ANARQUIA

por João Fachana em domingo, 19 de outubro de 2008

Oito horas e vinte e cinco minutos:
Anarquia olhou para o relógio.
- Está na hora, diz aos teus homens para arrancarem.
Fernando marcou um número no seu telemóvel e deixou tocar. Segundos depois a chamada foi rejeitada.
- Já estão a caminho.
- Vai ter com eles, de acordo com o plano. Eu vou entrando. Tenho uma reunião com a directora. – E Anarquia saiu do carro.
Anarquia vestia um fato azul-escuro, limpo e caro. A sua face tinha traços intelectuais, extremamente atraentes, diriam as mulheres que o admiravam enquanto ele atravessava a rua em direcção à estrada.
Chegou aos portões da escola onde o porteiro o atendeu. Disse-lhe que se chamava Paulo Coelho e que tinha uma reunião com a directora às oito horas e meia, por causa da sua filha, Sofia Coelho. O porteiro verificou nos seus registos e deixou-o entrar, depois de ter feito a típica piada de que Anarquia tinha o nome igual ao do célebre escritor brasileiro.
Anarquia entrou no grande edifício que era aquela escola e caminhou em direcção a um gabinete em que na porta envidraçada estava escrito “Conselho Directivo”. Entrou e dirigiu-se a um balcão, falando à secretária:
- Bom dia. Sou Paulo Coelho e estou aqui para ver a Sra. Directora.
- Sim, ela está à sua espera, entre. – Indicou-lhe a porta que estava à sua esquerda.
Anarquia abriu a porta, fechando-a atrás de si de seguida e trancando-a num instante, isto tudo enquanto a directora, uma mulher velha, próxima da idade da reforma, acabava de preencher um impresso. Mal ela tirou os olhos do papel e olhou para Anarquia, perguntou:
- Quem é você?
Anarquia sentou-se à frente da directora.
- A única coisa que tem de saber é que não abre a boca ou leva um tiro. – E Anarquia, nesse instante tirou de dentro do casaco do fato um revólver prateado.
A mulher ficou horrificada e branca como a cal. Soltou um grito silencioso, pois apesar de tudo, levara o aviso de Anarquia a sério.
- Não tem de se preocupar com o Paulo Coelho, nem a sua filha, eles já não são de cá. O seu mal comportamento constante e a atitude do pai de dizer que a culpa são dos professores desta escola já não a vão atormentar mais.
- Você… Matou-os? – Perguntou a directora, com medo da resposta.
- Sim, mas isso não importa, cale-se. – Disse Anarquia, mexendo ligeiramente a arma, em jeito de aviso. – Agora preste muita atenção ao que quero que faça. Vai pegar no telefone, ligar à sua secretária que está lá fora e dizer-lhe que quer todos os alunos, funcionários e professores no polivalente.
- Sim… – disse a directora, preparando-se logo para ligar à secretária.