No teu corpo de núpcias embalo a mudez cerrada,
Embalo os ecos das trevas no cativo do silêncio,
Repetindo a melodia do teu nome, navegante da perdição
Encerras-te em mim, lume letal!
Mimos de sulfúreo instante
Incensos agrestes carregam o teu perfume
Sublime, sacrílega os travessos da loucura
Matriz do ciúme e amante da amarga saudade
Encanta-me o fado do teu crime
O teu gesto lívido de cor de vaidade
Crês nos meus escritos a imensidade
O teu encanto doce pinta a eternidade
Versos, versos, versos!
Cinzas do destino em chamas
Ninho indigno de desejo roubado
Lúbricas fragatas, Vénus de cetim!
Autora:
Sandra Pinto
Todos os interessados (alunos da FDUP pertencentes ao Conselho Editorial, alunos não integrantes do Jornal Tribuna e docentes) em enviar artigos de opinião para publicação na edição de Dezembro, podem-no fazer no máximo até quarta-feira. O artigo não deverá ultrapassar as 4 páginas a4.
Os Directores do Tribuna,
Francisco Noronha
João Duarte Sousadias
Hoje fui ao final da tarde sair com os meus pais. Ia no banco de trás e pedi para ligar o meu mp3 no rádio. E confesso que já há muito tempo que não conseguia abstrair-me tanto das coisas que me rodeiam como hoje. Durante a viagem inteira ia a olhar pela janela e a cantar, a cantar várias canções, vários estilos, várias coisas e fixava os pontos que se mexiam do outro lado da janela. Sentia a cara quente do ar quente que entrava pelos coisinhos de saída de ar do carro. E quando o carro parou, reparei que tinha uma mancha do ar quente que saía da minha boca e sorri sozinha como se tivesse descoberto uma das coisas mais preciosas do universo. Senti-me como se tivesse conseguido apagar tudo da cabeça, todas as palavras, todas as pessoas, todas as coisas para fazer, as coisas feitas a meio, todas as dores, todos os amores, todos os desejos, e confesso que foi como fazer uma espécie de reboot ao cérebro.
- 3 comentários • Category: o espaço inominável
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"E se a Caixa de Pandora fosse o nosso próprio coração?
Abririam-lo?"
henriquemaio
- Um comentário • Category: "o mundo histericamente perfeito"
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13 olhares cúmplices. 13 sorrisos.
13 conversas ou apenas uma.
13 Homens, apenas uma face, a mesma face.
O rosto pelo qual tantas vezes passei naquele jardim. O rosto que me fez acordar cedinho (por volta das onze :P ) num domingo de manhã. O rosto que me fez despertar para o momentos que tenho perdido por viver depressa demais.
Pergunto-me quantas vezes não passámos por eles...
13 idosos a irradiar felicidade. 13 idosos numa pacata conversa. 13 idosos numa silenciosa brincadeira.
Pergunto-me quantas vezes não olhámos para eles...
13 idosos que, naquele domingo, eram mil. 13 idosos que eram apenas um espírito sonhador. 13 idosos, uma ideia criativa.
Pergunto-me se algum dia lhes daremos o devido valor...
Obrigada, Moñuz
LIBERDADE 21 - Aos sábados à noite, na rtp1
«António Capelo e Ana Nave – veteranos na arte de representar, mas nem por isso considerados os protagonistas mais prováveis quando se trata de projectos televisivos - assumem as personagens principais de Liberdade 21, a nova série que a produtora SP Filmes está a preparar para a RTP1.
De autoria de Pedro Lopes/SP Televisão e com guião das Produções Fictícias, esta série mergulha no universo da Lei e Ordem, nomeadamente nos meandros da Vasconcelos, Brito e Associados, uma das grandes sociedades de advogados da capital, conhecida por não olhar a meios para defender os seus clientes.
Raul Vasconcelos – um ego do tamanho do mundo, profissional astuto e alma de conquistador – e Helena Brito - mulher de garra, simultaneamente implacável e terna - são os pilares desta sociedade que alberga ainda vários advogados contratados, estagiários e afins. »
Já lá vão anos, mas lembro-me que duas características da fria (três, afinal) Londres me marcarem sobremaneira. A primeira foi o pairante odor a fritos que rapidamente se me colou às fossas nasais, a segunda a fascinante arquitectura da cidade. Fabulosos edifícios Barrocos onde um dia Henry Purcell adormeceu sobre as suas partituras, majestosos edifícios Vitorianos onde eventualmente Oscar Wilde terá aliciado jovens burgueses e robustos marinheiros a pertencerem-lhe por uma noite, e magníficos exemplares da mais moderna arquitectura onde delinquentes como Alex da Large se cruzam com Yuppies e Bobbies todos os dias. E é aqui que chego ao tema central desta Ode à arquitectura Londrina: Sir Norman Foster e a Foster and Partners.
