#15 às terças, quase como acaso

por TR em terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Como de costume, perante os empecilhos trazidos pelo estudo, o recurso a palavras que não são minhas, mas que muito aprecio. Aproveite o leitor, como eu aproveitei ao descobri-las. Numa manhã ou tarde de Julho, ignoro-o.

Sentes palpitar em ti a ambição da grandeza,
Sentes o travo do ódio, o fel do orgulho e da inveja?
Julgas-te vencedor e enches o peito de alegria,
Crês-te derrotado, e choras dor e amargura?
Então por um momento, olha para as estrelas.

Incomodam-te os atritos, as poeiras deste vasto
Mundo, sofres os horrores da vida quotidiana?
Queres mais do que tens, mais do que sonhas?
Desejas uma doce vida sem tristezas?
Larga o tempo, e olha para as estrelas

Acaso te parece que sabes alguma coisa,
Que tens alguma coisa, que és alguma coisa?
Acaso te consideras o centro do universo,
A raiz das sombras e das luzes?
É simples: olha para as estrelas.

Olha para as estrelas, numa clara noite de verão,
Olha o negro céu, o negro céu luminoso.
Passeia a tua alma nas estradas sem fim,
Do outro lado da sombra, o teu olhar, pelos imensos sóis
Cujo pequeno reflexo mal consegues distinguir.
Vamos, avança sem medo, até onde te levar a tua imaginação.
Não chegarás nunca onde nem queres chegar,
Mas no breve caminhar da tua alma, encontrarás
O repouso dos teus sentimentos desencadeados,
Que é a única resposta dos teus dramas.

António Quadros