Dedicado a uma boa amiga:
Quando chega o ano novo, sinto-me "Poderosa"!
É estúpido, é só um segundo a mudar de um ano para o outro.
Mas eu gosto!
Nasceram orações, nasceram crenças, nasceram pedidos de uma ressurreição do mesmo. O violino tornou-se imortal, como símbolo de um Deus que comandava o Homem mediante os seus acordes harmoniosos, belos ou hediondos e pérfidos.
O violino conspurcou com a necessidade o coração frágil dos homens e dividiu-os: aqueles que somente souberam reconhecer o tom hármonico do seu canto e aqueles que somente tiveram o privilégio de ouvir a solidão melancólica de quem morre pelo Tempo. Tal divisão, transformou-se num combate lógico, onde argumentos e argumentos escorriam ora a favor ora contra. Os homens excitados com tal discussão, fizeram religiões opostas, apenas pelo prazer de defender o canto que outrora souberam apreciar.
Assim, o Tempo foi passando, as religiões enraizadas já não tinham justificação e a rivalidade cristalizada nos olhos de cada pessoa repercutia-se num ódio tão grande mas tão grande pelo outro, que já não se devam ao privilégio de argumentar, apenas de se atacar mutuamente.
O ódio cresceu, foi falado e tornou-se algo material. O ódio nascera do coração dos pobres homens que já não sabiam o porquê da fé inicial, apenas sentiam inconscientemente uma necessidade existencial de gritar, de magoar, de ser agressivo para com o seu "diferente".
Todavia, nem tudo era mau, tínhamos os mais pomposos e sábios da nação que sabiam continuar na luta lógica, na dança eterna da argumentação e contra-argumentação; enquanto, os mendigos se matavam nas ruas, os anciãos discutiam com mestria (mal sabiam eles que estavam vendados pela cegueira, pela surdez e mudez; de sábios apenas tinham um título, apenas um título, pobres coitados!)
Daqui agitamos as asas e voamos, tal como uma bela pomba branca, para podermos percorrer o Espaço: saímos da Assembleia, fugimos das ruas cinzentas e aterramos nas planícies verdes onde um homem chorava. Tinha à sua frente uma pá com que vagorasamente abria a terra, mas desistira de tal tarefa. "Um dia quis criar um império, alicerçado no amor, na simpatia, na bondade e fraternidade; a tristeza venceu-me, tratava-se de utopia; tentei explicar tal, tocando, cantando para os meus homens e para os seus filhos... Eles apenas quiseram racionalizar tudo, esqueceram-se de sentir e criaram-se as divisões. Das divisões a guerra, da guerra o ódio e deste a minha lágrima." Dito isto, enterrou uma pequena caixa preta que guardava um apodrecido mas outrora belo e iluminado violino."
henrique maio - end 08
"a ideia cristaliza-se no tempo, congela-se, vive, é intemporal..."
(oh, les jours tristes: TEMPO, ESSENCIAL, CORAÇÃO, EU, OS OUTROS; o violino ainda teima em ecoar na minha cabeça, mas a lágrima já é tão forte que afasta a harmonia...)
aditamento: AMOR!!!
- 3 comentários • Category: "o mundo histericamente perfeito", les jours tristes
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Escrevo já depois de passada a primeira parte deste dia, com demasiado tempo para escrever, ou seja, para pensar. Ouvi, de manhã, numa música: para decir-te lo que nunca canto, para cantar-te lo que nunca digo. O mesmo com a escrita. Escrevemos o que não falamos, dizemos o que não escrevemos. E, quer num, quer noutro registo, pensamos. Resultado é este: duas entradas numa terça.
0. É muito curioso como escrever num blogue se pode, por vezes, revelar um acto profundamente solitário, mais até do que escrever num diário. Neste, sabemos sempre que haverá leitor: a nossa pessoa, em dias vindouros. Naquele, em que a escrita tem, por natureza, um destinatário que não o autor, nunca sabemos aquilo com que o futuro nos brindará. Apenas intuímos que quanto mais inusitadas, diferentes, longas ou más sejam as palavras utilizadas, maior a probabilidade de lançarmos um discurso ao ar. E, contudo, estamos a depositar um escrito num dos mais abertos dos espaços: onde, potencialmente, a propagação do texto pode ser amplíssima.
