Funny the way it is

por Sara Morgado em domingo, 14 de março de 2010

Semestre novo, novo álbum, ou já com quase alguns meses.
Há bandas que, depois de todas as provas dadas, de tantos álbuns lançados e de mostrarem como os concertos se podem tornar em verdadeiras festas de todas as cores, atingem um patamar de mestria.
Já faziam música e eu nem era nascida, sem nunca terem o som de uma determinada época. Como se existisse a moda e depois existisse isto que, por estar de fora dela, nunca fica ultrapassado.
E então sabemos que um novo álbum raramente desiludirá. E não desilude.
Mas fica aqui um bichinho como quem não esperava uma bizarria destas:

Porque sim

por Inês P.

Publicidade enganosa?

por D.

Secretamente tento descobrir qual a técnica de conseguir efectivamente os tão prometidos bilhetes a 5€ e 8€ que constantemente são anunciados em promoções ryanair. Porque eu na minha boa-fé vou sempre procurar nas datas que eles indicam e nunca tem nada a esse preço. Haverá algum truque especial? Já alguém teve sucesso e deseja partilhar a sua experiência enriquecedora? Serão as promoções uma mera miragem para fazer sonhar jovens que contam os trocos na ânsia de poder visitar uma cidade europeia com 200€? Serei eu apenas uma taralhoca que não sabe fazer pesquisas ryanair?

2º Lançamento no Porto

por Anónimo em sexta-feira, 12 de março de 2010


Convido todos os que integram este jornal e todos os nossos assíduos leitores :)

Cláudia Isabel

memory tapes_swimming field.

por Ricardo Mesquita

da auto-ajuda (ou talvez não.).

por Ricardo Mesquita em quinta-feira, 11 de março de 2010


Podia começar por falar dessa tão afamada auto-ajuda. Dessa vastíssima secção que ocupa parte de qualquer livraria que se preze (ou despreze) mas que queira, em suma, sobreviver - são sinónimos, ao que parece. E é ver toda uma parafernália de céus azuis, rosas de cores muito vivas e sumarentas; títulos em que coexistem (nem sempre pacificamente) um sentimento - dos bons como nostalgia, saudade, alegria e afins derivados e um qualquer elemento natural - "ao luar", "na praia". ("no raio que os parta", não?). Podia descrever como quase tenho a certeza que aquelas capas são o pesadelo de um qualquer designer desesperado que finalmente percebe que devia ter dado ouvidos à mãe ou ao pai. Podia fazê-lo, mas deve-se começar por coisas menos indigestas, que ainda agora aqui chegamos e não queremos já dissuadir os leitores mais incautos que aqui tenham vindo parar por acaso do destino.


A auto-ajuda anda a fazer estragos, que é como quem diz a ajudar uns e a prejudicar outros. Esses que têm de presenciar episódios como o que aqui venho contar.


Elas eram duas - assim sentadas muito juntas num café de uma rua qualquer. Uma com a perna a estalar na licra num género "pseudo-nasty"; a outra mais discreta mas com uns borrões nos olhos que fariam uns murros nos ditos parecer uma benção do Altíssimo. Eram uma parelha perfeitamente inócua, não fosse terem o dom da palavra e uma vida para viver.


Sei que não se deve escutar conversas alheias mas, naquele caso o alheio tornou-se de todos os que, por acidente, literalmente, suspenderam as suas vidas naquele lugar, por uns instantes.


Começou uma: "Sou escorpião, Cristina. É o signo da paixão, percebes? É por isso que eu preciso tanto daquilo." Suspende-se brevemente aqui a narrativa dizendo que a libidinosa de licra movia os braços em gestos amplos quase enfiando o mindinho e até quem sabe todo o corpo no olho da interlocutora. Todo o público ouvia, fingindo à superfície com gestos como o trincar e o beber que nada daquilo era anormal. Eu, incluído.


A outra respondeu: "Escorpião é a morte. Por isso é que tens que lutar e deixares de enganar a tua própria natureza." Note-se, a breve trecho, que o lutar pareceu saído de uma qualquer cavidade visceral, arriscando-me a dizer que houve risco da senhora cuspir a pleura. Chamemos-lhe convicção.


"Morte? Desculpa, significa paixão. Por isso é que não consigo decidir. Eu sei que quero aquilo."


"Mas qual é o problema de escolheres?"
"Oh Cristina (que passamos a ser todos nós) até é fácil escolher. Este "cansa-se", percebes? E o outro não. Mas eu já não tenho 24 anos. E isto é romântico. E ele leva e dá."


"Mas tens que lutar para não negares a tua natureza. E tu não és assim. É porque não estava escrito."


Entretanto a conversa muda e a Cristina, que não sendo amiga de ninguém, depressa se fez intíma, continua: "Eu paguei 200 euros no "inxame". Ai meu deus, tenho que passar.


"- O destino há de querer que passes."


Com esta lapidar frase que pareceu encher (mais) Cristina de ânimo, a conversa continuou:


"Ele é psicólogo e a mulher dele de certeza que é tarada. Só ele é que ainda não percebeu."


"Temos que ir embora."


"Tá benhe. Vamos."


