Haverá algo neste mundo que não tenha em si Dor? Haverá? Logo, há aqueles que se arrogam do direito, chegam-se à frente e insinuam: "Meu caro, o Amor, o simples e belo Amor". Logo falham nos seus intentos, o Amor nem é dor, nem é não-dor. O amor é o palco onde ambos os estados se gladiam. É um espaço livre, onde ambos os estados, se tentam impor. Assim, chegamos e com a máxima sensatez há divisão: há para alguns o Amor que não é dor, onde a suposta Felicidade abunda, onde a solidão não é presença, onde se está preparado para admirar as coisas do mundo; para outros, o Amor é simplesmente o mais profundo reflexo da dor, o corpo morre e suspira, porém podendo admirar-se o mundo e as suas coisas (doutro modo claro está!) E de destes dois possíveis estados se propor uma conversa? O que vive o amor que não é dor e o amor que é a mais pura dor? Como explicariam um ao outro o que é Amor? Logo, voltamos ao início. Nunca tentes explicar o que é o Amor, apenas e só o teu Amor. O que não traz obrigatoriamente a compreensão dos outros, apenas e apenas uma ponte para tal, uma mera possibilidade (porventura destinada ao fracasso).
Porque é tão difícil falar de Amor? E porque se tudo resume à dor e não-dor?
Alguma peça falta e não se trata de mero equilíbrio.
E, assim, termina um ano de tribuna!
Um abraço!
Nesta época de exames, não há segundas terças quartas quintas sextas sábados domingos. Há dias de estudo, exame e pausa.
As terças voltam com o início do próximo ano. Ocasionalmente continuo a escrever noutro espaço.
Boa época de exames a todos :)
- 3 comentários • Category: a paz e a espada
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E são estas as conversas que animam os intervalos de estudo. O que suscitou a curiosidade e isto foi o que eu descobri na pesquisa em busca de provar que mais vale tomar os comprimidos todos os anos sem as ter, do que esperar que se manifestem sintomas:
A ascaridíase é uma doença causada por um parasita da família dos helmintas chamado Ascaris Lumbricoides e normalmente conhecido como lombrigas.
A lombriga tem um corpo cilíndrico, de 20 a 40 centímetros de comprimento e cor branca amarelada. Como é característico dos parasitas desenvolve-se e vive dentro do corpo de um hospedeiro (o homem), à custa do qual se alimenta.
Causas
Os ovos das lombrigas encontram-se na terra onde são depositados através das fezes contaminadas. A entrada dos ovos no aparelho digestivo faz-se através das mãos sujas por terra contaminada, pela ingestão de verduras mal lavadas contendo resíduos de terra ou ainda transportados pelas moscas para os alimentos.
Sintomas
Na maioria das vezes a infestação por lombrigas é assintomática (não dá sintomas).
Na fase pulmonar, os principais sintomas são: dificuldade respiratória, tosse seca, febre e irritação brônquica.
Na fase digestiva, ocorrem desde flatulência, dor abdominal, cólica, digestão difícil, náusea, vómito, diarreia e até presença de vermes nas fezes.
Podem ocorrer sintomas alérgicos, como dermatoses, rinites e conjuntivites. Complicações mais graves podem ocorrer, como a pneumonia, abscesso hepático e choque anafilático. Nas parasitoses maciças em crianças, pode ocorrer a oclusão intestinal e até a morte.
Tratamento
Há vários medicamentos que podem ser utilizados para tratar as lombrigas. São habitualmente conhecidos como desparasitantes e a sua utilização é simples.
No tratamento, o pamoato de pirantel e mebendazol são muito eficazes e possuem os menores efeitos secundários. Como actuam apenas na luz intestinal, não possuem efeitos sobre as larvas, podendo ser necessária a administração de corticosteróides.
Habitualmente a dose do desparasitante é igual para todas as idades, e o tempo de administração é curto (um ou três dias consoante o medicamento utilizado).
Prevenção
A infestação por lombrigas e as outras parasitoses intestinais pode ser evitada adoptando algumas medidas simples :
- A água para beber ou lavar alimentos deve ser fervida, desinfectada ou filtrada se não houver garantia da sua pureza.
- Os frutos, verduras e legumes, principalmente se consumidos crus, devem ser cuidadosamente lavados para eliminar ovos e quistos de parasitas eventualmente presentes.
- Objectos que sejam utilizados para a preparação dos alimentos, ou que são introduzidos na boca, como as chupetas, devem ser mantidos limpos, evitando o risco de contaminação.
- As mãos devem ser bem lavadas antes de se prepararem alimentos, antes das refeições e depois de se ir à casa de banho; as unhas das crianças devem manter-se curtas e limpas pois é frequente as crianças levarem as mãos à boca.
- Os alimentos devem ser protegidos do contacto com moscas, pois estas podem transportar ovos de parasitas.
E sim, aceito que me chamem de hipocondríaca.
- 2 comentários • Category: o espaço inominável
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... estão neste momento, e durante os próximos meses, em stand-by, dado o término do ano académico.
Sem prejuízo dos autores poderem continuar a escrever com mais ou menos regularidade.
Jornal Tribuna
Sempre me disseste que falas com o coração nas mãos,
como se tratasse de algo único! Algo só teu!
Sempre me perguntei se há outra forma de falar...
tb publicado aqui
- 4 comentários • Category: les jours tristes
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(Só como)
escravos do pai se vestem
os filhos da força cega.
Agora a Parte II.
Keith Jarrett, Koln Concert
Não gosto de casas cheias – de coisas ou de pessoas.
Não gosto de casas cheias de coisas que nos dobram os caminhos, com movimentos de corpo roubados. Não gosto de tapetes, independentemente da cor e da suavidade: a sua utilidade é nula e prefiro o chão despedido ao longo de metros. Gosto do essencial e deito sempre ao lixo o que fica para lá da gema. E eu nem gosto dos minimalistas.
Principalmente, não gosto de casas cheias de pessoas, mais a amiga do primo e o vizinho que veio entregar não sei o quê e a porta da rua sempre aberta. Não gosto que a porta da rua esteja sempre aberta. As campainhas a tocar, as pessoas a cortar o som da música, a cortar os cheiros da nossa casa (que duram tanto tempo a ficar), a transformar a nossa casa num simples lugar comum. E não é síndrome de filha única: até porque não o sou; não é síndrome de bicho-do-buraco ou de velho com verrugas no nariz ou de adolescente a curtir uma de pseudo-depessão, ou qualquer outra síndrome de qualquer coisa que os psicólogos acabaram de inventar, devido a qualquer coisa da vida nas grandes cidades: até porque vivo numa cidade pequena. Só não gosto de muitas coisas na minha casa.
A minha mãe diz que eu estou sempre a receber cá os amigos e por isso nada do que disse faz sentido. E eu tenho muitas coisas antigas e recordações em caixas e gavetas.
Tal como eu disse: gosto do essencial.
On the floating, shapeless oceans
I did all my best to smile
til your singing eyes and fingers
drew me loving into your isle
And you sang "Sail to me, sail to me;
Let me enfold you."
Here I am, here I am waiting to hold you.
Did I dream you dreamed about me?
Were you here when I was full sail?
Now my foolish boat is leaning, broken lovelorn on your rocks.
For you sing, "Touch me not, touch me not, come back tomorrow."
Oh my heart, oh my heart shies from the sorrow.
I'm as puzzled as a newborn child.
I'm as riddled as the tide.
Should I stand amid the breakers?
Or shall I lie with death my bride?
Hear me sing: "Swim to me, swim to me, let me enfold you."
"Here I am. Here I am, waiting to hold you."
original: Tim Buckley