por ana claudia em sexta-feira, 3 de outubro de 2008

« Tende sempre o espírito crítico, para vós não deve haver tabus. Dentro do respeito que mereceis vós mesmo deveis criticar impiedosamente tudo quanto existe. Sim. Criticar sem receio de que vos chamem demolidores. Vós sois demolidores do mal, vós sois os construtores do futuro ideal »



Emílio Guerreiro



O meu pequeno primeiro contributo,

Ana Cláudia

O Belicista (Recomendando o filme Inimigo às Portas)

por Duarte Canotilho

Sendo a primeira vez que vou escrever nesta coluna à sexta feira, e sabendo que no fim de semana há muita gente que gosta de alugar um filme para ver em casa, ou até ir ao cinema(ainda que 90% dos filmes que AGORA estao no circuito comercial, na minha opinião sejam uma treta) Eu venho por este meio recomendar um filme. Este filme é Enemy at the gates,(ou Inimigo às portas em português) é um filme do Realizador Jean-Jaques Arnauld de 2001, e conta com Jude-Law no papel principal.

Inimigo às portas é um filme que retrata a batalha de Estalingrado em 1942, aquando da invasão alemâ da União sovietica. Especificamente o filme conta-nos a historia de um heroi real, um Sniper Vassily Zaitsev. Este que começa como soldado Raso acaba por demonstrar grande sangue frio e coragem ao abater mais de 40 oficiais alemaes, mortes estas que o vao elevar a um estatuto de heroi.
A defesa da cidade acaba por ficar a cabo de Kruschev (que é interpretado por Bob Hoskins) que se vai aproveitar do heroismo de Zaitsev para tentar encorajar os seus soldados cansados e desmoralizados.
Por causa disto, e incapazes de deterem tal "fenomeno", os Alemães enviam a estalingrado o seu melhor Sniper Major Konig (interpretado por Ed harris).
A Partir daqui se trava uma batalha de gato e do rato, um atras do outro, sendo que ao longo do filme várias criticas são tecidas ao modelo sovietico, e ao modus Operandi das forças do exercito vermelho.

É como no filme se diz uma metafora da luta de classes " O barão caçador de veados da bavaria(major konig) contra o pastor caçador de lobos da sibéria. (Vassily)"

O filme é muito bom e eu recomendo vivamente

Peregrinos do quotidiano

por Filipa M.Martins


Xangai, Banguecoque, Macau, Hong Kong, Pequim e Tóquio são as seis cidades asiáticas por que passou o fotógrafo Virgílio Ferreira para desenvolver a sua mais recente obra.


O jogo criado pelo autor, de foque e desfoque de planos, provoca uma certa tensão no observador. Desta forma o indíviduo anónimo do primeiro plano confunde-se com a cidade estereótipada que se apresenta atrás de si. Cada cidade espelha o fenómeno da globalização asiática que vem tornando estes pólos urbanos iguais a tantos outros do mundo ocidental. O indivíduo cai numa certa alienação, perdendo a personalidade que o distingue na sociedade.


A exposição prima não só pela qualidade das fotografias mas também pela crítica social que lhe está subjacente.


A obra estará em exposição até ao dia 2 de Novembro no Centro Português de Fotografia.

Farpas e Moinhos de vento

por Don Quixote de la Mancha

A Cena do ódio, de Almada Negreiros


"Larga a cidade masturbadora, febril,

rabo decepado de lagartixa,

labirinto cego de toupeiras,

raça de ignóbeis míopes, tísicos, tarados,

anêmicos, cancerosos e arseniados!

Larga a cidade!

Larga a infâmia das ruas e dos boulevards,

esse vaivém cínico de bandidos mudos,

esse mexer esponjoso de carne viva,

esse ser-lesma nojento e macabro,

esse S ziguezague de chicote autofustigante,

esse ar expirado e espiritista,

esse Inferno de Dante por cantar,

esse ruído de sol prostituído, impotente e velho,

esse silêncio pneumônico

de lua enxovalhada sem vir a lavadeira

Larga a cidade e foge!

Larga a cidade!

Vence as lutas da família na vitória de a deixar.

Larga a casa, foge dela, larga tudo!

Nem te prendas com lágrimas que lágrimas são cadeias!

Larga a casa e verás — vai-se-te o Pesadelo!

A família é lastro: deita-a fora e vais ao céu!

Mas larga tudo primeiro, ouviste?

Larga tudo!

— Os outros, os sentimentos, os instintos,

e larga-te a ti também, a ti principalmente!

