Reunião:
Próxima quarta-feira, 4 de Março, às 13h. Imprescindível presença de todos.
Informem alunos do 1º ano, outros possíveis interessados em juntar-se a nós e todos os outros Tribunos.
Blog:
As colunas diárias retomam a partir desta segunda-feira, dia 2 Março, com o Ary e o Guilherme.
Para qualquer outra questão, vejam os vossos emails.
Um abraço,
Francisco.
Quis eu perceber o que era este dia, iniciando uma profunda reflexão.
Eis, pois, o meu método: chamei a minha memória e comecei a recordar tudo o que já ouvi ou vi sobre o Carnaval durante a minha vida.
Encontrei um formal ponto de apoio: o Carnaval é o dia anterior à quarta-feira de cinzas, que inicia a Quaresma, quarta-feira essa que dista 40 dias da Páscoa. E que no Carnaval as pessoas fazem asneiras, como dizem às crianças, coisas que nos restantes dias do ano não podem fazer. Pois, mas isto não quer dizer muito…Nós no Natal também fazemos coisas diferentes dos restantes dias do ano, tal como no Ano Novo ou, melhor, no dia dos nossos anos.
Por isso, comecei a recordar as imagens do Carnaval que tinha na minha mente:
1. Lembrei-me do Carnaval brasileiro, para muitos (principalmente para os que para lá viajam) o melhor do mundo, e não consegui deixar de pensar em como, cinco séculos depois, aquelas gentes de Vera-Cruz evoluíram apenas no sentido de cobrir um pouco das suas vergonhas. Ouçamos as palavras do ilustre Pêro Vaz Caminha, para que não caiam no olvido!
“Então lançamos fora os batéis e esquifes, e vieram logo todos os capitães das naus a esta nau do Capitão-mor, onde falaram entre si. E o Capitão-mor mandou em terra no batel a Nicolau Coelho para ver aquele rio. E tanto que ele começou de ir para lá, acudiram pela praia homens, quando aos dois, quando aos três, de maneira que, ao chegar o batel à boca do rio, já ali havia dezoito ou vinte homens. Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas. Vinham todos rijos sobre o batel; e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os pousaram.(…) Os cabelos seus são corredios. E andavam tosquiados, de tosquia alta, mais que de sobrepente, de boa grandura e rapados até por cima das orelhas. E um deles trazia por baixo da solapa, de fonte a fonte para detrás, uma espécie de cabeleira de penas de ave amarelas, que seria do comprimento de um coto, mui basta e mui cerrada, que lhe cobria o toutiçoe as orelhas. E andava pegada aos cabelos, pena e pena, com uma confeição branda como cera (mas não o era), de maneira que a cabeleira ficava mui redonda e mui basta, e mui igual, e não fazia míngua mais lavagem para a levantar.!”
Nesta terra ninguém se disfarça, a malta dança.
2. Depois lembrei-me do Carnaval de Veneza, para muitos outros o melhor do mundo, principalmente para os que lá vão, e pensei em como os italianos gostam da arte da dissimulação. Sempre que vejo imagens dessa festinha concluo em como aquilo parece um jogo de subtilezas para todos os que o vêem, e que valerá tanto como-qualquer-outra-coisa para os que andam com aquelas máscaras coladas ao rosto, ou então com um pequeno pauzinho a segurar.
Ciclicamente olhava pela janela e era sempre o mesmo Portugal que se me oferecia: cheio de árvores velhas de um verde musgo, às vezes pontadas de cinza de um incêndio do Verão último, outras com umas pequenas casas que sabe-se lá porquê ali estavam. Talvez vivesse lá alguém, ido para o pulmão da serra por zanga com a gente, ou os homens tivessem mesmo ali nascido, partindo para outros lugares mais próximos do mar. Isto de ser português não se explica muito bem, apenas se sabe que pensamos coisas diferentes das que sentimos, somos racionalmente maus e emotivamente predestinados à vitória. Ou então insultamos o mar, deixando-o ao deus-dará e aos santos padroeiros, e quando damos por ela só queremos passar uns tempos ali ao largo, na praia.