1. Ao ver as imagens que o Guilherme colocou sobre Pinhel e, mais ainda, os comentários, notei curiosas características da Fotografia. É disso que falarei.
2. Quando o observador vislumbra as fotos, não reflecte – nem é suposto que o faça – sobre a história que lhe deu origem. Muito curioso é, a este propósito, o filme “Flag of our fathers”, de Clint Eastwood, que gira em torno da história de um grupo de soldados fotografado a colocar uma bandeira americana no topo de um monte japonês, naquela que viria a ser das mais conhecidas imagens da 2ª guerra mundial. Na foto vemos heroísmo, emoção, coragem. Afinal, vemos aquilo que queremos ver. Que os aliados, “o nosso lado”, lutam, em face de toda a adversidade, para erguer uma bandeira que representa a sua causa. Todavia, ao acompanharmos o desenrolar do filme, vemos que aquele foi um entre vários momentos que se sucederam, e não uns instantes em que aqueles soldados conscientemente decidiram
“vamos fazer história”
Foram aqueles, como podiam ser quaisquer outros – parece que na guerra os soldados são coisas fungíveis –, foi a foto daquele momento, o carregar no botão da máquina do fotojornalista, que perpetuou o momento, e foi um povo que queria ver algo assim, a simbolizar, acima de tudo, esperança. Uma simples sucessão de acasos que tornou aqueles homens heróis.
3. Quando viajamos não vislumbramos qualquer momento como depois o vimos a fazer ao olhar a fotografia. Na hora em que a foto capta o instante, não conseguimos distingui-lo daquele que veio a seguir, ou do anterior. Toda a noção do valor do tempo é, aliás, deveras complexa…Acima de tudo, dela só temos noção depois de o tempo passar. Daí que não acredite haver actos insitamente heróicos. Essa consideração advém de um juízo valorativo feito ex post, uma comparação desse facto com outros desse tempo. E assim nasce a magia da fotografia: consegue apreender um instante que, no momento em que foi vivido, não tinha autonomia face aos restantes. Ou seja, dá-nos algo de novo. Permite-nos ver um instante num período de tempo muito superior a esse.
4. Assim, torna-se curioso ver como as fotos contam histórias. Por vezes, depois de fazermos uma viagem que nos apraz e não registamos qualquer momento, ficamos a lamentar não o ter feito. Mas, quando deixamos de aproveitar o momento para tirar uma foto ou escrever uma palavras, estas já não contam a história do momento (um homem a escrever ou a fotografar), mas uma outra história (aquilo que o autor quer legar ao futuro). Outras vezes, encontramos fotos excelentes para más viagens, e a inversa. Há contudo, fotos que reflectem – que fazem jus – à história de onde nascem.
5. É o que acontece em Pinhel: as fotos demonstram o que aquilo foi, mesmo que não demonstrem o que “aconteceu”. Pelo que disse, há que concluir que as fotos valem pelo que contam e pelo que escondem. Veja-se como, para quem foi, nas fotos em que aparecem os miúdos, fica escondido o frio que fazia na rua, o termos chegado àquele espaço como desconhecidos, com outro sotaque, o estado em que o prédio se encontrava e, como, para todos, ali se demonstra o lado bom desse período: como os pequenos ficaram à vontade connosco, já a fazerem poses para a imagem. A foto conta uma história, e o melhor que esta tem; no caso, o seu lado quente.
6. Curioso, ainda, que o que mais me impressionou ao ver as fotos foi a ideia de que eu podia ter gostado de Pinhel por aquilo, mas não foi por tal que gostei. O melhor, sem dúvida, foram as pessoas: o Guilherme e o Canotilho e, noutra dimensão, a sua avó. Quanto a Pinhel… é uma cidade bonita em si, não há dúvida. Parece brotar na terra, não se sabendo, por vezes, onde acaba o campo e começa a urbe. Vê-se musgo gasto pelo devir, sente-se o fumo dos fogões acesos, cheira a pão e a amarelo. Parece viver-se com o tempo, a compreender o tempo, a saborear o tempo. Como o Guilherme colocou nas páginas do Tribuna, citando pessoas de Pinhel, “tudo acaba”. De facto, tudo passa, excepto a terra.
