Paz&Espada

por Manuel Marques Pinto de Rezende em sábado, 4 de outubro de 2008

A Liberdade é um Louco que ninguém conhece e Todos seguem.

Não penseis que vim trazer a paz, mas a espada. Vim para fazer a separação entre pai e filho, entre mãe e filha, entre nora e sogra: e os inimigos dos homens serão os companheiros de casa.
(Mateus, X, 36-39)

A Liberdade confronta dois príncipios: A Colectivização e a Individualização. O primeiro é um produto da Sociedade, o segundo do Homem. Não raras vezes, a Colectivização pretende integrar o indivíduo na colectividade através de meios indirectos e directos: a ilusão que estabelece de ser a maioria que tem a Razão, a necessidade da dependência e a perseguição dos que se desapegam do seio da colectividade, a própria moral, através da criação de condutas sociais, e o instinto social, como meio último de escravizar pela satisfação o ser humano. Indirectamente, age através da família, do grupo, do partido político, da seita religiosa, da religião, da raça.
O outro princípio, porém, é o que alimenta a Liberdade, e se recolhe na sua fonte. Nem sempre o Homem é adaptado pela sua Colectividade. Muitas vezes ele se revolta, e age contra os interesses da própria família. Não por Loucura, mas pela busca individual da Verdade.
Apenas através da Liberdade do Indivíduo, e do primado da Individualização do Ser sobre o Colectivo, poderá o Homem, um dia conseguir a Liberdade. E a Liberdade permitir-lhe-á perseguir livremente a Felicidade. A Felicidade é, no entanto, um caminho espinhoso. Até lá chegar, o Indivíduo presta-se a várias escolhas, várias decisões, dificuldades e desilusões.
Podemos então concluir que um dos componentes da Liberdade é a Infelicidade, e isto abre as perspectivas e visões de muitos os que pretendem atingir a Liberdade através do Colectivo, uma Liberdade que exige pouco esforço individual e somente requer a submissão à Opinião Oficial.
E é disto que este espaço vai tratar. Da Liberdade, e não do libertinismo. Do Indivíduo, e não do individualismo, egoísta e fruto da Colectivização que nos distrai. Da Tradição, e não do tradicionalismo, a diferença entre seguir os pontos fortes do Passado ou adorar cegamente os valores ultrapassados. Da Unidade, heterogénea e individual, e não do uniformismo, desinvidualizado e homogeneizado. Do Louvor do Homem enquanto Ser capaz de ter ideias, e não de ser ideias.
Uma Liberdade Antiga, e portuguesa. Sem tirar nem pôr.

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