sobre a dor (amor)*

por Anónimo em quarta-feira, 3 de junho de 2009

Árdua tarefa a que te propões: explicar aos outros o que é a Dor. Porventura, a senilidade dominou-te. Pelo contrário, dar-te-ei razão se te propões a explicar aos outros o que é a Tua e só tua Dor. Não tem igual, é única e mais ninguém a poderá sentir. Aí sim, terás todo o meu apoio e tentarei compreender que dor te atormenta o espírio. Entre Dor e não-dor, pouco há mais nesta coisa a que se chama Vida. A dita felicidade facilmente encontra o seu repouso na não-dor, mas não perderá a sua mais essencial característica: é não-dor, apenas a sua ausência. Se este é o nosso estado natural, então o Criador apenas pode ser censurado. Não entendeu o quanto alguém se deixa consumir pela dor. Tal Criador porventura padece da mesma falta.
Haverá algo neste mundo que não tenha em si Dor? Haverá? Logo, há aqueles que se arrogam do direito, chegam-se à frente e insinuam: "Meu caro, o Amor, o simples e belo Amor". Logo falham nos seus intentos, o Amor nem é dor, nem é não-dor. O amor é o palco onde ambos os estados se gladiam. É um espaço livre, onde ambos os estados, se tentam impor. Assim, chegamos e com a máxima sensatez há divisão: há para alguns o Amor que não é dor, onde a suposta Felicidade abunda, onde a solidão não é presença, onde se está preparado para admirar as coisas do mundo; para outros, o Amor é simplesmente o mais profundo reflexo da dor, o corpo morre e suspira, porém podendo admirar-se o mundo e as suas coisas (doutro modo claro está!) E de destes dois possíveis estados se propor uma conversa? O que vive o amor que não é dor e o amor que é a mais pura dor? Como explicariam um ao outro o que é Amor? Logo, voltamos ao início. Nunca tentes explicar o que é o Amor, apenas e só o teu Amor. O que não traz obrigatoriamente a compreensão dos outros, apenas e apenas uma ponte para tal, uma mera possibilidade (porventura destinada ao fracasso).

Porque é tão difícil falar de Amor? E porque se tudo resume à dor e não-dor?
Alguma peça falta e não se trata de mero equilíbrio.

E, assim, termina um ano de tribuna!
Um abraço!

pausa

por TR em terça-feira, 2 de junho de 2009

Nesta época de exames, não há segundas terças quartas quintas sextas sábados domingos. Há dias de estudo, exame e pausa.

As terças voltam com o início do próximo ano. Ocasionalmente continuo a escrever noutro espaço.

Boa época de exames a todos :)

