Barack Obama ganhou a corrida aquele que muitos apelidam de ser o lugar mais poderoso do Mundo (eu não acho, mas a maioria é ceguinha que se há de fazer). Os Estados Unidos da América elegeram um novo Presidente e com ele nasceu uma nova onda de esperança entre os Norte Americanos e não só, pois Obama para além de ser o 1º Negro a chegar á Casa Branca, é senhor de uma ideologia mais á esquerda que o seu antecessor, e muitos esperam que este novo Homem vá dar um rumo mais tolerante e aberto ao U.S.A., terminando de vez com as politicas Imperialistas e Colonialistas da tal Guerra Santa de Sarah Pallin (desculpem se o nome da Senadora estiver mal escrito, mas como não sou Americano isto passa-me ao lado assim como aos Americanos lhes passa ao lado o que acontece em Portugal e no Mundo).Por todo o lado se vem rostos de alegria e em África parece ter rebentado uma Bomba de esperança, chegando ao cúmulo de no País de origem do Pai de Obama (Ghana presumo) se terem dado o nome do novo Presidente dos States a 8 bebés recem nascidos… Enfim, o Mundo está em festa e tudo são Rosas… Mas as Rosas tem espinhos!!!
Eu, tal como das outras vezes, olho com alguma desconfiança para tudo isto, pois todos aqueles que foram Presidentes Norte Americanos que não seguiram a Politica de Conquista e de Domínio Mundial ficaram conhecidos na História como Maus Presidentes, ou então foram mortos como J.F.K.. Não partilho muito da alegria Mundial, uma vez que Obama tem uma Crise Interna para resolver, tem uma Taxa de desemprego que faz lembrar os tempos da Grande Depressão, tem de lidar com os problemas raciais dos seu próprio País e com um eleitorado que tem horror aos indivíduos de raça negra, tem um Iraque que foi Ocidentalizado á força, um Afeganistão que mais tarde ou mais cedo cai nas mãos dos Talibans, etc., etc., etc….
Acho que a imagem que está acima deste texto elucida bem o que Obama terá pela frente, e as minhas perguntas são: Será que este “Santo” Obama vai mesmo virar a América mais á esquerda e tomar Medidas Populares e não Medidas Populistas? Será que vai aguentar a pressão dos Senhores da Guerra Norte Americanos? A ver vamos…
No autocarro em direcção a casa.
Aquela altura do dia em que mais aprecio a solidão, se tal é apreciável (creio que sim). Noite, luzes, casas. Alguns carros, algumas pessoas. O recolher romântico ao lar. (Romântico enquanto calmaria e aconchego, não enquanto romance). O meu desejo intenso de vida. E amor. A mulher, novamente.
Ela dizia que sua mãe também sentia algo deste género.
Eu sorria, enquanto ela falava...
FN
Ne me quitte pas
Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit deja
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
A savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parfois
A coups de pourquoi
Le coeur du bonheur
Ne me quitte pas
Moi je t'offrirai
Des perles de pluie
Venues de pays
Où il ne pleut pas
Je creuserai la terre
Jusqu'apres ma mort
Pour couvrir ton corps
D'or et de lumière
Je ferai un domaine
Où l'amour sera roi
Où l'amour sera loi
Où tu seras reine
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Je t'inventerai
Des mots insensés
Que tu comprendras
Je te parlerai
De ces amants là
Qui ont vu deux fois
Leurs coeurs s'embraser
Je te racont'rai
L'histoire de ce roi
Mort de n'avoir pas
Pu te rencontrer
Ne me quitte pas
On a vu souvent
Rejaillir le feu
De l'ancien volcan
Qu'on croyait trop vieux
Il est paraît-il
Des terres brûlées
Donnant plus de blé
Qu'un meilleur avril
Et quand vient le soir
Pour qu'un ciel flamboie
Le rouge et le noir
Ne s'épousent-ils pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Je ne vais plus pleurer
Je ne vais plus parler
Je me cacherai là
À te regarder
Danser et sourire
Et à t'écouter
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas
Jacques Brel..."Ne me quitte pas"
A plenitude do Amor no seu máximo esplendor...
Monólogo de Shylock: To bait fish withal: if it will feed nothing else, it will feed my revenge.
