por Francisco em domingo, 2 de dezembro de 2007

Dois lados do mundo, duas ameaças.

Na Rússia, o partido de Putin (Rússia Unida) prepara-se para ganhar as eleições legislativas com maioria absoluta. Se se seguisse a ordem natural das coisas, seria eleito um Primeiro-ministro diferente de Putin. Mas como Putin se prepara para abandonar o cargo presidencial (por imposição constitucional), há que dar a volta à situação. E a solução, que mostra bem a sede de poder e controlo deste novo czar, passa por este assumir o cargo de Primeiro-ministro e colocar um homem fantoche como Presidente da República. Actualmente temos o contrário: Putin como PR que actua em todas as esferas do Estado e o PM como fantoche. É só inverter a coisa...
Eterniza-se o cargo; eterniza-se a promiscuidade, a oligarquização da sociedade, a centralização dos poderes e o autoritarismo... Mas isto é Democracia, já alguém dizia. Resta esperar pelo que aí vem..

Na Venezuela, num plano completamente diferente, Chavez pode assumir-se constitucionalmente como Ditador. Apesar da reforma constitucional que está hoje a votos comportar múltiplos aspectos, eu queria focar a minha preocupação no que ao poder presidencial diz respeito. Quanto ao socialismo do séc XXI de que Chavéz fala, às alterações feitas ao enquadramento jurídico da propriedade privada ou a reformulação das jornadas de trabalho, vou deixar estas e outras questões (importantíssimas, sem dúvida) para outra ocasião. Porque valores mais altos se impõe quando falamos em claras afrontas à Democracia. E afronto sem reservas Hugo Chavez no que ao seu conceito de Democracia diz respeito. Este referendo constitucional (impossível de realizar em muitos países como é o caso de Portugal) propõe de forma evidente a centralização dos poderes num homem, a sua eternização no cargo, aumenta as maiorias necessárias para referendos revogatórios e para a convocação de assembleias constituintes e prevê ainda a formação de milícias políticas no interior do Exército, milícias estas que poderão, sem acusação formada, prender qualquer cidadão venezuelano. Autoriza ainda a supressão do Direito à Informação em estados de excepção ou alerta. Faz-me lembrar o último estado de alerta declarado por Musharraf...
Estas e outras alterações contidas na Reforma Constitucional de Chavez estão muito bem explanadas aqui . Trata-se de um site afecto ao Bloco de Esquerda e a minha referência a ele justifica-se apenas pelo facto de ter sido o local onde a questão está mais bem documentada. Mas já agora, se me permitem, revela a clarividência do BE nesta situação, que ao contrário do sectarismo que muitos lhes acusam, lê e analisa esta questão com transparência e rigor, não obstante as hipotéticas aproximações ideológicas (no plano teórico).
Mas tudo isto para dizer que, ideologias e filosofias à parte (e nisto até poderia ser suspeito para dar a minha opinião), o referendo constitucional levado a cabo por Chavez é, do meu ponto de vista, uma clara tentativa de tiranizar o poder à custa de um populismo que chega a envergonhar, na minha opinião, qualquer um que possa partilhar de ideologias e visões de que Chavez diz ser apologista. Se me fosse permitido votar a minha escolha recaíria sem pensar duas vezes no NÃO, tal como recaíria em qualquer tentativa de condicionamento da Democracia. Assim o desejo para o resultado eleitoral na Venezuela. Em resultado contrário, pode estar em marcha um enorme retrocesso na ordem política venezuelana e, por arrasto, de outros pontos geográficos na tão martirizada América Latina.
Não, não.. esperemos que não.

O Referendo Constitucional que decorre na Venezuela é ainda interessantíssimo no âmbito do Direito Constitucional para nós, alunos de Direito. Discuti-o muito superficialmente há uns tempos com a Professora Anabela Leão e, de facto, enquadra-se em múltiplos aspectos do nosso objecto de estudo. Fica pois aqui a minha sugestão para que esta questão possa ser eventualmente um dos temas do próximo número do Tribuna, embora na altura seja talvez desapropriado (pelo tempo decorrido entretanto) abordá-la. Por outro lado, caso seja aprovada, seria interessante comparar as propostas nela contidas e o efectivamente realizado, bem como recolher as opiniões de alguns Professores da FDUP.

Um abraço

Blog do "Direito à Cena"

por Tribuna em quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Informamos todos os nossos leitores que o grupo de teatro da nossa faculdade, intitulado "Direito à Cena", tem um blog, activo desde Outubro passado. Apesar de já ter quase 3 meses de "vida", o Tribuna só teve conhecimento do blog esta semana, pelo que pedimos desculpa pelo tardar em colocar o blog na nossa comunidade.

Boas leituras!

