Reunião 15/10

por Tribuna em terça-feira, 14 de outubro de 2008

Caros Amigos e Amigas, Tribunos e Colunistas,

Temos reunião amanhã, quarta-feira, no local do costume. É imperiosa a vossa presença, dado o desespero que corre na cal daquela sala, ansiosa por voltar a sentir o pulsar da vossa irrequietude jornalística.
Tragam ideias, sorrisos e cerejas.

Um abraço,
Francisco

#2 às terças, quase como acaso

por TR

COMO OS CARACÓIS

Noutro dia falava com ela, menina de vivência variada, embora de jeito doce. Dizia-me,

- tenho saudades de ser criança. Era tão bom. Não há felicidade como essa. Quem me dera voltar a esse tempo.

Ri-me por dentro, mantive-me impávido por fora, sou como os caracóis, casca à superfície, viscosidade no interior,

- pois era, era um tempo muito bom.

Dei a minha parte de fraco, mas menti com os dentes todos, eu que não tenho muitos, infância com pasta de dentes Nestlé e escovas de amêndoas pascais (que tem a ver as amêndoas com a Páscoa?) deixou as suas marcas, agora são só 15 que, pelo menos, não se atrapalham, são tão poucos que os baptizo, um é o carrancudo, o outro o cheiroso, e também há o crocodilo (que é um molar), o vespertino, o arisca, o estafeta e o ardina. E depois tenho outros, agora não me lembro do nome, se me esquecer paciência, invento novos, amanhã talvez três novos dentes flagelados cheguem ao mundo, e com nome, que nenhum dente é apátrida (cada nome é uma pátria). Já me começam a surgir, é vê-los a chegar, tiram senha e aguardam a vez, mas eu faço-me difícil, cada nome digladia-se com os restantes até alcançar a dignidade suficiente para ser a porta para o mundo de um dente. Sou só um árbitro, mais nada, limito-me a acolher o nome que ultrapassou todas as eliminatórias, de preferência com knock-out e não vitórias em pontos.

Ela agora pensa que concordo com ela, anda feliz e contente, é vê-la pelas ruas, venham comigo que quando ela passar eu digo

- olha, aquela é a tal da infância feliz.

E rir-me-ei, não há por que esconder, rir-me-ei com os dentes todos, aqueles 15 magriços que preferem os lodaçais e as florestas selvagens dos docinhos, onde há sanguessugas que aderem aos mais vigorosos corpos, àqueles suaves mares das pastas dos dentes. Mas, se ela olhar para mim, susterei o riso com todas as forças que conseguir reunir, e farei o mais amarelo sorriso de conveniência do mundo, o que é bom, porque não tenho outro.

Como pode ela dizer que o momento mais feliz da sua vida foi a infância, que queria voltar até tão longe (isto se a vida for um caminho), se só percebeu que era feliz na infância depois da infância passar? Sim, sei que tenho razão, ela se voltasse à infância voltava a desconhecer que era feliz nessa altura, e tudo lhe pareceria normal, claro que sim, teria de fazer o que lhe obrigassem, ai ai, iria voltar a aprender o alfabeto, e a somar dois mais dois, e tudo isso lhe pareceria coisa bem menos importante do que brincar com as bonecas que apareceriam nas manhãs de sábado por perto das férias de natal, e ficaria revoltada. Ia querer ser adulta, para poder gastar o dinheiro no que queria, e iam ser só guloseimas, coisas boas boas, como aquelas que sacrificaram os meus dentes, só 15 sobreviveram, e um dia chegaria aos 13 anos, adoraria, chamaria chavalos ao miúdos mais novos, aqueles com quem em pequena brincava, e começaria a ir às compras com as amigas, se calhar isto não, ela sempre foi maria rapaz (para gáudio de todos veio a mudar), mas estaria feliz por já não ser pequenina e precisar de ajuda para fazer chichi. Há também a outra hipótese, mas o cenário será mais negro, muito noir, muito noir, que é o de voltar à infância com conhecimento de adulta, aí é que iam ser elas, nem era criança nem era adulta, nem goma nem safari cola (que ela agora gosta, diz que é docinho), como iria tolerar o miúdo que bate no outro porque sim, ou a professora chunga ou, como ela agora saberia dizer, incompetente? Não, também assim a infância não era a mais feliz do mundo, estaria à frente dos do seu tempo, nada seria como a infância que recordava agora que era adulta, não haveria mistérios a descortinar.

