A grande esperança

por Frederico de Sousa Lemos em quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Faz hoje 45 anos que foi atribuído o Prémio Nobel da Paz a Martin Luther King, como reconhecimento pela sua luta em prol dos direitos humanos, especialmente contra o preconceito racial nos EUA.
Este ano o galardão foi atribuído a Barack Obama, muito provavelmente como um incentivo e uma esperança na concretização das acções globais que o Presidente dos EUA iniciou (e com efeitos práticos ainda não muito visíveis). O mais prudente teria sido aguardar pela concretização das intenções de Obama, no combate às alterações climáticas, na luta contra a pobreza extrema, no desarmamento nuclear, no respeito pelos Direitos Humanos...

A decisão do Comité parece precipitada... Esperemos que as (cada vez mais altas) expectativas criadas em relação a Obama não saiam defraudadas. É esse o meu desejo.

sensation

por Manuel Marques Pinto de Rezende em domingo, 11 de outubro de 2009

Par les soirs bleus d'été, j'irai dans les sentiers,
Picoté par les blés, fouler l'herbe menue :
Rêveur, j'en sentirai la fraîcheur à mes pieds.
Je laisserai le vent baigner ma tête nue.

Je ne parlerai pas, je ne penserai rien,
Mais l'amour infini me montera dans l'âme ;
Et j'irai loin, bien loin, comme un bohémien,
Par la Nature, heureux- comme avec une femme.

Arthur Rimbaud

Top mais

por D. em sábado, 10 de outubro de 2009

Hoje enquanto acabava o meu almoço fui premiada por uma edição deste já tão mítico programa musical do canal público de televisão. Desta vez o grande destaque ia para os Amália Hoje, dos quais ouvi pela primeira vez falar em tom de sátira num dos programas dos Contemporâneos. Percebi que não seria a primeira vez que o top mais dedicava um programa a essa nova banda que reúne músicos portugueses que dão nova voz a canções de Amália.
Provavelmente sou eu que tenho um grande preconceito, mas quer-me parecer que não passa de um projecto que decidiu ganhar uns trocos à custa da Amália, aproveitando ao mesmo tempo para projectar as bandas a que cada um pertence. Quanto ao sucesso que os rodeia, permito não tecer considerações sobre esse aspecto.

O fim da campanha.

por Duarte Canotilho em sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Ao fim de 2 semanas de campanha olho para trás e penso, terei feito tudo o que podia?

-Distribuimos panfletos em arruadas no meio de velhinhos a escorracarem-nos de lá.
-Passamos tardes inteiras a meter panfletos nas caixas de correio
-Estivemos horas a colar os cartazes nas placas de madeira e platex dentro de uma sede
-Penduramos cartazes com arames, mesmo debaixo de chuva
-Entramos em bairros sociais onde os populares olhavam com ar ameaçador e mandavam, todos os que não eram da comitiva do valentim, insultos a torto e a direito.
-Galgamos Gondomar inteira, desde s.cosme à remota localidade da LOMBA :P
-Andamos no meio de um pântano infestado de mosquitos com o Francisco Louçã, só para mostrar a poluição dos rios.
-EStivemos horas a dobrar panfletos para depois serem postos nas caixas dos correios
-Andamos de Bombos e gaitas de foles (eu só tocava Caixa) pelas feiras a ouvir a famosa frase " e uma canetinha? ou uma bandeira... ou então uma camisola"

Olhando para trás, até acho que não foi mau de todo e ainda bem que participei na campanha, algo que me deu muito gozo, mas também muito cansaço. Hoje já não se faz mais nada. Acabou! Agora domingo é ir votar e ver se a campanha resultou e conseguimos eleger um vereado.

Domingo é que vai ser :)

Desabafo

por Luísa em quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Após mais de duas horas a assistir a um programa que pretendia esclarecer os portuenses sobre as propostas à Câmara do Porto, devo confessar que me sinto vencida.
Vencida porque, para variar, não ouvi o que queria ser discutido, mas sim muitos insultos disfarçados e ataques que não levam o debate a bom porto.
Sinto-me cansada, pois continuo a acreditar que a politica vai mudar...

Precisamos de mais pessoas a esmiuçar...

Pequeno Parêntesis: Amanhã não percam o Gato Fedorento. É imperativo ver o "nosso" Bastonário... quem sabe ele não nos indica alguns caminhos a seguir na reportagem...

Pena de Morte: Testemunho de um inocente

por Ricardo Mesquita

A ELSA FDUP e a Amnistia Internacional têm o prazer de apresentar:

Oficinas do Pensável # 6

por Ricardo Mesquita

Apareçam!

