De novo segunda-feira, e de novo sem tema me encontrei. Para prazer e conveniência mútua, julguei por bem deslindar um tema fácil, a todos acessível e para todos agradável. Um lugar comum, talvez…
Diz certo ditado que podemos escapar a tudo menos à morte e aos impostos. E por falar em impostos, por tudo os pagamos (a sério, por tudo mesmo!), menos por amor. Acho.
E assim, através deste desequilibrado raciocínio/brain-storming, cheguei ao meu tema desta semana. Amor, logo sexo, e porque uma coisa leva à outra, a religião.
Do amor monógamo porque foi assim que um Deus o quis, e assim Jesus e outros semi-deuses, como Paul Newman e Camilo Castelo Branco, o professaram.
Assim como de um Deus e seu credo, do sexo muitos (todos?) são devotos. E assim como há católicos não-praticantes, também há quem seja devoto ao amor carnal, mas não o pratique.
E assim retorno ao amor e às relações monógamas, a meu ver únicas, mais sensatas e delicadas, e como um Tamagoshi, difíceis e árduas de manter. E por falar em amor monógamo, há quem me jure também existir um outro, um tal de “manógamo”, mas falar deste fica para outra ocasião, pois estes textos pretensiosos querem-se curtos.
Por isso, amai, monogamente ou não (há uns anos havia uns rapazes cabeludos que diziam que o amor polígamo também é jeitoso e agradável), praticai, e lembrem-se que “com grande poder vem grande responsabilidade”.
- 7 comentários • Category: O Pretensioso.
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Carlos V, que aliás só conseguiu a sua eleição como imperador germânico graças a Jacob Frugger, grande banqueiro de Frankfurt e dos primeiros "investidores" à escala planetária, foi um grande europeísta, daqueles que acreditam numa Europa unida na diversidade, numa Europa de nacionalidades e de línguas. Claro que é mais fácil acreditar nisto quando se domina meio continente, mas não deixa de demonstrar uma certa flexibilidade intelectual uma frase como esta: "Falo francês aos homens, italiano às mulheres, espanhol a Deus e alemão ao meu cavalo".
Sete horas e vinte minutos:
As pessoas agem como se tudo que conhecessem fosse algo de certo ou com tendência a alcançar tal, todavia, a partir do momento em que as estruturas basilares das suas (ditas) verdades são tocadas, começam a entrar no processo oposto: o declínio triunfal e a angústia. Este momento é o (re)conhecimento da primeira das aporias a ter em conta: a do Tempo.
Muitos teimam em dizer que vivem por viver outros que vivem os momentos e, ainda, existem aqueles que nunca tiveram uma preocupação aflitiva. A minha única reacção face a tal é simultaneamente uma dialéctica entre um profundo pesar e um certo ciúme descontrolado.
Os cépticos sapientes ou os que mais viveram tendem a desvalorizar a opinião daqueles que pela sua estrutura, estatura ou maturidade biológica são o seu contraste: os jovens. É presumível que da juventude possa surgir um pensamento maduro capaz de fazer vacilar até as mais fundas e enraizadas convicções? Será que a “verdade” (ou veracidade?) é alcançável não por aqueles que já “viveram” quanto baste, mas sim por aqueles que teimam em tentar viver desde cedo as angústias do tempo e, mais que isso, tentam conhecer-se profundamente e ao seu próximo.
Engraçado: o cepticismo sapiente ou maduro contra a irreverência pouco erudita de uma aurora matinal que teima a sufocar-se a si mesmo estão somente separados por uma linha ténue: a da possibilidade de serem ou não influenciados. Claro está, que assim dito, parece uma qualquer incoerência de discurso, porém, é de notar que os ditos sapientes, os vividos, são pessoas em que as suas estruturas intelectuais estão já consolidadas e apodrecidas, de tal forma que não há no seu livre arbítrio a procura por algo novo, e em último caso, por uma nova crença; quanto aos mais jovens, os pouco maduros, é certo que as suas próprias atitudes (e por questões da própria ontologia) são passíveis de influência e é deles que pode partir certa e determinada mudança. Falta esclarecer, ainda, o tal sufoco dos mais novos, a este ponto, friso a aporia ôntica, do ser ou da existência. Pertinente focar a relação entre ser enquanto essência e ser enquanto existência, é que de aparentes sinónimos, escalpelizando o seu conteúdo chegamos ao “lugar-comum”: “existência precede a essência”.
