As lombrigas

por D. em sábado, 30 de maio de 2009

E são estas as conversas que animam os intervalos de estudo. O que suscitou a curiosidade e isto foi o que eu descobri na pesquisa em busca de provar que mais vale tomar os comprimidos todos os anos sem as ter, do que esperar que se manifestem sintomas:

A ascaridíase é uma doença causada por um parasita da família dos helmintas chamado Ascaris Lumbricoides e normalmente conhecido como lombrigas.


A lombriga tem um corpo cilíndrico, de 20 a 40 centímetros de comprimento e cor branca amarelada. Como é característico dos parasitas desenvolve-se e vive dentro do corpo de um hospedeiro (o homem), à custa do qual se alimenta.

Causas
Os ovos das lombrigas encontram-se na terra onde são depositados através das fezes contaminadas. A entrada dos ovos no aparelho digestivo faz-se através das mãos sujas por terra contaminada, pela ingestão de verduras mal lavadas contendo resíduos de terra ou ainda transportados pelas moscas para os alimentos.

Sintomas
Na maioria das vezes a infestação por lombrigas é assintomática (não dá sintomas).
Na fase pulmonar, os principais sintomas são: dificuldade respiratória, tosse seca, febre e irritação brônquica.
Na fase digestiva, ocorrem desde flatulência, dor abdominal, cólica, digestão difícil, náusea, vómito, diarreia e até presença de vermes nas fezes.
Podem ocorrer sintomas alérgicos, como dermatoses, rinites e conjuntivites. Complicações mais graves podem ocorrer, como a pneumonia, abscesso hepático e choque anafilático. Nas parasitoses maciças em crianças, pode ocorrer a oclusão intestinal e até a morte.

Tratamento
Há vários medicamentos que podem ser utilizados para tratar as lombrigas. São habitualmente conhecidos como desparasitantes e a sua utilização é simples.
No tratamento, o pamoato de pirantel e mebendazol são muito eficazes e possuem os menores efeitos secundários. Como actuam apenas na luz intestinal, não possuem efeitos sobre as larvas, podendo ser necessária a administração de corticosteróides.
Habitualmente a dose do desparasitante é igual para todas as idades, e o tempo de administração é curto (um ou três dias consoante o medicamento utilizado).

Prevenção
A infestação por lombrigas e as outras parasitoses intestinais pode ser evitada adoptando algumas medidas simples :
- A água para beber ou lavar alimentos deve ser fervida, desinfectada ou filtrada se não houver garantia da sua pureza.
- Os frutos, verduras e legumes, principalmente se consumidos crus, devem ser cuidadosamente lavados para eliminar ovos e quistos de parasitas eventualmente presentes.
- Objectos que sejam utilizados para a preparação dos alimentos, ou que são introduzidos na boca, como as chupetas, devem ser mantidos limpos, evitando o risco de contaminação.
- As mãos devem ser bem lavadas antes de se prepararem alimentos, antes das refeições e depois de se ir à casa de banho; as unhas das crianças devem manter-se curtas e limpas pois é frequente as crianças levarem as mãos à boca.
- Os alimentos devem ser protegidos do contacto com moscas, pois estas podem transportar ovos de parasitas.


E sim, aceito que me chamem de hipocondríaca.

As colunas de opinião diárias

por Tribuna

... estão neste momento, e durante os próximos meses, em stand-by, dado o término do ano académico.
Sem prejuízo dos autores poderem continuar a escrever com mais ou menos regularidade.


Jornal Tribuna

do falar*

por Anónimo em quinta-feira, 28 de maio de 2009

Sempre me disseste que falas com o coração nas mãos,
como se tratasse de algo único! Algo só teu!
Sempre me perguntei se há outra forma de falar...

tb publicado aqui

#29 às terças, quase como acaso

por TR em terça-feira, 26 de maio de 2009

(Só como)

escravos do pai se vestem
os filhos da força cega.

Banda sonora de estudo (ainda)

por Inês em segunda-feira, 25 de maio de 2009

Agora a Parte II.



