O Belicista

por Duarte Canotilho em sábado, 31 de janeiro de 2009

.... Após um mês a estudar direito, e sem ter colocado aqui um post para amostra.... Senti um alivio! Um alivio da alma ao saber que o primeiro round tinha acabado.... Um suspiro que me fez acalmar.... Durante 1 minuto! Pois logo a seguir fui lembrado que tenho uma oral de melhoria de nota na segunda feira, e que provavelmente vou ter que fazer outra vez a disciplina de direito do trabalho... e se calhar uma melhoria a direito económico.....

Às vezes penso que o meu cerebro não me quer deixar apreciar estes pequenos momentos da vida. Já não basta eu ter que pensar nos meus problemas, ainda tem que vir a minha consciencia dizer, com um sentido de desoportunidade enorme, que efectivamente tenho aqueles problemas.

Bahhh.... já não vejo o fim desta época de exames.... já não me vejo a ter férias

um grito

por Anónimo em quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

4.oo AM

Já tinha publicado no meu blogue, mas nunca fez tanto sentido como no momento em que vou postar agora; quando se sente algo com tanto ardor, tendemos ou a escrever algo de novo ou a recordar algo que escrevemos... a ironia, é que escrevi isto hoje (ontem, pra quem leia), e umas (algumas) horas depois, fez tanto sentido, como se tivesse a tatuar o corpo com as mesmas palavras... É triste perceber isso agora, mas, é engraçado, algo que escrevemos antes ter muito sentido depois.... Todavia, tal graça tem somente o defeito de não a querer ter tido, neste momento em que escrevo estou tão agitado, estou com a alma tão trémula, estou triste por palavras mais simples... Ai... se ao menos compreendesse, não o resto, não o outrem, mas a mim mesmo, pelo menos isso! Nunca consegui que a minha alma brotasse fragmentos líquidos, mas a velocidade com que escrevo (tal como se palavreasse) é talvez a única parte de mim que consegue dar a entender o porque de me sentir tão, mas tão (e porra como me sinto) consumido! Não vão entender, a palavra não tem esse dom! Apenas me posso rir, pela não-compreensão, e apenas posso estar triste por me dar ao trabalho quer de EU compreender ou tentar que compreendam...

Não é suspiro, é um grito!


"Quando o sangue se agita
Algo inquieta
Algo provoca desejo ardente
Ou mero receio

Há tempos ouvia:
"Há algo na distância que glorifica a existência"
Oh, como é verdade
Oh, como tendemos a dar valor à ausência
A não valorizar a presença
Tendemos pra falta de algo
Não para o Ter algo

Mas, somos imbecis
Cultivamos esta estulta sociedade
E rimo-nos com certezas feitas de areia
Somos tão, mas tão...


#17 às terças, quase como acaso

por TR em terça-feira, 20 de janeiro de 2009

CEREJAS
Aquele fora, até então, moço de namoricos de muitas ordens, dos que não gostava de andar de mãos vazias. Só assim ganhava ânimo para o trabalho, esse vil dever que lhe preenchia os dias com tarefas que repudiava. Quem o visse, ficava sempre surpreso com a variedade de senhoras que trazia ao lado. Vinha uma com as andorinhas, outra com o solstício de verão, outra quando as andorinhas partiam, sempre a rodar. As senhoras passeavam ao seu lado e ele, de bom grado, passeava-se com a senhora que, de entre aquelas, mais lhe aprazia.
Sempre fora assim, até à hora em que a Maria surgiu. Se era bonita? Sim, pode-se dizê-lo. Não era nenhuma rapariga de revista, como aquelas com quem tantas vezes se envolvera. Também não era soberbamente bem composta. Nem simpática como tantas…Mas pronto, picou-o, e quando deu em si já não largava a cabeça de pensar nela. Pior ficou quando descobriu que ela já andava à sua cata há uns meses. Dali tinha de sair qualquer coisa. Meia dúzia de dias, umas quantas palavras lançadas e pronto, já estavam um com outro.

Passeavam-se pelo povoado ao domingo, de braços dados e cheios de sorrisos e histórias um para o outro. Quando se cruzavam com alguém sorriam e conversavam um pouco, para logo continuarem caminho. Depois iam para os montes
- Vamos ver o horizonte
Diziam eles, e voltavam já noite feita, com o crepúsculo passado e resguardado.
Até que um dia, encruzilhadas que na vida há, se desentenderam. Ele, com palas como um burro, não deu o braço a torcer; e a Maria, orgulhosa até aos ossos, ofendidíssima, jurou não o querer mais por par. E voltaram a fazer-se à vida.