Paz&Espada

por Manuel Marques Pinto de Rezende em sábado, 30 de maio de 2009

Um pai faz muita falta.
Estudos norte-americanos provam que há uma relação provadíssima entre o número de famílias monoparentais (mães solteiras, neste caso) e os números da Gravidez Adolescente.
Desde o início do século XX, na continuação da tendência já criada no século XIX, o papel da família foi sendo afectado e transformado, através de políticas sociais e movimentos de contra-cultura.
O liberalismo individual vem libertar a família da influência tradicional e religiosa, lentamente.
Nascem nos gloriosos dias desse século de Ouro, o século XIX, as ideias primordiais do indivíduo que se realiza pelos seus próprios meios, sem limites que não os impostos pelo respeito da liberdade do seu próximo. O capitalismo individualista e liberal, no entanto, condena-se ao passo que isola da comunidade e da família os factores tradicionais e religiosos que fromaram os seus ancestrais hábitos culturais e morais.
Enquanto que nas sociedades europeias, esta tendência liberal deu-se morosamente, nos outros pontos do mundo onde se repercutiram as ideias do capitalismo, toda a estrutura social ancestral ruiu. Nos EUA, o país que sustentava, orgulhosamente, o governo mais pequeno e limitado do mundo do século XIX, constituiram-se as maiores fundações de solidariedade e apoio social do mundo que aprofundaram o estudo das relações humanas. Estes movimentos estavam ligados à cultura do self-made man e da obrigação moral que o cristianismo impõe aos mais ricos das "boas obras".
Na América Latina, o liberalismo radicalizou-se e explusou as confrarias religiosas, deixando um vazio entre os distribuidores da solidariedade social, vazio esse que tardou a ser preenchido.
Isto propiciou a que se criassem movimentos colectivistas, inspirados não raras vezes em ideiais religiosos (veja-se a semelhança do culto de Che Guevara com o de Jesus Cristo nas zonas setentrionais da América do Sul).
A sociedade individualista criou as ciências sociais, como a psicologia e a sociologia, com as quais o Estado do século XX construiria o seu sistema de Segurança Social.
Tornou-se a solidariedade e o apoio social uma política governamental em vez de uma acção da sociedade civil.
Destes avanços do Governo sobraram, após a queda dos Modelos Sociais Europeus e Americano, ruínas da engenharia social falhada. Ruínas essas que mantêm na pobreza os mais pobres.
A família viu-se despejada da sua função educativa, social e económica.
O Estado apropriou-se da educação dos jovens. Aprendemos, desde muito pequenos, a aceitar como o melhor para nós aquilo que um grupo de supostos peritos dos Ministérios da Educação nos querem ensinar. Poucos de nós tiveram uma independência personalizada ou acompanhada pelos pais.
O Estado, tornando-se o principal empregador, tornou-se também o principal moralizador. Define também, cada vez mais abertamente, quais as prerrogativas morais a obedecer, e até a forma de melhor educar os mais jovens. O papel exemplar do Pai e da Mãe são cada vez mais renegados para segundo plano.
Mas pudera. Como vai a criança do bairro social, inserida numa família problemática, sentir necessidade de abandonar o baby-sitting estatal, se os pais são, também, bebés extremadamente cuidados pela caridade social do Estado?
O último crime do modelo social foi despojar a família do seu elemento económico.
Quando o chefe de família (homem ou mulher, mas principalmente homem) depara-se com a oportunidade de ser sustentado por subsídios que lhe atribuem benefícios e rendimentos superiores aqueles que obteria enquanto trabalhador assalariado, que moralidade se lhe pode pedir?
No entanto, este estado de coisas é apoiado por muitas pessoas da Nova e Velha Esquerda. Esquecem-se os sociólogos que o exemplo paternal é por demasiado, importante.
O pai trabalhador é um fenómeno que transmite segurança e admiração.
Tanto para rapazes como para as meninas, regra geral, a Mãe é a pessoa para quem nos viramos quando queremos amor.
O Pai é para quem nos viramos quando queremos Segurança, aquele sentimento confiante que nos dá o Exemplo.
O problema do Estado Social não está em ser maior ou menor. Deve ser o suficiente, apenas, para deixar o Pai ser Pai.

As lombrigas

por D.

E são estas as conversas que animam os intervalos de estudo. O que suscitou a curiosidade e isto foi o que eu descobri na pesquisa em busca de provar que mais vale tomar os comprimidos todos os anos sem as ter, do que esperar que se manifestem sintomas:

A ascaridíase é uma doença causada por um parasita da família dos helmintas chamado Ascaris Lumbricoides e normalmente conhecido como lombrigas.


A lombriga tem um corpo cilíndrico, de 20 a 40 centímetros de comprimento e cor branca amarelada. Como é característico dos parasitas desenvolve-se e vive dentro do corpo de um hospedeiro (o homem), à custa do qual se alimenta.

Causas
Os ovos das lombrigas encontram-se na terra onde são depositados através das fezes contaminadas. A entrada dos ovos no aparelho digestivo faz-se através das mãos sujas por terra contaminada, pela ingestão de verduras mal lavadas contendo resíduos de terra ou ainda transportados pelas moscas para os alimentos.

Sintomas
Na maioria das vezes a infestação por lombrigas é assintomática (não dá sintomas).
Na fase pulmonar, os principais sintomas são: dificuldade respiratória, tosse seca, febre e irritação brônquica.
Na fase digestiva, ocorrem desde flatulência, dor abdominal, cólica, digestão difícil, náusea, vómito, diarreia e até presença de vermes nas fezes.
Podem ocorrer sintomas alérgicos, como dermatoses, rinites e conjuntivites. Complicações mais graves podem ocorrer, como a pneumonia, abscesso hepático e choque anafilático. Nas parasitoses maciças em crianças, pode ocorrer a oclusão intestinal e até a morte.

Tratamento
Há vários medicamentos que podem ser utilizados para tratar as lombrigas. São habitualmente conhecidos como desparasitantes e a sua utilização é simples.
No tratamento, o pamoato de pirantel e mebendazol são muito eficazes e possuem os menores efeitos secundários. Como actuam apenas na luz intestinal, não possuem efeitos sobre as larvas, podendo ser necessária a administração de corticosteróides.
Habitualmente a dose do desparasitante é igual para todas as idades, e o tempo de administração é curto (um ou três dias consoante o medicamento utilizado).