P.S.- Todos os nossos leitores, além de poderem comentar livremente os nossos posts, se souberem de algum blog de um grupo ou elemento da FDUP que não faça parte da nossa lista, por favor informem-nos, teremos todo o gosto em adicioná-lo;)

JANTARADA

por Francisco em quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Boas noites!

Realiza-se amanha o jantar organizado conjuntamente pelas comissões de curso do 1º e do 3º ano. Queria pois dizer da parte da CC do 1º ano (a minha) que a festa é para todos e por isso endereçar o convite aos alunos do 1º, 2º, 3º e 4º ano. Venham todos e tragam amigos! O jantar é feito por nós e para nós. E só faz sentido se nele marcarmos presença! E para os que não quiserem jantar, que apareçam depois porque o convívio será muito mais do que a refeição propriamente dita!
Para os que quiserem jantar, o preço será de 7 euros.

Teremos ainda um soundsystem a rodar por um aluno do 1º ano que incidirá sobre o jazz, soul e outras sonoridades paralelas. Quanto à presença da Tuna feminina da faculdade, inicialmente prevista, não sei dizer ao certo se de facto irá actuar. Segundo o que me informaram, haverá tempo ainda para a actuação de duas bandas de amigos de alunos do 1º ano: F World e Black Mailers.
Fiesta!

Um abraço

por Francisco

Manifestação dos alunos do ensino superior hoje pelas 14h na Praça dos Leões!

Por um ensino para todos e em cujas Instituições (vulgas universidades) os alunos, a sua primeira razão de ser, estejam representados com o peso que lhes é de direito e profícuo para o seu funcionamento e desenvolvimento!

Crítica da Semana: Hot Fuzz

por marcomoura77 em segunda-feira, 26 de novembro de 2007


Ainda não foi esta semana que fui ver American Gangster mas desta vez não saí mesmo nada desiludido do cinema.
As expectativas eram altas - muito altas mesmo - uma vez que os responsáveis por este Hot Fuzz são os mesmos que estão por detrás do delirante Shaun of the Dead.
E é aqui que tenho de fazer um ponto prévio uma vez que (e ainda que eu leve a cabo a minha incessante campanha de divulgação, sem fins lucrativos, há já muito tempo) ainda são poucos - pelo menos em Portugal - os que conhecem este filme.
É, claramente, um dos meus filmes de culto favoritos, um verdadeiro guilty pleasure, carregado de humor tipicamente britânico, non sense e, descrito pelo realizador como «uma comédia romântica com zombies...» - e, por muito estranho que vos pareça, vejam este filme, entrem no espírito de Simon Pegg, Nick Frost e companhia e, tudo em Hot Fuzz fará muito mais sentido.
Há, no meu entender, duas formas distintas de realizar um spoof movie: uma é a utilizada pelos irmãos Wayans, que consiste em fazer um irónico copy/paste das cenas mais marcantes de filmes famosos, um método que gera gargalhada fácil, claramente menos criativo e também menos estimulante (utilizado em Scary Movie e sucedâneos); o outro é o utilizado nestes filmes britânicos que passa por homenagear um género sem, no entanto, se cingir apenas a isso, ou seja, há, quer em Shaun of the Dead quer em Hot Fuzz, acima de tudo um ponto de vista de quem efectivamente gosta e vive cinema e que passa por três elementos distintos: em primeiro lugar, por um conjunto de referências expressas - aos muito fracos Point Break e Bad Boys 2 e à forma como são ridicularizados mas simultaneamente integrados na narrativa; em segundo lugar, por todo um vasto leque de referências implícitas que passam por filmes como Tango & Cash, a saga Lethal Weapon, um toque de Desperado e, de forma ainda mais paradoxal (porque claramente fora do género) referências aos Western Spaghetti de Leone, a Trainspotting e mesmo aos filmes de série B japoneses como Gojira (Godzilla, entre nós); e finalmente - e mais importante que tudo o resto - a um argumento sólido, sem falhas e coerente, com muito humor e inteligência à mistura que confere uma excelente unidade sistemática a todo o projecto (e que claramente não existe nos filmes dos Wayans).
Uma palavra também para a realização de Edgar Wright que, fazendo óbvia referência aos truques clássicos do género, introduz também um cunho muito pessoal. A realização não ofusca a presença de um elenco fantástico (conhecido entre nós por diversas britcom's como The Office ou por filmes como Love Actually) mas também não é meramente contemplativa.
Obviamente, não esperem um trabalho de câmara como o de Antonioni, mas podem contar com uma realização astuta, rápida e, acima de tudo, que é claramente feita por alguém que já passou muitas horas no cinema.
De destacar ainda o excelente elenco de secundários - desde o velho imperceptível à mulher-polícia tarada sexual - que possibilita todo um conjunto de gags indecorosos e muito arrojados mas que se enquadram de forma perfeita na dinâmica daquela pequena e estranha localidade.
Em suma, quando por vezes parece que no cinema tudo foi já inventado em termos de humor surgem-nos (ainda que raramente) alguns achados como este Hot Fuzz - ou também como Knocked Up, de Judd Appatow - que nos devolvem a confiança no humor contemporâneo.
O Melhor: O elenco (principal e secundário) e a banda sonora.
O Pior: Pessoalmente achei Shaun of the Dead um pouco (muito pouco) melhor que Hot Fuzz... e mais nada.
Nota: 8.5/10
Até para a semana.
MM

