conversas num café em Paris II

por henrique maio em sábado, 17 de janeiro de 2009


Mas, se não te entendo é porque penso que excluis por completo coisas como a Maldade, o Ódio, etc... Isso tudo existe, e nós, materializamos esses mesmos valores em acções "livres" (sempre livres e, enfim, como custa dizer) com o simples intuito de magoar.


"Bem, eu não disse que tal não existe...

Ah! Estás a voltar atrás, não? O teu mundo inocente, a tua cidade, o teu império do coração pelo que me descreveste é um lugar cândido...

Sabes, queria que acordasses, queria que não palavreasses, queria que sentisses o que dizes e percebesses um pouco do que te quis dar até agora! Mas, pobre coitada e casmurra, estás sempre no mesmo lugar, aí sentada, com olhar desconfiado e com um pé atrás. Ser casmurro é coisa má e, mais que isso, é a cegueira que, por vezes ela mesma traz...
Bem, a Maldade existe. Para bem de todos nós, é bom que o saibamos e é bom que contemos com isso mal ponhamos um pé fora do nosso estado de crisálida; é óbvio! Mas a maldade não é um estado puro, ou.... enfim, diga-se, um estado geral, ela é uma excepção. A maldade é uma perspectiva, é Moral. O mal que tu entendes como tal pode ser o Bem de quem consideras inimigo ou do teu vizinho lá longe que vive numa montanha diferente da tua.
Se quis negar a maldade, não é a maldade enquanto acção que provoca sofrimento, mas sim quis esclarecer que a maldade é uma simples perspectiva do mesmo objecto!
Não é assim?