e depois também há o pessoal da idade de plástico

por Francisco em quinta-feira, 7 de abril de 2011

sim, é certo, mas o pessoal do hip hop bate muito mais

por Francisco em quarta-feira, 30 de março de 2011



CLAASSSSSIC

Neste jornal, além do pessoal do hip hop, também há o pessoal do indie

por D. em terça-feira, 29 de março de 2011



Mas têm melhor aspecto que os rapazes do vídeo.

As aventuras de uma jovem utente da CP no apeadeiro da Travagem

por D. em quarta-feira, 23 de março de 2011

Basicamente, enquanto a CP não pagar horas extra, os funcionários não as fazem. E parece que eram delas que dependia a circulação de todos os comboios que circulam segundo os horários. Ou seja, neste momento, ir apanhar o comboio é uma actividade tão emocionante como uma escalada, porque nunca sabemos quando podemos esperar duas horas, ter de apanhar o autocarro ou simplesmente voltar para casa, ou chegar atrasado uma hora ao destino. O que se passa é que para quem espera numa estação, até deve ser mais tolerável, para quem espera num apeadeiro é só decadente. Isto porque não existe informação alguma sobre os comboios que foram ou não suprimidos ou sobre os que circulam com atraso. E esperar num apeadeiro que consiste em meia dúzia de vidros partidos e bancos urinados, é ainda melhor. Principalmente porque eu tenho a certeza que qualquer dia vou ser roubada pelas crianças da escola básica da Travagem que faltam às aulas para estar no apeadeiro a fumar. E o autocarro que parte da Travagem está sempre cheio de gunas, os quais nunca usam o comboio (aqui está um interessante estudo sociológico), além de demorar o dobro do tempo que demora o comboio a chegar ao centro do Porto. E os velhotes tentam inevitavelmente convencer-me de que no tempo do Salazar é que era. Ora, não me parece que haja uma mudança de planos de pagamento tão cedo, pelo que cada vez mais fico tentada a empreender uma ida para o Porto a pé pela linha do comboio. De certeza que não existem funcionários suficientes para aplicar as coimas.

Chegou a Primavera

por D.

E nem a propósito, chegaram novas canções:



O álbum, assim como quem apenas ainda ouviu umas cinco vezes, é diferente dos outros. Como uma viagem ao início dos anos 80 e ao rock que se fazia nessa altura. O resto, fica para vocês decidirem.

Anna Karenina

por Inês P. em sábado, 19 de março de 2011

“Anna Karenina”, o livro de Leon Tolstoi, foi publicado entre 1873 e 1877.

Apesar de ser considerada uma das obras-primas do autor e de, tal como o seu outro livro de renome “Guerra e Paz”, ter um impressionante número de páginas, parte de uma premissa relativamente simples. Ana Arkadievna, aristocrata russa, boa esposa, boa mãe, preocupada com os seus familiares, uma das grandes figuras da sociedade czarista, trai o marido com um homem mais novo, mais simpático, mais ardente. Nada de novo. Contudo a história complica-se mais tarde – e a condenação da traição da parte do seu círculo social, o abandono do filho, a impossibilidade do divórcio, desmentem todas as ideias açucaradas dos românticos da época, para os quais o adultério era quase um dever para alcançar a verdadeira felicidade.

Se Ana tinha tudo – beleza, elegância, dinheiro, a consideração dos amigos, relações nas mais altas esferas, um marido com uma carreira brilhante, um filho que amava acima de tudo – porquê deixar tudo por Vronski, consideravelmente inferior a tudo o que ela conhecera até então? Vronski sentia-se atraído pelo brilho de Ana, mas esta nada vê nele para além da sua juventude e entusiasmo pela vida. Talvez estivesse cansada de representar o papel da mulher perfeita, talvez precisasse de drama na sua própria vida. N’ ”A Cidade e as Serras”, de Eça de Queirós, um dos comensais de Jacinto em Paris afirma que os homens, depois de estes terem levado a civilização às suas máximas proporções, nada mais podiam construir – e agora apenas lhes restava o divino prazer de destruir tudo o que tinham feito até então. Talvez Ana, depois de construir a vida perfeita, tivesse agora como única consolação o prazer de a destruir, mergulhando numa espiral de sofrimento que acabaria por a destruir a ela própria.

Não deixa de ser interessante a estrutura cíclica da história – o autor começa e acaba a história de Ana no mesmo local – e não deixa de ser irónico que Ana conheça o seu futuro amante após chegar a Moscovo precisamente para reconciliar o seu irmão com a sua cunhada, depois de esta ter descoberto o caso extraconjugal do marido. Ana, a par de Emma Bovary, tornou-se uma das mais famosas adúlteras da literatura mundial – e a mais perfeita expressão de como o casamento pode ser aborrecido.
A par da história de Ana e Vronski desenvolvem-se outras tramas menores, que constituem a perfeita crítica da alta sociedade russa. Tolstoi, afirmando-se como uma das grandes vozes do realismo russo do século XIX, traça o retrato de uma sociedade hipócrita e materialista, denunciando subtilmente a injustiça com que as classes trabalhadoras são tratadas. Destaca-se a história de Constantino Levine, um dos grandes amigos do irmão de Ana, Stepane Arkadievich, que representa a voz da sensatez na futilidade reinante e – acredito - acaba por ser um alter-ego do autor.

