REUNIÃO

por Tribuna em terça-feira, 11 de novembro de 2008

Caras mentes livres,

Amanhã voltamos ao agradável cabinet do Tribuna para mais uma reunião. Às 14h15.

Um abraço,
Francisco

#6 Às terças, quase como acaso

por TR

E quando chegaram os servos da noite, o azedume emudeceu-me os lábios.

Fora de horas

por Guilherme Silva

Tom Waits.
Sim, aquele individuo com voz de bagaço, apesar de andar sempre agarrado a uma garrafa de bourbon. Este indivíduo é um mistério; um mistério agradável. Sempre um renegade da música norte-americana, nem por isso a América lhe ficou indiferente. Nem o mundo. António Pinho Vargas dedicou-lhe uma faixa.
Faz música, faz filmes, faz música para filmes...Tom Waits expressa como poucos o mundo citadino em que vivemos. Acredito mesmo que sim, não o acabei de ler no Wikipedia ou Allmusic. A ilusão, a desilusão, a paixão, a amargura, noites frias ao relento e a intoxicação alcoólica, tudo encontro nas músicas dele, sensatamente descrito e relatado. Nunca ouvi faixa tão friamente genuína como “Please call me baby”.
Boémio e desequilibrado por natureza, nem sequer faz por o disfarçar. Ou aflorar. “Pasties and a g-string” é disso exemplo, faixa em que descreve com singular veracidade a vida na vasta valeta Nova Iorque.
Já quis ser boémio e alcoólico, e devo-o a este homem. Ele faz o inferno cheirar a morangos, mel e alfazema, ou a refinado whisky, simplesmente.
Fora de horas escrevo, e à semelhança deste medíocre artigo, fora de horas é também Tom Waits. Não sei se ele devia ter nascido num passado distante ou num futuro próximo, mas decerto não é este o seu tempo. O mundo é demasiado quente e acolhedor para um homem tão frio.

alea jacta est

por Ary em segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Quo usque tandem abutere, Catilina, patientia nostra? quam diu etiam furor iste tuus nos eludet? quem ad finem sese effrenata iactabit audacia? Nihilne te nocturnum praesidium Palati, nihil urbis vigiliae, nihil timor populi, nihil concursus bonorum omnium, nihil hic munitissimus habendi senatus locus, nihil horum ora voltusque moverunt? Patere tua consilia non sentis, constrictam iam horum omnium scientia teneri coniurationem tuam non vides? Quid proxima, quid superiore nocte egeris, ubi fueris, quos convocaveris, quid consilii ceperis, quem nostrum ignorare arbitraris? O tempora, o mores! Senatus haec intellegit. Consul videt; hic tamen vivit. Vivit? immo vero etiam in senatum venit, fit publici consilii particeps, notat et designat oculis ad caedem unum quemque nostrum. Nos autem fortes viri satis facere rei publicae videmur, si istius furorem ac tela vitemus. Ad mortem te, Catilina, duci iussu consulis iam pridem oportebat, in te conferri pestem, quam tu in nos [omnes iam diu] machinaris.
"Kikero"

Mensageiro dos Deuses

por Sandra Pinto

Levas nas tuas asas,
o vento que te fere
a luz insólita que me apraz
nesta selva deserta.
Cortas as amarras por quem
meu coração zela.
Corres contra a luz por quem
minha avidez implora.
A tua cor e púrpura e gentil
trespassa lucidez selvagem
com que misturas os silêncios
pagãos do teu pecado.
Recortando no lume,
as tuas manchas inquietas,
mingua na minha memoria
e pedra presente na distancia
que te acolhe de mim.
A banalidade austera alimenta
a saudade dos laços
que não te encontram,
o cisma do teu rosto…

Sandra Pinto

Paz&Espada

por Manuel Marques Pinto de Rezende em domingo, 9 de novembro de 2008

E Amo a Revolução.

Ainda não sei como vocês conseguem sequer pensar que Obama é uma revolução.
Quando muito, Obama é uma evolução mista com um belo molho de franchise.

Não pode ser uma Revolução.
Não é uma Revolução.

E sabem Porquê?

Porque não se faz uma Revolução com um voto.
Nem com uma Manifestação.
Nem com armas encravadas com flores.

Tudo isso é muito exterior e colectivo, e muito bonito.

A Revolução é uma coisa verdadeiramente louca.

Eu estarei lá quando houver Revolução, e aí vocês já podem vir comigo.
E sabem Porquê?
Porque a Revolução, desta vez, não vai passar na Televisão.



E VOCÊS NÃO VÃO PODER FICAR EM CASA!