Já lá vão anos, mas lembro-me que ainda à sombra do Tate Modern, me senti como que observado por algo gigantesco que arranhava o céu por trás do meu ombro. Ainda em construção mas já imponente, a sede da Swiss Re da autoria da Foster and Partners pairava sobre Londres como uma qualquer maquiavélica obra do Grande Irmão. Situado em pleno centro económico londrino, este incomparável edifício marcou a arquitectura moderna, reinventando-a, arrisco.
De novo o vidro, de novo a fibra. Para não mais a rigidez, o aborrecido ângulo recto, a pesada horizontalidade. Este “Ovo de Páscoa”, como um dia um menino estrangeiro lhe chamou, encorpava a nova Londres, veloz, vertiginosa e subversiva.
Deparei-me com outras obras deste senhor e seus colegas espalhadas um pouco por toda a cidade. Desde a nova abóbada e praça central do Museu Britânico à própria Câmara Municipal, por toda a cidade Norman Foster deixa a sua marca. Agora, anos volvidos, o mundo rende-se a este grupo de criativos. Parques Zoológicos na Dinamarca, arranha-céus em NY, pirâmides no Kazaquistão, Sir Norman Foster está em todo o lado.
Estava à mesa e não tinha um tema para esta semana. Comi um ovo e lembrei-me. Não é fantástica a arquitectura?
www.fosterandpartners.com
Mais uma poesia
que oculta meus segredos.
Escondo os recados que irrompem
nas dunas do meu pensamento,
nos delirios da profundeza
da minha face que naufraga
nos meus soluços adormecidos,
no silêncio que outrora
gelava a minha alma.
São já páginas lidas no anoitecer
as galerias da minha face.
O vício dos teus beijos,
o êxtase de alcova alva,
onde os versos afugentavam
as palavras ausentes da melodia
dos meus lábios e os relógios
impiedosos nos separavam...
O aroma da madrugada
em que cintilavas desenha o hábito
do inevitável tatuado em mim.
Paira ainda na claridade,
a carícia do punhal eloquente
do proibido dos teus olhos,
da harpa do jasmim da esperança
que me acolhe em cada enigma
que minha condição tenha perdido..
Autora: Sandra Pinto
"António Gonçalves Annes Bandarra (1500 - 1556), mais conhecido por Bandarra, foi um profeta popular, natural de Trancoso, Portugal. É uma figura histórica do distrito da Guarda. Era sapateiro de profissão e dedicou-se à divulgação em verso de profecias de cariz messiânico. Tinha um bom conhecimento das Escrituras do Antigo Testamento, do qual fazia as suas próprias interpretações. Por causa disso, foi acusado pela Inquisiçãode judaísmo e as suas trovas foram incluídas no Catálogo de Livros Proíbidos, já que suscitaram interesse sobretudo entre cristãos-novos. Foi inquirido perante este tribunal, sendo ilibado, mas foi obrigado a participar na procissão do auto-de-fé de 1541 e também a nunca mais interpretar a Bíblia ou escrever sobre assuntos da Teologia.
A sua obra chamou-se Paráfrase e Concordância de Algumas Profecias de Bandarra e foi editado por D. João de Castro. A obra foi interpretada como uma profecia ao regresso do Rei D. Sebastião após o seu desaparecimento na Batalha de Alcácer-Quibir em Agosto de 1578. Em 1815 é editada uma nova edição com o título Trovas Inéditas do Bandarra e entre 1822 e 1823 sai mais uma edição com o título Verdade e Complemento das Profecias . As Trovas do Bandarra influenciaram o pensamento sebastianista e messiânico de Padre António Vieira e de Fernando Pessoa. São três os pontos da profética de Bandarra: o Quinto Império, a ida e regresso de el-rei D. Sebastião e os destinos de Portugal. Após ter sido julgado pelo Tribunal do Santo Ofício, em 1541, e do qual recebeu pena leve, retornou a Trancoso onde veio a falecer em 1556." in Wikipedia