7. As fotos, afinal, acabam por contar uma história próxima de tudo isto: os vários ângulos da torre do castelo, a azeitona, a árvore, a imensidão do horizonte, a casa velha, a humanidade a fervilhar naqueles miúdos e nos, passe o eufemismo, seios da senhora do calendário.
Para além de ter nomes sem fim, provou o Guilherme ser homem de ofícios vários: para além de fotógrafo, repórter-em-viagem, possível marketeer da Câmara Municipal de Pinhel (ou da Falcão, E.M.), agora afigura-se-nos, mais uma vez, como um belo contador de histórias, desta feita em fotografias.
2. Li, recentemente, uma passagem d’ “A rebelião das massas” (seja pela extensão do livro que, não sendo muita, é suficiente para perder bastante tempo à procura da parte referida; seja por falta de vontade – mais coloquialmente – preguiça, não a irei colocar aqui) que dizia – embora melhor – ser a língua o reflexo do povo que lhe dá origem. Pareceu-me uma asserção tão certeira que, desde então, dela me lembro bastantes vezes. Consideração simples, perspicaz, evidente…e, precisamente por tal, tão poucas vezes alcançada. Parece ser esse o fado das funções vitais (biológicas ou sociais) – o esquecimento. Quem se lembra, durante o dia, que respira (salvo quando a respiração esteja irregular)? Quem se lembra, no dia a dia, ver uma considerável parte da sua vida regulada por normas jurídicas (salvo quando surge um litígio)?
3. Sim, é evidente que a língua é o espelho do povo que lhe dá forma. A palavra responde a um problema: a necessidade de comunicar algo. Assim, o escolástico não precisava da palavra automóvel – precisamente porque não havia automóveis à época. Ou o Romano não teve de conhecer esse cardápio de expressões latinizadas que servem para designar todas as espécies vegetais e animais, porque a biologia ainda não tinha surgido. Da mesma forma, o homem comum não precisa de todas as palavras que se perderam no tempo. As palavras nascem e morrem da necessidade de designar “realidades”, servem a comunicação. Onde nasça uma necessidade de palavra, nasce – imagine-se lá…- uma palavra. Onde aquela que se esfume, esta evapora-se (ou, o inverso, se melhor resultar esteticamente).
4. É então, claro, que a língua seja o tal espelho (ainda que reflicta um retrato parcial, mesmo um espelho só nos mostra um dos lados do corpo) do povo que lhe dá origem. Nem que seja porque demonstram quais as necessidades de comunicação desse povo. É, então, curioso, ver como certos domínios apresentam um conjunto de palavras depuradamente trabalhadas (por comodidade, usarei expressões do mundo do direito). Vejamos: só para situações jurídicas, encontramos ónus, com os seus lados activo e passivo, poder, faculdade, direito subjectivo, dever jurídico, estado de sujeição, dever geral, dever específico. E nos factos jurídicos, melhor ainda: puros factos jurídicos, simples actos jurídicos, actos jurídicos quase negociais/ quase negócios jurídicos, negócios jurídicos unilaterais e bilaterais, e estes, que são os contratos, novamente unilaterais e bilaterais … E todas estas expressões cunhadas por um restrito grupo da população. De onde se conclui algo: os povos precisam do direito, e de expressões cuidadosamente lapidadas.
5. Todavia, quando falamos de amor, as palavras são tão parcas que, não raro, se ouve dizer que há vários tipos de amor: aqueles mesmo a sério, e depois aquele dos pais, e depois dos amigos
“isso é amizade”
“não, é uma espécie de amor diferente”
E depois gosta-se mesmo a sério, não se sabe o que é, enfim. Quem quer que tenha uma qualquer conversa sobre a temática descobrirá as limitações linguísticas que limitarão o seu discurso. Quanto a verbos, temos dois: gostar e amar. E é tudo.
