#15 às terças, quase como acaso

por TR em terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Como de costume, perante os empecilhos trazidos pelo estudo, o recurso a palavras que não são minhas, mas que muito aprecio. Aproveite o leitor, como eu aproveitei ao descobri-las. Numa manhã ou tarde de Julho, ignoro-o.

Sentes palpitar em ti a ambição da grandeza,
Sentes o travo do ódio, o fel do orgulho e da inveja?
Julgas-te vencedor e enches o peito de alegria,
Crês-te derrotado, e choras dor e amargura?
Então por um momento, olha para as estrelas.

Incomodam-te os atritos, as poeiras deste vasto
Mundo, sofres os horrores da vida quotidiana?
Queres mais do que tens, mais do que sonhas?
Desejas uma doce vida sem tristezas?
Larga o tempo, e olha para as estrelas

Acaso te parece que sabes alguma coisa,
Que tens alguma coisa, que és alguma coisa?
Acaso te consideras o centro do universo,
A raiz das sombras e das luzes?
É simples: olha para as estrelas.

Olha para as estrelas, numa clara noite de verão,
Olha o negro céu, o negro céu luminoso.
Passeia a tua alma nas estradas sem fim,
Do outro lado da sombra, o teu olhar, pelos imensos sóis
Cujo pequeno reflexo mal consegues distinguir.
Vamos, avança sem medo, até onde te levar a tua imaginação.
Não chegarás nunca onde nem queres chegar,
Mas no breve caminhar da tua alma, encontrarás
O repouso dos teus sentimentos desencadeados,
Que é a única resposta dos teus dramas.

António Quadros

Paz&Espada

por Manuel Marques Pinto de Rezende em segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

"Muitos procuram a ciência; poucos se importam com a consciência. Pois que se puséssemos o mesmo zelo e cuidado a obter consciência, como colocamos a adquirir uma ciência, encontrá-la-íamos bem mais depressa, e conservá-la-íamos com muito mais proveito."

Bernardo de Claraval.

alea jacta est

por Ary

Datas de abolição da escravatura

Hungria: (circa) 1000 (libertava imediatamente qualquer escravo que vivesse, estivesse ou até entrasse no seu território)
Suécia: 1335 (filhos de pais cristãos em determinados feudos; em 1813 foi proibida a participação no tráfego negreiro; em 1846 foi abolida a escravatura, mas os últimos escravos só em 1847 foram comprados pelo Estado e libertados)
Japão: 1587 (apesar da servidão continuar a ser comum até aos anos 60 do século XIX)
Portugal: 1761 (em 1836 nas colónias africanas)
Inglaterra e Gales: 1772
Escócia: 1776
Vermont: 1777 (sim, o Estado americano foi um Estado Independente e só se juntou aos EUA em 1791)
Haiti: 1794 (após meio milhão de escravos se terem revoltado o governador francês achou por mim ...)
Canadá: 1793 (parte do território e não libertava os escravos apenas dizia que aos 25 anos os filhos dos escravos seria considerados livres; em 1803 uma decisão jurisprudencial determinou que a escravatura não era compativel com a lei inglesa
França: 1794 (mas voltaram a trás em 1802; em muitas colónias houve resistências, outras estavam sobre domínio inglês; 1848 foi de vez)
Chile: 1811 (totalmente em 1823)
Argentina: 1813
Grande Colómbia (ou seja, Equador, Colómbia, Panamá e Venezuela): 1821 (Colómbia: 1853; Venezuela: 1854)
República Federal da América Central (Guatemala, El Salvador, Honduras, Nicaragua, Costa Rica): 1824
México: 1829
Império Britânico: 1833 (a decisão entrava em vigor no dia 1 de Agosto de 1834, mas nas Índias Orientais só a 1 de Agosto de 1838; a Royal Navy foi encarregue de abolir o tráfego em 1807(!), se necessário interceptando navios de bandeira não britânica)
Marícias: 1835
Espanha: 1837 (excepto colónias)
Dinamarca: 1848
Perú: 1821 (ou 1851, ou 1880, ou 1969, é complicado ...)
Moldávia: 1855
Rússia: 1861 (20 milhões de escravos libertados)
Holanda: 1963
EUA: 1865 (desde 1997 mais de 1000 escravos foram libertados dos seus senhores no Sul da Flórida, trabalhavam no sector agrícola)
Porto Rico: 1873
Cuba: 1886
Império Otomano: 1876
Brasil: 1888
Coreia: 1894 (apenas a escravatura herditária)
Madagascar: 1896
Zanzibar: 1897 (tráfico em 1873)
Cião (parte da Tailândia): 1905
China: 1910 (para simplificar)
Afeganistão: 1923
Sudão: 1924 (mas é letra)
Etiópia: 1923
Iraque: 1924
Nepal: 1926 (os trabalhos forçados só foram abolidos em 2008)
Irão: 1928
Marrocos: anos 30
Nigéria: 1936
Qatar: 1952
Arábia Saudita: 1962
Yemen: 1962
EAU: 1963
Mauritânia: 1980 (criminalizada só em 2007; últimos dados a que tive acesso calculam que cerca de 600.000 pessoas continuem sob escravatura, ou seja 20% da população)
Niger: 2003

Em 2005 a ONU estimava-se houvesse 27 milhões de escravos em todo o mundo.