Dá-me uma caneta e eu voto em ti

por Frederico de Sousa Lemos em quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A dois dias do fim da campanha eleitoral para as Autárquicas tento fazer um balanço, e penso que muito do que se faz na ânsia de cativar votos anda perto do ridículo. Enquanto cidadão eleitor, eu nunca decidiria votar num certo candidato por ele me ter oferecido uma esferográfica. Ou um porta-moedas. Ou uma camisola. Ou um boné. Ou um qualquer outro brinde dos muitos que povoam estas campanhas. E nunca colocaria de parte a hipótese de dar o meu voto a um determinado partido pelo facto de ele não ter qualquer material de propaganda para me oferecer. As canetas podem ser muito úteis, mas têm o poder de decidir votos?


Atrevo-me a dizer que nenhuma caneta oferecida num mercado decide o sentido de voto dos caríssimos leitores deste blogue. Mas então porque é que insistem em tanto desperdício em materiais deste género? Nunca tinha percebido até ao momento em que passei a ser um dos distribuidores-de-propaganda-em-acções-de-campanha, enquanto militante de um partido político: há mesmo pessoas que dão valor aos brindes que os partidos lhes oferecem! Há mesmo pessoas que reagem mal quando não tenho brindes para dar (porque já esgotaram)! Pessoas que dizem não têm camisolas, então já não voto em vocês quando não ficam satisfeitas com a simples esferográfica que lhes ofereço!


E todo este estilo (que em nada contribui para me esclarecer, enquanto eleitor, quanto às virtudes dos candidatos e dos seus projectos) continuará até que todos os partidos decidam parar com este desperdício. Quando ninguém oferecer canetas, ninguém decidirá votar no partido que ofereceu as melhores canetas!

Parece simples…

PS: Confesso ser um coleccionador de brindes de campanhas eleitorais. Guardo religiosamente todos os materiais de propaganda que me ofereçam, de qualquer partido. É uma mania que eu tenho, e que teria de acabar (não sem alguma tristeza) se os brindes desaparecessem das campanhas.

Paz&Espada

por Manuel Marques Pinto de Rezende em terça-feira, 6 de outubro de 2009

Fogachos da História - Contribuições para um estudo sério da história social e política portugueza

Rui Ramos, historiador,

Nesse sentido, o processo de republicanização não foi obra da revolução de 1910 mas da chamada "revolução liberal" da primeira metade do séc. XIX: foram os liberais que reduziram o rei a um chefe de Estado com poderes definidos por uma constituição e que estabeleceram em Portugal o princípio do Estado de Direito e as instituições e cultura da cidadania.
Na prática, os liberais fizeram da monarquia constitucional o que eles referiam como "uma república com um rei", isto é, uma comunidade de cidadãos livres com um chefe de Estado dinástico. A Câmara dos Pares estava aberta a todos os que satisfizessem requisitos legais que nada tinham a ver com o nascimento. A Igreja ainda era oficial (como, aliás, nas repúblicas desse tempo) mas havia liberdade de consciência e estava previsto o registo civil.
Nesse sentido, se as comemorações de 2010 visam celebrar o fim da monarquia constitucional, governada pelos liberais, estaremos então perante uma festa reaccionária para vitoriar o fim de um regime que trouxe as instituições do Estado moderno, a extinção das ordens religiosas, o Código Civil e o maior eleitorado, em termos proporcionais, antes de 1975?
Em 1910, é verdade, a monarquia constitucional estava em grandes apuros. Tinha uma classe política desacreditada e incapaz de assegurar bom governo e o jovem rei D. Manuel II era atacado por quase toda a gente, da direita e da esquerda. O Partido Republicano Português, um movimento sobretudo lisboeta, conseguira criar um sério problema de ordem pública que a monarquia constitucional nunca poderia ter resolvido sem se negar a si própria, tornando-se num regime repressivo, o que a sua classe política não podia aceitar. Quando o PRP resolveu tentar a sua sorte, em Outubro de 1910, subvertendo a guarnição de Lisboa, quase ninguém apareceu para defender o regime.
Tudo isto é verdade. Mas se o objectivo é celebrar a morte de sistemas políticos apodrecidos, ignorando o que se lhe seguiu, não deveríamos comemorar também o 28 de Maio de 1926, que pôs fim a um regime desacreditado?

os fogachos

por Francisco

... passaram a ser à terça feira, na companhia de tão ilustre companheiro de redacção.

E hoje, o fogacho é ainda menos do que isso.
É um sonolento crepitar, um novelozinho de luz. Luz pouca, que o espírito não está para mais...
Anseiam-se labaredas. A mansidão desta chama dócil só engana quem não sente o calor rosando o rosto... só engana quem não sabe o quanto queima.
Labaredas, água. Venha uma delas.