O momento em que o mundo matriarcal cedeu perante o patriarcal - ou quando os homens queimaram os seus sutiens

por Sara Morgado em domingo, 21 de março de 2010

"(...) Bachofen apresenta a Oresteia de Ésquilo como a descrição dramática da luta entre o direito materno em declínio e o direito paterno que emergia e triunfava no tempo dos heróis. Por causa da Egisto, seu amante, Clitemnestra matou o marido, Agamémnon, que regressava da guerra de Tróia; mas Oreste, filho dela e de Agamémnon, vinga o assassínio do pai matando a mãe. É por esse motivo perseguido pelas Erínias, as demoníacas protectoras do direito materno, segundo o qual o matricídio é o mais grave e inexpiável crime. Mas Apolo, que, através do seu oráculo tinha exortado Orestes a essa acção, e Atena, que é chamada como juiz - representado aqui estes dois deuses a ordem nova, de direito paterno -, protegem-no; Atena ouve as duas partes. Todo o litígio se resume na discussão que então se trava entre Orestes e as Erínias. Orestes alega que Clitemnestra cometeu um duplo sacrilégio, na medida em que matou o marido dela e, desse modo, também o pai dele. Assim, por que é que as Erínias o perseguiam a ele e não a ela, de longe, mais culpada? A resposta é percuciente: Ela não era parente de sangue do homem que matou. O assassínio de um homem que não seja consanguíneo, mesmo que se trate do marido da assassina, é expiável. (...) Apolo intervem como defensor de Orestes (...) e Atena, como presidente, dá o seu voto a favor de Orestes e absolve-o. O direito paterno alcançou a vitória sobre o direito materno."

in F. Engels, A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado.

Pelas ruas do Porto

por Inês P.

A cada dia que passa, as ruas do Porto assumem um significado cada vez mais especial. Seja na companhia de amigos para a vida, ou nem tanto, cada aventura lá vivida dá-lhes uma cara diferente. A calçada portuguesa, o som dos saltos altos, o vento que nos despenteia, os pombos que pousam nos Leões, as esplanadas, os cheiros, as cores, as lojas, as quelhas, ganham outro ar à medida que o Porto se entranha em nós, cada vez mais.

Mas o mais extraordinário, nos lugares do Porto, é a quantidade e variedade de pessoas que se encontra a cada passo. Desde as típicas donas de casa, aos jovens como nós, às dúzias; artistas, mendigos, turistas, comerciantes ou gente de negócios; com ar atarefado, misterioso, ou simplesmente ocioso. Pessoas de ar feliz e pessoas de ar zangado, pessoas caladas que passam por nós discretamente ou pessoas que passam falando alto para o ar, pessoas que conhecemos bem, ou de vista, ou que nunca vimos nem voltaremos a ver, mesmo que nos voltemos a cruzar; pessoas que queremos ver e pessoas que não queremos encontrar. Há de tudo.
E, claro, há pessoas que não conhecemos de lado nenhum, mas já estamos tão habituados a vê-los naquele sítio e àquela hora, que caso lá não estejam estranhamos: o senhor à porta do café, o rapaz dos jornais, aquela que passa sempre por nós a caminho do emprego. Cada vez o Porto parece ser uma pequena aldeia, porque as pessoas com quem nos cruzamos são essencialmente as mesmas, sensação acentuada quando descobrem que o vosso amigo A é amigo do vosso amigo B que vocês conheceram na outra ponta da cidade; pela lógica vocês nunca os associariam, mas não, são amigos desde que andaram juntos na mesma escola primária.
Sim, as ruas do Porto são doces, e continuarão a sê-lo enquanto forem cenário de devaneios profundos e melancólicos, de gargalhadas alegres, de noitadas de copo na mão, de sorrisos e abraços. Somente enquanto estes forem superiores às tristezas, que também as há.

por Ana em sábado, 20 de março de 2010

"Não acho que o ser humano seja pacífico. Penso que não se evolui desde a idade da pedra e que o verniz social que nos proteje da selvajaria é inquietantemente ténue, está sempre prestes a estalar(...) Eu escrevo um teatro de nervos porque são os nervos que nos comandam. As personagens que componho desde sempre são pessoas bem-educadas que pretendem manter a compostura. Mas como também são muito impulsivas, não conseguem manter as regras que impuseram a si próprias. Vão derrapar, mas sempre contra a sua vontade, mesmo quando estão em plena derrapagem. É precisamente esta luta da pessoa contra si própria que me interessa "

Yasmina Reza

oficinas do pensável # 8.

por Ricardo Mesquita em sexta-feira, 19 de março de 2010

Apareçam!

