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O Sargento lá do sítio era um tal de Zé Vacas, tido em conta de sujeito parlamentar e desenrascado. De facto, não tinha problemas com os pretos da terra nem mesmo com os oficiais, e era muito normal naquelas bases de fim do mundo haver oficiais menores que não acatavam as ordens dos oficiais vindos de Lisboa. É que o pessoal da Guiné, há medida que ia lá estando, apercebia-se que de um continente para o outro se perdia a noção da realidade. Se na Guiné, mesmo no Mato mais cerrado e na última província, o soldado bebia Coca-Cola, fumava o que lhe apetecesse e depois, de 6 em 6 meses, podia torrar o soldo nas putas de Bissau, em Portugal a coisa não era assim. Coca-Cola nem vê-la, o tabaco até se conseguia a bom preço mas nem tão barato nem tão bom (comprar o tabaco nacional era, já naquele tempo, uma merda) e ficava-se por aí, porque maconha nem vê-la. E ir às putas era algo muito mal visto, a não ser que se fosse do Partido e se pudesse trazer as putas até si.
Lembra-me a história de um tipo da Artilharia 7, o Ptolomeu (nome poderoso para um rapaz das Beiras) que tinha, e eu vi isto, o maior pénis do Exército. Em Vila Real todos o conheciam porque ele se tinha metido com uma conhecida senhora lá do sítio, a mulher de um corporativista importante lá da zona, um tipo do Partido, com ligações ao Governo. Ele passou lá umas semanas nas jornas e nas vindimas, e a fama chegou aos ouvidos da dona corporativista. No entanto o Ptolomeu era um óptimo rapaz, tímido e apaixonado, que casou com uma menina da terra, a Luisinha, com pouco mais de 16 anos, tímida em excesso e enferma, que se recusava a dormir com ele com medo que ele a rasgasse. Para vocês verem o tamanho do caralho do Ptolomeu. Ele, sempre bonzinho e cavalheiresco, nunca lhe tocou. Mais tarde acabaram por ter três filhos, depois da guerra. Mas isso é outra história.
O Zé Vacas era de Cabo Verde, e era mulato. Mas era o mais patriota de nós todos. Vinha com toda a treta do V Império e dos heróis do mar. Como sempre esteve na fronteira, nunca branco e nunca preto, era cordial com todos, e achava-se o produto último dessa grande nação que era Portugal.
Eu nunca fui muito disso, no entanto.
O Vacas, como lhe chamávamos, fez um dia uma coisa horrível. Tinhamos sofrido bombardeamentos incessantes no acampamento durante toda a semana. E era a semana de rendição, em que vinha o 7º de Cavalaria tomar o nosso lugar durante a licensa. O pessoal estava desmoralizado, e os terroristas pareciam saber todos os locais onde as nossas defesas eram mais fracas. Morreram 8 camaradas nossos, todos gente boa.
No final de contas descobrimos que um tal de Tavares, que já se desconfiava ser comunista, trocava correspondência com o pessoal do outro lado.
Quando eu e o Vacas o apanhámos, ele escrevia mais um relatório, que entregava por um muleque da aldeia vizinha. O Vacas deu-lhe um sermão que ficaria na história se documentado. No final ele disse que se recusava a morrer pelos patrões capitalistas, pelo interesse do grande capital e pela opressão dos povos. O Tavares era um tipo confuso. Para o pessoal que ali estava, nenhum de nós lutava, nem pelo capital do Tavares nem pelo V Império do Vacas.
Lutávamos pelas mulatas de Bissau, pelas mercearias da Rua da Aurora, pelas 3 semanas de licensa na retaguarda, pelo soldo, pelo Spínola que era um tipo bacana mas de poucas tretas, e pela Luisinha.
Mandou o Vacas que deitássemos o Tavares num poço com sanguessugas, a vê-lo ser comido e sugado. Era um tipo bom. Tinha piada, mas dava nas vistas. Era filho de um médico, e era um miúdo, descobri mais tarde que tinha 23. Penso que fez aquilo que acreditava ser correcto. África tem destas coisas.