Larga tudo e vai para o campo

e larga o campo também, larga tudo!

— Põe-te a nascer outra vez!

Não queiras ter pai nem mãe,

não queiras ter outros nem Inteligência!

A Inteligência é o meu cancro:

eu sinto-A na cabeça com falta de ar!

A Inteligência é a febre da Humanidade

e ninguém a sabe regular!

E já há Inteligência a mais: pode parar por aqui!

Depois põe-te a virar sem cabeça,

vê só o que os olhos virem,

cheira os cheiros da Terra,

come o que a Terra der,

bebe dos rios e dos mares,

— põe-te na Natureza!

Ouve a Terra, escuta-A.

A Natureza à vontade só sabe rir e cantar!

Depois põe-te à coca dos que nascem

e não os deixes nascer.

Vai depois pla noite nas sombras

e rouba a toda a gente a Inteligência

e raspa-lhes a cabeça por dentro

coas tuas unhas e cacos de garrafas,

bem raspado, sem deixar nada,

e vai depois depressa, muito depressa,

sem que o sol te veja,

deitar tudo no mar onde haja tubarões!

Larga tudo e a ti também!

Mas tu nem vives nem deixas viver os mais,

Crápula do Egoísmo, cartola despanta-pardais!

Mas hás de pagar-Me a febre-rodopio

novelo emaranhado da minha dor!

Mas hás de pagar-Me a febre-calafrio

abismo-descida de Eu não querer descer!

Hás de pagar-Me o Abismo e a Morfina!

Hei de ser cigana da tua sinal

Hei de ser a bruxa do teu remorso!

Hei de desforra-dor cantar-te a buena-dicha

em águas fortes de Tróia

e nos poemas de Poe!

Hei de feiticeira a galope na vassoura

largar-te os meus lagartos e a Peçonha!

Hei de vara mágica encantar-te arte de ganir!

Hei de reconstruir em ti a escravatura negra!

Hei de despir-te a pele a pouco e pouco

e depois na carne viva deitar fel,

e depois na carne viva semear vidros,

semear gumes,

lumes,

e tiros,

Hei de gozar em ti as poses diabólicas

dos teatrais venenos trágicos do persa Zoroastro!

Hei de rasgar-te as virilhas com forquilhas e croques,

e desfraldar-te nas canelas mirradas

o negro pendão dos piratas!

Hei de corvo marinho beber-te os olhos vesgos!

Hei de bóia do Destino ser em brasa

e tu náufrago das galés sem horizontes verdes!

E mais do que isto ainda, muito mais:

Hei de ser a mulher que tu gostes,

hei de ser Ela sem te dar atenção!

Ah! que eu sinto claramente que nasci

de uma praga de ciúmes.

Eu sou as sete pragas sobre o Nilo

e a Alma dos Bórgias a penar!"

Cineclube FDUP

por Francisco em quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Aproveito a pausa entre colunistas para deixar aqui uma nota informativa:

O Cineclube da nossa faculdade vai voltar a abir as portas às sessões de cinema! Bom cinema, perdoem-me o pretensiosismo.
Fica aqui o cartaz com a programação para o 1º Semestre. A primeira sessão é já na próxima terça feira, pelas 18H, na sala 1.01. O filme é o Love and Death (1975) da raposa Woody Allen. Fica o desejo de que apareçam e tragam amigos! E, se possível, tragam alunos do 1º ano para que estes fiquem a conhecer o nosso querido Cineclube. De seguida, dirigimo-nos todos para o jantar da AE. :)



www.cineclubefdup.blogspot.com
http://www.myspace.com/cineclubefdup

Divagações de outros tempos e destes também...

por Francisco Pimenta

Com as costas curvadas a esconder a face, ouço e sinto passos e espero que sejas tu que me vens salvar e coser as feridas já antigas e profundas...
Sem forças para gritar, deito as costas no chão para sentir a chuva nocturna que tardiamente vem tentar limpar a minha cara triste, e acordar o meu ténue pensamento. Semi-cerrando os olhos, limito-me a ouvir os pingos calmos que agora invadem o meu pequeno mundo de ilusão. Já que o real, é, ou parece ser, demasiado injusto para vivências diárias contínuas. Por isso, refugio-me neste mundo perfeito, onde tudo é colorido e tu e eu somos um, uma ilusão onde a chuva são os amigos e os dias perfeitos de sol intenso és tu, à minha espera...