Keith Jarrett, Koln Concert

A gema das coisas

por Sara Morgado em domingo, 24 de maio de 2009

Não gosto de casas cheias – de coisas ou de pessoas.
Não gosto de casas cheias de coisas que nos dobram os caminhos, com movimentos de corpo roubados. Não gosto de tapetes, independentemente da cor e da suavidade: a sua utilidade é nula e prefiro o chão despedido ao longo de metros. Gosto do essencial e deito sempre ao lixo o que fica para lá da gema. E eu nem gosto dos minimalistas.
Principalmente, não gosto de casas cheias de pessoas, mais a amiga do primo e o vizinho que veio entregar não sei o quê e a porta da rua sempre aberta. Não gosto que a porta da rua esteja sempre aberta. As campainhas a tocar, as pessoas a cortar o som da música, a cortar os cheiros da nossa casa (que duram tanto tempo a ficar), a transformar a nossa casa num simples lugar comum. E não é síndrome de filha única: até porque não o sou; não é síndrome de bicho-do-buraco ou de velho com verrugas no nariz ou de adolescente a curtir uma de pseudo-depessão, ou qualquer outra síndrome de qualquer coisa que os psicólogos acabaram de inventar, devido a qualquer coisa da vida nas grandes cidades: até porque vivo numa cidade pequena. Só não gosto de muitas coisas na minha casa.
A minha mãe diz que eu estou sempre a receber cá os amigos e por isso nada do que disse faz sentido. E eu tenho muitas coisas antigas e recordações em caixas e gavetas.
Tal como eu disse: gosto do essencial.

Song to the siren

por Angelina

On the floating, shapeless oceans
I did all my best to smile
til your singing eyes and fingers
drew me loving into your isle

And you sang "Sail to me, sail to me;
Let me enfold you."

Here I am, here I am waiting to hold you.
Did I dream you dreamed about me?
Were you here when I was full sail?

Now my foolish boat is leaning, broken lovelorn on your rocks.
For you sing, "Touch me not, touch me not, come back tomorrow."
Oh my heart, oh my heart shies from the sorrow.
I'm as puzzled as a newborn child.
I'm as riddled as the tide.
Should I stand amid the breakers?
Or shall I lie with death my bride?

Hear me sing: "Swim to me, swim to me, let me enfold you."
"Here I am. Here I am, waiting to hold you."