Normally, I start these things out by saying ‘My Fellow Americans.’ Not doing it this time. If the polls are any indication, I don’t know who more than half of you are anymore. I do know something terrible has happened, and that you’re really not fellow Americans any longer.
I’ll cut right to the chase here: I quit.
Now before anyone gets all in a lather about me quitting to avoid impeachment, or to avoid prosecution or something, let me assure you: There’s been no breaking of laws or impeachable offenses in this office.
The reason I’m quitting is simple. I’m fed up with you people.
I’m fed up because you have no understanding of what’s really going on in the world. Or of what’s going on in this once-great nation of ours. And the majority of you are too damned lazy to do your homework and figure it out.
Let’s start local. You’ve been sold a bill of goods by politicians and the news media.
Meanwhile, all you can do is whine about gas prices, and most of you are too damn stupid to realize that gas prices are high because there’s increased demand in other parts of the world, and because a small handful of noisy idiots are more worried about polar bears and beachfront property than your economic security.
We face real threats in the world. Don’t give me this ‘blood for oil’ thing.
If I were trading blood for oil I would’ve already seized Iraq ’s oil fields and let the rest of the country go to hell.
And don’t give me this ‘Bush Lied…People Died’ crap either. If I were the liar you morons take me for, I could’ve easily had chemical weapons planted in Iraq so they could be ‘discovered.’ Instead, I owned up to the fact that the intelligence was faulty.
Let me remind you that the rest of the world thought Saddam had the goods, same as me. Let me also remind you that regime change in Iraq was official US policy before I came into office.
Some guy named ’ Clinton ’ established that policy. Bet you didn’t know that, did you?
Now some of you morons want to be led by a junior senator with no understanding of foreign policy or economics, and this nitwit says we should attack Pakistan , a nuclear ally.
And then he wants to go to Iran and make peace with a terrorist who says he’s going to destroy us. While he’s doing that, he wants to give Iraq to al Qaeda, Afghanistan to the Taliban, Israel to the Palestinians, and your money to the IRS so the government can give welfare to illegal aliens, who he will make into citizens, so they can vote to re-elect him.
He also thinks it’s okay for Iran to have nuclear weapons, and we should stop our foreign aid to Israel . Did you sleep through high school?
You idiots need to understand that we face a unique enemy. Back during the cold war, there were two major competing political and economic models squaring off. We won that war, but we did so because fundamentally, the Communists wanted to survive, just as we do. We were simply able to out spend and out-tech them.
That’s not the case this time. The soldiers of our new enemy don’t care if they survive. In fact, they want to die. That’d be fine, as long as they weren’t also committed to taking as many of you with them as they can.
But they are. They want to kill you, and the bastards are all over the globe.
You should be grateful that they haven’t gotten any more of us here in the United States since September 11. But you’re not. That’s because you’ve got no idea how hard a small number of intelligence, military, law enforcement, and homeland security people have worked to make sure of that.
When this whole mess started, I warned you that this would be a long and difficult fight.
I’m disappointed how many of you people think a long and difficult fight amounts to a single season of ‘Survivor.’
Instead, you’ve grown impatient. You’re incapable of seeing things through the long lens of history, the way our enemies do. You think that wars should last a few months, a few years, tops.
Making matters worse, you actively support those who help the enemy Every time you buy the New York Times, every time you send a donation to a cut-and-run Democrat’s political campaign, well, dang it, you might just as well Fed Ex a grenade launcher to a Jihadist. It amounts to the same thing.
In this day and age, it’s easy enough to find the truth. It’s all over the Internet. It just isn’t on the pages of the New York Times, USA Today, or on NBC News.
But even if it were, I doubt you’d be any smarter. Most of you would rather watch American Idol or Dancing with Stars.
I could say more about your expectations that the government will always be there to bail you out, even if you’re too stupid to leave a city that’s below sea level and has a hurricane approaching.
I could say more about your insane belief that government, not your own wallet, is where the money comes from. But I’ve come to the conclusion that were I to do so, it would sail right over your heads.
So I quit. I’m going back to Crawford.