Prevenção
A infestação por lombrigas e as outras parasitoses intestinais pode ser evitada adoptando algumas medidas simples :
- A água para beber ou lavar alimentos deve ser fervida, desinfectada ou filtrada se não houver garantia da sua pureza.
- Os frutos, verduras e legumes, principalmente se consumidos crus, devem ser cuidadosamente lavados para eliminar ovos e quistos de parasitas eventualmente presentes.
- Objectos que sejam utilizados para a preparação dos alimentos, ou que são introduzidos na boca, como as chupetas, devem ser mantidos limpos, evitando o risco de contaminação.
- As mãos devem ser bem lavadas antes de se prepararem alimentos, antes das refeições e depois de se ir à casa de banho; as unhas das crianças devem manter-se curtas e limpas pois é frequente as crianças levarem as mãos à boca.
- Os alimentos devem ser protegidos do contacto com moscas, pois estas podem transportar ovos de parasitas.


E sim, aceito que me chamem de hipocondríaca.

As colunas de opinião diárias

por Tribuna

... estão neste momento, e durante os próximos meses, em stand-by, dado o término do ano académico.
Sem prejuízo dos autores poderem continuar a escrever com mais ou menos regularidade.


Jornal Tribuna

do falar*

por Anónimo em quinta-feira, 28 de maio de 2009

Sempre me disseste que falas com o coração nas mãos,
como se tratasse de algo único! Algo só teu!
Sempre me perguntei se há outra forma de falar...

tb publicado aqui

#29 às terças, quase como acaso

por TR em terça-feira, 26 de maio de 2009

(Só como)

escravos do pai se vestem
os filhos da força cega.

Banda sonora de estudo (ainda)

por Inês em segunda-feira, 25 de maio de 2009

Agora a Parte II.



Keith Jarrett, Koln Concert

A gema das coisas

por Sara Morgado em domingo, 24 de maio de 2009

Não gosto de casas cheias – de coisas ou de pessoas.
Não gosto de casas cheias de coisas que nos dobram os caminhos, com movimentos de corpo roubados. Não gosto de tapetes, independentemente da cor e da suavidade: a sua utilidade é nula e prefiro o chão despedido ao longo de metros. Gosto do essencial e deito sempre ao lixo o que fica para lá da gema. E eu nem gosto dos minimalistas.
Principalmente, não gosto de casas cheias de pessoas, mais a amiga do primo e o vizinho que veio entregar não sei o quê e a porta da rua sempre aberta. Não gosto que a porta da rua esteja sempre aberta. As campainhas a tocar, as pessoas a cortar o som da música, a cortar os cheiros da nossa casa (que duram tanto tempo a ficar), a transformar a nossa casa num simples lugar comum. E não é síndrome de filha única: até porque não o sou; não é síndrome de bicho-do-buraco ou de velho com verrugas no nariz ou de adolescente a curtir uma de pseudo-depessão, ou qualquer outra síndrome de qualquer coisa que os psicólogos acabaram de inventar, devido a qualquer coisa da vida nas grandes cidades: até porque vivo numa cidade pequena. Só não gosto de muitas coisas na minha casa.
A minha mãe diz que eu estou sempre a receber cá os amigos e por isso nada do que disse faz sentido. E eu tenho muitas coisas antigas e recordações em caixas e gavetas.
Tal como eu disse: gosto do essencial.

Song to the siren

por Angelina

On the floating, shapeless oceans
I did all my best to smile
til your singing eyes and fingers
drew me loving into your isle

And you sang "Sail to me, sail to me;
Let me enfold you."

Here I am, here I am waiting to hold you.
Did I dream you dreamed about me?
Were you here when I was full sail?

Now my foolish boat is leaning, broken lovelorn on your rocks.
For you sing, "Touch me not, touch me not, come back tomorrow."
Oh my heart, oh my heart shies from the sorrow.
I'm as puzzled as a newborn child.
I'm as riddled as the tide.
Should I stand amid the breakers?
Or shall I lie with death my bride?

Hear me sing: "Swim to me, swim to me, let me enfold you."
"Here I am. Here I am, waiting to hold you."

original: Tim Buckley