O sonho

por D. em sábado, 8 de novembro de 2008

Podem alguns dos membros deste blogue ter sonhado que Tiago Ramalho era um coala, aceito claramente que é perturbador. Contudo, não há nada mais angustiante do que sonhar que se ficou sozinho no mundo, num sítio muito bizarro, apenas com uma casa em ruínas, uma piscina e montanhas, no total silêncio, apenas cortado pelo aparecimento às pingas de personagens da FDUP, algumas ainda me lembro de quem eram, outras nem por isso, e por súbitos acordares de perturbação face a um sonho tão idiota, mas que continuava de cada vez que voltava a adormecer. Basicamente, foi o juntar no mesmo sonho da paisagem do Broke Back Mountain, do enredo da história O quase fim do mundo de Pepetela, com a casa de um famoso vídeo dos Outkast onde entram animais e uma casa em putrefacção. Ora, considerando que o livro foi dos que menos gostei de ler e que já não via esse vídeo clip há muitos anos, pergunto-me qual a ligação entre isto tudo e o porquê de eu ter sonhado com algo tão sem sentido. Ou será que os psicólogos, nas suas buscas por significados podem dar uma resposta à minha angústia? Uma coisa é certa, tenho de começar a conviver menos com os meus coleguinhas de faculdade. :p

VI

por Anónimo

Tem sido comummente aceite, aquando da destrinça entre o animal Homem e os restantes animais o critério da Racionalidade. Todavia, tal critério é tão frágil pois bate-se com um contra-argumento bastante forte (porém hiperbólico) – sendo o homem animal racional, o que seria deste animal racional se não pudesse sentir?! Ou seja, até dentro da Racionalidade (esta considerada em latíssimo sensu) há que categorizar, assim sendo, ao presumir que o Homem é um ser racional, vemos que tal não é por si só suficiente, visto que essa mesma racionalidade tem que ser engrandecida por outro critério: o homem enquanto ser consciente do mundo que o rodeia (consciente, por conseguinte da existência de algo exterior a ele).

Há quem afaste a questão da sensação, mas é presumível dizer-se que um animal não sente dor ou que não geme por essa mesma “dor”? – Pode-se afirmar que não é a Dor racional do Homem, mas sim uma Dor Instintiva, todavia tenho em mim que tal presunção cai no campo do ridículo, ou melhor é uma simples tentativa se fugir a esta mesma questão.

Hipoteticamente, um homem a quem tivessem “roubado” os sentidos, ou seja que não pudesse ouvir, cheirar, tocar, ver e por aí adiante, mas que pudesse à mesma racionalizar (pensamento), viveria? Pode-se contra-argumentar da seguinte forma: é necessário distinguir os casos em que o homem teve contacto social e os casos em que não teve antes dessa mesma perda de sentidos; se não teve é porque (e assumindo que a racionalidade “pensada” é característica fulcral para aquilo que somos) esse homem nunca foi em si Homem; se teve entramos no campo da excepção e da mera hipótese, visto que tal homem acabaria por sentir ou racionalizar a dor mesmo não tocando, ouvindo, cheirando, etc. … O que se supõe, por exemplo, que um simples animal também faça quando geme e, assim, traçamos um paralelo deveras precioso entre Homem e Animal e voltamos a entrar no campo da Dor Instintiva. Note-se que esta contra-argumentação peca ao afirmar que esse homem nunca tinha sido Homem o que incorre numa falácia grave.

Mais, esta situação hiperbólica não deve ser tratada como excepção, visto que o “homem” que não sentisse, não falasse e por aí adiante, esse mesmo homem caíra na verdadeira solidão, só que mesmo esta racional/pensada solidão tinha um problema não poderia ser comunicada, como tal seria ignorada e, mais que isso, acabaria por não existir. Assim, desloca-se do campo das características essenciais do homem o ser RACIONAL, visto que se esse homem, a quem a sensação fosse algo estranho, pensasse dor, pensasse no seu sofrimento, mas terceiros em contacto com o mesmo não o pudessem entender estaríamos diante e, admitir sempre a racionalidade, de uma situação néscia, visto que aceitava-se que esse homem fosse racional, mas negava-se os seus pensamentos sobre a dor e, por corolário a existência destes.

Numa tentativa rápida de solucionar tal problema haveria quem remetesse para uma entidade metafísica os pensamentos deste homem e como tal no Real esses mesmos não existiriam… Creio que é de todo impossível aceitar esta interpretação, pois teríamos que deduzir por conseguinte da mesma, que os animais tidos como não racionais também o poderiam ser nesse patamar transcendente, certo?

Aliás, problematizando um pouco mais seria de admitir que esse homem devido à falta de sentidos não saberia quando entraria ou não em contacto com outrem, assim seria um mero animal irracional, não? Visto que até o instinto lhe estava negado pelo facto de não poder prever a aproximação de uma ameaça… Em último caso, poderemos até estar a descrever uma simples “coisa”, um objecto, é aceitável?