Foi isto que me foi dado como acompanhamento do lanche de hoje. Os diários intímos do Moby Dick e da amiga. E, de repente, todas aquelas secções das livrarias com conselhos de gente com nome de abelha; com livros que nos mandam ir aonde nos leve o coração, parecem estar a trazer graves consequências. "Está escrito, dizem." E eu penso para comigo como é que pessoas que mal sabem ler, conseguem perceber o que quer que seja.


E percebo que a maioria desses livros, desses que auto-ajudam, dizem o que as pessoas querem ouvir, não o que elas precisam de ouvir. E trazem um sol gigante na capa e promessas de volúpia na areia. E isso deve ser, certamente, "aquilo" que toda a gente quer. (ou não.)


PS: A palavra "rodada" não é um trocadilho ordinário sobre a menina nasty de licra.

What if you miss the last train?

por Inês

Esta coisa da internet + The Pleasure of finding things out

por Guilherme Silva em quarta-feira, 10 de março de 2010

Tinha realizado um texto bastante bonito e inspirado sobre a vida e obra, aventuras e desventuras, do professor Richard Feynman, Nobel da Física em 1965, amante da pintura e percussão musical, excelso na arte de abrir fechaduras e cofres, e conhecido pelo seu bom humor.
Um erro do browser Firefox, complicações com o Html, a minha pouca paciência e a minha parca inteligência levaram-me a apaga-lo, na promessa que o voltaria a escrever mais tarde.

Fica a nota: era um texto bem conseguido e bonito em algumas passagens.

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E, como que por magia, consegui recuperar o meu texto original.
De novo, muito obrigado.

Professor Richard Feynman,
Nobel da Fisica em 1965
Wikipedia
Nobelprize.org


The pleasure of finding things out
(entrevista de 1981)
Parte 1 | Parte 2 | Parte 3 | Parte 4 | Parte5

Professor Richard Feynman is an outstanding scientist, Nobel physics laureate and legendary teacher.

É assim que o professor Richard Feynman é descrito no início desta entrevista .

Tomei conhecimento desta eminência do mundo cientifico através de um estranho projecto (bem conseguido, a meu ver, e de que mais tarde também aqui tratarei) que funde musica e ciência (video), e desde então tenho-me visto fascinado por grande parte dos seus preciosismos.

Sei que escrever um artigo enaltecendo os feitos dum cientista do século passado será apontado por muitos (e julgo que até por mim seria, não fosse eu o autor) como entediante e nerd, mas é um facto que este individuo não se limitava a uma figura cinzenta, culturalmente obsoleta e cansativa. Longe disso. E esta entrevista bem o demonstra.

Além de um eminente físico, um homem que retirava imenso prazer e alegria do estudo dos segredos da vida, Feynman era também um amante de um sem-numero de outras fascinantes, e bastante dispersas, actividades. Praticava malabarismo, pintava sob o pseudónimo "Ofey", tinha vastos conhecimentos na arte de abrir fechaduras e cofres, e tocava tambor, bongos e outros instrumentos de percussão. É-lhe reconhecido um sublime sentido de humor, estando as suas autobiografias e outras obras recheadas de verdadeiras pérolas humorísticas.

Além disse, não fazia por esconder as suas falhas enquanto ser humano. Parte importante no processo de criação da bomba atómica, reconhece que festejou e se embebedou no dia em que Hiroshima foi bombardeada, mas admite que fora incauto e imaturo na altura. Mais tarde tornou-se um eminente oponente do programa nuclear dos EUA e da proliferação nuclear durante a guerra fria.
Não escondia que não sabia tudo, e que mesmo que quisesse nunca o conseguiria saber.

Não quero alongar-me e tornar uma personagem tão interessante e inspiradora num cansativo exercício de escrita. Richard Feynman, nesta entrevista, vale bem os 50 minutos que me levou.

1º Lançamento Oficial_ 13 de Março de 2010

por Anónimo em terça-feira, 9 de março de 2010























PS: A pessoa que irá apresentar o livro será efectivamente a Dr.ªMaria José Guimarães




ps: Haverá também um lançamento no Porto com local e data ainda a designar :) para todos os que estiveram possivelmente interessados :)
Cumprimentos a TODOS
da amiga e poetisa
Cláudia Isabel

#43 às terças

por TR

(Filosofia do Direito - parte 2)
Se somos acima de tudo reconhecimento, então não seremos reduto, onde apenas o mundo interno tem lugar, nem osmose com o externo. A chave está no verbo: reconhecer.
Reconhece-se o que já há, e o que já há só o é na medida em que se consciencializa. O reconhecimento não anula o sujeito: é um "posterius" em relação a um "prius" ou, mais certeiramente, é síntese entre o que havia e o que vem a haver. A busca de um novo equilíbrio. Estrutural na razão clássica, ganha agora diferente coloração, diferente harmonização entre a unidade e a totalidade, entre o eu e os outros - compreendendo que a unidade só se percepciona por referência ao todo (onde a parte conhece o todo de que toma parte), que a unidade é a pessoa humana.
E, se os clássicos nos legaram a forma, a palavra e as formas das palavras (todo o pensamento é forma, forma de um significado), o sentido do reconhecimento será revelado a seu modo. Um novo ponto de Arquimedes? Talvez. Sugere-se:
"Dai-nos um ponto de apoio e o mundo levantar-nos-á."