Olhos de ver

por Joana Maltez em quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Hoje, como todos os dias, passei nos mesmos locais, à mesma hora, e por incrível que pareça passei pelas mesmas pessoas. Como se uma repetição do dia anterior se tivesse apoderado de mim! Se ao menos tivesse uma nova maneira de ver as coisas que permanecem sempre iguais...Mas não tenho!
Tenho apenas uma vontade imensa de não voltar a passar pelo mesmo local, nem à mesma hora, e não voltar a ver as mesmas pessoas! Quero sim ver pessoas, mas com olhos de ver e não olhos surdos, mudos, cegos...que não ouvem, nao falam, não observam, apenas veêm aquilo que já foi visto um milhão de vezes.
Acho que é nisto que se baseia a procura de um sentido, que insiste em não aparecer, ou se aparece é efémero e não vale de nada, porque no dia a seguir volto a passar no mesmo local, à mesma hora e a ver as mesmas pessoas.

Joana Maltez

"Percorrer muitos caminhos, voltar para casa, e olhar tudo como se fosse a primeira vez." (T.S.Eliot)

Fall

por Inês




A vida é feita de nadas.


De grandes serras paradas, de searas onduladas, de poeira, da sombra de uma figueira e por aí fora...

A Mim Ninguém me Cala: Simplesmente saloiada

por Pedro Silva em quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Na última Quinta-Feira, 18 de Setembro de 2008 deparei-me com esta notícia:

“A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, considera que a Rússia está encaminhada «para o isolamento e à irrelevância», por actos como a invasão da Geórgia ou a sua «ameaça de apontar armas nucleares a países pacíficos».

Num discurso que pronunciará hoje e de que alguns trechos foram divulgados pelo Departamento de Estado norte-americano, Rice afirma que o «mais preocupante» sobre a Rússia «é que estes actos formam um modelo de comportamento cada vez pior nos últimos anos».”
Depois de ter lido tal coisa das duas, uma:

a) Ou a Hipocrisia é algo que os denominados “Policias” do Mundo e Defensores da “Paz” utilizam a seu belo prazer pois o resto do Mundo é tudo um monte de Parvos que engolem tudo o que lhes dizem ou;

b) O Povo dos Estados Unidos tem um nível de Q.I. tão reduzido que não consegue ver mais nada para além daquilo que a Administração Bush quer que os Norte Americanos vejam, ou seja que são os amigos de “Deus” e os “Demónios” moram na Rússia e são todos aqueles que não alinham nas suas “aventuras” coloniais.


Se me dessem a escolher uma destas duas opções teria imensas dificuldades dado que tanto uma como a outra estão correctas…

Mas porque motivo é que a Rússia está condenada ao isolamento? Por estar a fazer o mesmo que os U.S.A. fizeram no Kosovo? No Iraque? Na ex – Jugoslávia? No Afeganistão?

Porque raio de motivo o que os Estados Unidos da América fazem, mesmo que vá contra todas as Disposições Internacionais da O.N.U (Instituição que estes ajudaram a criar, financiam e da qual são membros e tem assento no Conselho de Segurança) e não só tem o apoio de quase todas as Potencias do Ocidente e quando a Potencia do Leste toma as mesmas medidas é recriminada e não tem o apoio de ninguém?

Sabem que mais meus amigos(as)? Saudades da velha União Soviética e dos tempos do mundo Bi partido da Guerra Fria… E que o diga a Economia Norte Americana…

P.S.: Mais um exemplo da hipocrisia Norte Americana, que anunciou a sua cooperação nuclear com a Índia que é apenas o inimigo Mortal do antigo amigo de sempre dos “States” que é o Paquistão… É caso para se dizer: E esta hein?
The Blue One

Bom Dia!

por Francisco



Francisco Noronha

A Mim Ninguém me Cala: Americanos...

por Pedro Silva


Cartoon retirado de: HenriCartoon
The Blue One

De nihilo nihil

por Milady of Winter em terça-feira, 30 de setembro de 2008

Drácula de Bram Stoker

Um empolgante filme de 1992, dirigido por Francis Ford Coppola, que conta com um luxuoso elenco a revestir os papéis principais: Anthony Hopkins, Keanu Reeves, Gary Oldman e Winona Ryder. Para os amantes do controverso e luxuriante mundo romanceado dos vampiros, é um filme a não perder pela carga simbólica que traz consigo de "conto de fadas das trevas" numa adaptação sublime do livro do escocês Bram Stoker. Vlad Tepes(ou Drácula), sanguinário guerreiro do século XV, atravessa as fronteiras do tempo e do espaço para reencontrar a sua amada Mina já na última década de oitocentos sob a alçada de um inexorável destino sucessivamente adiado...
Da tenebrosa e sombria Transilvânia à majestosa atmosfera de Londres, o filme tem como pano de fundo a pérfida actuação de Drácula, príncipe magno dos vampiros, vitimizando inocentes na sede continuamente insatisfeita de sangue, etéreo néctar da vida eterna...
O espectador é motivado por uma teia de intrigas, acção e uma comovente história de amor que ultrapassa todas as barreiras. Daí que o subtítulo "o amor nunca morre" se revele absolutamente adequado. Um clássico, dentro do género!