A dada altura comecei a falar com o senhor à minha frente, que me dizia ter feito este trajecto em mais de 40 anos de idas e vindas. Em novo fazia-o para ir ao Porto, levando três carneiros aos sovacos,
- Ia lutando pela vida, sabe?
E lá andava pela cidade invicta, dizia que era feita de sombras e de velas a apagarem-se, as ruas inclinadas ladeadas por prédios altivos, velhos e honrados, que a gente falava com desapego à estética e amor à semântica, usando dizeres atabalhoados, directos, rudes, porém, humanos
- Arranjei lá a minha mulher, ainda me lembro. Quer saber a história?
Sim, quis saber, e lá ouvi e epopeia do pequeno provinciano que temia não vender os carneiros. E, pior, voltar a casa de mãos vazias e sovacos aquecidos, sem palavras a dizer para além de
- Ninguém tem dinheiro, não se vende nada
mas que à força de trabalho, mais por disciplina do que dom divino, lá conseguia fazer render o gado. E mais que isso, ganhara a confiança senhor Joaquim, pai da pequena Maria, seu cliente fiel. A dada altura pediu-lhe a mão da moça, e ele disse que sim, e pronto, lá voltou à terra com moedas na bolsa e uma mulher para a vida.
Eram estas as histórias que o homem contava, e eu ali a ouvir, de audição atenta e com um sorriso no rosto. Ia com o sujeito em feliz cavaqueira quando o comboio começou a abrandar, lenta e gradualmente, até que por fim parou. Pensei que já não chegaria a horas à cidade, enfim, lamentei a minha imprudência de não contar com avarias e coisas que tais, começando a conformar-me com a triste situação de chegar com atraso imperdoável. O homem começou-se a rir, muito alto, ao ver o meu desgosto com a situação, e eu não conseguia deixar de pensar em como aquele ignóbil deveria ter sido um larápio de primeira, ou então nunca se riria assim da miséria alheia que, para pior, era a minha.
- Não sabe o que se passa, pois não?
Claro que sabia, tinha o meu dia destruído por força do raio do comboio velho.
- Não, não sei, disse, frustrado.
- É que há uma cancela a travar o percurso. O maquinista tem de sair para a abrir, deixar o comboio passar, e no fim voltar a sair para descer de novo a cancela.
- Como?
Fosse eu da estirpe daquele sujeito e ter-lhe-ia ido aos queixos, mas sou de outro jeito e limitei-me a um inócuo “como?”, se bem que com cargas de reprovação no tom. Invenção mais inverosímil era difícil… Decido ir à janela e vejo um senhor com chapéu à soldado de chumbo a caminhar ao lado do comboio. Seria mesmo verdade?
Abro a porta à manivela para sair da carruagem, e vou até ao largo da locomotiva, de um laranja vivo, aproximando-me do soldado napoleónico, perdão, ferroviário. Perguntei, embora já sabendo do que se tratava
- O que é que o senhor maquinista está a fazer?
- Não sabe? Tenho de vir abrir a cancela para o comboio passar. Depois volto a sair para a fechar. E só depois arrancamos.
Finalmente acreditei que aquilo era mesmo assim. Como era possível que não houvesse um qualquer ponto de energia que fizesse a portinhola abrir e fechar automaticamente com o aproximar do comboio?
Lá voltei ao meu lugar, agora sem o velho homem à frente. A viagem já ia longa, eu estava cansado, ainda tinha uns blocos de folhas para ler, mas por os olhos não se quedarem de modo firme decidi parar. É cansaço, tens de descansar, dir-me-ia o meu pai. Em respeito ao sangue, decidi fechar os olhos e dormir melhor que um passarinho.
- - -
Acordei já noite, vendo pontos amarelos a anunciarem a civilização.
- Quer um pouco de água?, ofereceu-me o senhor.