original: Tim Buckley

Paz&Espada

por Manuel Marques Pinto de Rezende

Finalmente uma boa notícia. no Combustões
Finalmente, a brutal guerra que os Tigres Tamil impuseram ao Sri Lanka chegou ao fim. De um lado, o Estado da maioria cingalesa, budista e de grande abertura à realidade multiétnica que tanto faz lembrar a generalidade dos Estados do sudeste-asiático; do outro, os secessionistas hindús Tamil, cuja proverbial agressividade e brutalidade, o nacionalismo paroxístico e uma vaga ideologia inspirada no "socialismo revolucionário" e numa "sociedade sem classes" era vazado da fôrma do sovietismo com aclimatação tropical. Foram décadas de assassinatos, bombas, massacres e escaramuças. Os Tigres Tamil socialistas tiveram sempre o beneplácito concedido aos "movimentos de libertação" pela imprensa bem-pensante ocidental: quando perpetravam os mais repugnantes banhos de sangue, os noticiários calavam; quando sofriam retribuição das forças governamentais, o carpideirismo excedia-se em campanhas de solidariedade, pressões sobre o governo e outras formas bem conhecidas de chantagem. Como pode o Ocidente condenar o terrorismo se abre tantas excepções, do Curdistão ao Sri Lanka, do País Basco à da Irlanda do Norte, do Saara Ocidental ao Kosovo e ao Nepal ? Certamente, a factura retardada de tanto patrocínio dada durante anos às "justas causas" tornou-nos campeões da duplicidade; logo, indignos de lavrar protesto.
As forças armadas cingalesas mataram hoje Velupillai Prabhakaran, impiedoso comandante dos Tigres. Prabhakaran escudava-se no argumento do catolicismo da sua família para ganhar simpatias entre os desinformados no Ocidente, mas é evidente que o seu movimento não fazia a mais leve alusão ao catolicismo, antes pugnando por um Estado homogéneo submetido à tradição hindú. Ainda há dias aqui alinhavámos algumas reflexões sobre a mediação de última hora tentada pelo sueco Carl Bild, conhecido caixeiro viajante das causas justas. É evidente que essa mediação era ditada pelo desespero. Era como se alguém tentasse uma intermediação entre os Aliados e Hitler em Abril de 1945 ! Por detrás dessa arremetida benemérita estava, claro, a intenção de agradar à Índia, nova gruta de Alibabá dos investments, opportunities e demais nobres modalidades com que o Ocidente exporta empresas, abre mercados e explora e faz milhões. Felizmente, o Sri Lanka não se deixou vergar. As suas forças armadas venceram metro a metro o inimigo, derrotaram-no inapelavelmente e - contradição das contradições - lançaram grande campanha de apoio às populações tamil utilizadas como escudos humanos pelos bravos Tigres. O grande vitorioso desta contenda, o artífice desta paz pela vitória sobre o terrosrismo, é Sarath Fonseka, Tenente-General cingalês de ascendência portuguesa. Deve ter por antepassado um desses "casados" que viveu, deixou prole e combateu por Portugal até ao fim da nossa presença (1505-1658). Estes Fonsecas, Sousas, Britos e Silveiras, capitães ou simples soldados deixaram sulco profundo. Quando sobreveio a invasão holandesa, estes "burghers" refugiaram-se no centro montanhoso da ilha e mantiveram desafiante atitude para com os ocupantes. Depois, regressaram à costa, instalaram-se e ensinaram os holandeses a falar o português, língua franca do Índico entre os século XVI e XIX.
Aqui está um caso em que Portugal poderia tomar posição, explorar esse veio de dedicação e memória, estreitar laços e ganhar vantagem. Haverá quem o queira ou saiba fazer ?

Oficinas # 3

por Ricardo Mesquita


Dez minutos de reflexão

por D. em sábado, 23 de maio de 2009

Esta semana tive a oportunidade de na Courrier Internacional do mês de Maio, ler o texto que vou deixar em baixo. O texto deixa-nos com uma sensação de incredulidade, depois merece uma reprovação, depois vai simplesmente deixando que se pense nele e no que nele se diz. Não foram na realidade dez minutos de reflexão porque ainda hoje estou a pensar sobre isto e a tentar descobrir mais e a tentar perceber se de facto os piratas fazem o que fazem por causa da situação descrita, ou se nem sequer sabem disso e fazem apenas porque precisam de arranjar comida em qualquer lugar. E isto também porque o Direito Internacional cada vez mais se assemelha a um tabuleiro de xadrez onde as peças são interesses e onde as soluções parecem demorar ou não acontecer.


Why We Don’t Condemn Our Pirates

Can anyone ever really be for piracy? Outside of sea bandits, and
young girls fantasizing of Johnny Depp, would anyone with an honest regard
for good human conduct really say that they are in support of Sea Robbery?
Well in Somalia, the answer is: it's complicated. The news media these days has been covering piracy in the Somali coast, with such lop-sided journalism, that it's lucky they're not on a ship themselves. It's true that the constant hijacking of vessels in the Gulf of Aden is a major threat to the vibrant trade rouet between Asia and Europe. It is also true that for most of the pirates operating in this vast shoreline, money is
the primary objective. But according to so many Somalis,
the disruption of Europe's darling of a trade rout, is just Karma
biting a perpetrator in the butt. And if you don't believe in Karma,
maybe you believe in recent history. Here is why we Somalis find
ourselves slightly shy of condemning our pirates.