Que metamorfose se deu entretanto naquele homem! Já não pegava moças com a facilidade de outrora, nem o queria fazer. Falava com esta, com aquela, e nada, eram todas umas sonsas de narizes tortos, aquilo não lhe servia, e o tempo assim vogava, devagar, devagarinho, até que conheceu a Joana, com quem finalmente engraçou.

Um dia, ao sair da igreja, viu de novo a Maria, que lhe dirigiu a palavra.
- Então, ouvi dizer que já te serviste
- Já não era sem tempo. É verdade.
- Já lá vão 3 anos... É boa rapariga?
Ele, procurando sopesar as palavras, não conseguiu naquele momento de fraqueza deixar de dizer o que lhe assomava à voz, com um toque de nostalgia
- É. Quase tanto como tu eras.

Metendo o chapéu a cabeça, virou a cara à Maria, que ali ficara embasbacada, e seguiu pelo caminho para casa saboreando a leveza que sentia, pensando tão somente em como seria bom tragar umas cerejas frescas e rubras.

conversas num café em Paris II

por Anónimo em sábado, 17 de janeiro de 2009


Mas, se não te entendo é porque penso que excluis por completo coisas como a Maldade, o Ódio, etc... Isso tudo existe, e nós, materializamos esses mesmos valores em acções "livres" (sempre livres e, enfim, como custa dizer) com o simples intuito de magoar.


"Bem, eu não disse que tal não existe...

Ah! Estás a voltar atrás, não? O teu mundo inocente, a tua cidade, o teu império do coração pelo que me descreveste é um lugar cândido...

Sabes, queria que acordasses, queria que não palavreasses, queria que sentisses o que dizes e percebesses um pouco do que te quis dar até agora! Mas, pobre coitada e casmurra, estás sempre no mesmo lugar, aí sentada, com olhar desconfiado e com um pé atrás. Ser casmurro é coisa má e, mais que isso, é a cegueira que, por vezes ela mesma traz...
Bem, a Maldade existe. Para bem de todos nós, é bom que o saibamos e é bom que contemos com isso mal ponhamos um pé fora do nosso estado de crisálida; é óbvio! Mas a maldade não é um estado puro, ou.... enfim, diga-se, um estado geral, ela é uma excepção. A maldade é uma perspectiva, é Moral. O mal que tu entendes como tal pode ser o Bem de quem consideras inimigo ou do teu vizinho lá longe que vive numa montanha diferente da tua.
Se quis negar a maldade, não é a maldade enquanto acção que provoca sofrimento, mas sim quis esclarecer que a maldade é uma simples perspectiva do mesmo objecto!
Não é assim?

nota para o leitor:

por Tribuna em quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Serve este post para evidenciar o evidente (não tão evidente para eventuais leitores alheios a vicissitudes académicas):
Dado que os elementos do conselho editorial se encontram em período de exames, com toda a falta de tempo que isso possa implicar, algumas das colunas diárias não estão neste momento a ser mantidas.
Assim que se inicie o 2º semestre académico, estas serão retomadas.

Francisco Noronha

conversas num café em Paris I

por Anónimo em quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

"Apetece-me falar simples...

Simples como?

"Bem, tou um pouco cansado; apenas nos exibimos com as nossas mesquinhices e a nossa estupidez. Não sei ao certo, o porquê de tal, sei que tal como toda a gente também o faço e é algo muito mas muito viciante, todavia Porquê? Porque tendemos a separar-nos daquilo que é ou devia ser considerado importante?

Sabes, falar dessa forma é algo de todo impossível... Falar dessa forma é "Non-sense"... falar dessa forma é algo inócuo e pior será algo... Vazio!

"intrigante... Dizes-me que não conseguirias ver o mundo desta forma? aliás, a Realidade (porque de mundos estou eu cansado). Não penso assim, aliás, quando uma pessoa não é nem arrogante ou demasiado humilde, quando uma pessoa nem é ostensivamente parva ou séria, quando uma pessoa apenas é porque tem que ser, essa pessoa não te fala "das coisas que nos separam do essencial", essa pessoa fala-te desse essencial, tenta "palavrear o essencial", tenta fazer com que sentias o olhar dele, olhar dele perante o essencial. Por vezes, essa pessoa tirando essas máscaras, nem te dirá nada, apenas fará algo, algo simples, mas de uma beleza indescritivel.