" Burucratus" Histórias e Vicissitudes do funcionamento das instituições burocráticas portuguesas!

por Duarte Canotilho

Burucratus é um filme da autoria de Alexandre Oliveira e Telmo Marques, e passa-se numa repartição de finanças muito proxima da nossa faculdade.
O Enredo fala-nos sobre 2 rapazes que mandatados por um grupo de feministas, tentam dar inicio de actividade a uma associação jovem. Começando pela conservatória, temos logo um cenário negro em que os protocolos assinados com outras instituições, nomeadademente o IPJ, não sao reconhecidos a nivel nacional, mas apenas naquelas conservatórias que lhes interessam. As peripécias são muitas, e vale a pena ver mesmo o filme, nomeadamente na parte em que ligam a Alexandre passados 20 dias de ter ido a conservatória , para lhe dizer que afinal a recusa na constituição oficial da associação afinal não tinha fundamento, e que a partir desse dia já la podia ir sem as 30 pessoas para oficializar o acto. Alexandre então num momento de furia pega num cocktail molotov e destroi uma repartição de finanças---
Noutro momento giro do filme vê-se os dois protagonistas a passar 1h30 numa outra repartição de finanças, na qual lhes é dito por um homem (retirado de um scketch do gato fedorento) que não podem iniciar a actividade enquanto não tiverem um livro de actas selado pela junta de freqguesia de paranhos.
No dia seguinte, vê-se o protagonista no seu FORD GT40 a ir até paranhos par selar o livro de actas, quando se depara com a situação de que afinal não é a junta de paranhos a competente, mas (segundo a junta) é sim o escritorio de registos e notariado de paranhos, escritório que tal como a junta fica no "fim do mundo"!!!! e no qual dizem que a entidade competente para selar o livro é as finanças. Após a destruição e vandalização de ambos os sitios, (alias tenho de dar os parabens aos efeitos especiais, que estão ao nivel do AVATAR) dirigimo-nos às finanças onde a punchline do filme entra.
Alexandre pergunta a funcionária, "é necessário selar o livro de actas para declarar o inicio de actividade de uma associação?" Ao que após uns longos 30 segundos ela responde:
"mas quÊ isso é uma interrogativa? -disse ela com ar mesmo de quem o cerebro não funciona -é que se for uma pergunta tem de tirar o tiquet do IVA, pois lá é que respondem a perguntas."
Pois é... fica um excerto do filme aqui descrito, e podem ve-lo numa repartição de finanças proxima de si :)

Ignorância e metáforas com o mundo animal

por Zenhas Mesquita em quarta-feira, 17 de março de 2010


Como todos sabem, sou o alternativo do alternativo. E como tal sempre me fascinou os fenómenos mais bizarros que me rodeiam. E se a historia que nos dão for uma grande farsa? Se isto for tudo uma conspiração obscura para guiar esta pobre manada de gnus que somos? Então quem será o messias que nos guiará? Eu ja sei a resposta. Anatoly Fomenko

Esqueçam os falsos profetas...

St Patrick's Day

por Zenhas Mesquita






Hoje é St Patrick’s day e como manda a tradição devemos usar algo de verde e apanhar uma grande carraspana nas ruas da nossa cidade. Este é o dia nacional da Irlanda sendo no entanto celebrado um pouco por todo o mundo e também aqui em Portugal. É verdade que não temos uma comunidade Irlandesa muito forte, mas como diz o ditado, Todos somos irlandeses no dia de São Patrício … Por isso também vos direi que podemos não ser irlandeses, mas hoje bebamos como se fossemos.





Funny the way it is

por Sara Morgado em domingo, 14 de março de 2010

Semestre novo, novo álbum, ou já com quase alguns meses.
Há bandas que, depois de todas as provas dadas, de tantos álbuns lançados e de mostrarem como os concertos se podem tornar em verdadeiras festas de todas as cores, atingem um patamar de mestria.
Já faziam música e eu nem era nascida, sem nunca terem o som de uma determinada época. Como se existisse a moda e depois existisse isto que, por estar de fora dela, nunca fica ultrapassado.
E então sabemos que um novo álbum raramente desiludirá. E não desilude.
Mas fica aqui um bichinho como quem não esperava uma bizarria destas:

Porque sim

por Inês P.

Publicidade enganosa?

por D.

Secretamente tento descobrir qual a técnica de conseguir efectivamente os tão prometidos bilhetes a 5€ e 8€ que constantemente são anunciados em promoções ryanair. Porque eu na minha boa-fé vou sempre procurar nas datas que eles indicam e nunca tem nada a esse preço. Haverá algum truque especial? Já alguém teve sucesso e deseja partilhar a sua experiência enriquecedora? Serão as promoções uma mera miragem para fazer sonhar jovens que contam os trocos na ânsia de poder visitar uma cidade europeia com 200€? Serei eu apenas uma taralhoca que não sabe fazer pesquisas ryanair?