conversas num café em Paris**

por henrique maio em quinta-feira, 26 de março de 2009

Les jours tristes (...)

"Bem, ragazzo! Isso não tem uma resposta clara, penso que nem pergunta se pode considerar!

Ser-se instável não é uma característica; melhor, ser-se instável é em primeira instância ser-se Homem! Nunca conheci ninguém emotivo, que sofresse e que pensasse, que não fosse instável (no sentido em que me falas). Penso que o Homem no seu concreto existir é, apenas, É. Com tudo o que esta expressão pode dizer por demasiado vaga que seja.

Jeune fille, tu és instável?

"Hmmm... Admitir tal é de facto algo de sobremaneira dificil. Num hipotético olhar objectivo, claro que seria; todavia tal frieza de olhar não é o real nem o concreto e como tal não me considero. Essa intimidade resulta de uma reserva tal, própria da pessoa em si, que nunca é demonstrável. Acaba por ser certo egoísmo nosso, mas é um egoísmo essencial e vital, um defeito da Razão dito doutra forma.

"És de facto cruel; pela forma como me falas. Fria... és incrível, falas-me de Razão! (um sentimento de desconforto surgia em mim pelas palavras pouco harmoniosas da sempre querida rapariga; levantei-me e sai a correr do Café).