I’ve got an energy-efficient house down there (Al Gore could only dream) and the capability to be fully self-sufficient for years. No one ever heard of Crawford before I got elected, and as soon as I’m done here pretty much no one will ever hear of it again. Maybe I’ll be lucky enough to die of old age before the last pillars of America fall.
Oh, and by the way, Cheney’s quitting too.
That means Pelosi is your new President. You asked for it. Watch what she does carefully, because I still have a glimmer of hope that there are just enough of you remaining who are smart enough to turn this thing around in 2008.
So that’s it. God bless what’s left of America .
Some of you know what I mean. The rest of you, kiss off.
PS - You might want to start learning Farsi, and buy a Koran.
Texto dedicado ao meu amigo e colega Henrique Maio, no maior sentido de camaradagem.
Henrique, caso leves a mal, podes agredir-me no estômago, ou em qualquer meandro do meu sistema ôntico.
Axiologia Críptica do Sistema Ôntico do Recipiente de Conserva de Produtos e Bens Juridicamente Hidrográficos no seu Enxerto Racional em Azoto Líquido - A Dogmática Kantiana nesta Problemática.
Os limites da perspectiva antropológica ligada à parentalidade antropológica são muitas vezes confundidas, no decorrer de algumas investigações funcionalmente abjectas, com a necessidade intrínseca do ser comummente adjectivado de "Normal".
Nem sempre esta previsão "normalizada" partilhará das características mais puras e científicas. Temos no entanto de nos certificar, em vista a evitar positivamente os paradoxos (não nos devemos importar em evitar negativamente os paradoxos) de uma existência social não raras vezes taxativa em relação ao sujeito consumidor de bens inadequados ao "tabu" do pragmatismo.
Este mundo em histeria perfeitamente contextualizada com uma obra de Kirkegaard ou Morais Sarmento procura etiquetar, no seu Enxerto Racional, a enorme falta de ideias que acompanha a maioria dos autores literários do nosso tempo.
Distinguimos dois pontos por entre a parafrenália materialista que consome o Recipiente:
- o primeiro é a necessidade consequente de nomear um segundo ponto;
- o segundo, é a rara propagação de um terceiro ponto.
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"Não discuteis com os judeus e cristãos se não em termos amigáveis e moderados"
(XXIX, 45)
"O meu coração abriu-se a todas as formas: é uma pastagem para as gazelas, um claustro para monges cristãos, um templo de ídolos, a Caaba do peregrino, as tábuas da Tora e o livro do Corão. Pratico a religião do Amor; qualquer que seja a direcção em que as cabanas avançaram, a religião do Amor será sempre a minha religião e fé."
sufi Muhyi'd-Din ibn'Arabi
Como a Inconstitucionalidade derrubou a Monarquia, a Constituição e o Estado de Direito. - inícios de um estudo.
As coisas são o que são; o nome não nos deve assustar, quando realmente os factos demonstram que Portugal vai rapidamente caminhando para a organização social, que se chama socialismo de estado. Não o lamento, porque estou plenamente convencido da justiça e da verdade destas doutrinas. - Augusto Fuschini (Câmara dos Deputados, 22.06.1888)
Quando o Rei D. Pedro IV traz, nas naus que partem do Brasil, os primeiros esboços da futura Carta Constitucional, não está apenas a transportar um documento institucional para apaziguar as forças conservadoras e liberais em conflito no País. Traz uma das peças mais importantes da história do constitucionalismo português e da sua tradição democrática.
A experiência das Constituições revolucionárias, como a de Cádis e a de Lisboa de 1822, trouxeram mais males que reais afirmações das instituições republicanas sobre o absoluto poder do Estado sobre os destinos económicos e políticos das duas nações ibéricas.
Não agradando a republicanos, religiosos e a comerciantes, bem como desprezada pelas elites provincianas, a Constituição de 1822 traz para o país o acervo dos males que, desde os tempos do Marquês de Pombal, se vinha a reclamar com maior impetuosidade pelas forças produtivas: as pautas aduaneiras.