Esquece-se que tudo tem o seu tempo, que a beleza da infância está no que depois veio, do pensar como era então tão boas essas realidades que hoje se lhe esvaem pelos dedos, que são esguios.

Noutro dia, embora mais próximo do que o outro, voltei a vê-la, vinha de brincos de argola e camisola de malha. Também tinha calças de ganga, justas nas coxas, com uns furinhos perto dos tornozelos, e sapatilhas de aeróbica. Quando a vi sorri, não estava a ser irónico, mas também não pensava nesta história da infância. Não, meu pensamento andava por outros lados nesse mundo das ideias, que sita na memória de cada um, pensava numa ironia qualquer que na vida surge, sabem como é, lugares comuns que todos conhecemos. Ela estava com tempo, eu também, embora com menos do que lhe disse que tinha, enfim, mas é que ela sorriu e tinha sorriso bonito, “jeito doce”, disse há pouco, não resisti. Convidei-a a tomar café e bebi um, ela ficou-se pelo carioca de laranja, não, de limão. Como boa conversa exige, falamos de muita coisa

- da praça general Humberto Delgado

- dum filme qualquer com o Al Pacino (que ela apreciava, gostava do nome)

- duma historieta qualquer que devia ter sido falada a uma porta de janela

- eu traulitei uma música qualquer (acho que o hino russo) e fi-la sorrir

Mas também falamos de emancipação jovem, embora sem usar tais palavrões, e ela contou-me a história de uma amiga, jovem-adulta com 25 anos, creio, que largou da casa dos pais para iniciar uma vida dita independente. Contava minha amiga que a amiga (minha amiga em 2º grau, por conseguinte) queixava-se que a vida era dura, muito difícil, e disse-o sempre com ar sério, de quem sobre tal muito reflectiu.

- oh, ela fala mas é de contente. Não há nada como vivermos sozinhos, então, é o melhor momento da vida, não é? Aos vinte e tal é que fazemos o que queremos…já sem estudar e ainda sem filhos, isso é que é liberdade…

Ri-me por dentro, mantive-me impávido por fora, sou como os caracóis, casca à superfície, viscosidade no interior,

- pois é, é o melhor tempo da nossa vida.

When in Rome...

por Guilherme Silva em segunda-feira, 13 de outubro de 2008



Diz o ditado que quando “em Roma sê romano”.
Não fui a Roma, mas quando em trás-os-montes fiz por passar bem por transmontano, “gente de gema” como suponho que se diga por lá.
Passeei por sítios que nem imaginava existirem, ouvi histórias e tive conversas que à primeira passariam por enfadonhas mas sabe Deus o prazer que me deram, vi bonitas bolotas do tamanho de nozes (transgénicas talvez, mas não digam a Louçã), e comi bem. Muito bem.
Descobri que em trás-os-montes há muito mais que montes. Na “terra quente”, uma vasta planície bastante semelhante ao Alentejo profundo, encontrei um maravilhoso oásis. O fruto de uma bem conseguida cooperação entre a mãe natureza e o Homem, a lagoa da barragem do Azibo. Por uma vez vou deixar cair o meu frio manto de ferro e admitir que lá fui feliz: passeei, nadei, arrependi-me de ter nadado, e mirei o céu. Céu este que parecia jamais terminar.
Na volta ao meu quartel-general transmontano, Chaves, visitei Mirandela, e descobri que há quem beba Licor de Merda com orgulho. Dizem que não passa de um licor banal, mas mesmo assim não quis provar.
Ah, trás-os-montes, terra fantástica onde o pão sabe a mel, apesar de não o ter. Comi outras coisas que julguei terem caído em desuso com a ida dos Suevos. Pernas a porcos, entranhas a borregos e arroz doce.
Foram três dias espectaculares e pitorescos. Voltei ao meu Porto de sempre dois quilos mais pesado, mas bastante mais português.