Resposta ao Desafio

por White Castle em domingo, 25 de novembro de 2007

E aqui está um exemplar da Viúva Carneiro:


bad companys

por Francisco em sábado, 24 de novembro de 2007

Lembro-me há uns tempos de uma tirada protagonizada por Durão Barroso que conquistou apaixonadamente os media e foi rapidamente elevada a uma possível historical quote, à boa maneira de um Churchill, Che Guevara ou John F Kennedy. A propósito da cimeira UE-África, instado a comentar a eventual vinda do Presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe (ditador sanguinário que se auto-intitula o melhor dirigente político de todo a África), ao nosso país no âmbito dessa cimeira e a polémica que daí poderia resultar face à intransigência de Gordon Brown em proibir a presença de uma representação britânica numa mesma reunião de trabalho importantíssima para o futuro do continente mais pobre, desorientado, explorado e ignorado (não ficava por aqui) do mundo e das relações deste com a híbrida UE, Durão Barroso lançou: "Fui ministro dos Negócios Estrangeiros e primeiro-ministro no meu país e muito frequentemente temos de nos sentar em reuniões internacionais na companhia de pessoas com as quais a minha mãe não gostaria de me ver". Vamos por partes.
Primeiro-ministro? Pois foi. Mas terá tido tempo suficiente para sentar o seu diplomático rabo em alguma "reunião internacional"? É que foi tão rápido o período em que se prestou a dirigir o país que me escapam essas presenças! Outras "reuniões" chamaram mais alto...
Não, esperem. Estou errado! De facto, Durão tem toda a razão. Não só teve tempo para estar em reuniões internacionais como até patrocinou e deu um brilho especial a um dos últimos actos criminosos e completamente arbitrários no plano internacional. Pois é. Iraque. Alguém se lembra? Açores, cimeira das Lages... Bush, Aznar, Blair e... Durão! Eu gostava então de perguntar à mamã do Sr. Barroso o que acha destes amiguinhos do filho. Será que estes podem ser apresentados à Mãe? Talvez Mugabe seja muito egoísta e não partilhe os brinquedos. Está certo, não é boa companhia. E o menino Bush, o menino Aznar e o menino Blair? Estes sim, pode levá-los lá a casa já que até são criancinhas muito ricas e influentes. Quem sabe se o menino Durão não recebe de presente pelo Natal uma playstation destes seus educados e respeitosos colegas...
Mais engraçado e no seguimento disto: Ramos-Horta sugeriu o supracitado deste post, Durão Barroso, para Prémio Nobel da Paz. Epá, estou como o outro. Se agora foi o Al Gore, porque não? Al Gore foi vice-presidente de uma administração que não ratificou o Protocolo de Quioto, Durão pactuou institucionalmente com uma guerra ilegítima (cuja dimensão catastrófica das repercussões é ainda indefinida). O primeiro recorreu a um blockbuster e a um poderoso background mediático para limpar a imagem; o segundo assume agora um papel de bom samaritano na presidência da UE. Está bem.

Só uma nota: aplaudo com entusiasmo qualquer iniciativa de defesa e promoção do meio ambiente. Verdade Inconveniente é um desses meios e é desde já importante o facto de ter sido feito por alguém como Al Gore, por chegar com mais força a mais sítios. Mas, no meu entender, defender verdadeiramente o nosso planeta não se confina à produção de um filme e a meia dúzia de palestras milionárias. Passa também por uma atitude crítica permanente e não pontual; por uma accção social no terreno, porque estar num estúdio reunido com experts da matéria a montar um filme é mais confortável; por genuinidade nos propósitos e não por modas...

Um abraço e um bom dia (que da minha janela se perfila lindíssimo)

Desafio

por White Castle


Quem é a Viúva Carneiro??
Como não sou pessoa de muitas posses, ofereço um café a quem acertar! Ah, e quem estava comigo quando eu tirei a foto não pode tentar acertar!

Numa palavra: Música

por Francisco em terça-feira, 20 de novembro de 2007

Viva!