Francisco Pimenta

Saudade

por Luísa

Sinto saudade de não ter saudade. Era tudo mais fácil quando o mundo era cor-de-rosa e ainda brincava nos baloiços. Mas o mundo mudou e, ver-te levantar voo, faz-me temer pela tua segurança, pela nossa segurança.

Que saudades do tempo em que não sentia saudade. Talvez um dia esse tempo volte ou talvez então eu fique presa neste tempo em que o desejo de não sentir saudade me leva a sonhar com o passado.


E, enquanto o tempo não passa, eu escrevo para enganar a saudade. E a escrita leva-me para mundos desconhecidos, tempos futuros e memórias que não existiam...


Hoje escrevo para esquecer a saudade.
Amanhã será outro dia. Talvez escreva apenas para lembrar que estou viva.

Olhos de ver

por Joana Maltez

Hoje, como todos os dias, passei nos mesmos locais, à mesma hora, e por incrível que pareça passei pelas mesmas pessoas. Como se uma repetição do dia anterior se tivesse apoderado de mim! Se ao menos tivesse uma nova maneira de ver as coisas que permanecem sempre iguais...Mas não tenho!
Tenho apenas uma vontade imensa de não voltar a passar pelo mesmo local, nem à mesma hora, e não voltar a ver as mesmas pessoas! Quero sim ver pessoas, mas com olhos de ver e não olhos surdos, mudos, cegos...que não ouvem, nao falam, não observam, apenas veêm aquilo que já foi visto um milhão de vezes.
Acho que é nisto que se baseia a procura de um sentido, que insiste em não aparecer, ou se aparece é efémero e não vale de nada, porque no dia a seguir volto a passar no mesmo local, à mesma hora e a ver as mesmas pessoas.

Joana Maltez

"Percorrer muitos caminhos, voltar para casa, e olhar tudo como se fosse a primeira vez." (T.S.Eliot)

Fall

por Inês




A vida é feita de nadas.


De grandes serras paradas, de searas onduladas, de poeira, da sombra de uma figueira e por aí fora...

A Mim Ninguém me Cala: Simplesmente saloiada

por Pedro Silva em quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Na última Quinta-Feira, 18 de Setembro de 2008 deparei-me com esta notícia:

“A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, considera que a Rússia está encaminhada «para o isolamento e à irrelevância», por actos como a invasão da Geórgia ou a sua «ameaça de apontar armas nucleares a países pacíficos».

Num discurso que pronunciará hoje e de que alguns trechos foram divulgados pelo Departamento de Estado norte-americano, Rice afirma que o «mais preocupante» sobre a Rússia «é que estes actos formam um modelo de comportamento cada vez pior nos últimos anos».”
Depois de ter lido tal coisa das duas, uma:

a) Ou a Hipocrisia é algo que os denominados “Policias” do Mundo e Defensores da “Paz” utilizam a seu belo prazer pois o resto do Mundo é tudo um monte de Parvos que engolem tudo o que lhes dizem ou;

b) O Povo dos Estados Unidos tem um nível de Q.I. tão reduzido que não consegue ver mais nada para além daquilo que a Administração Bush quer que os Norte Americanos vejam, ou seja que são os amigos de “Deus” e os “Demónios” moram na Rússia e são todos aqueles que não alinham nas suas “aventuras” coloniais.


Se me dessem a escolher uma destas duas opções teria imensas dificuldades dado que tanto uma como a outra estão correctas…

Mas porque motivo é que a Rússia está condenada ao isolamento? Por estar a fazer o mesmo que os U.S.A. fizeram no Kosovo? No Iraque? Na ex – Jugoslávia? No Afeganistão?

Porque raio de motivo o que os Estados Unidos da América fazem, mesmo que vá contra todas as Disposições Internacionais da O.N.U (Instituição que estes ajudaram a criar, financiam e da qual são membros e tem assento no Conselho de Segurança) e não só tem o apoio de quase todas as Potencias do Ocidente e quando a Potencia do Leste toma as mesmas medidas é recriminada e não tem o apoio de ninguém?

Sabem que mais meus amigos(as)? Saudades da velha União Soviética e dos tempos do mundo Bi partido da Guerra Fria… E que o diga a Economia Norte Americana…

P.S.: Mais um exemplo da hipocrisia Norte Americana, que anunciou a sua cooperação nuclear com a Índia que é apenas o inimigo Mortal do antigo amigo de sempre dos “States” que é o Paquistão… É caso para se dizer: E esta hein?
The Blue One