enfin.. enfin

por henrique maio em quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

De tantas conversas, fora toda a plasticidade, fora toda a pertinência delas, resta apenas, por vezes um certo vazio. Discute-se igual hoje, amanhã também e ontem? Sim, ontem também igual, ouvem-se as mesmas vozes, as mesmas opiniões, as mesmas irreverências, as mesmas respostas. No final resta sempre um sorriso de que algo foi feito, aliás bem feito! Um sorriso vazio sem lógica sem norte... Qualquer assunto e qualquer opinião hoje é certa, amanhã não e no dia a seguir volta a ser certa, qualquer sensação hoje é forte, amanhã fraca e depois de novo forte! Onde está o sentido de tudo isto? Não se sabe, mas discute-se sorrindo com as respostas de tal bailado argumentativo!

Desespera-se, por vezes, a mão cola na testa, o olhar é desviado, e nada faz sentido e até nesta porção nesta ilha onde não há Rosa dos Ventos, lá aparece um Iluminado que nos faz crer num sentido e num tópico de discussão e argumentação, discutir o exterior e a sensação (não interessa bem o objecto, interessa é discutir). Lá nos aparece essa Novidade, essa insanidade, esse vazio...
Às vezes não me entendo...

Até ao dia, em que um estrangeiro de cigarro na mão se aproximou, não se considerava um daqueles Iluminados. Apenas trazia com ele um bom discurso maduro, (mas oh vida tinha que ser mais um discurso). Mas, deste estrangeiro, adorei a perspicácia! Chegou ao pé do nosso grupo e sacudindo a beata para o chão, num tom jocoso mas bastante assertivo, disse:

"Vive-se por estas bandas?"