Teimo em mim que tal sufoco é uma constante intemporal, daí ser possível hipoteticamente (ou utopicamente?) distinguir diversas categorias de personalidades (não direi “Tipos”, pois estaria a relativizar as raízes que pretendo arrancar do conceito “sufoco”): teremos os amargurados racionais, os resignados culturais e, por último, os inconscientes afortunados. Os primeiros, serão os que teimaram em amadurecer mais depressa, os que vivem constantemente pela sua vontade fogosa de tentar assaltar a verdade, contudo são os mais reprimidos de todos, devido à sua absorção constante do Absurdo ou do Ridículo; os segundos, são os absorvidos pelo quotidiano e pelos afazeres, estes estão de tal modos inertes nas suas actividades que não conseguem guardar para eles mesmos uma parcela da sua própria vida; por último, a fortuna vivida pelos ditos inconscientes será aquilo que mais se aproxima da Felicidade ideal ou do Bem-Comum que todos procuramos, é que não ter que viver a aporia existencial é poder viver sem pensamento sem atrasos sem qualquer obstáculo, todavia se há uma utopia, nestas três categorias, será esta última.
Agora é possível colocar-se uma questão relativa ao porquê da demarcação destas categorias se elas mesmas são somente hierarquizadas numa estrutura deôntica, mais que isso, num topo idealístico; a solução, não a resposta a questão, encontra-se na conjugação das três categorias, o que resultara noutros tantos géneros e assim sucessivamente até ao infinito.
Relacionando Tempo e Influência, apenas dois apontamentos a reter: (1) o castigo que os cépticos sapientes aplicam aos seus aprendizes, por vezes, ignorando-os e humilhando-os profundamente numa teia complexa de mentira e de dogmas; (2) e a eterna dor do Tempo, indissociável da própria condição humana, que impele os mais petizes a revoltar-se contra os sistemas estabelecidos a priori.
O mundo é um palco, uma peça de teatro, um livro! O Tempo cria a linha: Prologo, Início, Vida, Fim, Epílogo. Resta saber se, nesta peça, as marionetes têm na realidade livre arbítrio… resta saber se elas mesmas percebem o significado de tal!
henriquemaio
Nos amores que se dão em tempos de cólera muitas vezes a cegueira instala-se e os homens tornam-se descuidados com as mulheres suas amantes. Garcia Marquez embala-nos com as suas histórias pouco improváveis de alguma vez terem acontecido, ou virem alguma vez a suceder-se. Hoje acordei com uma gargalhada que se soltou ao ler este pequeno excerto: nas entrelinhas, tantas ilações como aquelas que são permitidas aos leitores de acaso.
"Seis meses após o primeiro encontro, viram-se finalmente num camarote de um navio fluvial que se encontrava em reparação de pintura no cais fluvial. Foi uma tarde maravilhosa. Olimpia Zuleta tinha um amor alegre, de pombeira alvoraçada, e gostava de ficar nua durante várias horas, num repouso lento que para ela tinha tanto amor quanto o amor. O camarote estava desmantelado, pintado pela metade e o cheiro de terebintina era bom para se levar como recordação de uma tarde feliz. Então, por culpa de uma inspiração insólita, Florentino Ariza destapou uma das latas de tinta vermelha que estava ao alcance do beliche, molhou o indicador e pintou no púbis da bela pombeira uma flecha de sangue dirigida para sul e escreveu-lhe um letreiro no ventre "Esta pomba é minha". Nessa mesma noite, Olimpia Zuleta despiu-se à frente do marido sem se lembrar do letreiro e ele não disse nem uma palavra, nem sequer se lhe alterou a respiração, nada, apenas foi à casa de banho buscar a navalha enquanto ela vestia a camisa de dormir e degolou-a de um só golpe."
"O amor nos tempos de cólera", Gabriel Garcia Márquez
Daniela Ramalho
A Liberdade é um Louco que ninguém conhece e Todos seguem.
Não penseis que vim trazer a paz, mas a espada. Vim para fazer a separação entre pai e filho, entre mãe e filha, entre nora e sogra: e os inimigos dos homens serão os companheiros de casa.
(Mateus, X, 36-39)
próximos artigos:
Como (Não) Libertar Um País.
A Carta de 1836: mitos e lendas académicos - Como a Inconstitucionalidade derrubou a Monarquia.
1640 e a Liberdade Portuguesa.
« Tende sempre o espírito crítico, para vós não deve haver tabus. Dentro do respeito que mereceis vós mesmo deveis criticar impiedosamente tudo quanto existe. Sim. Criticar sem receio de que vos chamem demolidores. Vós sois demolidores do mal, vós sois os construtores do futuro ideal »
Emílio Guerreiro
O meu pequeno primeiro contributo,
Ana Cláudia
Sendo a primeira vez que vou escrever nesta coluna à sexta feira, e sabendo que no fim de semana há muita gente que gosta de alugar um filme para ver em casa, ou até ir ao cinema(ainda que 90% dos filmes que AGORA estao no circuito comercial, na minha opinião sejam uma treta) Eu venho por este meio recomendar um filme. Este filme é Enemy at the gates,(ou Inimigo às portas em português) é um filme do Realizador Jean-Jaques Arnauld de 2001, e conta com Jude-Law no papel principal.
Inimigo às portas é um filme que retrata a batalha de Estalingrado em 1942, aquando da invasão alemâ da União sovietica. Especificamente o filme conta-nos a historia de um heroi real, um Sniper Vassily Zaitsev. Este que começa como soldado Raso acaba por demonstrar grande sangue frio e coragem ao abater mais de 40 oficiais alemaes, mortes estas que o vao elevar a um estatuto de heroi.
