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Será?

por D. em sábado, 6 de dezembro de 2008

Será que sou apenas eu que odeio a publicidade da tmn que mistura três indivíduos vestidos de reis magos a cantar algo que ainda não percebi o que quer dizer, mas que o ano passado tinham uma canção qualquer de coelhos, mas que são complemente insuportáveis e odiosos? É que como este ano repetiram a dose, presumo que eu seja a única pessoa com vontade de esbofetear alguém, quando o dito reclame aparece. É que é um ódio que eu não consigo mesmo descrever de tão grande…

Do amor simples

por D. em sábado, 29 de novembro de 2008

Enquanto cegava, gritava e depois repousava o corpo quente e suado, sobre lençóis que não seus. Suspirava e depois dizia meia dúzia de palavras de amor para não deixar o corpo do lado chorar. Quando voltavam à sua vista todas as cores e o fôlego ficava quieto, o corpo levanta-se e dizia apenas, como um velho desconhecido:
- Amanhã, pode ser à mesma hora?
Mas acabava por nunca voltar ao mesmo lugar.

Da abstracção

por D. em sábado, 22 de novembro de 2008

Hoje fui ao final da tarde sair com os meus pais. Ia no banco de trás e pedi para ligar o meu mp3 no rádio. E confesso que já há muito tempo que não conseguia abstrair-me tanto das coisas que me rodeiam como hoje. Durante a viagem inteira ia a olhar pela janela e a cantar, a cantar várias canções, vários estilos, várias coisas e fixava os pontos que se mexiam do outro lado da janela. Sentia a cara quente do ar quente que entrava pelos coisinhos de saída de ar do carro. E quando o carro parou, reparei que tinha uma mancha do ar quente que saía da minha boca e sorri sozinha como se tivesse descoberto uma das coisas mais preciosas do universo. Senti-me como se tivesse conseguido apagar tudo da cabeça, todas as palavras, todas as pessoas, todas as coisas para fazer, as coisas feitas a meio, todas as dores, todos os amores, todos os desejos, e confesso que foi como fazer uma espécie de reboot ao cérebro.

Hoje, de novo

por D. em sábado, 15 de novembro de 2008

Hoje está um belo dia não está?

O sonho

por D. em sábado, 8 de novembro de 2008

Podem alguns dos membros deste blogue ter sonhado que Tiago Ramalho era um coala, aceito claramente que é perturbador. Contudo, não há nada mais angustiante do que sonhar que se ficou sozinho no mundo, num sítio muito bizarro, apenas com uma casa em ruínas, uma piscina e montanhas, no total silêncio, apenas cortado pelo aparecimento às pingas de personagens da FDUP, algumas ainda me lembro de quem eram, outras nem por isso, e por súbitos acordares de perturbação face a um sonho tão idiota, mas que continuava de cada vez que voltava a adormecer. Basicamente, foi o juntar no mesmo sonho da paisagem do Broke Back Mountain, do enredo da história O quase fim do mundo de Pepetela, com a casa de um famoso vídeo dos Outkast onde entram animais e uma casa em putrefacção. Ora, considerando que o livro foi dos que menos gostei de ler e que já não via esse vídeo clip há muitos anos, pergunto-me qual a ligação entre isto tudo e o porquê de eu ter sonhado com algo tão sem sentido. Ou será que os psicólogos, nas suas buscas por significados podem dar uma resposta à minha angústia? Uma coisa é certa, tenho de começar a conviver menos com os meus coleguinhas de faculdade. :p

A noite mais quentinha da semana e do mês. A primeira noite do inverno.

por D. em sábado, 1 de novembro de 2008

Ora, tendo acordado já depois do sol se pôr, depois uma longa noite, confesso que não sabia muito bem a que tema dedicar esta semana o meu pequeno espaço aqui no blogue do tribuna. Portanto foi com um certo encanto que hoje após voltar a pedir
- Pai, liga a lareira, tenho as mãos frias
Vejo a lareira acesa ao voltar à sala. O primeiro dia do ano em que se acende a lareira é o equivalente em pessoas grandes, ao dia em que se monta a árvore de natal nas pessoas pequenas. Eu pelo menos, sinto-me logo aquecer por dentro e ficar com uma certa sensação de calma. E por isso, é directamente da sala aquecida pela lareira, com o típico cheiro a lenha queimada e o estalar que embala mesmo muito bem o estado sonolento em que me encontro, que escrevo este texto, para meter inveja a todos aqueles que têm que usar os aquecedores ou os cobertores para ficarem quentes, porque não possuem uma querida lareira em casa.
Ora, o momento em que a lareira se acende pela primeira vez, marca invariavelmente o começo do Inverno, mesmo que o calendário diga o contrário. E enquanto ando e venho para junto da chama para aquecer as mãos, que continuam frias, acho que nem no verão as consigo ter quentes, vou concluindo que afinal a vida é de facto um ciclo e que todos nós acabamos por passar pelas mesmas coisas. E que no fim, são as pessoas a quem chamamos amigos, que nos dão as muletas para conseguir sair do fosso e voltar à vida. Abre-se uma janela e diz
- Ele não voltou a falar comigo. Como é que tu fizeste?
E assim, vou passar a noite a transmitir o meu pequeno manual de iniciação a uma vida a mono. Mais logo, quem sabe, me deite no quente a ver um qualquer filme e me deite com a sensação de missão cumprida.

Das pequenas coisas. Mas não o deus.

por D. em sábado, 25 de outubro de 2008

Nalguns dias que começam cinzentos, poucas coisas podem fazer a sua salvação: está condenado desde o seu início a ser um fracasso. Simplesmente é pouca a disposição em levantar, o frio que faz fora da cama corta. O dia ainda mal despertou e a cabeça pesa mais do que na noite anterior em que foi difícil adormecer. De novo as memórias dele. De novo a correr para o comboio, de novo atrasada em segundos, mas os comboios não esperam segundos e partem sempre com uma espécie de sorriso cínico quando estamos quase quase a chegar à sua porta. Depois as ruas estão simplesmente demasiado cinzentas e simplesmente o frio esgota a paciência de qualquer pessoa e o corpo continua pesado com o sono de tantos dias de noites mal dormidas. As vozes das pessoas perdem-se simplesmente como se fossem zumbidos, embora responda sempre afirmativamente, não capto nenhuma das palavras. (É tão bom continuar a criar os sonhos depois de se acordar.)De novo um sorriso, e de novo algumas palavras. E depois eis a pergunta que haveria de me acordar o cérebro e metê-lo a trabalhar, a pensar: se o Estado te desse uma arma e te obrigasse a matar cinco pessoas, quem matarias? A senhora que caminha em frente ri-se e diz: quem me dera, há muitos que andam a precisar de morrer. Mas eu não seria capaz de matar ninguém: mas imagina que tinhas mesmo de o fazer. E assim acabei o dia, quem seria eu capaz de matar? Depois de mais uma viagem de comboio, desta vez sem correr o risco de o perder e depois de uma caminhada até casa, com o frio a gelar as veias, já sei por onde começar. Quando o Estado me der uma arma e me forçar a matar alguém a primeira pessoa que levará um tiro meu será efectivamente.