(o que mais me custa no Direito)
De nada serve chegar a uma praça e declarar que a gravidade não existe, por mais argumentos que se avancem. O físico paciente ouvirá atentemente e, resguardando-se nos seus método e objecto, olhará de soslaio, sabendo que a gravidade existe, pois a facilmente assim o demonstra.
O filósofo, também, tem as suas vantagens. A realidade ou é ou não é, ou vai sendo, e o seu método específico, o filosofar, conforta-o: não importam as respostas últimas, importa o que sabemos por agora, precisamos é de nos ir aproximando paulatinamente da verdade das coisas, se verdade houver. Duvida, mas como ergueu a dúvida como razão de viver, feliz está no seu resguardo. O objecto é intrincado, mas lá se encontra delimitado.
Maldição a do jurista. Por mais buscando a solução justa para o caso concreto, não se livra de, em maior ou menor medida, ser fiel à norma. De, por conseguinte, ver ciclicamente mudarem palavras, mudarem vírgulas, de ver o trabalho de anos, seu, eventualmente, e de outros, ir por água abaixo, por o grosso do objecto da dogmática ser o dever-ser constituído. Resta apenas o - frágil - último reduto de reflectir em como deve ser o dever-ser. Ou seja, de já não curar do Direito que está, mas do Direito que vem.
"Para mudar de voto, de namorada ou de primeiro-ministro é preciso uma dose de excitação que nos motive"
Hoje é dia de eleições e há qualquer coisa pousada no ar que me faz lembrar quando as festas chegavam a Macondo.
Faz-se um almoço grande cá em casa para todos juntos irmos votar depois. Faz-se um jantar para juntar os amigos e assistir aos resultados das eleições. E entre os dois há uma série de coisas a acontecer: o ir votar e encontrar pessoas e amigos antigos e primos desconhecidos, o ritual de procurar na lista a sala onde estamos, as famílias inteiras, os vendedores que aproveitam a ocasião para venderem pipocas e algodão doce e caramelos e chupas de assobio.
E depois há qualquer coisa miudinha que não sei se é um nervoso ou uma excitação mas que tenho para mim como aquilo que os outros sentem com o futebol. Em tudo parece um campeonato: as projecções a tarde inteira para vermos o pódio, as diferentes cores de cada um e cada um a torcer pelo seu, as zangas entre pessoas que em tudo o resto se dão.
E ainda o melhor de tudo é mandar no campeonato.
Se David Bowie era o rei do Glam Rock, Mac Bolan era sem duvida o seu príncipe.
Lider dos T-Rex, Marc Bolan era a cara menos sensacionalista do garrido e provocante movimento Glam. Mais deslavado e enraivecido que o "camaleão" Bowie, Bolan era também um atentado à sociedade e cânones culturais vigentes. Todo ele era som, metal, brilho, gloss e eye liner; um paraiso de plástico que arrastou milhares em devaneios e aventuras nem sempre saudáveis.
Mas o Glam Rock morreu. David Bowie fez morrer o seu fascinante alter-ego e recolheu-se nas sombras. Marc Bolan retirou-se também, mas o destino pregou-lhe uma partida, matando-o dentro de um carro poucos anos mais tarde.
E assim terminou um bonito reinado de cor e fantasia.
De quem não vota é claro!
Em vésperas de eleições legislativas julguei oportuno atentar nesse flagelo nacional que é o desinteresse (crescente) pela política . Porque o “a política somos nós” não é apenas um cliché é efectivamente verdade.
Claro que num país democrático o “nós” é a maioria ,claro que como Estado representativo o “nós” é feito por “eles” nem sempre em nome do “nós”. Mas cabe-nos moldar o governo e não acomodarmo-nos à realidade. Porque o sufrágio não é só um modus operandi, o sufrágio é sim uma conquista e um Direito (que muito custou a conseguir nos trâmites que hoje o conhecemos , principalmente as mulheres) e acima de tudo um verdadeiro dever do cidadão (e também aqui não se trata apenas de um cliché).
Por isso o “Oh não ligo a política” deixa de fazer muito sentido. Assim sendo ,vim por este meio apelar ao voto amanha dia 27 de Setembro.
