do Tribuna para a SD (18 de dez)

por henrique maio em sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

"Vocês entendem:"

Ah bela teimosia... II

No fim da peça um sentimento gracioso, na medida em que pela primeira vez desde há algum tempo consegui falar a "sério" não só de mim, mas de todos que me rodeiam! Pela 1ª vez, consegui pegar em histórias da minha vida e criar teatro (verdadeiro mas mascarado ao de leve). Pela 1ª vez, consegui falar do que me consegue atormentar, do que é marca minha, daquilo que se calhar penso que sou, sem sequer pressupor qualquer avaliação dos outros! Pela 1ª vez, sem qualquer pré-conceito face aos que me rodeavam decidir ser EU, simplesmente EU, com tudo o que isso traz de bom e de mau e com tudo o que isso pode resultar de bom ou mau para os outros!

Se me foi difícil? Bem, não foi... em verdade, poderia voltar a dizer tudo de novo! O que mais gostei foi a espontaneidade do momento, foi uma apologia cega, foi a exaltação daquilo que penso que é de facto essencial a todos nós.

Adorei ouvir pessoas que considero amigas a falar sobre elas, a falar que algo é fácil ou difícil como se fossem pequenas crianças trocistas (num bom sentido claro).

A ser sincero, senti-me (apenas) mal ao acordar:
"O que fui eu fazer?"
Esta pequena dúvida, tem muito que se lhe diga, pois decidi dar mais dos 90% que posso dar a outrem... nem que tenha sido apenas mais um ou dois! Sei que dei, e talvez me tenha sentido mal com isso.

A grande peça terminou com uma nostalgia positiva, mais recatada e ao pé de menos pessoas que o grupo inicial, e aqui atingimos o Surreal em si: "falar de Amor" num outro nível nas palavras de um deles. AH! Doce, deveras doce!

Ainda mais pessoal, tornaria aquela minha conversa, mas não podia por não querer de facto (neguei esse ensejo facilmente pegando nas palavras ou, melhor no conselho, de outro grande amigo meu... "sabes que pode sempre não valer a pena e tu de facto tens marcas especiais que não deveriam ser moldadas por qualquer espécie de mágoa".

Várias coisas me passam pela cabeça é verdade... Admito! Parecem raios que batem de um lado para o outro com uma força tremenda, admito! É verdade e nunca o vou poder negar e daqui lembro-me sempre de uma frase que usei e que adoro usar em momentos em que o meu agir é marcado pela mágoa: "Ironia doce".
Ironia, porque ao agir com mágoa vou dando toques suaves em algo que nego (Maldade), doce porque o prazer que retiro ou retirei (sei lá) foi tanto que transformou o meu olhar, dando-lhe expressão de ódio. Consegui mudar (e mudarei sempre) graças a isso mesmo, e nesta caminhada (sem caminho! nota: pra os cépticos que leiam isto: "Se não entendes, não preciso de te explicar") cada passo é uma gargalhada suave, sem tristeza alguma.
Assim, e completando a ideia, penso que da mágoa, tentei chegar à maldade e ao ódio, todavia o prazer que tal me deu, deu-me felicidade que consegui transformar de forma egoísta em actos meus de bondade: sorrisos tímidos, expressões caricatas (sei lá, o eterno sei lá).

Quando ontem me sentei, cá fora na noite fria, ao pé da porta onde aquela "bohème" se ia realizar, pensei para mim, num momento de introspecção tão forte, mas tão forte, que cheguei a tocar no meu coração em si, pensei: "Quando entrar pela aquela porta, vou ser EU, e isso vai ser o meu "novo" teatro!". Consegui, se calhar, transformar aquilo que iria ser aquela boémia, se calhar até alguém não gostou e mais recatado odiou aquelas minhas palavras, porventura se calhar alguém se feriu ao ter que pensar sobre si e sobre o que significa ser alguém e tar com alguém... Porventura... Mas que riso trocista o meu!

Disse e não me esqueço: "Sinto-me tão pequenino.." Como quem num momento excêntrico, sente o sangue a sair do corpo por completo e a percorrer todos os cantos de uma sala. Ontem, ontem naquela sala, eu deixei (para quem quissese claro) que me estudassem enquanto Pessoa e se calhar fiz com que cada pessoa se estudasse mais um pouco.

Não sei, se alguém saiu de lá mais triste, não sei se o alcool no sangue conseguiu tirar o fardo pesado do Tempo e da Vida das nossas cabeças... não sei! Não sei e não sei!
Eu cheguei a casa, não olhei para o relógio, não olhei para os meus cadernos, para os meus "complexos" contidos nas canetas com que escrevo...
Cheguei a casa e antes de adormecer ao som de uma bela música, olhei para um espelho (sentia necessidade disso).

Disse-o (em sussuro ou não): "Isto "come-me tanto" a cabeça!" Bem verdade!

E agora? Queres repetir? Bem, não não quero... Outros que o façam, não como legado, não com qualquer definição ou sobre qualquer nome pomposo (peço-vos, a vós que sabem quem são, que não criem uma "Sociedade" para criar momentos como estes, por favor, o engraçado reside no espontâneo repito); outros que o façam nunca sozinhos mas sempre sempre acompanhados.

1min de silêncio?! Tens coragem de o fazer?! Percebes o porquê? (Mais um aparte, bastante pessoal, quando estavamos a observar as pessoas que entravam na sala, o mais engraçado nem era avaliar essas pessoas mas sim as que observavam, o modo como o olhar mexia e rodava, como as expressões mudavam ao tentar ler... isso sim tem muito que se lhe diga).

Bem, agradeço-vos o momento (sabem quem são)...
Vou continuar a tapar com ligaduras as fendas que REabri (tenha isto o significado que tiver)...
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da história:

"O Fútil não se sentará à mesa de um qualquer café de novo... (será que aprendeu?)"

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Abraço e Feliz Natal!

Um comentário

será q alguém lê mesmo estes textos gigantes?

by Me, Myself and I on 24 de dezembro de 2008 às 04:11. #