E o gozo? E o brincar de forma desmedida com o outro?

"Bem, quando a pessoa que está à nossa frente, aos nossos olhos não significa nada, não é nada e não representa nada; quando a transfiguramos em "menos-que-coisa" então aí se formos "bastante" humanos desviamos o olhar, ou então vamos procurar dar-lhe significado, chegando ao pé dela e dando-lhe um aperto de mão, ou dizendo "Bom dia". Aí vamo-nos distinguir, vamos ser muito mais do que se gozassemos somente.

Sabes que isso não acontece na verdade... Isto é, sabes que uma mesma pessoa pode ser "bastante humana" para certas pessoas e "bastante desumana (suspiro.... penso que é isso que me dizes) com outras... Logo ninguém é perfeito, ninguém age uniformemente...

"Não disse o contrário... Por isso te disse que estava cansado dos "mundos". O teu olhar é um mundo, o meu é outro; o meu olhar para ti tem algo, o meu olhar para outro pode não ter esse algo. Somos instáveis, oscilamos facilmente...

A vida é feita de pequenos "nada", não é assim?

"Sabes... as vezes penso que estamos mesmo em sintonia"

(risos dos dois ... tal (o riso) era somente outro pequeno "nada")

título de uma crónica

por Francisco em terça-feira, 13 de janeiro de 2009


slides (retratos da cidade branca ) - praticamente

#16 às terças, quase como acaso

por TR

A camisa - graçola
Mais do que gravata ou qualquer outra coisa, é camisa que caracteriza o visual masculino formal dos dias de hoje. Aliás, é em sua honra que a gravata surge funcionalizada, bem como o lenço ou qualquer outro adereço afim. Camisas há-as de todo o género, servindoum propósito fundamental: dar a quem a usa um certo ar de seriedade, de zelo. Daí que seja muito pior uma camisa suja do que uma tshirt, ou umas calças, ou uma camisola com uma nódoa. Aquela é um último reduto de civilidade, que se quer impecavelmente ostentada.
1. Compreendendo o papel da camisa, alcança-se a real utilidade da gravata: aquele que a usa torna-se incólume, opaco, não tem réstia de corpo à vista para além das mãos e da cabeça. Nem sequer um pouco do peito passa a sentir a brisa...nada. É um ser inatacável. É um homem sério.
2. Já o laço oferece um ar dandy. O sujeito que o usa, depois de se apresentar como alguém respeitável (evidente...está de camisa!), pinta-se com esse pequeno toque de desvelo que, simultaneamente, dá a entender que leva a realidade com um sorriso, que é um mero observador do mundo externo, que se sabe rir das coisas simples, apesar de ser um sujeito extremamente reflexivo.
3. Já o laço...oh...o laço é um je ne sais quoi. O seu ar encarquilhado entrecruzado com a arte de o traçar ao pescoço dá àquele que a aura própria dos alquimistas, como quem diz: eu sou aquele que não conheceis.
E como elemento comum a tudo, a camisa, esse suporte de adereços. Há quem se recuse a usar gravata, há quem se recuse a usar laço, há quem vaticine o pior dos fins para o lenço. Mas a camisa mantém-se como a fiel intocável que estará lá sempre a rir-se das manias humanas.
Curioso...nem os jovens, revoltados, que acreditam nunca ir em cantilenas, resistem à camisa...lá a usam de colarinho aberto, ou com uma tshirt por baixo, conforme o gosto próprio.
Há, claro, os não alinhados. O Joe Berardo, por exemplo, permanentemente com uma tshirt, sem camisa, por baixo de um blazer com um pequeno pin a dizer: "culture is life". Esse sim, rompe com o império da camisa. Será por isso que nos parece tão diferente?

tão simples quanto complexo (e verdadeiro)

por Francisco em domingo, 11 de janeiro de 2009

O que a liberdade é só pode ser em última instância decido por quem haja de ser livre. Se não for assim, depressa acaba a liberdade, como mostra toda a experiência humana.

Carl Schmitt

É por estas e por outras que eu tenho medo de acabar um curso de Direito a pensar que o Direito consegue alcançar todas as manifestações intelectuais do Homem.

américa do sul

por D.

se um dia acabarmos a dançar o tango, eu começo a primeira dança. o resto vem por acréscimo.



Amor Porteno - Gotan Project