- Sim, obrigado - estava com a cara um pouco pegajosa, talvez por não fechar a boca ao dormir, e a garganta estava seca, a fome já esganava, doíam-me as pernas de estar sentado, ou se calhar, tudo se resumia à sede que então sentia. Já recomposto, disse
- Obrigado. Sempre era verdade aquela história das cancelas…
O homem não respondeu, limitando-se a olhar pela janela. Chegamos a S. Bento já noite, ao horário previsto, e descemos do comboio lado a lado, em silêncio. Percorremos a gare lentamente, ele carregando uma pequena cesta de vime, eu com uma mala recente com duas pequenas rodas a ajudarem a combater a gravidade. Não sabia qual a razão da sua viagem, nem ele quais os meus motivos, mas seguíamos lado a lado como dois velhos conhecidos, apreciando desde os azulejos da entrada à perseverança da senhora que vendia os torrões embrulhados em papel laranja. Indiquei-lhe que seguia para cima, pelos aliados até à praça da República, e ele que tinha como rumo os Clérigos, rompendo depois para o Santo António. Despedimo-nos, trocando ainda umas breves impressões
- Sabe…há uma coisa que me disse que me tem deixado a matutar.
- Diga, diga – disse, prestável.
- É que não percebo uma coisa na gente nova…
- Então?
- Porque raio é que aquilo que lhe contei da cancela não haveria de ser verdade?
E partiu de rosto sério enquanto eu ainda preparava uma resposta, de tão embasbacado ter ficado.
Olhei a nobreza do seu andar manco, em que ainda não reparara, uma perna mais pequena que a outra, e senti alguma compaixão ao ver como mantinha a pequena cesta carregada firme, como se peso nenhum tivesse. Pensei em como ainda há pouco malograva aquele sujeito, que abertamente me contava painéis da sua vida, considerando que qualquer palavra que de um homem saísse era, já ela, um signo da verdade. Agora que melhor pensava, não conseguia deixar de concluir que se houvesse alguém de má estirpe, esse alguém seria eu.
Volto a escrever neste espaço, após três semanas de interregno, por força do acaso ou da falta dele. Na primeira, estava no primeiro de três dias de estudo para uma cadeira. Na segunda e na terceira tive provas orais precisamente na terça. Dir-se-á, quase por acaso.
O texto que aqui coloco, não o parecendo, deve-se a uma reunião do Tribuna. A dada altura, falava-se numa viagem em que, a dada altura, o comboio parava para o maquinista ir abrir uma cancela. Depois de esta estar aberta, o comboio avançava um pouquinho, para novamente o maquinista sair da composição de modo a poder fechar a referida barreira. Na sequência desta pequena história, o Francisco Noronha, em tom de brincadeira, disse que eu era capaz de escrever uma página e meia sobre a temática. Ri-me, naturalmente, e depois pensei para comigo que era um desafio interessante. Os resultados desses esforços estão à disposição do leitor a quem, desde já, e como sempre, convido a partilhar as suas considerações sobre o que leu.
Desespera-se, por vezes, a mão cola na testa, o olhar é desviado, e nada faz sentido e até nesta porção nesta ilha onde não há Rosa dos Ventos, lá aparece um Iluminado que nos faz crer num sentido e num tópico de discussão e argumentação, discutir o exterior e a sensação (não interessa bem o objecto, interessa é discutir). Lá nos aparece essa Novidade, essa insanidade, esse vazio...
Às vezes não me entendo...
Até ao dia, em que um estrangeiro de cigarro na mão se aproximou, não se considerava um daqueles Iluminados. Apenas trazia com ele um bom discurso maduro, (mas oh vida tinha que ser mais um discurso). Mas, deste estrangeiro, adorei a perspicácia! Chegou ao pé do nosso grupo e sacudindo a beata para o chão, num tom jocoso mas bastante assertivo, disse:
"Vive-se por estas bandas?"
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.... Após um mês a estudar direito, e sem ter colocado aqui um post para amostra.... Senti um alivio! Um alivio da alma ao saber que o primeiro round tinha acabado.... Um suspiro que me fez acalmar.... Durante 1 minuto! Pois logo a seguir fui lembrado que tenho uma oral de melhoria de nota na segunda feira, e que provavelmente vou ter que fazer outra vez a disciplina de direito do trabalho... e se calhar uma melhoria a direito económico.....
Às vezes penso que o meu cerebro não me quer deixar apreciar estes pequenos momentos da vida. Já não basta eu ter que pensar nos meus problemas, ainda tem que vir a minha consciencia dizer, com um sentido de desoportunidade enorme, que efectivamente tenho aqueles problemas.