Não será o amor uma necessidade? Claro que sim (pelo menos, o amor é ponto característico do ser humano). Mas isto apenas reflecte uma particular dimensão da sociedade: a ideia de que há domínios da vida pública – que deverão ser comunitariamente discutidos e que, com tal, geram novas palavras – e domínios da vida privada, verdadeiramente arredados da reflexão comum. Por outro lado, demonstra uma velha prática desde há muito presente: a ideia de que há realidades que não são para ser faladas, mas vividas, seja lá o que isso for (curiosamente, os falantes da língua inglesa ficam-se pelo verbo To Love, ao invés dos nossos dois, gostar e amar…povo reservado).
6. Não sei se tal é bom ou mau. Sei, isso sim, que permite uma incrível repetição de experiências entre gerações, com jovens e jovens sucessivamente ineptos perante uma realidade que lhes surge do nada – e que aprendem chamar-se amor.
Permito-me citar uma passagem (Paul Auster, Homem na Escuridão, Edições Asa, p.125):
“durante esse breve percurso, quase, quase, no início, ao fim de talvez dez ou doze passos, a tua avó deu-me o braço, e a excitação desse momento permaneceu até hoje no coração do teu avô…Foi Sónia quem deu o primeiro passo. Não havia nesse gesto nada de abertamente erótico – era apenas uma maneira de me dizer sem palavras que gostava de mim, que gostara daquele momento que tínhamos passado juntos, e que queria voltar a ver-me – mas esse gesto significou tanto para mim…e deixou-me tão feliz que quase me dava uma coisa…Depois, veio a porta. A despedida à porta, a cena clássica de todo e qualquer namoro que começa a desabrochar…O que eu devia fazer? Beijar ou não beijar? Despedir-me com um mero aceno da cabeça ou com um aperto de mão? Passar com os dedos pela face dela? Puxá-la para mim e abraçá-la? Tantas possibilidades e tão pouco tempo para decidir…Como ler os desejos de outra pessoa, como penetrar nos pensamentos de alguém que mal conhecemos? Eu não queria assustá-la, e por isso não podia adoptar um comportamento demasiado atrevido…Mas também era preciso que ela não ficasse a pensar que eu era uma alma tímida que não sabia o que queria…Teria, portanto, de escolher o meio-termo…Meio-termo que eu improvisei da seguinte maneira: pus as minhas mãos nos ombros dela, inclinei-me para a frente e para baixo (para baixo porque ela era mais pequena do que eu) e colei os meus lábios aos dela – com bastante força…”
7. Nem sempre o amor foi assim, por certo. Nem sempre será assim, por identidade de razão. Mas, sem dúvida, e não ser que muito mude o estado da arte, continuará o jovem a sentir-se, ainda que o não revele, desajeitado a dada altura da sua vida, porque é algo de novo, que não conhece, que não estudou, que não aprendeu, que lhe aparece à frente. E, não obstante alguns embaraços e rubores, é um espectáculo bonito.
E, claro está, humano.
Tutto é bello,
(ou, para quem prefira, a vida é maravilhosa.)
Fixação da luz reflectida pelos objectos em Pinhel
por Guilherme Silva em segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
O Natal e a Guerra
Hoje caro leitor vou falar de um tema que gosto muito! Vamos falar da primeira guerra mundial. E porquê?? Isto porque em 1914, por esta altura mais ou menos passou-se algo extraordinário na 1a guerra mundial.
Ora foi a 25 de dezembro de 1914 logo pela manhazinha na frente ocidental em frança. As trincheiras ja tinham sido escavadas ha uns meses, e portanto ja tinha começado a chamada guerra das trincheiras onde "ondas" de soldados de ambas as partes atacavam a trincheira oposta. No entanto nessa data foi enviado um telegrama ao comandante alemão da trincheira, por parte das forças da triplice entent (diga-se britanicos e franceses) para fazer uma tregua por ser natal. Entao deu-se um tiro para o ar de cada lado, e os soldados de ambos os lados sairam da trincheira, e cumprimentaram os seus adversários, conversaram, fumaram beberam juntos e comeram juntos.Ficou famoso o jogo de futebol feito na "terra de ninguem" entre os alemaes e os britanicos, jogo esse onde se usou uma bola de trapos improvisada....
Acho que nunca houve uma demonstraçao de quao importante é o natal, e tao forte o seu simbolismo!Claro que nessa epoca estavamos perante uma guerra de cavalheiros onde se respeitava realmente o adversário (outros tempos). Uma guerra em que os soldados percebiam que o seu adversario tambem era recrutado para matar, e ambos estavam numa situaçao que nao gostavam.
