por D. em sábado, 20 de dezembro de 2008

Há algo que falta aqui e hoje, como em todos os outros dias.
Ultimamente.
Mas já não há o silêncio que outrora preenchia as paredes.
O ruído torna-as mais vazias.
Há algo que falta aqui. E são tuas as palavras. Mas já não és tu quem falta.

do Tribuna para a SD (18 de dez)

por Anónimo em sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

"Vocês entendem:"

Ah bela teimosia... II

No fim da peça um sentimento gracioso, na medida em que pela primeira vez desde há algum tempo consegui falar a "sério" não só de mim, mas de todos que me rodeiam! Pela 1ª vez, consegui pegar em histórias da minha vida e criar teatro (verdadeiro mas mascarado ao de leve). Pela 1ª vez, consegui falar do que me consegue atormentar, do que é marca minha, daquilo que se calhar penso que sou, sem sequer pressupor qualquer avaliação dos outros! Pela 1ª vez, sem qualquer pré-conceito face aos que me rodeavam decidir ser EU, simplesmente EU, com tudo o que isso traz de bom e de mau e com tudo o que isso pode resultar de bom ou mau para os outros!

Se me foi difícil? Bem, não foi... em verdade, poderia voltar a dizer tudo de novo! O que mais gostei foi a espontaneidade do momento, foi uma apologia cega, foi a exaltação daquilo que penso que é de facto essencial a todos nós.

Adorei ouvir pessoas que considero amigas a falar sobre elas, a falar que algo é fácil ou difícil como se fossem pequenas crianças trocistas (num bom sentido claro).

A ser sincero, senti-me (apenas) mal ao acordar:
"O que fui eu fazer?"
Esta pequena dúvida, tem muito que se lhe diga, pois decidi dar mais dos 90% que posso dar a outrem... nem que tenha sido apenas mais um ou dois! Sei que dei, e talvez me tenha sentido mal com isso.

A grande peça terminou com uma nostalgia positiva, mais recatada e ao pé de menos pessoas que o grupo inicial, e aqui atingimos o Surreal em si: "falar de Amor" num outro nível nas palavras de um deles. AH! Doce, deveras doce!

Ainda mais pessoal, tornaria aquela minha conversa, mas não podia por não querer de facto (neguei esse ensejo facilmente pegando nas palavras ou, melhor no conselho, de outro grande amigo meu... "sabes que pode sempre não valer a pena e tu de facto tens marcas especiais que não deveriam ser moldadas por qualquer espécie de mágoa".

Várias coisas me passam pela cabeça é verdade... Admito! Parecem raios que batem de um lado para o outro com uma força tremenda, admito! É verdade e nunca o vou poder negar e daqui lembro-me sempre de uma frase que usei e que adoro usar em momentos em que o meu agir é marcado pela mágoa: "Ironia doce".
Ironia, porque ao agir com mágoa vou dando toques suaves em algo que nego (Maldade), doce porque o prazer que retiro ou retirei (sei lá) foi tanto que transformou o meu olhar, dando-lhe expressão de ódio. Consegui mudar (e mudarei sempre) graças a isso mesmo, e nesta caminhada (sem caminho! nota: pra os cépticos que leiam isto: "Se não entendes, não preciso de te explicar") cada passo é uma gargalhada suave, sem tristeza alguma.
Assim, e completando a ideia, penso que da mágoa, tentei chegar à maldade e ao ódio, todavia o prazer que tal me deu, deu-me felicidade que consegui transformar de forma egoísta em actos meus de bondade: sorrisos tímidos, expressões caricatas (sei lá, o eterno sei lá).

Quando ontem me sentei, cá fora na noite fria, ao pé da porta onde aquela "bohème" se ia realizar, pensei para mim, num momento de introspecção tão forte, mas tão forte, que cheguei a tocar no meu coração em si, pensei: "Quando entrar pela aquela porta, vou ser EU, e isso vai ser o meu "novo" teatro!". Consegui, se calhar, transformar aquilo que iria ser aquela boémia, se calhar até alguém não gostou e mais recatado odiou aquelas minhas palavras, porventura se calhar alguém se feriu ao ter que pensar sobre si e sobre o que significa ser alguém e tar com alguém... Porventura... Mas que riso trocista o meu!

