Dig

por Filipa M.Martins em sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Farpas e Moinhos de vento

por Don Quixote de la Mancha

"Well your faith was strong but you needed proof
You saw her bathing on the roof
Her beauty in the moonlight overthrew you
And she tied you to her kitchen chair
And she broke your throne and she cut your hair
And from your lips you drew the halleluja..."
Jeff Buckley

directamente de Amsterdam

por Francisco em quinta-feira, 16 de outubro de 2008



Inês Vouga

Enquanto dormes

por Joana Maltez

"Entre muitas outras coisas mágicas que existem, uma é observar alguém que se ama a dormir: ao estar-se alheio a olhares e tomadas de consciência, pode-se por instantes segurar-lhe no coração; vulnerável, é então que ele é tudo, e por mais irracional que pareça, é aquilo que sempre se acreditou que ele fosse, um homem puro, uma criança terna."

Truman Capote, "Travessia de Verão"

por Francisco

Afasto-me... afasta-te também de uma vez por todas, foda-se!
Estou doente.

por Guilherme Silva em quarta-feira, 15 de outubro de 2008

"Se algum dia comprar um submarino, alguém por favor me chame à razão e me diga que submarinos não são fixes."

- Guillaume D'Orange

Quatro

por Luísa

São cinzentas, enormes e a poeira continua a ferir meus olhos. Anseio o dia que não vai chegar e temo o que me é tão próximo. A sentença que recebo, por um crime que não cometi, é a de não voltar a ter hipótese de errar. Não me foi dada uma segunda oportunidade.

Os dias passam e a ampulheta não pára. Diria que já passaram semanas, meses, anos até, mas a verdade é que não sei qual é a verdade. O pó diminui e a minha vontade de viver aumenta.

Raiva, medo, decepção, angústia. Tudo se transforma numa enorme bola de fogo que não sou capaz de evitar. As minhas mãos tremem, sinto-me sufocar de tanto gritar e, quase que por ironia, meus olhos parecem querer expelir todo este ódio que sinto, mas que não sabia que existia em mim.

Tudo é tao injusto. Foram-me fazendo acreditar, ao longo de todo o processo, que eu voltaria a ser eu. "A justiça tarda mas chega", diziam eles.

Aproveito o meu dia a olhar para quatro paredes. Ao longo deste meu passado não muito recente foram a minha maior tristeza, mas também a minha maior companhia.

Amanhã é o dia em que darei o último suspiro. Amanhã é o dia em que sorrirei pela última vez. Amanhã é o dia em que verterei a última lagrima. E tudo isto poderei fazer calmamente sentado numa cadeira. Antes era mais complicado. Agora basta uma pequena injecção e não poderei ver o dia nascer de novo.

A Mim Ninguém me Cala: Um facto irreversível

por Pedro Silva

É do interesse do Estado português proceder hoje ao reconhecimento do Kosovo", disse o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, na comissão de negócios estrangeiros da Assembleia da República.
O ministro apontou quatro razões que levaram a esta tomada de decisão: a primeira das quais é "a situação de facto", uma vez que, depois da independência ter sido reconhecida por um total de 47 países, 21 deles membros da União Europeia e 21 membros da NATO, "é convicção do governo português que a independência do Kosovo se tornou um facto irreversível (...) e não se vislumbra qualquer outro tipo de solução realista".

Depois de ler este excerto das declarações do Sr. Ministro Luís Amado eis que fico com algumas questões que me atormentam o espírito:

1º) Que ganha Portugal com o reconhecimento do Kosovo?

2º) Se o Kosovo se tornou “um facto irreversível”, então porque motivo se recorreu a um Tribunal Internacional para se verificar a legalidade deste Reconhecimento? E se o Reconhecimento for Ilegal aos olhos deste Tribunal Internacional?

3º) Não era suposto a União Europeia ter uma Política Externa independente mesmo que vá contra os interesses dos Estados Unidos ou de outra Nação Mundial que não fizesse parte da U.E.? Se o é porque é que vai sempre de reboque ao que os U.S.A. decidem?

4º) Se o Kosovo é realmente “um facto irreversível”, então que dizer do Tibete, País Vasco, Irlanda do Norte, etc., etc? Estes “estados” tem menos Direito a serem reconhecidos que o Kosovo?

Provavelmente irei morrer sem nunca ter resposta para estas questões, mas ainda bem que tenho outras coisas na Vida que me fazem pensar que o Mundo tem algo mais para além das jogadas de bastidores da Política Internacional, ou melhor dizendo da Politica Externa dos Estados Unidos (vamos lá a chamar as coisas pelos nomes).

A Mim Ninguém me Cala: Bancos, Banqueiros e Aldrabões

por Pedro Silva


Cartoon retirado de: PITECOS

De nihilo nihil

por Milady of Winter em terça-feira, 14 de outubro de 2008

Cada Coisa

Cada coisa a seu tempo tem seu tempo.
Não florescem no inverno os arvoredos,
Nem pela primavera Têm branco frio os campos.
À noite, que entra, não pertence, Lídia,

O mesmo ardor que o dia nos pedia.
Com mais sossego amemos A nossa incerta vida.
À lareira, cansados não da obra
Mas porque a hora é a hora dos cansaços,

Não puxemos a voz Acima de um segredo,
E casuais, interrompidas, sejam
Nossas palavras de reminiscência
(Não para mais nos serve A negra ida do Sol) —
Pouco a pouco o passado recordemos
E as histórias contadas no passado
Agora duas vezes Histórias, que nos falem
Das flores que na nossa infância ida

Com outra consciência nós colhíamos
E sob uma outra espécie
De olhar lançado ao mundo.
E assim, Lídia, à lareira, como estando,

Deuses lares, ali na eternidade,
Como quem compõe roupas
O outrora compúnhamos

Nesse desassossego que o descanso
Nos traz às vidas quando só pensamos
Naquilo que já fomos, E há só noite lá fora.


Ricardo Reis

Eis um esplêndido poema, onde a filosofia estóica e o epicurismo emanam em cada palavra...
Para os dias de hoje, um autêntico "bálsamo anti-stress" através da apaziguadora ataraxia...