Paz&Espada

por Manuel Marques Pinto de Rezende em domingo, 24 de maio de 2009

Finalmente uma boa notícia. no Combustões
Finalmente, a brutal guerra que os Tigres Tamil impuseram ao Sri Lanka chegou ao fim. De um lado, o Estado da maioria cingalesa, budista e de grande abertura à realidade multiétnica que tanto faz lembrar a generalidade dos Estados do sudeste-asiático; do outro, os secessionistas hindús Tamil, cuja proverbial agressividade e brutalidade, o nacionalismo paroxístico e uma vaga ideologia inspirada no "socialismo revolucionário" e numa "sociedade sem classes" era vazado da fôrma do sovietismo com aclimatação tropical. Foram décadas de assassinatos, bombas, massacres e escaramuças. Os Tigres Tamil socialistas tiveram sempre o beneplácito concedido aos "movimentos de libertação" pela imprensa bem-pensante ocidental: quando perpetravam os mais repugnantes banhos de sangue, os noticiários calavam; quando sofriam retribuição das forças governamentais, o carpideirismo excedia-se em campanhas de solidariedade, pressões sobre o governo e outras formas bem conhecidas de chantagem. Como pode o Ocidente condenar o terrorismo se abre tantas excepções, do Curdistão ao Sri Lanka, do País Basco à da Irlanda do Norte, do Saara Ocidental ao Kosovo e ao Nepal ? Certamente, a factura retardada de tanto patrocínio dada durante anos às "justas causas" tornou-nos campeões da duplicidade; logo, indignos de lavrar protesto.
As forças armadas cingalesas mataram hoje Velupillai Prabhakaran, impiedoso comandante dos Tigres. Prabhakaran escudava-se no argumento do catolicismo da sua família para ganhar simpatias entre os desinformados no Ocidente, mas é evidente que o seu movimento não fazia a mais leve alusão ao catolicismo, antes pugnando por um Estado homogéneo submetido à tradição hindú. Ainda há dias aqui alinhavámos algumas reflexões sobre a mediação de última hora tentada pelo sueco Carl Bild, conhecido caixeiro viajante das causas justas. É evidente que essa mediação era ditada pelo desespero. Era como se alguém tentasse uma intermediação entre os Aliados e Hitler em Abril de 1945 ! Por detrás dessa arremetida benemérita estava, claro, a intenção de agradar à Índia, nova gruta de Alibabá dos investments, opportunities e demais nobres modalidades com que o Ocidente exporta empresas, abre mercados e explora e faz milhões. Felizmente, o Sri Lanka não se deixou vergar. As suas forças armadas venceram metro a metro o inimigo, derrotaram-no inapelavelmente e - contradição das contradições - lançaram grande campanha de apoio às populações tamil utilizadas como escudos humanos pelos bravos Tigres. O grande vitorioso desta contenda, o artífice desta paz pela vitória sobre o terrosrismo, é Sarath Fonseka, Tenente-General cingalês de ascendência portuguesa. Deve ter por antepassado um desses "casados" que viveu, deixou prole e combateu por Portugal até ao fim da nossa presença (1505-1658). Estes Fonsecas, Sousas, Britos e Silveiras, capitães ou simples soldados deixaram sulco profundo. Quando sobreveio a invasão holandesa, estes "burghers" refugiaram-se no centro montanhoso da ilha e mantiveram desafiante atitude para com os ocupantes. Depois, regressaram à costa, instalaram-se e ensinaram os holandeses a falar o português, língua franca do Índico entre os século XVI e XIX.
Aqui está um caso em que Portugal poderia tomar posição, explorar esse veio de dedicação e memória, estreitar laços e ganhar vantagem. Haverá quem o queira ou saiba fazer ?

9 comentários

O Ocidente "abre tantas excepções, do Curdistão ao Sri Lanka, do País Basco à da Irlanda do Norte, do Saara Ocidental ao Kosovo e ao Nepal"?! :|

Ganhar vantagem?! Estamos a falar de um conflito terrível, um desastre humano de enormes proporções e vai agora Portugalzinho ganhar vantagem?! :|

by Txikia on 24 de maio de 2009 às 10:01. #

e porque não? ser pequeno é uma desculpa para ficar em casa sem fazer nada?

by Manuel Pinto de Rezende on 24 de maio de 2009 às 12:48. #

desde que me conheço, que o único caso em que o ocidente bateu palmas, foi no Kosovo... i wonder why...e é curioso falares do saara ocidental... ainda este fim-de-semana andei a ler uma coisas sobre isso que claramente contrariam o que estás aí a dizer, mas não podemos esquecer que a tua versão das coisas é sempre a oposta mesmo à dos livros de história. :p

by Daniela Ramalho on 24 de maio de 2009 às 15:19. #

e qual é a posição que eu defendo, daniela?

o texto nem é meu, e a posição defendida pelo autor nada tem a ver com o que quer que tu estejas para aí a falar.

by Manuel Pinto de Rezende on 24 de maio de 2009 às 16:15. #

Nao... a sério manel... Se o texto nao é teu, mas tu publica-lo~, (sabendo que contraria a historia) é porque deves concordar com ele. Caso contrario nao o publicarias. certo??

Quanto ao texto nao comento.. Nao vale a pena gastar o meu portugues, pois vai acaber na discussão do costume

by Duarte Canotilho on 24 de maio de 2009 às 21:46. #

tanto conhecimento e tanta falta de provas. tanta verdade universal que eu infelizmente desconheço.

como eu gostava de ser tão clarividente e inteligente como o canotilho.
não teria mais de procurar por respostas e continuar a interrogar-me sobre coisas que nem vale a pena gastar o português do canotilho a perguntar

by Manuel Pinto de Rezende on 24 de maio de 2009 às 22:44. #

publicar um texto não obriga à concordância com ele. simplesmente vi um texto que tem a opinião de um autor, e divulguei-a.

não percebo em que é que é racional auferir a minha opinião a partir de um texto de outra pessoa, apenas através de um exercício de indagação acerca das minhas razões de o publicar. podes suspeitar, só.

by Manuel Pinto de Rezende on 24 de maio de 2009 às 22:51. #

oh pah, então foi um malvado de um hacker que escreveu aquela primeira frase antes do texto que não é teu. o malandreco. tss tss

by Daniela Ramalho on 25 de maio de 2009 às 01:37. #

"Estes Fonsecas, Sousas, Britos e Silveiras, capitães ou simples soldados deixaram sulco profundo. Quando sobreveio a invasão holandesa, estes "burghers" refugiaram-se no centro montanhoso da ilha e mantiveram desafiante atitude para com os ocupantes. Depois, regressaram à costa, instalaram-se e ensinaram os holandeses a falar o português, língua franca do Índico entre os século XVI e XIX."

Portanto, os Portugueses não eram ocupantes. passaram por lá, lançaram desafiantes atitudes e ainda ensinaram línguas.

assim como o ocidente não devia desculpabilizar certas coisas por medo que 'metam facturas' e por um certo complexo de culpa, creio também não devermos nós justificar uma missão qualquer (ou sequer o valor de alguém) pelo facto da nossa presença, nacionalidade ou o que quer que seja.

by Joana Banana on 30 de maio de 2009 às 20:08. #