alea jacta est

por Ary

(relação entre o QI médio do Estado e o candidato mais votado nas eleições de 2004)

1 Connecticut   113  John Kerry  
2 Massachusetts  111  John Kerry  
3 New Jersey   111  John Kerry  
4 New York   109  John Kerry  
5 Rhode Island  107  John Kerry  
6 Hawaii   106  John Kerry   
7 Maryland   105  John Kerry  
8 New Hampshire  105  John Kerry  
9 Illinois   104  John Kerry 
10 Delaware   103  John Kerry 
11 Minnesota   102  John Kerry 
12 Vermont   102  John Kerry 
13 Washington   102  John Kerry 
14 California   101  John Kerry 
15 Pennsylvania  101  John Kerry 
16 Maine   100  John Kerry 
17 Virginia   100  George Bush 
18 Wisconsin   100  John Kerry
 19 Colorado   99  George Bush 
20 Iowa   99  George Bush 
21 Michigan   99  John Kerry
22 Nevada   99  George Bush 
23 Ohio   99  George Bush 
24 Oregon   99  John Kerry 
25 Alaska   98  George Bush 
26 Florida   98  George Bush 
27 Missouri   98  George Bush 
28 Kansas   96  George Bush 
29 Nebraska   95  George Bush 
30 Arizona   94  George Bush 
31 Indiana   94  George Bush 
32 Tennessee   94  George Bush 
33 North Carolina 93  George Bush
34 West Virginia  93  George Bush 
35 Arkansas   92  George Bush 
36 Georgia   92  George Bush 
37 Kentucky   92  George Bush 
38 New Mexico   92  George Bush 
39 North Dakota  92  George Bush 
40 Texas   92  George Bush 
41 Alabama   90  George Bush 
42 Louisiana   90  George Bush 
43 Montana   90  George Bush 
44 Oklahoma   90  George Bush 
45 South Dakota  90  George Bush 
46 South Carolina  89  George Bush 
47 Wyoming   89  George Bush 
48 Idaho   87  George Bush 
49 Utah   87  George Bush 
50 Mississippi   85  George Bush
(in Daily Mirror 4/11/2004)

ANARQUIA

por João Fachana em domingo, 12 de outubro de 2008

Oito horas:

Um homem, sentado no lugar do condutor de um carro cinzento, fumava calmamente um cigarro, enquanto olhava para as crianças que entravam no portão da escola, do outro lado da estrada.
- Quantas? – Perguntou a um outro homem que estava a seu lado e que também as observava.
- Duzentas e quarenta até agora.
- Falta alguém importante?
- Sim, a filha da jornalista.
O homem bateu com o punho no tablier.
- Precisamos dela! Ela tem de aparecer!
- Não te preocupes, controlamos tudo muito bem, nenhum dos putos está doente, de certeza que é só um pequeno atraso.
- Espero bem que sim. Ela é essencial.
E, com efeito, momentos depois, saía de um carro preto uma rapariga loira e mais duas amigas.
- Estás a ver, ali está ela.
- Óptimo, Fernando. Os teus homens estão a postos?
- Sim. E o dinheiro de que falaste, é mesmo seguro?
- Sim, é. Dez milhões, um milhão para cada um de vocês.
- Eles pagam? Até agora nenhum sequestro deu proveito aos sequestradores.
- Desta vez pagam, é seguro, garanto-te. Tenho o plano bem estudado.
- Assim o espero. Não me queres mesmo dizer o teu nome? Depois de tantas conversas, acho que poderíamos deixar de te tratar por esse pseudónimo.
- Fica como está. – Disse o homem, dando as últimas passas no cigarro e deitando-o para a estrada. – Afinal, não me tomes por burro, bem sei que o teu nome verdadeiro também não é Fernando.
- Pelo menos não é tão excêntrico como o teu. Até pareces um vilão de banda desenhada.
- Eu sempre gostei muito de banda desenhada. Especialmente de vilões.
- Bem me parecia que sim, Anarquia.
***
Vanessa Matos conduzia a toda a velocidade, em direcção à estação televisiva onde trabalhava. Tinha acabado de deixar a filha e as amigas na escola e já estava atrasada. Tinha combinado com o Tiago Barros, o seu câmara, às oito horas e um quarto na entrada da estação. Iria fazer uma entrevista importantíssima para a sua reportagem e não queria chegar atrasada.
Vanessa sintonizara o rádio do carro na TSF, onde se ouvia um colega seu a referir-se ao debate parlamentar que iria ocorrer, hoje, sobre o Estado da Nação. Seria mais um debate inútil daquele parlamento, pensava Vanessa, como sempre. Iriam lá estar todos os bananas, desde o Primeiro-Ministro e os seus Ministros até aos líderes da oposição e deputados. Após todos estes anos, em que Portugal ia de mal a pior, Vanessa interrogava-se como é que ainda nenhum maluquinho se lembrara ainda de pôr uma bomba no parlamento. O telemóvel tocou. Era Tiago. Vanessa atendeu.
- Estou quase a chegar, Tiago. Dez minutos.
- As mulheres fazem-nos sempre esperar. – Gozou.
- Foi a Sara. Demorou-se a arranjar.
- Mas hoje não era o pai dela a ir levá-la?
- Era, mas telefonou à última da hora a dizer que não podia. Estafermo.
- Deixa lá isso.
- Pelo menos vai buscá-la às cinco. Espero que não se esqueça. Não seria a primeira vez.
- Não se esquece, vais ver.
- É bom que não. Olha, vou desligar, a polícia está ali mais à frente. Beijo.
- Beijo. Amo-te.
- Eu também.
E desligou.

Sobre o Tempo

por Duarte

O que é o tempo? Se ninguém mo perguntar, eu sei; se o quiser explicar a quem me fizer a pergunta, já não sei.
Santo Agostinho, «Confissões»

O terrível sábado

por D. em sábado, 11 de outubro de 2008

É aquele sábado em que simplesmente estamos em frente ao computador e não surge nada para escrever. Nenhum tema, nenhum assunto. Nada. Também não há nenhum vídeo de destaque para publicar e nem me lembro de mais alguma coisa com especial interesse para aqui partilhar com vocês. E graças ao modo aleatório do Windows Media Player, surgiu a música que vai ser o meu contributo para este blogue, esta semana. Where is my mind, dos Pixies, tem simplesmente das letras mais estranhas e alucinadas que já ouvi, sendo sem dúvida o final perfeito de um filme também ele alucinado, o Fight Club.




Paz&Espada

por Manuel Marques Pinto de Rezende

Como (Não) Libertar Um País


If You Want to Free Your Coutry, First Liberate Its Land - Fareed Zakaria


República Democrática de Timor, República do Iraque, República Islâmica do Afeganistão. Três nações que passaram por processos de libertação ou remodelação constitucional e de regime. Podemos até situar os três no mesmo século (Timor em 1999) pelos aspectos que podem unir os processos que cada um se deparou.


A regra da actualidade, no que toca à libertação de países, é fazer eleições. Após se destronar a potência invasora e o tirano de serviço, acha-se por bem, principalmente entre a ideologia situada à direita (que é curiosamente a mais apta às intervenções militares), desempoeirar as urnas e organizar campanhas. É de facto um caminho simples para obter a democracia. O que se passa é que também é o caminho mais fácil e é o menos importante num processo de democratização.

Todo o esforço contido na democratização do Iraque e do Afeganistão será em vão se não se concentrarem esforços na construção daquilo que é o verdadeiro garante da democracia: a sociedade civil e o estado de direito. As culturas ocidentais passaram por séculos de modernização antes de conseguirem organizar eleições livres. Da Magna Carta, documento ancestral que primeiro estabelece os limites do poder governamental, ao sufrágio universal adulto no mundo ocidental e democrático passam mais de 800 anos de distância. Nesses oitocentos anos, as sociedades europeias ou europeizadas passaram por várias tranformações que moldaram as suas instituições republicanas e democratizaram a sociedade.