Disse e não me esqueço: "Sinto-me tão pequenino.." Como quem num momento excêntrico, sente o sangue a sair do corpo por completo e a percorrer todos os cantos de uma sala. Ontem, ontem naquela sala, eu deixei (para quem quissese claro) que me estudassem enquanto Pessoa e se calhar fiz com que cada pessoa se estudasse mais um pouco.

Não sei, se alguém saiu de lá mais triste, não sei se o alcool no sangue conseguiu tirar o fardo pesado do Tempo e da Vida das nossas cabeças... não sei! Não sei e não sei!
Eu cheguei a casa, não olhei para o relógio, não olhei para os meus cadernos, para os meus "complexos" contidos nas canetas com que escrevo...
Cheguei a casa e antes de adormecer ao som de uma bela música, olhei para um espelho (sentia necessidade disso).

Disse-o (em sussuro ou não): "Isto "come-me tanto" a cabeça!" Bem verdade!

E agora? Queres repetir? Bem, não não quero... Outros que o façam, não como legado, não com qualquer definição ou sobre qualquer nome pomposo (peço-vos, a vós que sabem quem são, que não criem uma "Sociedade" para criar momentos como estes, por favor, o engraçado reside no espontâneo repito); outros que o façam nunca sozinhos mas sempre sempre acompanhados.

1min de silêncio?! Tens coragem de o fazer?! Percebes o porquê? (Mais um aparte, bastante pessoal, quando estavamos a observar as pessoas que entravam na sala, o mais engraçado nem era avaliar essas pessoas mas sim as que observavam, o modo como o olhar mexia e rodava, como as expressões mudavam ao tentar ler... isso sim tem muito que se lhe diga).

Bem, agradeço-vos o momento (sabem quem são)...
Vou continuar a tapar com ligaduras as fendas que REabri (tenha isto o significado que tiver)...
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da história:

"O Fútil não se sentará à mesa de um qualquer café de novo... (será que aprendeu?)"

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Abraço e Feliz Natal!

GR

por Luísa em quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Hoje deixo uma sugestão (convite ou sugestão) apenas.
Comentem o nosso texto! ( Quando o lerem, claro!)

Obrigada.

NAS BANCAS

por Tribuna em quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O JORNAL TRIBUNA já saíu das rotativas. Num expositor, mesa, secretária, café, fundação ou faculdade perto de si.

Os Directores do Tribuna,
Francisco Noronha
João Duarte Sousadias

#11 às terças, quase como acaso

por TR em terça-feira, 16 de dezembro de 2008

TERRA – 2

Enquanto caminhávamos pela rua, o leilão colectivo conhecia novos lances. Leilão peculiar esse, ganharia quem acertasse na temperatura, quanto mais baixa melhor. Estivessem 0 graus e seríamos pequenos heróis caminhando pelas ruas numa noite escura de Outono. Foi um leilão sem início ou fim: ninguém revelou estarmos perante um, ninguém saberá que temperatura realmente esteve. Apenas lançávamos as hipóteses ao ar, talvez bem, talvez mal.

Foi por aí que descemos uma vereda ao som de uma música frágil. Olhamos, vimos e subimos as escadas desse edifício quase devoluto, onde deparamos com pequenos jovens a dançarem danças folclóricas que, se pouco dizem aos pais, talvez menos diga aos próprios. Toda a magia daquela hora residia na condição daqueles jovens que, numa noite muito fria de Outono, saíam de casa rumo ao C.D.E.P. – Clube Desportivo Estrelas de Pinhel – para cruzarem os braços uns nos outros e dançarem, enquanto o rádio reproduzia as vozes tremidas que dão causa aos bailados dos ranchos.

Pouca paciência a nossa, amantes, simpatizantes ou tolerantes do desporto rei. Trocamos a dança pelo campo da bola, uma mesa de matrecos à moda antiga, com espaço bastante entre cada um dos jogadores. Depois o tempo correu, lá foi indo, e os pequenos jovens desceram das suas danças para connosco dividirem o palco de todos os sonhos. Jogamos, soubemos as suas ambições, que a greve era um dia em que não se ia à escola, que em Pinhel a escola tem mesas de matrecos e ping-pong, e confirmamos que, afinal, Portugal ainda era um país a várias velocidades. A noite continuou e foi bela, andamos mais, conversamos mais, especulamos mais. E, cansados, adormecemos.

