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Será que sou apenas eu que odeio a publicidade da tmn que mistura três indivíduos vestidos de reis magos a cantar algo que ainda não percebi o que quer dizer, mas que o ano passado tinham uma canção qualquer de coelhos, mas que são complemente insuportáveis e odiosos? É que como este ano repetiram a dose, presumo que eu seja a única pessoa com vontade de esbofetear alguém, quando o dito reclame aparece. É que é um ódio que eu não consigo mesmo descrever de tão grande…
Enquanto cegava, gritava e depois repousava o corpo quente e suado, sobre lençóis que não seus. Suspirava e depois dizia meia dúzia de palavras de amor para não deixar o corpo do lado chorar. Quando voltavam à sua vista todas as cores e o fôlego ficava quieto, o corpo levanta-se e dizia apenas, como um velho desconhecido:
- Amanhã, pode ser à mesma hora?
Mas acabava por nunca voltar ao mesmo lugar.
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Hoje fui ao final da tarde sair com os meus pais. Ia no banco de trás e pedi para ligar o meu mp3 no rádio. E confesso que já há muito tempo que não conseguia abstrair-me tanto das coisas que me rodeiam como hoje. Durante a viagem inteira ia a olhar pela janela e a cantar, a cantar várias canções, vários estilos, várias coisas e fixava os pontos que se mexiam do outro lado da janela. Sentia a cara quente do ar quente que entrava pelos coisinhos de saída de ar do carro. E quando o carro parou, reparei que tinha uma mancha do ar quente que saía da minha boca e sorri sozinha como se tivesse descoberto uma das coisas mais preciosas do universo. Senti-me como se tivesse conseguido apagar tudo da cabeça, todas as palavras, todas as pessoas, todas as coisas para fazer, as coisas feitas a meio, todas as dores, todos os amores, todos os desejos, e confesso que foi como fazer uma espécie de reboot ao cérebro.
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Hoje está um belo dia não está?
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Podem alguns dos membros deste blogue ter sonhado que Tiago Ramalho era um coala, aceito claramente que é perturbador. Contudo, não há nada mais angustiante do que sonhar que se ficou sozinho no mundo, num sítio muito bizarro, apenas com uma casa em ruínas, uma piscina e montanhas, no total silêncio, apenas cortado pelo aparecimento às pingas de personagens da FDUP, algumas ainda me lembro de quem eram, outras nem por isso, e por súbitos acordares de perturbação face a um sonho tão idiota, mas que continuava de cada vez que voltava a adormecer. Basicamente, foi o juntar no mesmo sonho da paisagem do Broke Back Mountain, do enredo da história O quase fim do mundo de Pepetela, com a casa de um famoso vídeo dos Outkast onde entram animais e uma casa em putrefacção. Ora, considerando que o livro foi dos que menos gostei de ler e que já não via esse vídeo clip há muitos anos, pergunto-me qual a ligação entre isto tudo e o porquê de eu ter sonhado com algo tão sem sentido. Ou será que os psicólogos, nas suas buscas por significados podem dar uma resposta à minha angústia? Uma coisa é certa, tenho de começar a conviver menos com os meus coleguinhas de faculdade. :p
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A noite mais quentinha da semana e do mês. A primeira noite do inverno.
por D. em sábado, 1 de novembro de 2008
Ora, tendo acordado já depois do sol se pôr, depois uma longa noite, confesso que não sabia muito bem a que tema dedicar esta semana o meu pequeno espaço aqui no blogue do tribuna. Portanto foi com um certo encanto que hoje após voltar a pedir
- Pai, liga a lareira, tenho as mãos frias
Vejo a lareira acesa ao voltar à sala. O primeiro dia do ano em que se acende a lareira é o equivalente em pessoas grandes, ao dia em que se monta a árvore de natal nas pessoas pequenas. Eu pelo menos, sinto-me logo aquecer por dentro e ficar com uma certa sensação de calma. E por isso, é directamente da sala aquecida pela lareira, com o típico cheiro a lenha queimada e o estalar que embala mesmo muito bem o estado sonolento em que me encontro, que escrevo este texto, para meter inveja a todos aqueles que têm que usar os aquecedores ou os cobertores para ficarem quentes, porque não possuem uma querida lareira em casa.
Ora, o momento em que a lareira se acende pela primeira vez, marca invariavelmente o começo do Inverno, mesmo que o calendário diga o contrário. E enquanto ando e venho para junto da chama para aquecer as mãos, que continuam frias, acho que nem no verão as consigo ter quentes, vou concluindo que afinal a vida é de facto um ciclo e que todos nós acabamos por passar pelas mesmas coisas. E que no fim, são as pessoas a quem chamamos amigos, que nos dão as muletas para conseguir sair do fosso e voltar à vida. Abre-se uma janela e diz
- Ele não voltou a falar comigo. Como é que tu fizeste?
E assim, vou passar a noite a transmitir o meu pequeno manual de iniciação a uma vida a mono. Mais logo, quem sabe, me deite no quente a ver um qualquer filme e me deite com a sensação de missão cumprida.
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Nalguns dias que começam cinzentos, poucas coisas podem fazer a sua salvação: está condenado desde o seu início a ser um fracasso. Simplesmente é pouca a disposição em levantar, o frio que faz fora da cama corta. O dia ainda mal despertou e a cabeça pesa mais do que na noite anterior em que foi difícil adormecer. De novo as memórias dele. De novo a correr para o comboio, de novo atrasada em segundos, mas os comboios não esperam segundos e partem sempre com uma espécie de sorriso cínico quando estamos quase quase a chegar à sua porta. Depois as ruas estão simplesmente demasiado cinzentas e simplesmente o frio esgota a paciência de qualquer pessoa e o corpo continua pesado com o sono de tantos dias de noites mal dormidas. As vozes das pessoas perdem-se simplesmente como se fossem zumbidos, embora responda sempre afirmativamente, não capto nenhuma das palavras. (É tão bom continuar a criar os sonhos depois de se acordar.)De novo um sorriso, e de novo algumas palavras. E depois eis a pergunta que haveria de me acordar o cérebro e metê-lo a trabalhar, a pensar: se o Estado te desse uma arma e te obrigasse a matar cinco pessoas, quem matarias? A senhora que caminha em frente ri-se e diz: quem me dera, há muitos que andam a precisar de morrer. Mas eu não seria capaz de matar ninguém: mas imagina que tinhas mesmo de o fazer. E assim acabei o dia, quem seria eu capaz de matar? Depois de mais uma viagem de comboio, desta vez sem correr o risco de o perder e depois de uma caminhada até casa, com o frio a gelar as veias, já sei por onde começar. Quando o Estado me der uma arma e me forçar a matar alguém a primeira pessoa que levará um tiro meu será efectivamente.
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