Irónica esta caminhada: começamos no Homem Racional, passamos ao Homem Instinto e, por último transformamos esse mesmo Homem em objecto, em algo inferior a um qualquer animal irracional…

Todavia, cairíamos em erro se concluíssemos desta forma… Há que elucidar, portanto, a separação entre dois tipos de racionalidade: Racionalidade, enquanto pensamento (a tal já referida racionalidade “pensada”) e Racionalidade enquanto comunicação do mesmo. Só a segunda é que é característica fundamental própria da essência humana. Caindo na ideia e, essa sim, intocável que o Homem só é Homem enquanto ser social.

A Racionalidade enquanto pensamento por si só não chega para justificar o qualificativo a um animal de Homem, nem a um homem de Homem…

Nota: contra-argumento interessante à Racionalidade social (ou enquanto comunicação do pensamento): a associabilidade do Homem e, como exemplo, o Emílio de Rousseau (que não sendo social, não deixa de ser Homem); numa próxima oportunidade, refutarei tal…

henrique maio

O Belicista

por Duarte Canotilho em sexta-feira, 7 de novembro de 2008

O JUIZ (ROY BEAN)

Hoje, sendo dia da minha crónica semanal, pensei em falar sobre, não o juiz normal como estamos habituados a no nosso curso, mas de um juiz em especial. Este juiz de que vos vou falar é uma lenda viva, e faz parte do folclore e da lenda do oeste americano, a par de nomes como Davy Crocket, Daniel Boone, Buffalo Bill e Calamity Jane.

O nome desta personagem é Roy Bean, e ele vivia em Langley no Texas. Aí existe uma cabana onde se vê escrito em tabuletas "JUIZ ROY BEAN.- A LEI A OESTE DO PECOS.-JUSTIÇA DE PAZ E CERVEJA GELADA."
Foi aí numa barraca, que era ao mesmo tempo Saloon e tribunal, que Roy Bean vendia a sua cerveja e mantinha a lei com a ajuda de um velho Codigo civil caduco que nunca usava e com um colt 45 que usava muito frequentemente.

Entao pergunta o leitor como foi que esta personagem manteve a ordem e a lei num local, sem saber nada de direito. Roy Bean sabia de direito aquilo que via nos tribunais que tinha frequentado(como Acusado!!!). Supostamente usava sempre um lenço para cobrir a cicatriz da corda que o devia ter enforcado, so que esta partiu-se. (LOL)

Existe uma cançao no oeste que conta como este juiz conduziu um inquerito depois de ter encontrado um cadaver morto num acidente. Roy ao examinar o cadaver encontrou apenas um revolver e 41 dolares e meio. Aí condenou o cadáver por posse ilegal de arma a uma multa de 41 dolares e meio, e confiscou o revolver.

As suas sentenças não tinham apelo, no entanto raramente ele condenou alguem a penas de prisão. Efectivamente ele mandava os condenados executar tarefas, sob a supervisão do revolver.

(O leitor agora deve achar que o juiz é louco, mas a melhor está para vir.)

Efectivamente o seu saloon/tribunal situava-se ao pé da linha de ferro, no sitio onde os comboios paravam 10 minutos para meterem agua. Os viajantes normalmente aproveitavam para ir tomar um copo ao seu saloon. Claro que Roy nunca tinha troco, e os viajantes normalmente pagavam com notas, o que resultava, que com a pressa dos viajantes, Roy ganhasse por exemplo 20 dolares por uma cerveja de 50 centimos...
Um caso verdico disso foi um viajante que pagou efectivamente a sua cerveja de 30 centimos com uma nota de 20 dolares, e ao não ver a seu troco a chegar, chamou ladrão a Roy Bean. Erro!!! TOrnando-se imediatamente juiz, Roy condenou assim o fulano numa multa de 19 dolares e 70 centimos por insultos ao tribunal da lei a oeste do pecos!!!
Mais divertido ainda era o facto de Roy ter um URSO de estimaçao que atiçava contra aqueles que recusavam a pagar as multas.

Apesar de ser um "pulha", Roy tinha um coração bom, uma vez condenou a morte por enforcamento um jovem que tinha morto um Cavalo (na altura matar um cavalo era um crime imperdoavel!) durante um tiroteio. No entanto durante o tempo de espera o condenado escreveu uma carta a mae. Roy ficou tao emocionado, que lhe comutou a pena.

Assim foi a vida de Roy Bean que impos a SUA lei a oeste dos pecos num sitio onde não havia lei.
Fontes (canal de Historia) Existe também uma BD do Lucky Luke, ainda que esteja ficcionada baseia-se em factos reais (morris)



Life is wonderful

por Filipa M.Martins