Obviamente que este discurso não se dirige para os tribuneiros , que enquanto jurisnalistas conscientes, com espírito indagador e empreendedor e principalmente enquanto estudantes de Direito e logo (supostamente) politicamente esclarecidos , não necessitam de tais palavras. Desta forma falo sim para os nossos leitores em geral. E agora vós pensardes (lembrando a dialéctica de um grande prof. do 3º ano )“mas quem lê este blog habitualmente e devido ao conteúdo do mesmo, tem de ser pessoa reflectida” .Sim! Em principio. Mas ainda assim...E porque reflexão não é sinónimo de pensamento político , apelo a que troquem a inércia pelo voto:
-Porque o domingo familiar pode ser igual a ir votar e não necessariamente ir entupir o metro para as 7 bicas e os shopping’s em geral. Então porque não reunir a família na mesma? Até se podia fazer a almoçarada eleitoral ,bem à portuguesa (tudo pelo avanço do país), antes de se ir distribuir as pessoas pelas mesas de voto , porque tudo se faz melhor de barriguinha aconchegada.
-O passeio dos enamorados pode muito bem passar pelo local de voto antes da ida ao cinema e afins ( longe de mim interferir na intimidade da vida privada).
- os mais jovens , não terão por certo a desculpa de falta de informação .Bem sei que as demagogias, as PME´S, os incessáveis debates não são para qualquer um .Mas existe agora um programa (e passo a publicidade) que permite uma abordagem light ( no sentido figurativo humorístico porque em conteúdo nada tem de light ) embora inteligente das campanhas.
-Existem ainda para os mais indisponíveis os youtube’s, e mesmos o sitio online das principais cadeias de TV para (Re)ver algumas pérolas das campanhas. E falo TV porque é indubitavelmente o meio de comunicação mais utilizado para campanha pela sua abrangência. E porque não os mais indecisos perderem umas horinhas no sábado ou mesmo de domingo, a rever o programa de cada partido, aparte os simpatizantes ideológicos é claro ( com os quais não concordo muito mas isso já é outra historia).
Assim , se esta descontente com o governo actual imponha-se, se pretende dar voz aos pequenitos ideológicos manifeste-se, se por outro lado , está contente com o governo actual e pretende consolida-lo e reforça-lo vote ( e julgo que vão precisar).
Em período de reflexão não me permito tomar lados ou (que neste caso contexto fica tão bem ) tomar partidos :) .Até porque não é minha intenção fazê-lo.
Sei por certo e é só por isso que faço aqui campanha, que não votarei numa coisa... que é na inércia. No sentido literal de preguiçite aguda de quem está tão bem no sofázinho a ver filmes e séries do tempo da outra senhora. Inércia de quem se acomoda ao sentimento geral de descontentamento com o País mas que nada faz para o mudar ( e não levará isto a uma manifestação de peso na consciência?) . Inércia mental de quem simplesmente não se quer dar ao trabalho de reflectir.
Não a premeie portanto, pois essa de certeza que nada cumpre , deixa sim é tudo por cumprir. Domingo vote! Nem que seja em branco ...prove que se importa.
Primeiro foi o ALCOFDUP, que não era só para políticas, era para tudo.
Foi criado pela Comissão de Curso de 2007/2008, 1º ano.
Depois veio o Há Discussão, que era todo politiquices e assim. Veio gente do Terceiro Anónimo, do Bocas, das Palavras Abstractas, veio gente que nunca blogou antes, veio o Henrique e o Francisco que estavam no Almanaque, e outros que só escreveram um artigo, outros que dois, muitos que nenhum.
O Almanaque foi-se aos poucos. O HD tinha períodos de euforia, e outros de acalmia. Era normal, estava povoado de monárquicos bloquistas, de bloquistas conservadores, de maquiavélicos, de "erasméticos", livre-mercantistas só mais tarde, pró-vidas e pró-mulheres, o que quer que isso seja.
Na altura que publicava mais, o HD morreu. Teve de ser.
É dificil manter um blogue político com tantas opiniões diferentes. Uns vão saindo, todos acabam por deixar de publicar. O único que se vai mantendo, e não é criação da minha geração, é este velhinho Tribuna, que merecia tão mais dinamização. Ou talvez, um critério mais definidor. É que isto das politiquices, digo eu, faz mal às pessoas. Principalmente quando são tantas, tão desvairadas gentes, e tão diferentes.
A história dos blogues acaba por ser a história dos grupos que se conheceram nesse primeiro ano, e depois foram-se academizando, cada um como soube, com políticas e ideologias metidas lá pro meio, muitas criticas literárias e cinemáticas, muitas piadas e ofensas, alianças e desalianças, etc.
Os registos ainda lá estão, para os antigos intervenientes que queiram dar umas valentes risadas.
E a rapaziada nova? Não nos deixam nada para rir um bocadinho?
É que nós fizemos figura de idiotas, claro. Mas ao menos, fizemos um brilharete.
- 6 comentários • Category: a paz e a espada
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