um suspiro

por henrique maio em terça-feira, 17 de março de 2009

1- Não há superioridade ou inferiodade daqueles que abdicam de viver para observar objectivamente algo. Não há qualquer hierarquia!
2- Fala-se deste não viver com uma leviandade tal que não se apercebem dos sacrifícios que a comum das pessoas faz ao aceitar tal caminho. Aliás, duvido que seja algo que se aceite ou se rejeite, é apenas um apelo que se sente, uma crença talvez, mas uma crença sem pós de fé, sem dogmas fícticos e ídolos.
3- Aquele que abdica de viver, não precisa de mais nada a não ser a sua própria pessoa! Corrijo! Pessoa, ela mesma analisada de modo objectivo, trata-se da apetência da alma para analisar o corpo separado deste (note-se que a vida da alma depende do corpo e aqui assistimos ao culminar daquilo a que chamamos ironia)
4- Não há qualquer estatuto em caminhar desta forma, aliás aquele que caminha desejando a glória e o sucesso, riquezas profundas, está a infringir o código genético do "não-viver" - a rejeição material, a rejeição da posse e o aceitar somente o seu corpo para viver (faz confusão não faz? Dizer que se Vive não-vivendo!)

Os filósofos morreram por volta do século XIX, e duvido que tenha havido algum sincero filósofo no séc. XX (...) O nosso século, XXI, é o século do lamento sobre a morte da filosofia em que arrogantes pretendem, acham-se e agem como filosófos, estando cada vez mais próximos de um simples sofista (ou dono da sabedoria e de estruturas racionais absolutamente correctas). Jovens pavoneiam-se com grandes "autores", quando se esquecem que filosofar é uma tarefa carregada intensamente de solidão; adultos, pobres adultos recuso-me até a fazer qualquer alusão, apenas se sublinhe um suspiro; os enfraquecidos pela idade, pelo óbvio desejo de quererem viver, rejeitam sequer essa possibilidade do "viver não-vivendo"!
Neste nosso tempo, esquecemos, a ser sincero, aquilo que sempre fez de um filósofo Filosofo. Assistimos confortavelmente no recanto do nosso querido sofá, o olvidar do sacrifício. Pretensiosos, arrogantes, iludidos! Somos nós!


Tudo o que resta é o lamento de uma queda há muito anunciada...

4 comentários

isto é literário ou acreditas mesmo?

by Tiago Ramalho on 20 de março de 2009 às 15:08. #

Vou participar, sem no entanto responder à questão do Ramalho (até porque não é a mim dirigida):

Não partilho desta opinião como não aprtilho do seu pessimismo profético e nihilista.
Mas partilho e dou-te o mérito todo por este pensamento:
"filosofar é uma tarefa carregada intensamente de solidão".
Isto é de facto fundamental e luminoso. E é uma verdade que é pouco cultivado. Mas não creio que essa carência seja de agora.

by Francisco on 20 de março de 2009 às 20:43. #

"pessimismo profético e niilista" é uma bela expressão mesmo XD

Há diferença entre pessimismo e lamento como há entre ser profeta e ser homem de uma simples opinião! Qt à expressão niilista, usada de tal forma parece exarcebada adjectivação (um lamento nunca é niilista, nunca! a entendê-lo assim, torna-se uma vala comum para resolver tudo e mais alguma coisa)

O texto tem exageros claros (obvio), não é crença (óbvio), é um mero lamento. Como qualquer um de nós faz quando se satura de algum momento. Em verdade, este lamento e este choro pela suposta morte da filosofia vai contra aqueles clichés (por ex. existe homem existe filosofia) que marcam o mais incauto e néscio homem.

Não pretendo defender a minha opinião, pois não o é, friso é LAMENTO. Coisa bem diferente... entrar em disputa por um lamento é tirar o mínimo dos mínimos do mesmo. Um lamento é algo SO, um lamento não existe a dois, comunica-se para o mundo e para ninguém. Um lamento não é uma verdade por isso mesmo ("a verdade começa a dois")...

Resumindo o Lamento:
1- Filosofia é um nome pomposo para atitudes que não são de todo "filosoficas"; atitudes essas que servem para engrandecer o arcaboiço dos homens em disputas triviais.

2- O declínio é óbvio, basta analisar objectivamente o dia-a-dia, o nosso dia a dia, e reparar que tipo de pessoas nos rodeiam, que tipo de pessoas somos e que tipo de pessoas estamos a cultivar (este pessimismo a chamá-lo assim deve-se apenas à falta de "sóis" entre tantas estrelas, né assi? não foi sempre assi?)...

longa conversa que dá...

lamenta-se a morte da filosofia (não pode ser analisado assi, claro com este extremismo) pois hoje todos os que se dizem filosofos são: sofistas, políticos (um político não é filosofo) e elites, estultas elites!

by henrique maio on 22 de março de 2009 às 22:11. #

Henrique, tenta responder a este teu humilde com menos sobranceria. E com menos ensinamentos em cima do joelho.
É que assim já nem dá gosto tentar debater ideias contigo. E é uma pena.

Um abraço.

by Francisco on 23 de março de 2009 às 13:50. #