Acordei então, no dia seguinte, a pensar num pequeno do dia anterior. Seriam 10h, talvez, e eu acabava de abrir os olhos, mais uma vez, para o mundo. Aí me lembrei do Cristóvão, miúdo benfiquista que conhecera no dia anterior, dono de uma gargalhada feliz, batoteiro aos matrecos, emissor de umas quantas asneiras esporádicas. Confrontei a minha manhã de sono – de jovem em viagem de lazer – com a pequena vida do rapazote, 11 anos talvez, que àquela hora ajudava o pai a erguer um muro ou, quem sabe, estaria a fazer a poda à vinha. E de como seriam as forças emergentes da vida que o fariam sair de casa na véspera para o bailarico com as meninas da sua idade, com um adulto fazendo de maestro, orientando toda a acção do grupo. Deitar-se-ia tarde, cansado, e no dia a seguir o pai chamá-lo-ia:

- Cristóvão, acorda e anda para a poda.

E eu, que nessa hora me dizia cansado, aquecia-me junto dos cobertores, tendo todo o dia à minha espera, apenas com o compromisso de ter de escrever umas quantas coisas para o jornal que, em verdade, nem se prendiam com a viagem, fiquei compadecido ao lembrar-me daquele rapazinho tão igual em quase tudo e tão diferente nesse pouco. Foi aí que, na hora de fraternidade, ainda que só que pela minha memória do jovem, tive acima de tudo pena que o mais importante do mundo não fosse as crianças.

Sociedade de Debates, hoje, 18h

por Tribuna em segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

O Jornal Tribuna associa-se à Sociedade de Debates da FDUP, incitando todos os discentes e docentes a marcarem presença na Sociedade de Debates de hoje, à 18h, com a participação de representantes de oito faculdades da UP.

ale jacta est

por Ary

Compreende-se que lá para o ano três mil e tal
ninguém se lembre de certo Fernão barbudo
que plantava couves em Oliveira do Hospital,

ou da minha virtuosa tia-avó Maria das Dores
que tirou um retrato toda vestida de veludo
sentada num canapé junto de um vaso com flores.

Compreende-se.

E até mesmo que já ninguém se lembre que houve três impérios no Egipto
(o Alto Império, o Médio Império e o Baixo Império)
com muitos faraós, todos a caminharem de lado e a fazerem tudo de perfil,
e o Estrabão, o Artaxerpes, e o Xenofonte, e o Heraclito,
e o desfiladeiro das Termópilas, e a mulher do Péricles, e a retirada dos dez mil,
e os reis de barbas encaracoladas que eram senhores de muitas terras,
que conquistavam o Lácio e perdiam o Épiro, e conquistavam o Épiro e perdiam o Lácio,

e passavam a vida inteira a fazer guerras,
e quando batiam com o pé no chão faziam tremer todo o palácio,
e o resto tudo por aí fora,
e a Guerra dos Cem Anos,
e a Invencível Armada,
e as campanhas de Napoleão,
e a bomba de hidrogénio,
e os poemas de António Gedeão.

Compreende-se.

Mais império menos império,
mais faraó menos faraó,
será tudo um vastíssimo cemitério,
cacos, cinzas e pó.

Compreende-se.
Lá para o ano três mil e tal.

E o nosso sofrimento para que serviu afinal?

ah, já agora:

por Anónimo em domingo, 14 de dezembro de 2008

e porque para a semana não terei tempo para escrever por aqui, caros tribunos:

BOM NATAL =)


El Tango de Roxanne

por Anónimo

Deixo aqui um pequeno "pedaço" de um filme muito, muito conhecido...
Revi-o hoje, esta é a minha parte favorita:


na senda das citações e poemas de renome

por Manuel Marques Pinto de Rezende

Nunca durmas todo nu. Pode haver um incêndio, vêm os bombeiros, e depois ficas na rua, todo pelado.

Bruno Aleixo (recentemente dado como não falecido)