Hoje é dia de eleições e há qualquer coisa pousada no ar que me faz lembrar quando as festas chegavam a Macondo.
Faz-se um almoço grande cá em casa para todos juntos irmos votar depois. Faz-se um jantar para juntar os amigos e assistir aos resultados das eleições. E entre os dois há uma série de coisas a acontecer: o ir votar e encontrar pessoas e amigos antigos e primos desconhecidos, o ritual de procurar na lista a sala onde estamos, as famílias inteiras, os vendedores que aproveitam a ocasião para venderem pipocas e algodão doce e caramelos e chupas de assobio.
E depois há qualquer coisa miudinha que não sei se é um nervoso ou uma excitação mas que tenho para mim como aquilo que os outros sentem com o futebol. Em tudo parece um campeonato: as projecções a tarde inteira para vermos o pódio, as diferentes cores de cada um e cada um a torcer pelo seu, as zangas entre pessoas que em tudo o resto se dão.
E ainda o melhor de tudo é mandar no campeonato.
Se David Bowie era o rei do Glam Rock, Mac Bolan era sem duvida o seu príncipe.
Lider dos T-Rex, Marc Bolan era a cara menos sensacionalista do garrido e provocante movimento Glam. Mais deslavado e enraivecido que o "camaleão" Bowie, Bolan era também um atentado à sociedade e cânones culturais vigentes. Todo ele era som, metal, brilho, gloss e eye liner; um paraiso de plástico que arrastou milhares em devaneios e aventuras nem sempre saudáveis.
Mas o Glam Rock morreu. David Bowie fez morrer o seu fascinante alter-ego e recolheu-se nas sombras. Marc Bolan retirou-se também, mas o destino pregou-lhe uma partida, matando-o dentro de um carro poucos anos mais tarde.
E assim terminou um bonito reinado de cor e fantasia.
De quem não vota é claro!
Em vésperas de eleições legislativas julguei oportuno atentar nesse flagelo nacional que é o desinteresse (crescente) pela política . Porque o “a política somos nós” não é apenas um cliché é efectivamente verdade.
Claro que num país democrático o “nós” é a maioria ,claro que como Estado representativo o “nós” é feito por “eles” nem sempre em nome do “nós”. Mas cabe-nos moldar o governo e não acomodarmo-nos à realidade. Porque o sufrágio não é só um modus operandi, o sufrágio é sim uma conquista e um Direito (que muito custou a conseguir nos trâmites que hoje o conhecemos , principalmente as mulheres) e acima de tudo um verdadeiro dever do cidadão (e também aqui não se trata apenas de um cliché).
Por isso o “Oh não ligo a política” deixa de fazer muito sentido. Assim sendo ,vim por este meio apelar ao voto amanha dia 27 de Setembro.
Obviamente que este discurso não se dirige para os tribuneiros , que enquanto jurisnalistas conscientes, com espírito indagador e empreendedor e principalmente enquanto estudantes de Direito e logo (supostamente) politicamente esclarecidos , não necessitam de tais palavras. Desta forma falo sim para os nossos leitores em geral. E agora vós pensardes (lembrando a dialéctica de um grande prof. do 3º ano )“mas quem lê este blog habitualmente e devido ao conteúdo do mesmo, tem de ser pessoa reflectida” .Sim! Em principio. Mas ainda assim...E porque reflexão não é sinónimo de pensamento político , apelo a que troquem a inércia pelo voto:
-Porque o domingo familiar pode ser igual a ir votar e não necessariamente ir entupir o metro para as 7 bicas e os shopping’s em geral. Então porque não reunir a família na mesma? Até se podia fazer a almoçarada eleitoral ,bem à portuguesa (tudo pelo avanço do país), antes de se ir distribuir as pessoas pelas mesas de voto , porque tudo se faz melhor de barriguinha aconchegada.
-O passeio dos enamorados pode muito bem passar pelo local de voto antes da ida ao cinema e afins ( longe de mim interferir na intimidade da vida privada).
- os mais jovens , não terão por certo a desculpa de falta de informação .Bem sei que as demagogias, as PME´S, os incessáveis debates não são para qualquer um .Mas existe agora um programa (e passo a publicidade) que permite uma abordagem light ( no sentido figurativo humorístico porque em conteúdo nada tem de light ) embora inteligente das campanhas.
-Existem ainda para os mais indisponíveis os youtube’s, e mesmos o sitio online das principais cadeias de TV para (Re)ver algumas pérolas das campanhas. E falo TV porque é indubitavelmente o meio de comunicação mais utilizado para campanha pela sua abrangência. E porque não os mais indecisos perderem umas horinhas no sábado ou mesmo de domingo, a rever o programa de cada partido, aparte os simpatizantes ideológicos é claro ( com os quais não concordo muito mas isso já é outra historia).