Mais que recomendável :D

Tribuna on-line

por Francisco em quarta-feira, 16 de março de 2011

O Jornal Tribuna de Dezembro de 2010 (publicação nº 27) em formato .pdf está agora disponível on-line.

É só descarregar aqui: http://www.mediafire.com/file/36t94mnd3uj7os9/tribuna.pdf


Boas leituras!

Cinema na Faculdade de Direito UP

por Francisco em sábado, 12 de março de 2011


Aqui está o tão esperado cartaz com a programação do Cineclube até Maio!

As sessões regulares continuarão a realizar-se às terças-feiras, de 15 em 15 dias, na sala 0.01 (piso do bar), pelas 18h15.
A entrada é gratuita para todos: estudantes e não estudantes, sócios e não sócios, amigos e amigos de amigos.

Uma grande novidade é que passaremos a sortear, no início de cada sessão, um convite válido para uma entrada em qualquer sala de cinema UCI, caso, por exemplo, das salas de cinema do Arrábida Shopping. O convite é válido para todos os dias da semana.

Para além das sessões regulares que constam do cartaz, anunciaremos também em breve uma surpresa especial que está ainda numa fase embrionária. Fiquem atentos!

A primeira sessão é já esta terça-feira, dia 15 de Março, com o filme Animal House (1987), de John Landis, comédia americana que viria a marcar o género durante toda a década de 80.

Voltamos a lembrar que se desejarem manter-se informados da programação e outras iniciativas dos Cineclube, deverão enviar um email para cineclubefdup@gmail.com com a frase “mailing list”.

Até terça!

PROGRAMAÇÃO ATÉ MAIO:

15 MARÇO
Animal House (John Landis, 1978)

29 MARÇO
À l'origine (Xavier Giannoli, 2009)

12 ABRIL
Faces (John Cassavetes, 1968)

26 ABRIL
Cléo de 5 à 7 (Agnes Varda, 1962)

10 MAIO
Buffalo '66 (Vincent Gallo, 1998)

Laranja Mecânica

por Ana Teixeira em quarta-feira, 9 de março de 2011

Laranja Mecânica (uma das obras de S. Kubrick) é ainda hoje inovador e irreverente: quer pelo seu início chocante quer pelas questões que coloca. Alex DeLarge, um jovem perturbado, relata na primeira pessoa os vandalismos e actos de violência que ele e os seus amigos praticavam, enquanto cantarolavam músicas como “Singin’ in the rain”. Acaba por ser preso, após ter morto uma mulher cuja casa assaltava, e, após uma (curta) estadia na prisão, submete-se a um tratamento que altera os seus comportamentos, passando os actos que anteriormente praticava (e, aliás, qualquer expressão de violência) a causar-lhe sensações de náusea. Tudo isto levar-nos a repensar os limites entre a consciência moral e a capacidade física para julgar o que é ou não reprovável, uma vez que o personagem principal deixou de ter atitudes violentas não por as considerar socialmente inaceitáveis, não estando subjacente aqui qualquer juízo de valor, mas sim porque simplesmente não era fisicamente capaz de as praticar, acabando mesmo por se revelar incapaz de se defender perante um ataque.
Um êxito cuja escolha da banda sonora o dota de uma certa ironia…

Poema da morte de amor ao som de Cannonball Adderley

por C em terça-feira, 8 de março de 2011

Blues da morte de amor

já ninguém morre de amor, eu uma vez
andei lá perto, estive mesmo quase,
era um tempo de humores bem sacudidos,
depressões sincopadas, bem graves, minha querida.
mas afinal não morri, como se vê, ah, não,
passava o tempo a ouvir deus e música de jazz,
emagreci bastante, mas safei-me à justa, oh yes,
ah, sim, pela noite dentro, minha querida.

a gente sopra e não atina, há um aperto
no coração, uma tensão no clarinete e
tão desgraçado o que senti, mas realmente,
mas realmente eu nunca tive jeito, ah, não,
eu nunca tive queda para kamikaze,
é tudo uma questão de swing, de swing, minha querida,
saber sair a tempo, saber sair, é claro, mas saber,
e eu não me arrependi, minha querida, ah, não, ah, sim.

há ritmos na rua que vêm de casa em casa,
ao acender das luzes, uma aqui, outra ali.
mas pode ser que o vendaval um qualquer dia venha
no lusco-fusco da canção parar à minha casa,
o que eu nunca pedi, ah, não, manda calar a gente,
minha querida, toda a gente do bairro,
e então murmurarei, a ver fugir a escala
do clarinete: - morrer ou não morrer, darling, ah, sim.

Vasco Graça Moura, in Poezz - Jazz na Poesia em Língua Portuguesa.






Álbum: Know what I mean?, 1961
Música: Waltz for Debby
Cannonball Adderley: alto sax
Bill Evans: piano
Pearcy Heath: bass
Connie Kay: drums