#31 às terças

por TR em terça-feira, 29 de setembro de 2009

(o que mais me custa no Direito)


De nada serve chegar a uma praça e declarar que a gravidade não existe, por mais argumentos que se avancem. O físico paciente ouvirá atentemente e, resguardando-se nos seus método e objecto, olhará de soslaio, sabendo que a gravidade existe, pois a facilmente assim o demonstra.

O filósofo, também, tem as suas vantagens. A realidade ou é ou não é, ou vai sendo, e o seu método específico, o filosofar, conforta-o: não importam as respostas últimas, importa o que sabemos por agora, precisamos é de nos ir aproximando paulatinamente da verdade das coisas, se verdade houver. Duvida, mas como ergueu a dúvida como razão de viver, feliz está no seu resguardo. O objecto é intrincado, mas lá se encontra delimitado.

Maldição a do jurista. Por mais buscando a solução justa para o caso concreto, não se livra de, em maior ou menor medida, ser fiel à norma. De, por conseguinte, ver ciclicamente mudarem palavras, mudarem vírgulas, de ver o trabalho de anos, seu, eventualmente, e de outros, ir por água abaixo, por o grosso do objecto da dogmática ser o dever-ser constituído. Resta apenas o - frágil - último reduto de reflectir em como deve ser o dever-ser. Ou seja, de já não curar do Direito que está, mas do Direito que vem.