A partir de sexta-feira, e até dia 23, «O Mercador de Veneza» de Shakespeare no Teatro Nacional de São João:
He hath disgraced me, and hindered me half a million; laughed at my losses,
mocked at my gains, scorned my nation, thwarted my bargains, cooled my friends,
heated mine enemies; and what's his reason? I am a Jew. Hath not a Jew eyes?
hath not a Jew hands, organs, dimensions, senses, affections, passions? fed with
the same food, hurt with the same weapons, subject to the same diseases, healed
by the same means, warmed and cooled by the same winter and summer, as a
Christian is? If you prick us, do we not bleed? if you tickle us, do we not
laugh? if you poison us, do we not die? and if you wrong us, shall we not
revenge? If we are like you in the rest, we will resemble you in that. If a Jew
wrong a Christian, what is his humility? Revenge. If a Christian wrong a Jew,
what should his sufferance be by Christian example? Why, revenge. The villany
you teach me, I will execute, and it shall go hard but I will better the
instruction.
http://www.tnsj.pt/home/espetaculo.php?intShowID=89
E finalmente quando crescemos, aprendemos que nem tudo se pode saber de cor. O amor não se pode saber de cor. Como eu não sei de cor porque já não durmo há um ano seguido. Lembro-me que há uns meses passei por este mesmo lugar e estava uma criança deitada que me pediu caramelos. Esvaziei os bolsos nas mãos dela e segui viagem. Lembro-me que talvez tenha parado por aqui e tenha visto algumas mulheres a carregar as suas trouxas. Mas este lugar não me deixou especial saudade. Não sei por que a estrada me trouxe aqui de novo, fiquei a com a sensação de ter seguido no caminho oposto. Contudo, este dia soa-me mais agradável que o outro. Sabe se por acaso é possível neste país conversar com as pessoas que passam? Ou apenas se pode falar com os guardas? Eu lembro-me que um dia deixei uma mulher ficar plantada na cama de um hotel de que já nem lembro o nome e falei com um guarda para que lhe fosse deixar um recado não fosse ela pensar que eu tinha sido raptado. Não sei se é desse tipo de guardas, pelo seu rosto vejo que parece não estar a ouvir o que digo, talvez esteja. Olhe, sabe onde posso trocar estas moedas por cigarros? Daqueles que têm sabor de mentol. Esses fazem menos mal aos pulmões e eu sou um homem saudável. Olhe, até costumava entrar em jogos de futebol em estádios vazios. Não era um Maradona, mas sempre sonhei em vir a sê-lo.
O meu avô também era guarda, como o senhor, dava graxa às botas e puxava o lustro às divisas. “Hoje é dia de campanha”, lá dizia, e batia a porta com brusquidão. Chegava a casa pelo crepúsculo e bebia pela noite fora. O senhor é igual? Continua sem parecer ouvir, nesta terra todos emudeceram, que terrível medo desceu sobre o lugar. Eu quando era criança cantava alto nos passeios e apalpava as pernas às garotas. Era bizarro. Aqui os pequenos estão calados, são como os adultos, só abrem as mãos para pedir caramelos. Toma, menino. Sê feliz. Sei que tenho bigode farto e farrapos a escoarem pelo corpo, talvez por isso me peças o docinho sem medo, não pareço grande.
Está tudo tão escuro. Já não há mulheres no cruzeiro, foram-se com seus pecúlios. E as flores do cemitério estão amarelas. E o café fechou, levando o Sr. Abílio e o seu licor de pêra. Minha senhora, diga-me, onde vende cigarros? Ela passa e não me ouve, faz-me lembrar a senhora da botica lá da aldeia com a sua verruga no lábio. É que a aldeia era tão bonita. Íamos então em cantigas fazer fisgas para atirar pedras às laranjas. E depois fazíamos a confissão com os dedos cruzados, o indicador e o médio, e dizíamos não ter pecado. E nadávamos nus no rio a lembrar a garota da mercearia, que era a Marianinha.
Tenho andado tanto que de cor já só as dores nas pernas e as noites em vigília coleccionadas. Onde estás infância? E para onde foste, meu amor? Já não te vejo nos pinheiros do caminho nem nas águas dos ribeiros. Talvez te tenhas escondido. Lá vai o menino dos caramelos. Agora não se deita, o pequeno. Anda a puxar a cauda aos gatos e a perseguir os cães com paus afiados nas mãos. A tua inocência, onde vai ela? Tem os olhos tristes, certamente que a perdeu. Só ouço o silêncio, já ninguém gosta de sair à rua, as boutiques querem fechar. Toma lá dois rebuçados, criança, mas não os atires ao chão. E sorri. Fica a pensar que o estrangeiro gosta de ti.