Bahhh.... já não vejo o fim desta época de exames.... já não me vejo a ter férias
Já tinha publicado no meu blogue, mas nunca fez tanto sentido como no momento em que vou postar agora; quando se sente algo com tanto ardor, tendemos ou a escrever algo de novo ou a recordar algo que escrevemos... a ironia, é que escrevi isto hoje (ontem, pra quem leia), e umas (algumas) horas depois, fez tanto sentido, como se tivesse a tatuar o corpo com as mesmas palavras... É triste perceber isso agora, mas, é engraçado, algo que escrevemos antes ter muito sentido depois.... Todavia, tal graça tem somente o defeito de não a querer ter tido, neste momento em que escrevo estou tão agitado, estou com a alma tão trémula, estou triste por palavras mais simples... Ai... se ao menos compreendesse, não o resto, não o outrem, mas a mim mesmo, pelo menos isso! Nunca consegui que a minha alma brotasse fragmentos líquidos, mas a velocidade com que escrevo (tal como se palavreasse) é talvez a única parte de mim que consegue dar a entender o porque de me sentir tão, mas tão (e porra como me sinto) consumido! Não vão entender, a palavra não tem esse dom! Apenas me posso rir, pela não-compreensão, e apenas posso estar triste por me dar ao trabalho quer de EU compreender ou tentar que compreendam...
Não é suspiro, é um grito!
"Quando o sangue se agita
Algo inquieta
Algo provoca desejo ardente
Ou mero receio
Há tempos ouvia:
"Há algo na distância que glorifica a existência"
Oh, como é verdade
Oh, como tendemos a dar valor à ausência
A não valorizar a presença
Tendemos pra falta de algo
Não para o Ter algo
Mas, somos imbecis
Cultivamos esta estulta sociedade
E rimo-nos com certezas feitas de areia
Somos tão, mas tão...
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Sempre fora assim, até à hora em que a Maria surgiu. Se era bonita? Sim, pode-se dizê-lo. Não era nenhuma rapariga de revista, como aquelas com quem tantas vezes se envolvera. Também não era soberbamente bem composta. Nem simpática como tantas…Mas pronto, picou-o, e quando deu em si já não largava a cabeça de pensar nela. Pior ficou quando descobriu que ela já andava à sua cata há uns meses. Dali tinha de sair qualquer coisa. Meia dúzia de dias, umas quantas palavras lançadas e pronto, já estavam um com outro.
Passeavam-se pelo povoado ao domingo, de braços dados e cheios de sorrisos e histórias um para o outro. Quando se cruzavam com alguém sorriam e conversavam um pouco, para logo continuarem caminho. Depois iam para os montes
- Vamos ver o horizonte
Diziam eles, e voltavam já noite feita, com o crepúsculo passado e resguardado.
Até que um dia, encruzilhadas que na vida há, se desentenderam. Ele, com palas como um burro, não deu o braço a torcer; e a Maria, orgulhosa até aos ossos, ofendidíssima, jurou não o querer mais por par. E voltaram a fazer-se à vida.
Que metamorfose se deu entretanto naquele homem! Já não pegava moças com a facilidade de outrora, nem o queria fazer. Falava com esta, com aquela, e nada, eram todas umas sonsas de narizes tortos, aquilo não lhe servia, e o tempo assim vogava, devagar, devagarinho, até que conheceu a Joana, com quem finalmente engraçou.
Um dia, ao sair da igreja, viu de novo a Maria, que lhe dirigiu a palavra.
- Então, ouvi dizer que já te serviste
- Já não era sem tempo. É verdade.
- Já lá vão 3 anos... É boa rapariga?
Ele, procurando sopesar as palavras, não conseguiu naquele momento de fraqueza deixar de dizer o que lhe assomava à voz, com um toque de nostalgia
- É. Quase tanto como tu eras.
Metendo o chapéu a cabeça, virou a cara à Maria, que ali ficara embasbacada, e seguiu pelo caminho para casa saboreando a leveza que sentia, pensando tão somente em como seria bom tragar umas cerejas frescas e rubras.
Mas, se não te entendo é porque penso que excluis por completo coisas como a Maldade, o Ódio, etc... Isso tudo existe, e nós, materializamos esses mesmos valores em acções "livres" (sempre livres e, enfim, como custa dizer) com o simples intuito de magoar.