À meia-noite os soldados trocaram os ultimos olhares e saudaçoes... voltaram para as trincheiras respectivas.... Deu-se um ultimo tiro para o ar de cada lado, e a guerra recomeçou....Claro que depois disso os soldados de ambas as partes, não queriam lutar, isto porque estavam a poder matar amigos acabados de fazer... houve uma desmoralização por parte dos soldados.Claro que quando esta tregua chegou aos ouvidos do alto comando britanico, e do alto comando alemão, trocaram imediatamente as tropas da linha da frente, e desterraram-nas para outro sitio. Para alem disso ficou estipulado que nos anos seguintes, se algo acontecesse assim, entao dava lugar a pena de morte.... :(
Assim vejo a verdadeira influencia do natal, e a sua profundidade.... até se parou uma guerra mundial para o celebrar, e até os mais ferozes inimigos foram convidados para o celebrar juntos.Aproveito para desejar uma continuação de feliz natal
Natal é tradição. Rabanadas docinhas, sonhos gordinhos e bacalhau.
A véspera de Natal não seria a mesma se estes deliciosos não estivessem na mesa... mas e daqui a vinte anos?
O Bacalhau já foi considerado estar em vias de extinção. Vai ser substituído porquê então?
Eu estive a reflectir muito sobre este facto. Primeiro pensei no peru, mas lembrei-me que não seria muito agradável repeti-lo em dois dias seguidos. Pensei então que a solução talvez se encontrasse no Leitão (afinal de contas esta "ideia" já não é original, pois muitas pessoas a utilizam). Este meu pensamento foi rapidamente refutado pelo simples facto de dar muito trabalho. Então lembrei-me de comprar "fast food" (seria mais rápido, mais económico e, no final de contas, talvez o gordo barbudo até fosse mais rápido a trazer os presentes), no entanto, apesar de vivermos numa sociedade capitalista, as pessoas também "vão tendo alguns direitos" e, como tal, o McDonalds está fechado às oito da noite.
Já quase a entrar em profunda depressão, decidi que todos nos iríamos tornar vegetarianos. Não há nada como uma alface bem temperadinha!
Devo contudo confessar que não posso deixar de sentir alguma tristeza com este facto.O motivo que me leva a este sentimento foi um livro que ofereci à minha mãe no Natal passado: " 1000 formas diferentes de cozinhar bacalhau". (não alface, bacalhau!)
E daqui a vinte anos como vais ser?
Mantenho o resto da receita e substituo o bacalhau pela alface?
ETNOCENTRISMOS
A estação de comboios está quase vazia, é natural, ao domingo de manhã ninguém abandona a corte para voltar à província, óbvio, o que acontece é o inverso, as pessoas laboram na corte e recuperam nas aldeiinhas, onde não há vida social, só natural, é só pastos, com vaquinhas e carneiros e gente rude que não sabe o que são “idiossincrasias” nem corrigir “eu disse-lhe a ele”, porque está certa a frase, então não está? Gente que comete “pecados mortais, que são sete, quando a terra não repete que são mais”. E que o são, são, os pecados da aspereza, rusticidade, filistelidade, passe o neologismo, se calhar não é neologismo mas sim erro, desculpem desculpem, queria dizer que é pecado ser-se filisteu, e se não é a terra reafirma-o e consagra o sujeito poético de Torga, no seu livro das horas, que perante si se confessa.
São pecadores, claro que são, cometem o pecado de não saber pecar. Reclamam, mas reclamam mal, sempre muito mal, barulho de mais, dizem que os da corte mentem, mentem muito, mentem com os dentes todos, como uma giga rota, e como muito mais, pasmem-se, todos nós sabemos que ninguém mente, existe a mentira?, o que se diz são inverdades, que é muito pior que a mentira, porque se quanto à mentira ainda se poderá discutir se é o oposto ou não da verdade, coisa para linguistas e filósofos, quanto à inverdade já poderá haver univocidade de sentidos, ora, ora, o in faz a inversão do que a seguir surge, ou assim o penso, logo inverdade é o exacto oposto da verdade. Pecadores, pecadores sem perdão do AAlto, o AAlto com dois A e em maiúscula, porque desconhecem a nouvel vague de la langue, dá-me vontade de rir, ah ah ah, gracejei e bem alto, talvez haja importunado os vizinhos, continuam a usar vocábulos arcaicos, devem pensar que a língua é sua, ironias, iro…
- desculpe, dona Emília.
