma das minhas preferidas, não só pelo conhecimento da sociedade de então, mas também porque nos permite ver, por um lado, de que forma o pensamento humano evoluiu, e por outro lado, como os dilemas de hoje são essencialmente os mesmos de há mais de cem anos atrás.

Há dias acabei de ler "Uma Vida", de Guy de Maupassant, que é o exemplo vivo do último caso. Além da espantosamente realista descrição dos pensamentos mais íntimos das personagens, é muito fácil imaginar esta história enquadrada nos nossos tempos. Os temas abordados - sonhos irrealizados, adultério, filhos que abandonam os pais, a morte dos entes mais queridos, solidão e dificuldades económicas - e a patética vida de Jeanne não são muito diferentes daquilo que conhecemos hoje em dia. Tal como no famoso livro "Madame Bovary", de Flaubert, o autor não procura encontrar um final feliz para as suas personagens, mas sim o final que acredita que se daria se a sua personagem existisse efectivamente. Maupassant e Flaubert, tal como muitos outros autores realistas (como o nosso Eça de Queirós), acabam por nos fazer acreditar que finais verdadeiramente felizes, na realidade, são muito raros.
Recomendado :D