A defesa da cidade acaba por ficar a cabo de Kruschev (que é interpretado por Bob Hoskins) que se vai aproveitar do heroismo de Zaitsev para tentar encorajar os seus soldados cansados e desmoralizados.
Por causa disto, e incapazes de deterem tal "fenomeno", os Alemães enviam a estalingrado o seu melhor Sniper Major Konig (interpretado por Ed harris).
A Partir daqui se trava uma batalha de gato e do rato, um atras do outro, sendo que ao longo do filme várias criticas são tecidas ao modelo sovietico, e ao modus Operandi das forças do exercito vermelho.
É como no filme se diz uma metafora da luta de classes " O barão caçador de veados da bavaria(major konig) contra o pastor caçador de lobos da sibéria. (Vassily)"
O filme é muito bom e eu recomendo vivamente
A Cena do ódio, de Almada Negreiros
rabo decepado de lagartixa,
labirinto cego de toupeiras,
raça de ignóbeis míopes, tísicos, tarados,
anêmicos, cancerosos e arseniados!
Larga a cidade!
Larga a infâmia das ruas e dos boulevards,
esse vaivém cínico de bandidos mudos,
esse mexer esponjoso de carne viva,
esse ser-lesma nojento e macabro,
esse S ziguezague de chicote autofustigante,
esse ar expirado e espiritista,
esse Inferno de Dante por cantar,
esse ruído de sol prostituído, impotente e velho,
esse silêncio pneumônico
de lua enxovalhada sem vir a lavadeira
Larga a cidade e foge!
Larga a cidade!
Vence as lutas da família na vitória de a deixar.
Larga a casa, foge dela, larga tudo!
Nem te prendas com lágrimas que lágrimas são cadeias!
Larga a casa e verás — vai-se-te o Pesadelo!
A família é lastro: deita-a fora e vais ao céu!
Mas larga tudo primeiro, ouviste?
Larga tudo!
— Os outros, os sentimentos, os instintos,
e larga-te a ti também, a ti principalmente!
Larga tudo e vai para o campo
e larga o campo também, larga tudo!
— Põe-te a nascer outra vez!
Não queiras ter pai nem mãe,
não queiras ter outros nem Inteligência!
A Inteligência é o meu cancro:
eu sinto-A na cabeça com falta de ar!
A Inteligência é a febre da Humanidade
e ninguém a sabe regular!
E já há Inteligência a mais: pode parar por aqui!
Depois põe-te a virar sem cabeça,
vê só o que os olhos virem,
cheira os cheiros da Terra,
come o que a Terra der,
bebe dos rios e dos mares,
— põe-te na Natureza!
Ouve a Terra, escuta-A.
A Natureza à vontade só sabe rir e cantar!
Depois põe-te à coca dos que nascem
e não os deixes nascer.
Vai depois pla noite nas sombras
e rouba a toda a gente a Inteligência
e raspa-lhes a cabeça por dentro
coas tuas unhas e cacos de garrafas,
bem raspado, sem deixar nada,
e vai depois depressa, muito depressa,
sem que o sol te veja,
deitar tudo no mar onde haja tubarões!
Larga tudo e a ti também!
Mas tu nem vives nem deixas viver os mais,
Crápula do Egoísmo, cartola despanta-pardais!
Mas hás de pagar-Me a febre-rodopio
novelo emaranhado da minha dor!
Mas hás de pagar-Me a febre-calafrio
abismo-descida de Eu não querer descer!
Hás de pagar-Me o Abismo e a Morfina!
Hei de ser cigana da tua sinal
Hei de ser a bruxa do teu remorso!
Hei de desforra-dor cantar-te a buena-dicha
em águas fortes de Tróia
e nos poemas de Poe!
Hei de feiticeira a galope na vassoura
largar-te os meus lagartos e a Peçonha!
Hei de vara mágica encantar-te arte de ganir!
Hei de reconstruir em ti a escravatura negra!
Hei de despir-te a pele a pouco e pouco
e depois na carne viva deitar fel,
e depois na carne viva semear vidros,
semear gumes,
lumes,
e tiros,
Hei de gozar em ti as poses diabólicas
dos teatrais venenos trágicos do persa Zoroastro!
Hei de rasgar-te as virilhas com forquilhas e croques,
e desfraldar-te nas canelas mirradas
o negro pendão dos piratas!
Hei de corvo marinho beber-te os olhos vesgos!
Hei de bóia do Destino ser em brasa
e tu náufrago das galés sem horizontes verdes!
E mais do que isto ainda, muito mais:
Hei de ser a mulher que tu gostes,
hei de ser Ela sem te dar atenção!
Ah! que eu sinto claramente que nasci
de uma praga de ciúmes.
Eu sou as sete pragas sobre o Nilo
e a Alma dos Bórgias a penar!"