A vizinha incomodou-se, terei de partilhar a causa do meu gracejo, fá-lo-ei, fá-lo-ei com todo o gosto, olhem como já sorrio,
- como certamente não ignora vossa gentil senhora, vivemos com dúplice linguagem. Oh, corrijo-me, claro está, língua há só uma! Queria vossa gentil senhora saber que, lá para terras de sol posto, os autóctones, perdoe o eufemismo, sei que perdoa, sei que sim, é minha velha veia misericordiosa, como bem conhece, continuam a dizer “mentira”. Veja lá, veja lá!
Dona Emília ri, ri muito, perdidamente. Que se percam lá pelas terrinhas a caçar veado e a molhar o papo seco, ou lá como lhe chamam, acho que o designam por molete ou, rústicos como são, até chegam a denominar de pão, não há por onde deixar de rir, dizia, a molhar o papo seco em vinho tinto, continuem com a sua língua arcaica, perdida já nos anais do tempo. A gente civilizada educá-los-á, com tempo. Inverdadeiros que nos causam asco.
…
Há os que, agora, domingo de manhã soalheiro, pouca gente nas ruas, muita mais pelas camas desta cidade irregular, irregular mas bonita, não há rusticidade como a desta cidade, nem bairrismo, o que aqui se fornece é a oportunidade de redescobrir as raízes, e o que os de cá têm é orgulho, nada dessa paixão infundada pela terra em que nascem, irracional e censurável, nah, nah, o que aqui há é completamente diferente, bairrismo não é a forma degenerada de orgulho, nem pensar, é outra coisa muito diferente, e com outras origens, ir-nos-íamos lá confundir com os recolectores que vivem pelos montinhos…
Elvis nasceu com 2,258kg, na cidade de Tupelo (6000hab.). No Natal de 1956 recebem 282 ursinhos de peluche. Calçava o 46. Quando casou teve um bolo de noiva com seis andares. Chegou a pagar 91% de income tax. Entre 20 de Janeiro e 16 de Agosto de 1977, George Nichopolus receitou a Elvis 5684 comprimidos. A sua mansão em Graceland tinha 17 retratos seus. O seu número da sorte era o 8. Era cinturão negro de karate. Elvis gravou mais de 600 músicas, mas não escreveu uma única. Nunca ganhou um Oscar pelos seus 31 filmes e os três Grammys devem-se a três gravações de gospel. Escovava os dentes com Colgate e bebia Pepsi. Quando era jovem era louro. Elvis era da mesma família que Abraham Lincoln e Jimmy Carter. Tinha colecção de estátuas de mármore de Joana d'Arc e de Venús de Milo. Elvis só fez 5 cconcertos fora dos EUA, todos no Canadá em 1957, só esteve duas horas no Reino Unido, quando o avião militar que o transportava até aos EUA fez escala para reabastecer. Para além de uma cruz Elvis usava ao peito uma estrela de David, dizia: "Eu não quero deixar de ir para o céu devido a um erro técnico".
I know you’ve been walking by my door
You’ve been looking for me.
But nowadays what you do means nothing
I even wish you’d thought i’m dead.
When you chose other path than mine
Oh, how I cried begging
For you not to leave me.
But you left me all the same.
Chorus
Today you’re with him, but crying for me;
Stranded heart, wishing to come back.
Today you’re with him, but thinking of me.
Stranded heart, you once wanted things like that.
You traded all I gave you
For what you thought was better.
Nowadays you live in a great house
Filled with everything but love.
The love you look for on your footsteps,
Everytime you come looking for me.
The things you had by my side
And now you haven’t by his.
Chorus
Now I truly ask you, baby,
Not to look for me anymore.
I think you’d better stay in your world
For my heartache ‘gone a long time ago.
Chorus
Stranded Heart by Good Mood Referees