Joana Oliveira

Às terças, quase como acaso

por Tribuna

A escolha, de Bernard Villiers

Todas as cores são belas.
Todas as formas são boas.
Todos os suportes são adequados.
Resta decidir o formato.



Não sei se de cores celestes, desconheço se de idóneas formas, ignoro se de sublime suporte, mas imagino qual formato será. O objecto é o mundo, o sujeito sou eu. E pelo meio chegará a mensagem, como um olhar do eu face ao vário, pretensiosamente ousado, simplesmente inócuo, o leitor dirá. Sem promessas de sonhos mil nem rasgos de ousadia vã, chegará ela sempre às terças, quase como acaso.

Tiago Ramalho

Instinto da Acção

por Duarte

«A fé é o instinto da acção» - Bernardo Soares/Fernando Pessoa in Livro do desassossego

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Ideias várias e variadas em temas me ocorreram para este retomar às lides da blogosfera, oceano binário em que tantos se perderam e outros um destino encontraram. Desde muito cedo, por volta do ano de 2003, que acompanhamos este mundo "blogueiro", do qual fomos ao princípio descrente. Julguei-o moda passageira. Cheguei mesmo a ver ser descrito em aulas um conceito que então surgia com os blogues - "umbiguismo" - relativo à proliferação dos blogues pessoais cheios de intimidades da vida de cada um. Não contávamos nós, no entanto, que a blogosfera conseguira um tão raro milagre: tornar-se não só campo de devaneios pessoais mas espaço de debate e reflexão. A boa moeda, neste caso, ganhou à má moeda. E hoje, meia década passada da sua "explosão", a blogosfera tornou-se campo fértil de troca de ideias e reflexões.
Este blog do Jornal Tribuna, assim nós o esperamos, deverá estar aberto a essa troca de ideias e opiniões, funcionando como um complemento ao Jornal que lhe dá o nome e que em cada final de semestre se encontra distribuído pelos corredores da FDUP e não só. Esperamos que aqui nasçam ideias, que se acendam debates, para além das notícias e reportagens sempre pertinentes que o grupo do Tribuna oferece à Faculdade.
É, assim, não só para mim mas também para o grupo do Tribuna, um novo começo que se anuncia, tentando sempre primar pela qualidade e pela sensatez.

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Está patente em Serralves, oásis cultural na cada vez mais culturalmente estranha cidade do Porto, uma exposição sobre a obra de Manoel de Oliveira. Paralela a esta, tem sido apresentado um ciclo de cinema em que se exibem quase todos os filmes do Mestre do cinema português e mais alguns («Visita ou Memórias e Confissões», de 1982, permanece póstumo por vontade do realizador). Na semana que agora passou, foram mostrados os filmes que constituem a tetralogia dos amores funestos/frustrados. Constituem estes quatro filmes, talvez, a"jóia da coroa" do cinema português. São obras em que o génio de Oliveira soube abrir caminhos na história não só do cinema português mas também mundial, revelando a esta arte, que começou como espectáculo de feira (mas todas as artes, à sua maneira, não tiveram no seu início uma função menos nobre), dimensões novas. De «O passado e o presente» (1972) a «Francisca» (1981), é toda uma linguagem cinematográfica que se molda de filme para filme e se aperfeiçoa. O que é o cinema para o decano dos realizadores mundiais? Como algures afirma, este não passa de teatro filmado: a câmara tem apenas como função captar (não)representações de actores que debitam o texto em cenários-palcos («Benilde ou a Virgem Mãe», de 1975, é talvez o exemplo supremo deste modo de filmar). Mas que novas dimensões procurou Oliveira para que o seu estilo não fosse considerado apenas teatro filmado, mas sim Cinema que busca dimensões mais além? Desde logo a temática desta tetralogia confronta os espectadores com dimensões que raros realizadores descobriram no cinema (a excepção será talvez Carl T. Dreyer): a palavra como "actriz" do filme, e o espírito.
Será talvez «Amor de perdição» (1978), terceira obra-prima da tetralogia, o filme que melhor constitui o exemplo das novas dimensões e invenções que o quase centenário realizador ofereceu ao cinema. De facto, em vez de adaptar o livro de Camilo (como é comum no cinema quando se pega numa obra escrita), Oliveira dá a sua "leitura" do romance, mostrando aos espectadores uma transliteração, termo usado por João Fernandes na apresentação do filme em Serralves no passado dia 27. O resultado é magnífico. Oliveira vai mesmo, em certas partes, mais longe do que o romance de Camilo, realçando aqui e ali elementos trágicos que conduzem o espectador a confrontar-se com uma outra dimensão que atravessa a tetralogia: a morte, no seu sentido físico e de libertação espiritual. Mas como é que Oliveira realça essa tragicidade? E que funções tem a soberba música de João Paes neste filme e na tetralogia em geral?...
Fica para um próximo «Instinto da acção», às terças-feiras a partir de hoje...
João Duarte Sousadias

