ANARQUIA

por João Fachana em domingo, 26 de outubro de 2008

Oito horas e quarenta e cinco minutos:

Fernando conduzia o carro, saindo do quarteirão onde estava a escola e avistou uma carrinha branca, da Eurest, a aproximar-se. Estacionou o carro e foi de encontro a ela. No cruzamento anterior à entrada da escola a carrinha parou. Fernando aproximou-se do lugar do motorista:
- Muito bem, não se atrasaram.
- Sabes bem que nunca nos atrasamos, Fernando. – Disse o condutor.
- Bem, salta para o lado.
O condutor chegou-se para o banco vazio do passageiro e Fernando entrou na carrinha. Acelerou em direcção aos grandes portões verdes da escola. O porteiro nem mandou a carrinha parar, identificou logo que vinha trazer a comida para o almoço, via o símbolo da Eurest. Mal ele sabia que a carrinha tinha sido furtada um dia antes dos armazéns da empresa.
Fernando guiou até à zona das cantinas, que possuía ligação interior com o polivalente da escola, tal como figurava nas plantas que Anarquia lhe tinha cedido no dia anterior. Fez marcha-atrás, de modo a que as portas da mala da carrinha dessem para as portas da cantina. Duas cozinheiras gordas de avental abriram as portas e iam abrindo as da mala da carrinha, quando elas abriram por si próprias e de lá saíram sete homens encapuçados com kalashnikovs nas mãos. As cozinheiras soltaram um grito, mas foram logo abafadas pelos homens que as amordaçaram de seguida. Fernando e o passageiro puseram ao seus gorros para esconder a face e saíram da carrinha, também empunhando as suas kalashnikovs. Os nove homens irromperam pela cozinha a dentro levando consigo as duas cozinheiras mais as outras três que estavam a preparar os condimentos na cozinha. Foram em direcção ao polivalente. Já estavam lá dentro tudo o que era professor, funcionário ou aluno. Ouviram-se vários gritos de pânico, mas foram rapidamente abafados por três rajadas de uma das metralhadoras.
- Silêncio! – Gritou Fernando. – Estejam calados e quietos e vai tudo correr bem.
As pessoas calaram-se e fizeram o que ele mandara. Mas ninguém acreditava na segunda parte do que ele dissera.