ANARQUIA

por João Fachana em domingo, 4 de janeiro de 2009

Nove horas e vinte e cinco minutos:
O deputado Artur Magalhães tomava o pequeno-almoço à pressa, enquanto procurava folhear o jornal. As suas mãos tremiam à medida que avançava pelas páginas de jornal e erguia a sua caneca de café. A mulher de Artur entrou na cozinha e estranhou logo o comportamento do marido:
- O que é que se passa, Artur? Porque é que estás nervoso?
- Nada querida. É por causa do debate.
- É só mais um debate…
Artur levantou-se e enrolou o jornal:
- Bom, tenho de ir. – E deu um beijo na face à mulher.
- Ficas bem?
- Fico. Não te preocupes.
Artur saiu da cozinha e dirigiu-se ao hall de entrada, pegando no seu casaco e numa pasta metálica, grande e cinzenta. Estava fria e Artur sentiu medo ao tocar-lhe. O que é que estaria ali dentro?
Artur tinha mentido à mulher. Os nervos não se deviam ao debate que iria ocorrer no Parlamento naquele dia, durante a tarde. Deviam-se àquela pasta que Artur tinha de levar para a Assembleia da República. No dia anterior, Artur havia sido abordado por um indivíduo que não conhecia de lado nenhum. Nem o nome apresentara. Apenas lhe dera umas fotos para a mão. Quando Artur as viu ficou horrorizado. Como é aquele homem tinha descoberto? E depois dissera-lhe que se Artur não queria que aquelas fotos fossem parar à primeira página de um jornal tinha de fazer o que ele dissera. E a ordem fosse que levasse a pasta cinzenta, que o homem tinha na sua mão, para o Parlamento no dia seguinte. E que não a abrisse, fosse em que circunstância fosse. Caso contrário, o homem saberia e as fotos seriam reveladas.
Artur tinha, por isso, de deixar a pasta no Parlamento, no seu assento, antes das cinco da tarde. Ou então todos veriam aquelas fotos tiradas num quarto de hotel, em que apareciam Artur e o seu amante, nús. Seria a desgraça e a humilhação eterna. E nem queria pensar no que é que a sua mulher poderia pensar. Iria cumprir as ordens do homem.

por D. em sábado, 3 de janeiro de 2009

Um dia houve manhãs em que eram sempre os sorrisos que acordavam. Hoje existem manhãs em que já não se acorda, apenas se abrem os olhos. Lá fora há um bom dia que espera por nós: outros virão depois de nós, prometemos um dia. Agora, só resta esperar que outros venham de dentro de nós.

=) coisas dos amigos II

por Anónimo

BOM DIA, ALEGRIA!
Já reparam na diferença que faz? Uma frase tão simples, mas que pode mudar o dia por completo a uma pessoa (conhecida ou não). São estes pequenos momentos que podem de facto mudar o nosso quotidiano, que podem fazer uma pequena (ou grande? Definitivamente grande e que grande seria) Revolução! I guess...

O Belicista

por Duarte Canotilho

Bom dia caro leitor! Hoje vou falar do facto de nao ter nada para dizer. Sim é verdade hoje não me ocorreu nada para contar, sabendo ainda que começamos um novo ano. Mas... nota-se assim tanto a diferença?
Talvez para o leitor, mas para mim nem tanto. Por isso quis procurar um tema giro para falar hoje. O que se passou no dia 2 de janeiro em toda a história?
Fui procurar à wikipédia....

Mmmmm hoje foi um dia bastante importante, Temos desde a tomada das malvinas pelo reino unido à Argentina, à invasão sovietica da finlandia na segunda guerra, à captura das filipinas pelos japoneses, até ao 2º transplante de coração pelo doutor Barnard.

... Espera o que é isto... "Elevação de choró a municipio"???

Pode não parecer nada, mas o que torna um dia importante, é o impacto que pequenas coisas como a elevação a municipio de uma aldeia tem, na população. As coisas tem o impacto e importância que lhes da-mos, Eu posso nao considerar isto nada de especial, mas se está na wikipédia então pelo menos alguem deved considera-la especial.