Além vejo a placa para o santuário, diz serem 12 km. Vou por lá, há uns meses andei por esses lados e agora as videiras já devem ter uvas em ponto para as vindimas. Devo roubar algumas. Adeus senhor guarda, foi um prazer a conversa. Adeus benfazeja terra, tanta vida que alimentas. Adeus menino dos caramelos, és um anjo sorridente. Dizem que lá para o santuário houve um milagre há muito tempo. E depois as gentes lá foram assomando e encomendando orações. Pode ser que me engane no caminho e não vá lá ter. Talvez assim chegue ao meu destino.
O primeiro parágrafo não é da minha autoria, mas da Daniela [Ramalho]. Um duplo obrigado: pelo texto que (nos) deu, e por mo ter deixado desenvolver. Sendo menina, o agradecimento veste a forma de beijinhos (abraços só para senhores).
Há tempos desenvolvi o hábito de ouvir música ao adormecer. Estávamos no Outono de 2005 e a vida era mais fácil.
Sintonizava uma qualquer estação, e deixava-me mergulhar no fabuloso mundo da música aleatória. Lembro-me bem de numa dessas noites em que ainda dormia ao contrário, com a cabeça onde agora repouso os pés, depois de ouvir “In too deep” dos Génesis, para muitos “a mais comovente balada dos anos 80 sobre compromisso e monogamia”, a “La Folie” dos The Stranglers começou a arranhar as minhas colunas.
Que faixa sublime. Sublime não, surreal. Era surreal que tencionava dizer.
Seis minutos de uma música mesmerizante, com uma letra em francês que suponho ser muito bem conseguida também. É estranha. Seis minutos de um sonho esquisito, ou seis minutos bem passados numa qualquer casa de ópio na Londres dos finais do século XIX. Seis minutos bem interessantes.
Desde então que digo ser esta a minha música preferida. E quando me perguntam porquê permaneço calado, esperando que alguém me chegue uma fatia de bolo-rei que me mantenha a boca ocupada. Porque a verdade é que não sei. Não sei porque adoro tanto esta música. Mas adoro.
A noite mais quentinha da semana e do mês. A primeira noite do inverno.
por D. em sábado, 1 de novembro de 2008
Ora, tendo acordado já depois do sol se pôr, depois uma longa noite, confesso que não sabia muito bem a que tema dedicar esta semana o meu pequeno espaço aqui no blogue do tribuna. Portanto foi com um certo encanto que hoje após voltar a pedir
- Pai, liga a lareira, tenho as mãos frias
Vejo a lareira acesa ao voltar à sala. O primeiro dia do ano em que se acende a lareira é o equivalente em pessoas grandes, ao dia em que se monta a árvore de natal nas pessoas pequenas. Eu pelo menos, sinto-me logo aquecer por dentro e ficar com uma certa sensação de calma. E por isso, é directamente da sala aquecida pela lareira, com o típico cheiro a lenha queimada e o estalar que embala mesmo muito bem o estado sonolento em que me encontro, que escrevo este texto, para meter inveja a todos aqueles que têm que usar os aquecedores ou os cobertores para ficarem quentes, porque não possuem uma querida lareira em casa.
Ora, o momento em que a lareira se acende pela primeira vez, marca invariavelmente o começo do Inverno, mesmo que o calendário diga o contrário. E enquanto ando e venho para junto da chama para aquecer as mãos, que continuam frias, acho que nem no verão as consigo ter quentes, vou concluindo que afinal a vida é de facto um ciclo e que todos nós acabamos por passar pelas mesmas coisas. E que no fim, são as pessoas a quem chamamos amigos, que nos dão as muletas para conseguir sair do fosso e voltar à vida. Abre-se uma janela e diz
- Ele não voltou a falar comigo. Como é que tu fizeste?
E assim, vou passar a noite a transmitir o meu pequeno manual de iniciação a uma vida a mono. Mais logo, quem sabe, me deite no quente a ver um qualquer filme e me deite com a sensação de missão cumprida.
- 2 comentários • Category: o espaço inominável
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"Não discuteis com os judeus e cristãos se não em termos amigáveis e moderados"
(XXIX, 45)
"O meu coração abriu-se a todas as formas: é uma pastagem para as gazelas, um claustro para monges cristãos, um templo de ídolos, a Caaba do peregrino, as tábuas da Tora e o livro do Corão. Pratico a religião do Amor; qualquer que seja a direcção em que as cabanas avançaram, a religião do Amor será sempre a minha religião e fé."
sufi Muhyi'd-Din ibn'Arabi