Volto a postar desta feita para vos deixar um albúm para ouvir. Chama-se Windmills of the Soul e é obra (obra mesmo, no meu entender) do dj, produtor e cantor Kero One, americano oriundo de S. Francisco, Califórnia.
Editado em 2006, pela sua própria produtora (Plug Label), é um albúm quanto a mim delicioso. Partindo de sonoridades muito relaxadas e groovies, Kero One junta jazz, soul, rap (do verdadeiro e bom!) e funk num só. Resultado: harmonia, equilíbrio.. maravilhoso.
Pessoalmente, atribuo uma grande dose da minha admiração por este Windmills of the Soul por este acrescentar à boa música a rima, o improviso, a métrica desalinhada, o interior, o exterior, os sentimentos, as críticas, as visões, a vida.. E isso, entre muitos nomes, chama-se RAP! Tão degenerado (e por isso ignorado, desvalorizado, criticado e até satirizado) nos dias de hoje, é bom para um amante de rap/hip hop (oldschool, newschool mas BOM acima de tudo!) como é o meu caso, ver este meu estilo musical do coração associado a outros que tanto gosto (jazz, soul) mas com uma maior acreditação/valorização. Como que me dá um um prazer especial. Tenho até a esperança em que se alguém ouvir este albúm venha a ter vontade de procurar conhecer mais sobre o Hip Hop (o que não passa na MTV...). E nesse caso, cá estarei eu com todo o gosto!
E, afinal de contas, não essa uma função intrínseca à própria Música? Além de vincular, veicular novos gostos, tendências, interesses...

Perdoem-me o entusiasmo mas.. como o mundo seria triste sem a música e tudo o que ela nos traz!

Um abraço

Crítica da Semana: Beowulf

por marcomoura77 em segunda-feira, 19 de novembro de 2007


Confesso que, para esta semana, Beowulf não era a minha primeira escolha, uma vez que estou ansioso para ver o novo de Ridley Scott, o muito esperado American Gangster (fica para a semana). Talvez por isso, ou talvez não, Beowulf não me fascinou.
Indicado, pelas casas de apostas, como um dos favoritos aos Oscars deste ano, o novo filme de Robert Zemeckis foi «entretido», relativamente original e com um toque gore que me agradou, como bom fã de Anime que sou mas em termos de narrativa sempre me pareceu algo oco e previsível.
Zemeckis sempre gostou do Fantástico e, à sua maneira, sempre tentou ser inovador, ainda que nem sempre com bons resultados. Com Polar Express, por exemplo, um filme «menor» da sua carreira, desenvolveu uma especial técnica de motion capture que retrata as expressões e, quase de forma perfeita, a própria face dos actores que estão «por detrás do boneco» - técnica essa que volta a utilizar em Beowulf ainda que não de forma ideal uma vez que, se resulta com Angelina Jolie (numa personagem muito letárgica e quase etérea) não funciona, por exemplo, com Anthony Hopkins que é, como se sabe, muito melhor actor que o pobre do boneco.
Mas a verdade é que ainda nem fiz referência à principal diferença deste filme e aqui confesso que Zemeckis foi engenhoso: é em 3D! E funciona bem! Já não via um filme em 3D desde que vi uma sessão especial do Jurassic Park, no já encerrado Charlot, quando era pequeno e confesso que gostei (ainda que não tenha sido argumento suficiente para me deixar louco pelo filme...).
Beowulf baseia-se em lendas nórdicas em que pontificam trolls, dragões, heróis lendários e os deuses Odin e Heimdall - o que até poderia ser um bom pano de fundo para o argumento, que porém, não existe: as personagens são quase todas excessivamente rígidas e unidimensionais, estereotipadas e sem grande interesse - principalmente a de Beowulf que é um herói chato e sem carisma. A única personagem com que simpatizei foi mesmo a do «braço direito» de Beowulf, desempenhada pelo veterano Brendan Gleeson. Além disso, e sem revelar pormenores, ao fim de meia hora de filme já se previa o final...
Em suma, um filme menor de quem já nos trouxe obras bem mais interessantes como Forrest Gump ou mesmo Back to the Future . que cria um universo infantil mas bem mais elaborado.
Quanto a Oscars... Não vejo alternativa... Ou vence algum nas categorias técnicas ou então será necessário criar a categoria de «Melhor Filme em 3D».
O Melhor: Brendan Gleeson e algumas cenas bem conseguidas a nível visual
O Pior: Instrumentalidade na construção das personagens e excesso de clichés argumentativos
Nota: 6.5/10
Até para a semana...
PS: No cinema, estive rodeado de imbecis que não se calaram durante todo o filme com piadas parvas e irritantes (na entrada devia ser exigido não o Bilhete de Identidade mas sim um Certificado de Idade Mental) e espero que esses «verdadeiros palermas», na acepção científica do termo, não influenciem a minha isenção na análise deste filme.