Assim , se esta descontente com o governo actual imponha-se, se pretende dar voz aos pequenitos ideológicos manifeste-se, se por outro lado , está contente com o governo actual e pretende consolida-lo e reforça-lo vote ( e julgo que vão precisar).
Em período de reflexão não me permito tomar lados ou (que neste caso contexto fica tão bem ) tomar partidos :) .Até porque não é minha intenção fazê-lo.
Sei por certo e é só por isso que faço aqui campanha, que não votarei numa coisa... que é na inércia. No sentido literal de preguiçite aguda de quem está tão bem no sofázinho a ver filmes e séries do tempo da outra senhora. Inércia de quem se acomoda ao sentimento geral de descontentamento com o País mas que nada faz para o mudar ( e não levará isto a uma manifestação de peso na consciência?) . Inércia mental de quem simplesmente não se quer dar ao trabalho de reflectir.
Não a premeie portanto, pois essa de certeza que nada cumpre , deixa sim é tudo por cumprir. Domingo vote! Nem que seja em branco ...prove que se importa.
Primeiro foi o ALCOFDUP, que não era só para políticas, era para tudo.
Foi criado pela Comissão de Curso de 2007/2008, 1º ano.
Depois veio o Há Discussão, que era todo politiquices e assim. Veio gente do Terceiro Anónimo, do Bocas, das Palavras Abstractas, veio gente que nunca blogou antes, veio o Henrique e o Francisco que estavam no Almanaque, e outros que só escreveram um artigo, outros que dois, muitos que nenhum.
O Almanaque foi-se aos poucos. O HD tinha períodos de euforia, e outros de acalmia. Era normal, estava povoado de monárquicos bloquistas, de bloquistas conservadores, de maquiavélicos, de "erasméticos", livre-mercantistas só mais tarde, pró-vidas e pró-mulheres, o que quer que isso seja.
Na altura que publicava mais, o HD morreu. Teve de ser.
É dificil manter um blogue político com tantas opiniões diferentes. Uns vão saindo, todos acabam por deixar de publicar. O único que se vai mantendo, e não é criação da minha geração, é este velhinho Tribuna, que merecia tão mais dinamização. Ou talvez, um critério mais definidor. É que isto das politiquices, digo eu, faz mal às pessoas. Principalmente quando são tantas, tão desvairadas gentes, e tão diferentes.
A história dos blogues acaba por ser a história dos grupos que se conheceram nesse primeiro ano, e depois foram-se academizando, cada um como soube, com políticas e ideologias metidas lá pro meio, muitas criticas literárias e cinemáticas, muitas piadas e ofensas, alianças e desalianças, etc.
Os registos ainda lá estão, para os antigos intervenientes que queiram dar umas valentes risadas.
E a rapaziada nova? Não nos deixam nada para rir um bocadinho?
É que nós fizemos figura de idiotas, claro. Mas ao menos, fizemos um brilharete.
- 6 comentários • Category: a paz e a espada
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Em véspera de eleições e depois de pela última vez os telejornais terem lançado um olhar pelas campanhas, não pude deixar de notar que Paulo Portas anda perdido pelos caminhos da ideologia. Cedo se percebe que o CDS é um partido que luta pela credibilidade que perde com um líder também ele pouco credível nas palavras. Mas como se isso não bastasse, Portas, o líder, aproveitou a campanha para dizer mal de um partido do qual tem apenas 0.000001% de probabilidades de vir a conquistar votos: o Bloco de esquerda. O mais estranho é que o fez criticando a esquerda por criar um bicho papão da direita, quando ele e os seus se limitaram a criar um bicho papão do Bloco de esquerda, pronto a matar crianças, disseminar a homossexualidade, nacionalizar até os sapatos das gentes, deixar todos os criminosos impunes e trazer mais e mais imigrantes que além de nos causarem a nós o desemprego ainda vêm dedicar-se à criminalidade violenta, porque isso é coisa que português não faz.
Claro que o auge de toda essa campanha anti BE foi atingida com Portas afirmando que ele gosta muito de estar entre as peixeiras, enquanto que Louçã não o faz. Acrescentou ainda no seu tom de ironia confiante, que apesar de ele muito visitar as peixeiras, é a ele que Louçã chama racista. Ora, tendo bastante a noção de que o CDS não estava a disputar nada com o BE, porque os dois partidos têm públicos muito diferentes, confesso que não encontro uma razão lógica para Portas e o os seus amigos terem gasto o seu tempo a atacar o outro extremo. Ainda por cima, ao invés de atacarem Louçã e o Bloco com argumentos viáveis, preferiram apenas ir lançando ideias soltas e erradas sobre o programa eleitoral do BE exagerando vários aspectos, falando de coisas que lá não estão escritas e trazendo ainda para cima da mesa a Albânia comunista, enquanto modelo de país governado por um partido como o BE. Claro que nada bate Portas a chamar Salazar a Louçã perante uma plateia de idosos (e talvez aqui ele tenha conseguido que o BE ganhasse mais uns votos, pois há muito idoso que não resiste a um Salazar).