O consequente ataque da Constituição aos resquícios de Poder Local e a sua intolerância religiosa e carácter isolacionista afastaram cada vez mais da sua esfera de simpatia o povo português.
Surgiu assim, na hora de maior necessidade, a Carta Constitucional. O facto de ser outorgada por um Chefe de Estado, e não por uma câmara representativa maioritariamente não-reconhecida pela população granjeou-lhe o apoio das elites intelectuais moderadas, liberais, municipalistas e aristocráticas. O futuro Partido Histórico, que reunia algumas destas características atrás mencionadas, deve o seu nome ao carácter compactuante com a história que a Carta lembrava aos portugueses.
Do lado da Constituição de 1822 ficaram os intelectuais mais revolucionários, os oficiais mais irrequietos e os magnates da indústria, que requeriam acima de tudo o proteccionismo nela previstos.
Não tendo nascido de uma ruptura, antes de uma harmonisa (se bem que temporária) reconciliação nacional, a Carta, no final das guerras liberais, inicia a sua vigência em pleno.
Filha legítima de Benjamin Constant, a Carta de 1826 incluía nos seus processos de aprovação de legislação um longo caminho: exigia a aprovação por parte da Câmara de Deputados, depois a dos Pares, e no final a aprovação régia, cuja ausência era considerada derrogatória.
Criticada, nos manuais de hoje (que se sustentam na incompreendida afirmação de Marcello Caetano, no seu livro "Constituições Portuguesas" que a Carta era a "mais monárquica da Europa") por ter um conteúdo implicitamente anti-democrático, a Carta era, na altura, criticada pelo partido legitimista (partidários de D. Miguel I) como impeditiva do estabelecimento de uma soberania real plena.
Se juntarmos também que o órgão da Câmara dos Pares funcionava estritamente controlado pela Câmara e pelo Chefe de Estado, e que a sua nomeação se tornara mais condecorativa que hereditária, podemos dizer que a Carta Constitucional conseguia, na teoria, delimitar o poder democrata, aristocrata, e monárquico/moderador. A pluralidade de fontes de soberania fazia "radicar a separação de poderes numa base sólida e não fundível".
De novo se pede atenção ao carácter da Carta Constitucional, e à sua vocação britânica, Constantiana, belga e, acima de tudo, portuguesa, baseada na organização social tradicional do povo português, nas suas instituições republicanas longínquas e na separação de poderes que advogavam os princípios liberais da altura.
Assim, o Monarca "reinava, mas não governava", no entanto, o óbvio carácter monárquico do documento constitucional deve-se ao implementado poder moderador daquele que era considerada a "inviolável pessoa representante do Estado e de todos os Portugueses". Neste espírito liberal também se banharam outras nações europeias, que, a exemplo da França, passaram a nomear os seus Chefes de Estado como "Reis de Todos os Franceses" e não "Reis de França", sendo que este método passou e continuou quando os sistemas monárquicos faliram nos seus países e deram origens a repúblicas.
Outro grande crime académico contra o qual se tem atentado neste texto é a excessiva generalização, se não escandalosamente errónea, a que têm submetido os teóricos do actual sistema constitucional os teóricos do sistema constitucional do Portugal de 1800.
Falo da progressiva liberalização que se ensina ter existido em Portugal durante os tempos da Monarquia Constitucional. De facto, alguns dos mais notórios autores e políticos da época partilhavam da visão do liberalismo económico que era, quase exclusivamente, seguido pela Inglaterra ao longo do século XIX.
Podemos falar, nestes casos, do duque de Palmela (conceituado diplomata e político, bem como oficial de guerra) e do escritor Alexandre Herculano, que terá sido dos primeiros fundadores de uma filosofia de Estado liberal democrático.
No entanto, estes autores tiveram os seus rivais da época, que já conheciam outras teorias políticas que lhes eram mais dotadas de Justiça. Enquanto Herculano afirma que "a igualdade só deve ser concebida como o igual acesso de cada um à liberdade individual e à possibilidade de, sob a Lei, a defender" e que "a única “desigualdade” incompatível com a Liberdade é aquela que investe algumas pessoas de poder coercivo indevido sobre outras pessoas" outros discordavam em grande parte das suas ideias ou procuravam outras interpretações.