Somalia has been without any form of a functioning government
since 1991. And although its failures, like many other toddler
governments in Africa, sprung from the wells of post colonial
independence, bad governance and development loan sharks,
the specific problem of piracy was put in motion in 1992. After
the overthrow of Siyad Barre, our charmless dictator of twenty
some odd years, two major forces of the Hawiye Clan came to
power. At the time, Ali Mahdi, and General Mohamed Farah Aidid,
the two leaders of the Hawiye rebels were largely considered liberators.
But the unity of the two men and their respective sub-clans was very
short-lived. It's as if they were dumbstruck at the advent of ousting the
dictator, or that they just forgot to discuss who will be the leader of the
country once they defeated their common foe. A disagreement
of who will upgrade from militia leader to Mr. President broke up
their honeymoon. It's because of this disagreement that we've seen one
of the most decomposing wars in Somalia's history, leading to millions
displaced and hundreds of thousands dead. But war is expensive
and militias need food for their families, and Jaad (an amphetamine-based stimulant) to stay awake for the fighting. Therefore a good clan
based Warlord must look out for his own fighters. Aidid's men turned to
robbing Aid trucks carrying food to the starving masses, and reselling it
to continue their war. But Ali Mahdi had his sights set on a larger and
more unexploited resource, namely: the Indian Ocean.

Already by this time, local fishermen in the coastline of Somalia
have been complaining of illegal vessels coming to Somali
waters and stealing all the fish. And since there was no government to
report it to, and since the severity of the violence clumsily overshadowed
every other problem, the fishermen went completely unheard. But it
was around this same time that a more sinister, a more patronizing practice
was being put in motion. A Swiss firm called Achair Parterns, and an Italian waste company called Progresso, made a deal with Ali Mahdi, that they were to dump containers of waste material in Somali waters. These European companies were said to be paying Warlords about $3 a ton, where as
in to properly dispose of waste in Europe costs about $1000 a ton.

In 2004, after Tsunami washed ashore several leaking containers, thousand of locals in the Puntland region of Somalia started to complain of severe and previously unreported ailments, such as abdominal bleeding, skin melting off and a lot of immediate cancer-like symptoms. Nick Nuttall, a spokesman for the United Nations Environmental Program, says that the containers had many different kinds of waste, including "Uranium, radioactive waste, lead, cadmium, mercury and chemical waste." But this wasn't just a passing evil from one or two groups taking advantage of our unprotected waters, the UN Convoy for Somalia, Ahmedou Ould-Abdallah, says that the practice still continues to this day. It was months after those initial reports that local fishermen mobilized themselves, along with street militias, to go into the waters and deter the Westerners from having a free pass at completely destroying Somalia's aquatic life. Now years later, the deterring has become less noble, and the ex-fishermen with their militias have begun to develop a taste for ransom at sea. This form of piracy is now a major contributor to the Somali economy, especially in the very region that private toxic waste companies first began to burry our nation's death trap.

Now Somalia has upped the world's pirate attacks by over21 percent in one year, and while NATO and the EU are both sending forces to the Somali coast to try and slow down the attacks, Black Water and all kinds of private security firms are intent on cashing in. But while Europeans are well in their right to protect their trade interest in the region, our pirates were the only deterrent we had from an externally imposed environmental disaster. No one can say for sure that some of the ships they are now holding for ransom were not involved in illegal activity in our waters. The truth is, if you ask any Somali, if getting rid of the pirates only means the continuous rape of our coast by unmonitored Western Vessels, and the producing of a new cancerous generation, we would all fly our pirate flags high.

It is time that the world gave the Somali people some assurance that these Western illegal activities will end, if our pirates are to seize their operations. We do not want the EU and NATO serving as a shield for these nuclear waste-dumping hoodlums. It seems to me that this new modern crises, is truly a question of justice, but also a question of who's justice. As is apparent these days, one man's pirate, is another man's coast guard.


O texto foi escrito por K’naan, rapper somáli, e embora o som não me agrade minimamente, as letras compensam pelo conteúdo político (pelo menos as que ouvi).