"Bem, eu não disse que tal não existe...
Ah! Estás a voltar atrás, não? O teu mundo inocente, a tua cidade, o teu império do coração pelo que me descreveste é um lugar cândido...
Sabes, queria que acordasses, queria que não palavreasses, queria que sentisses o que dizes e percebesses um pouco do que te quis dar até agora! Mas, pobre coitada e casmurra, estás sempre no mesmo lugar, aí sentada, com olhar desconfiado e com um pé atrás. Ser casmurro é coisa má e, mais que isso, é a cegueira que, por vezes ela mesma traz...
Bem, a Maldade existe. Para bem de todos nós, é bom que o saibamos e é bom que contemos com isso mal ponhamos um pé fora do nosso estado de crisálida; é óbvio! Mas a maldade não é um estado puro, ou.... enfim, diga-se, um estado geral, ela é uma excepção. A maldade é uma perspectiva, é Moral. O mal que tu entendes como tal pode ser o Bem de quem consideras inimigo ou do teu vizinho lá longe que vive numa montanha diferente da tua.
Se quis negar a maldade, não é a maldade enquanto acção que provoca sofrimento, mas sim quis esclarecer que a maldade é uma simples perspectiva do mesmo objecto!
Não é assim?
Serve este post para evidenciar o evidente (não tão evidente para eventuais leitores alheios a vicissitudes académicas):
Dado que os elementos do conselho editorial se encontram em período de exames, com toda a falta de tempo que isso possa implicar, algumas das colunas diárias não estão neste momento a ser mantidas.
Assim que se inicie o 2º semestre académico, estas serão retomadas.
Francisco Noronha
Simples como?
"Bem, tou um pouco cansado; apenas nos exibimos com as nossas mesquinhices e a nossa estupidez. Não sei ao certo, o porquê de tal, sei que tal como toda a gente também o faço e é algo muito mas muito viciante, todavia Porquê? Porque tendemos a separar-nos daquilo que é ou devia ser considerado importante?
Sabes, falar dessa forma é algo de todo impossível... Falar dessa forma é "Non-sense"... falar dessa forma é algo inócuo e pior será algo... Vazio!
"intrigante... Dizes-me que não conseguirias ver o mundo desta forma? aliás, a Realidade (porque de mundos estou eu cansado). Não penso assim, aliás, quando uma pessoa não é nem arrogante ou demasiado humilde, quando uma pessoa nem é ostensivamente parva ou séria, quando uma pessoa apenas é porque tem que ser, essa pessoa não te fala "das coisas que nos separam do essencial", essa pessoa fala-te desse essencial, tenta "palavrear o essencial", tenta fazer com que sentias o olhar dele, olhar dele perante o essencial. Por vezes, essa pessoa tirando essas máscaras, nem te dirá nada, apenas fará algo, algo simples, mas de uma beleza indescritivel.
E o gozo? E o brincar de forma desmedida com o outro?
"Bem, quando a pessoa que está à nossa frente, aos nossos olhos não significa nada, não é nada e não representa nada; quando a transfiguramos em "menos-que-coisa" então aí se formos "bastante" humanos desviamos o olhar, ou então vamos procurar dar-lhe significado, chegando ao pé dela e dando-lhe um aperto de mão, ou dizendo "Bom dia". Aí vamo-nos distinguir, vamos ser muito mais do que se gozassemos somente.
Sabes que isso não acontece na verdade... Isto é, sabes que uma mesma pessoa pode ser "bastante humana" para certas pessoas e "bastante desumana (suspiro.... penso que é isso que me dizes) com outras... Logo ninguém é perfeito, ninguém age uniformemente...
"Não disse o contrário... Por isso te disse que estava cansado dos "mundos". O teu olhar é um mundo, o meu é outro; o meu olhar para ti tem algo, o meu olhar para outro pode não ter esse algo. Somos instáveis, oscilamos facilmente...
A vida é feita de pequenos "nada", não é assim?
"Sabes... as vezes penso que estamos mesmo em sintonia"
(risos dos dois ... tal (o riso) era somente outro pequeno "nada")
- 2 comentários • Category: les jours tristes
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