Se em 1840 as medidas proteccionistas e aduaneiras por parte dos Cabralistas falharam, e despoletaram o ódio popular, a falha da Regeneração em apanhar o comboio do progresso tornou possível, em 1880, a imposição de novas e mais restritas regulamentações governamentais, sobre a política e sobre a economia.
A crise da lavoura, que afecta os mercados alentejanos e lisboetas na década de 80, obriga ao Estado a conceder mais monopólios, e a proteger "grupos específicos".
O chamado saint-simonismo fontista, que consistia numa política de obras públicas que endividou o país e causou um gravíssimo crescimento de crescimento insustentável, levou a que a indústria produtiva se desligasse das exigências do comércio internacional e que o padrão-ouro, pela primeira vez em mais de meio século, fosse adulterado e instituído pelo Estado.
No tocante ao Estado de Direito, dá-se mais uma revelação estonteante.
De facto, durante a fase final do constitucionalismo liberal, dá-se uma progressiva decadência dos seus preceitos oitocentistas originais, e assiste-se a um tal crescimento do poder Executivo que, basicamente, se instituiam certos tribunais contendo, com os devidos poderes judiciais, meros funcionários admnistrativos.
Esta tradição manter-se-à na Iº República, ainda mais forte, e na IIº República ou Estado Novo, tanto no ponto anterior devido à economia como neste em relação à Administração.
Reacções: Provas de que nasceram, espontaneamente, organizações de contribuintes que desejavam negociar com o Estado a sua intervenção na economia e os efeitos das suas acções na cidadania e nas liberdades está na Associação Comercial de Lisboa e na Associação Comercial do Porto, que serão fechadas, sendo que a Associação de Lisboa, mais activa na protecção dos interesses dos mercadores, será fechada arbitrariamente pelos órgãos políticos da Iº República.
nota: este trabalho inclui-se nos projectos de Estudo Livre, que eu tenho vindo a divulgar, com especial atenção, no blogue do Jornal Tribuna. No entanto, arrogo-me de todas as consequências e opiniões divergentes que estes possam causar, tomando total responsabilidade. É a minha opinião, não a do Jornal. Por muito que tenha tentado, neste espaço público, manter a minha imparcialidade de cronista e divulgador, a exigência de uma pesquisa descomplexada e amante do estudo das fontes poderá ter levado a que certas ideologias se possam ter acentuado. No entanto, este pequeno texto deverá ser lido à luz de uma curiosidade académica e não como um manifesto político, que não é. Estudos à volta do mesmo tema poderão e deverão ser desenvolvidos, devido à pequenez de espaço cedidos em blogue.
Este artigo também será publicado no blogue Café Odisseia.
fontes:
Elementos de Doutrina Neocartista, por Luís Aguiar Santos, no seu blogue.
O Colapso do Paradigma Liberal, pelo mesmo autor.
Carta Constitucional de 1826
Constituição de 1822
Constituições Portuguesas, Marcello Caetano
O Liberalismo, História de Portugal de José Mattoso
Diário da História de Portugal, José Hermano Saraiva
O meu artigo ainda não está pronto (nem nada que se aproxime de pronto)
por isso, encho chouriços com Flight of the Conchords
The Humans Are Dead
República Democrática de Timor, República do Iraque, República Islâmica do Afeganistão. Três nações que passaram por processos de libertação ou remodelação constitucional e de regime. Podemos até situar os três no mesmo século (Timor em 1999) pelos aspectos que podem unir os processos que cada um se deparou.Também não criou as bases para a paz racial, visto que tanto sunitas como xiitas, mal se compreendam no futuro, vão fazer aquilo que sempre fizeram em harmonia: desprezar os curdos.
O outro mal, que virá disfarçado e de difícil distinção, é o problema da propriedade. Não se sabe muito bem como funciona o regime de propriedade no Iraque, nem quem é o maior proprietário, se os oligarcas do anterior regime ou o Estado (ou seja, os oligarcas do novo regime).