alea jacta est

por Ary em segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Se olharmos o mundo sem ver, sem pensar, absorvendo apenas a luz que as nossas retinas captam, sem atender mais a umas coisas que a outras, sem distinguir o importante do insignificante, o bom do mau, o feio do belo; se não procurarmos desesperadamente um sentido, uma Grundnorm, um deus ou um diabo que unifique finalmente todas as partes desavindas, todas as meadas do novelo; se, por fim, vivermos cada dia dar significado ao passado ou especular sobre o futuro; se fizermos tudo isto, iremos certamente perceber o quão absurda, desligada, desconexa, aleatória e surreal é a própria realidade.

São sempre os resultados mais improváveis que acontecem quando o cenário é complicado, porque, provavelmente, a soma das probabilidades de todos os resultados improváveis, supera, e bem, a soma das probabilidades de todos os resultados prováveis.

O mundo é .... estranho.

Claro está que eu não acredito no próprio conceito de aleatoriedade. Nada é aleatório, ou verdadeiramente aleatório. Tudo está dependente, em última instância de leis físicas, que, pelo menos acreditando na ciência mais moderna, são sempre iguais a si mesmas. No fundo tudo depende de alguma coisa, ou de algumas coisas, ou melhor ainda: tudo depende de tudo e todas as variáveis se entrecruzam de modo a que a nuvem de fumo de dois cigarros iguais, acesos ao mesmo tempo, da mesma forma, um ao lado do outro, sejam sempre completamente diferentes. Confusos? Eu também ...

Quando Julio César passou o Rubicão com as suas legiões a caminho de Roma, depois da campanha da Gaulia, violando as leis da República, disse: "alea jacta est" ("a sorte está lançada", ou "os dados estão lançados"). 

Pode parecer paradoxal, mas na verdade a inexistência da aleatoriedade não impede a existência da sorte se esta for definida como uma sucessão favorável de acontecimentos toldada por variáveis complexas. Partindo desta definição então a sorte acaba por estar em todo o lado, determinando muito daquilo que acontece.

A aceitação destas verdades pode não trazer muita felicidade, mas pelo menos pode tirar-nos alguma soberba ou algum peso na consciência.

Esta coluna será sobre todas as coisas insignificantes, todas as pequenas variáveis e todas as grandes coisas. Não olhará ao útil, ao inútil, ao interessante ou ao desinteressante, pois sob este prisma todas as coisas são iguais quando giraram ferozmente no poderoso turbilhão das coisas. Afinal as ervas daninhas são só ervas paras as quais ninguém descobriu ainda nenhuma propriedade, não têm nada de intrinsecamente pior que muitas outras que crescem expontaneamente nos nossos jardins...

Afinal o conhecimento não ocupa lugar e a vida, guião sem argumentista, aproxima-se na sua diversidade mais do absurdo que do dramático e portanto mais da comédia que da tragédia.

Alea jacta est:

Não há mais ozono há beira-mar do que em qualquer outro lado. A beira-mar cheira a algas em decomposição (basicamente enxofre) e inalar esse cheiro só poderá ter efeitos placebos.
Se queres apanhar uma boa dose de ozono lava-te com lixívia, vai para a beira de equipamentos de alta voltagem, torna-te ambientalista e vai abraçar salgueiros e carvalhos ou, para maior eficácia: mete a boca num tubo de escape e respira profundamente...

Nada

por Guilherme Silva

Durante dias penei por não ter algo sobre que escrever nesta minha primeira intervenção como colaborador do Tribuna. Nada.
Dias volvidos e deixei de penar. O nada pode até ser um bom tema de estreia.
Afinal, o Seinfeld fez milhões com uma sitcom sobre nada.
Afinal, depois da partida de Peter Gabriel, os Genesis venderam milhões de álbuns em que falavam de nada.
Afinal, há quem leve a melhor acampando à porta de uma embaixada sem nada na barriga…
Há quem do nada crie um império; e há também quem chore por não ter nada, logo adivinho que o nada tenha um peso considerável.
E assim, escrevendo sobre nada, me livrei deste meu primeiro saboroso encargo como colaborador do Tribuna. Mais uma vez o nada triunfa…

Guilherme Silva