Bom ano para todos

por Luísa em quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Vinte minutos para a meia noite e o cansaço começou a apoderar-se do meu corpo. A verdade é que, apesar de saber que tinha doze passas e um copo de "champagne" à minha espera, o meu coração não se encontrava a um ritmo mais acelerado do que o normal... bem pelo contrário.
Olhei em redor. Um pequeno sorriso me despertou. Estava contente por nós estarmos ali. Era uma felicidade que transparecia nos seus olhos, apenas por partilharmos aquele momento.

O tempo passou entre a luta com as novas tecnologias e a minha falta de jeito.
Dois minutos para a meia noite e uma amena cavaqueira.
De repente, a televisão despertou-nos: "3, 2, 1..." Abraços, beijos, sorrisos, brindes... BOM ANO NOVO!

Este ano [ou melhor, este ano que passou...]não "teve" passas. Não houve doze desejos. Mas também será que serei eu ou as passas quem os poderá concretizar?

2009 nas palavras de uma amiga

por Anónimo em quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Dedicado a uma boa amiga:

Quando chega o ano novo, sinto-me "Poderosa"!
É estúpido, é só um segundo a mudar de um ano para o outro.
Mas eu gosto!

O violino

por Anónimo

"O violino decidiu cantar, cada nota de som tão vibrante ecoava na cabeça de quem ouvia dando-lhes vida; o violino decidiu chorar e cada som melancólico conseguia roubar os sorrisos de quem ouvia, tirando-lhes vida. O violino decidiu parar e o caos instalou-se no seio dos pobres homens que o ouviam.

Nasceram orações, nasceram crenças, nasceram pedidos de uma ressurreição do mesmo. O violino tornou-se imortal, como símbolo de um Deus que comandava o Homem mediante os seus acordes harmoniosos, belos ou hediondos e pérfidos.

O violino conspurcou com a necessidade o coração frágil dos homens e dividiu-os: aqueles que somente souberam reconhecer o tom hármonico do seu canto e aqueles que somente tiveram o privilégio de ouvir a solidão melancólica de quem morre pelo Tempo. Tal divisão, transformou-se num combate lógico, onde argumentos e argumentos escorriam ora a favor ora contra. Os homens excitados com tal discussão, fizeram religiões opostas, apenas pelo prazer de defender o canto que outrora souberam apreciar.

Assim, o Tempo foi passando, as religiões enraizadas já não tinham justificação e a rivalidade cristalizada nos olhos de cada pessoa repercutia-se num ódio tão grande mas tão grande pelo outro, que já não se devam ao privilégio de argumentar, apenas de se atacar mutuamente.
O ódio cresceu, foi falado e tornou-se algo material. O ódio nascera do coração dos pobres homens que já não sabiam o porquê da fé inicial, apenas sentiam inconscientemente uma necessidade existencial de gritar, de magoar, de ser agressivo para com o seu "diferente".

Todavia, nem tudo era mau, tínhamos os mais pomposos e sábios da nação que sabiam continuar na luta lógica, na dança eterna da argumentação e contra-argumentação; enquanto, os mendigos se matavam nas ruas, os anciãos discutiam com mestria (mal sabiam eles que estavam vendados pela cegueira, pela surdez e mudez; de sábios apenas tinham um título, apenas um título, pobres coitados!)

Daqui agitamos as asas e voamos, tal como uma bela pomba branca, para podermos percorrer o Espaço: saímos da Assembleia, fugimos das ruas cinzentas e aterramos nas planícies verdes onde um homem chorava. Tinha à sua frente uma pá com que vagorasamente abria a terra, mas desistira de tal tarefa. "Um dia quis criar um império, alicerçado no amor, na simpatia, na bondade e fraternidade; a tristeza venceu-me, tratava-se de utopia; tentei explicar tal, tocando, cantando para os meus homens e para os seus filhos... Eles apenas quiseram racionalizar tudo, esqueceram-se de sentir e criaram-se as divisões. Das divisões a guerra, da guerra o ódio e deste a minha lágrima." Dito isto, enterrou uma pequena caixa preta que guardava um apodrecido mas outrora belo e iluminado violino."

henrique maio - end 08

"a ideia cristaliza-se no tempo, congela-se, vive, é intemporal..."

(oh, les jours tristes: TEMPO, ESSENCIAL, CORAÇÃO, EU, OS OUTROS; o violino ainda teima em ecoar na minha cabeça, mas a lágrima já é tão forte que afasta a harmonia...)

aditamento: AMOR!!!