Enquanto permanecer nas mãos da elite governativa o principail meio de produção, a Terra, a população iraquiana não poderá usufruir de verdadeira democracia. O eleitorado será influenciado por esses mesmos detentores do grande capital, que acicatarão os confrontos entre as populações no seguimento do harmonioso lema do "dividir para governar".
Faz falta assim uma maior supervisão da comunidade internacional para uma redistribuição controlada dos recursos, de preferência para os trabalhadores das terras. É preciso aquilo que os anglo-saxónicos chama de land reform, que nós podemos traduzir como a Reforma da Fazenda Nacional, que consiste numa nacionalização de bens seguida de venda de Bens Nacionais.
Muitos caem no erro de considerar estas medidas como medidas de perfil socialista, na medida em que se preconiza a redistribuição de terras e riqueza natural. Nada mais errado.
Muitos exemplos de land reform podem ser encontrados ao longo da história, mesmo entre nós, não com fins socialistas mas de introduzir no mercado enormes propriedades cujo valor e produção estavam alienados, sufocando o comércio e a agricultura. Foi o que se passou em 1834, num decreto assinado pelo Rei Dom Pedro IV e pelo Ministro e Secretário de Estado dos Negócios Eclesiásticos e de Justiça, que nacionalizava todos os bens detidos pelas ordens monásticas (cuja propriedade ocupava uma grande parcela do território nacional). Esses bens foram mais tarde levados a leilão público, e infelizmente a corrupção que precedeu os primeiros tempos da Monarquia Constitucional não conseguiu evitar o voracionismo das grandes figuras do regime, como radical democrata Saldanha, que enriqueceu desmesuradamente. Este voracionismo da elite política está a ser, em certa medida, prevenido em Timor Lorosae, ainda que com algumas deficiências óbvias no processo.
Também nos EUA a estas medidas, em especial o Homestead Act de 1862, contribuiram para uma maior repartição de terras e um aumento de proprietários (este Act em especial cedeu 10% da terra dos EUA). Esta "democracia dos proprietários", nas palavras de John Rawls, liga o fundamental fenómeno da liberdade em democracia com a terra privatísticamente possuída, dois factores indissociáveis.
Assim, deve-se procurar a reforma da Terra para arrancar a economia rural do feudalismo medieval, mas não para criar o controle efectivo do estado sobre o mercado (no método de acção socialista) mas para criar a prosperidade e desenvolvimento de que só a expansão dos mercados livres são capazes. A evolução de uma economia feudal para uma sociedade onde se dá a ausência de propriedade privada "impede qualquer tipo de fixação racional de preço ou estimativa de custos", como diria Ludwig von Mises.
As formas de controlar e impedir esta economia feudal ou de senhorio ou de Estado, passam pelas seguintes medidas:
- não dar ouvidos à Direita, e não se ficar pela realização de eleições;
- não dar ouvidos à Esquerda, e parar de dar indiscriminadamente meios e ajudas humanitárias, a intenção é muito boa, mas apenas ajuda os novos senhores feudais;
- apressar a transferência de responsabilidade para os trabalhadores/proprietários e cidadãos, conceder na íntegra o direito de propriedade para os terratenentes e produtores.
No melhor interesse da propagação da democracia, não se podem esquecer as democracias liberais que, hoje mais do que nunca, a luta pela liberdade é, também, uma luta por terra livre.
nota: a inspiração para este artigo veio de outro, de nome semelhante, retirado da revista Newsweek, que pode ser visto na íntegra aqui.
A Liberdade é um Louco que ninguém conhece e Todos seguem.
Não penseis que vim trazer a paz, mas a espada. Vim para fazer a separação entre pai e filho, entre mãe e filha, entre nora e sogra: e os inimigos dos homens serão os companheiros de casa.
(Mateus, X, 36-39)
próximos artigos:
Como (Não) Libertar Um País.
A Carta de 1836: mitos e lendas académicos - Como a Inconstitucionalidade derrubou a Monarquia.
1640 e a Liberdade Portuguesa.