Este processo lento tem a singular benesse de consolidar o estado de direito e combater os maiores inimigos da democracia no âmbito interno: a divisão étnica, a insistente discriminação racial e religiosa, e o feudalismo.


Todos estes factores foram esquecidos por George Bush na invasão do Iraque. Enquanto no Afeganistão encontrou uma população racial e religiosamente semelhante (islâmicos xiitas na maioria, comum background genético persa) e apenas se teve de haver com as dissidências próprias das sociedades divididas em tribos (algo que não deu tanto problema como seria de esperar, visto ter-se mostrado fácil unir as tribos contra o inimigo comum, os talibans) no Iraque a administração Bush viu-se na responsabilidade de apaziguar um cozido étnico e religioso. Primeiro, não lidou com a confrontação Sunita-Xiita, nem sequer manobrou com as restantes comunidades que se podiam ter mostrado colaboradoras após anos de opressão Hussein: Sunitas Curdos, Ismaelitas, Cristãos Arménios, Ortodoxos, Nestorianos, Judeus não-Ortodoxos,etc.

Também não criou as bases para a paz racial, visto que tanto sunitas como xiitas, mal se compreendam no futuro, vão fazer aquilo que sempre fizeram em harmonia: desprezar os curdos.


O outro mal, que virá disfarçado e de difícil distinção, é o problema da propriedade. Não se sabe muito bem como funciona o regime de propriedade no Iraque, nem quem é o maior proprietário, se os oligarcas do anterior regime ou o Estado (ou seja, os oligarcas do novo regime).


Enquanto permanecer nas mãos da elite governativa o principail meio de produção, a Terra, a população iraquiana não poderá usufruir de verdadeira democracia. O eleitorado será influenciado por esses mesmos detentores do grande capital, que acicatarão os confrontos entre as populações no seguimento do harmonioso lema do "dividir para governar".


Faz falta assim uma maior supervisão da comunidade internacional para uma redistribuição controlada dos recursos, de preferência para os trabalhadores das terras. É preciso aquilo que os anglo-saxónicos chama de land reform, que nós podemos traduzir como a Reforma da Fazenda Nacional, que consiste numa nacionalização de bens seguida de venda de Bens Nacionais.


Muitos caem no erro de considerar estas medidas como medidas de perfil socialista, na medida em que se preconiza a redistribuição de terras e riqueza natural. Nada mais errado.


Muitos exemplos de land reform podem ser encontrados ao longo da história, mesmo entre nós, não com fins socialistas mas de introduzir no mercado enormes propriedades cujo valor e produção estavam alienados, sufocando o comércio e a agricultura. Foi o que se passou em 1834, num decreto assinado pelo Rei Dom Pedro IV e pelo Ministro e Secretário de Estado dos Negócios Eclesiásticos e de Justiça, que nacionalizava todos os bens detidos pelas ordens monásticas (cuja propriedade ocupava uma grande parcela do território nacional). Esses bens foram mais tarde levados a leilão público, e infelizmente a corrupção que precedeu os primeiros tempos da Monarquia Constitucional não conseguiu evitar o voracionismo das grandes figuras do regime, como radical democrata Saldanha, que enriqueceu desmesuradamente. Este voracionismo da elite política está a ser, em certa medida, prevenido em Timor Lorosae, ainda que com algumas deficiências óbvias no processo.


Também nos EUA a estas medidas, em especial o Homestead Act de 1862, contribuiram para uma maior repartição de terras e um aumento de proprietários (este Act em especial cedeu 10% da terra dos EUA). Esta "democracia dos proprietários", nas palavras de John Rawls, liga o fundamental fenómeno da liberdade em democracia com a terra privatísticamente possuída, dois factores indissociáveis.