Da soma de todas estas ideias sem dúvida que se pode concluir que o problema de Portas com o BE é um problema de irmãos mais velhos. Pena que quem dirige a campanha não tinha dito ao Paulinho que passou estes meses a apontar para o alvo errado.
- 5 comentários • Category: o espaço inominável
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As tuas mãos tocando-me ligeiramente as pernas. Os passos dos teus dedos e o arrepio aceso do desejo. Com os olhos despi-te o mundo e o espaço. Meti no bolso o tempo. E desenhei com a intensidade do olhar a vontade na areia fina da tua pele.
Boiava no ondular sereno do teu corpo e escutava o sono da noite embalado pela doçura dos teus gestos. Seguraste-me a mão debaixo da mesa. Os teus dedos assim presos na carne dos meus. Sempre gostaste das minhas mãos.
As velas soprando luz no carmim suave dos teus lábios. A música suave como um hino à tua beleza despretensiosa. Uma gargalhada acendia-te o rosto e o génio.
No meio das vozes que apenas ouvia sem lhes reparar nos rostos, procuravas o meu olhar. O amor assim trocado era o mais cómodo dos lugares. E lembrava-me das noites em que te amei. A mesma luz vinda do teu sorriso e a música suave da entrega. Os nossos dedos enlaçando-nos os corpos ao que as almas se haviam prometido. Ficavas depois horas com o teu rosto pousado nos meus braços. Os teus olhos fixos nos meus com o silêncio a flutuar no ar suave da respiração cansada. O teu corpo nu com a cidade e as ruas lá em baixo.
Sibilavas palavras quentes e doces no meu ouvido e ficavas lá a derreter-me a pele e a acender a vontade de semear o desejo no serpentear do teu corpo.
Perdia-me com o teu riso infantil e luminoso. Com a forma como o mundo parecia importar pouco no sentido que punhas nas coisas. Como nada parecia importar no estreitar sentido dos teus braços.
E nessa noite, como em todas as outras, tinhas na moldura do teu rosto a talha acesa do meu amor por ti.
Ao passares os teus dedos, de novo, na minha perna a voz escondida sob a pele da noite iluminou o fundo dos meus olhos para ti.
Como as estrelas no céu de uma noite qualquer.
O belicista já la vai... Agora a minha nova coluna de opinião as sextas é a "Aquele cuja coluna foi nacionalizada".
Este post era pa ja estar no meu blog à mais tempo, mas eu julguei que aqui para começar a nova rubrica poderia também ser giro. O post é sobre os cartazes da Elisa Ferreira que estão espalhados pelo Porto.
A doutora Elisa ferreira é a candidata do PS às autarquicas no Porto, (ainda que já tivesse feito saber que se perdesse voltava para Bruxelas...) daí que a cidade esteja cheia de cartazes dela. A parte mais engraçada nem é o facto de os primeiros cartazes terem sido feitos de fotos de há 5 anos atrás, a parte mais engraçada são os slogans utilizados nos cartazes.
Vejamos: 
A partir deste cartaz o que é que se conclui??? Que a doutora Elisa Ferreira acha que os idosos do porto não são cidadãos, e só o serão se ela for eleita. Se não for continuarão a ser idosos (que é aquele meio termo entre o lixo e o cidadão!!!!) Portanto para além dos cidadãos e cidadãs do Porto, temos os idosos esse bicho estranho :)
Eu passo todos os dias por 3 cartazes iguais e sempre me fizeram lembrar este sketch antigo do Gato fedorento que IMO é dos mais giros:
"papa papa, até o gervasio já sabe distinguir os velhinhos do RESTO do lixo"
"e o que acontece aos velhos pai?
O que é que interessa filho? já não estorvam!"
Hoje tinha pensado em falar sobre a pequena encenação realizada por elementos do grupo de teatro no café Progresso.
Juro que já tinha idealizado começar este ano sem um texto egocêntrico ou, como disse um dia o Noronha - cheio de razão-, melodramático. No entanto, infelizmente, ontem magoei-me num pé e, consequentemente, hoje não consigo andar (o que fez com que não fosse assistir, com muita pena minha, à pequena apresentação).
A forma como me consegui magoar foi, simplesmente, surreal.
Entrei no treino de karaté atrasada. Comecei o aquecimento e, enquanto corria para fugir aos pensamentos, dei por mim estatelada no chão. (estatelada é mesmo a palavra certa!). Tentei que o sangue parasse, no entanto, a ferida foi um pouco mais profunda do que eu pensava. Hospital, urgências. Trouxe o que falta ao meu Porto: 4 pontos!
Hoje hoje apercebi-me da quantidade de limitações que alguém que não consegue andar tem e digo-vos... este país não é para todos!