Assim, deve-se procurar a reforma da Terra para arrancar a economia rural do feudalismo medieval, mas não para criar o controle efectivo do estado sobre o mercado (no método de acção socialista) mas para criar a prosperidade e desenvolvimento de que só a expansão dos mercados livres são capazes. A evolução de uma economia feudal para uma sociedade onde se dá a ausência de propriedade privada "impede qualquer tipo de fixação racional de preço ou estimativa de custos", como diria Ludwig von Mises.


As formas de controlar e impedir esta economia feudal ou de senhorio ou de Estado, passam pelas seguintes medidas:




  1. não dar ouvidos à Direita, e não se ficar pela realização de eleições;


  2. não dar ouvidos à Esquerda, e parar de dar indiscriminadamente meios e ajudas humanitárias, a intenção é muito boa, mas apenas ajuda os novos senhores feudais;


  3. apressar a transferência de responsabilidade para os trabalhadores/proprietários e cidadãos, conceder na íntegra o direito de propriedade para os terratenentes e produtores.

No melhor interesse da propagação da democracia, não se podem esquecer as democracias liberais que, hoje mais do que nunca, a luta pela liberdade é, também, uma luta por terra livre.


nota: a inspiração para este artigo veio de outro, de nome semelhante, retirado da revista Newsweek, que pode ser visto na íntegra aqui.

II

por Anónimo

Direito a um mundo mais humano: (1) Ao assimilarmos a complexidade, o mundo onde vivemos torna-se mais humano; (2) Um só nunca tem razão, a verdade começa com dois (Nietzche); (3) Age de tal modo que os efeitos da tua acção sejam compatíveis com a permanência de uma vida autenticamente humana sobre a Terra (Hans Jonas).


O Mundo próprio do EU -------------------- O Mundo Próprio do TU
O Mundo Próprio dos Outros

O Belicista.... A guerra infinita

por Duarte Canotilho em sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Hoje vou falar sucintamente da Guerra, e vou-me basear numa frase que vi (improvavelmente seria um bom sitio para inspiração, mas sim foi num jogo de computador) Essa Frase é:

"War, War never changes" ---- A Guerra nunca muda!

A guerra não muda, as pessoas não mudam. Desde o inicio dos tempos que a guerra se mantem como sempre foi, e na minha modesta opinião, sempre será. Isto é mantem-se inalterada. (o Leitor atento diz... "claro que o autor está aqui a falar de "borla", claro que a guerra mudou, as taticas mudam, as tecnologias mudam, as mentalidades mudam!!! Logo a guerra muda!!") Será isto verdade? ERRADO

A guerra continua a ser igual, uns matam, outros morrem, os motivos, e como o fazem é acessório. Uns mandam outros matar outros, e assim foi, e sempre será. Ganha normalmente quem mata mais, pois se um dos lados nao tem tantos a defender aquilo porque luta, ou não tem material para continuar a defender, acaba por se render. Mas a morte é um factor chave, não ha guerra sem morte(ainda que haja morte sem guerra... LOL).

Como proclamar a Paz mundial, se aqueles que o fazem, são os primeiros a querer a guerra?? Porquê criar regras para fazer a guerra se estas não são cumpridas?!
Porquê?
No fundo o ser humano vive, e ao viver tenta sempre chegar mais longe, está sempre em guerra. Quer sempre mais, logo a guerra é algo que lhe corre na sua natureza. Acabar com ela?? então acaba a humanidade.

Daí dizer que estamos perante a guerra infinita, uma guerra que o ser humano cada vez mais participará.
Mas que guerra é esta? Não é a guerra A nem B nem C, mas é a natureza do ser humano a querer mais guerra! A guerra infinita que se tem de fazer será evitar ao maximo mais guerras; será tentar Contrariar a sua propria natureza, Essa sim será a maior guerra de todas. Essa sim será a guerra Infinita

Até essa guerra estar ganha a guerra não mudará!! E sim então continuar-se-á a dizer
"War, War never changes"--- A guerra nunca muda! Brian Fargo Fallout