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Filisteu

por Guilherme Silva em segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Este fim-de-semana fui filisteu.
Não li, não ouvi Dvorak e seus colegas clássicos, e não vi filmes. Tão pouco debati ou discuti fosse o que fosse. Permiti-me até responder apenas através de acenos com a cabeça.
Quero ser um filisteu. Quero viver as emoções da vida, não as quero viver através de relatos de terceiros. Quero levar o físico aos limites; quero esgota-lo, treina-lo, rasga-lo, esvazia-lo. Mas não posso. Nunca serei um filisteu - disseram-me - pois quem usa a palavra “filisteu” nunca acabará um…
O erudito, o intelectualmente hábil, o virtuoso do conhecimento, julgo vê-los definhar de dentro para fora. Tanta sede corrói-lhes muitas vezes a essência; definham num qualquer antro escuro e húmido, mas repleto das melhores obras!
Este fim-de-semana fui filisteu. Matei pessoas em frente à Playstation, comi mousse de chocolate e bolacha Maria, e mirei mulheres sem nunca acabar divagando ou dissertando sobre a beleza feminina, longe disso. Julgo até ter ouvido Justin Timberlake…
Dizem-me que as maiores façanhas da História foram concretizadas por Homens cultos, esclarecidos e iluminados – os não-filisteus - mas não foram os maiores horrores protagonizados pelos seus semelhantes?
Quero ser um filisteu. Quero viver uma vida calma - longe das coisas que fazem doer a cabeça - lavar a minha roupa no rio, e tomar uma Vénus em meus braços, tal qual Tannhãuser.
Mas nunca serei um filisteu - disseram-me - pois quem toma tantas vezes Tannhãuser por exemplo, nunca acabará um…

por Guilherme Silva em quarta-feira, 15 de outubro de 2008

"Se algum dia comprar um submarino, alguém por favor me chame à razão e me diga que submarinos não são fixes."

- Guillaume D'Orange

When in Rome...

por Guilherme Silva em segunda-feira, 13 de outubro de 2008



Diz o ditado que quando “em Roma sê romano”.
Não fui a Roma, mas quando em trás-os-montes fiz por passar bem por transmontano, “gente de gema” como suponho que se diga por lá.
Passeei por sítios que nem imaginava existirem, ouvi histórias e tive conversas que à primeira passariam por enfadonhas mas sabe Deus o prazer que me deram, vi bonitas bolotas do tamanho de nozes (transgénicas talvez, mas não digam a Louçã), e comi bem. Muito bem.
Descobri que em trás-os-montes há muito mais que montes. Na “terra quente”, uma vasta planície bastante semelhante ao Alentejo profundo, encontrei um maravilhoso oásis. O fruto de uma bem conseguida cooperação entre a mãe natureza e o Homem, a lagoa da barragem do Azibo. Por uma vez vou deixar cair o meu frio manto de ferro e admitir que lá fui feliz: passeei, nadei, arrependi-me de ter nadado, e mirei o céu. Céu este que parecia jamais terminar.
Na volta ao meu quartel-general transmontano, Chaves, visitei Mirandela, e descobri que há quem beba Licor de Merda com orgulho. Dizem que não passa de um licor banal, mas mesmo assim não quis provar.
Ah, trás-os-montes, terra fantástica onde o pão sabe a mel, apesar de não o ter. Comi outras coisas que julguei terem caído em desuso com a ida dos Suevos. Pernas a porcos, entranhas a borregos e arroz doce.
Foram três dias espectaculares e pitorescos. Voltei ao meu Porto de sempre dois quilos mais pesado, mas bastante mais português.

Do sexo, amor monógamo e religião.

por Guilherme Silva em segunda-feira, 6 de outubro de 2008

De novo segunda-feira, e de novo sem tema me encontrei. Para prazer e conveniência mútua, julguei por bem deslindar um tema fácil, a todos acessível e para todos agradável. Um lugar comum, talvez…

Diz certo ditado que podemos escapar a tudo menos à morte e aos impostos. E por falar em impostos, por tudo os pagamos (a sério, por tudo mesmo!), menos por amor. Acho.

E assim, através deste desequilibrado raciocínio/brain-storming, cheguei ao meu tema desta semana. Amor, logo sexo, e porque uma coisa leva à outra, a religião.

Do amor monógamo porque foi assim que um Deus o quis, e assim Jesus e outros semi-deuses, como Paul Newman e Camilo Castelo Branco, o professaram.

Assim como de um Deus e seu credo, do sexo muitos (todos?) são devotos. E assim como há católicos não-praticantes, também há quem seja devoto ao amor carnal, mas não o pratique.

E assim retorno ao amor e às relações monógamas, a meu ver únicas, mais sensatas e delicadas, e como um Tamagoshi, difíceis e árduas de manter. E por falar em amor monógamo, há quem me jure também existir um outro, um tal de “manógamo”, mas falar deste fica para outra ocasião, pois estes textos pretensiosos querem-se curtos.

Por isso, amai, monogamente ou não (há uns anos havia uns rapazes cabeludos que diziam que o amor polígamo também é jeitoso e agradável), praticai, e lembrem-se que “com grande poder vem grande responsabilidade”.

Nada

por Guilherme Silva em segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Durante dias penei por não ter algo sobre que escrever nesta minha primeira intervenção como colaborador do Tribuna. Nada.
Dias volvidos e deixei de penar. O nada pode até ser um bom tema de estreia.
Afinal, o Seinfeld fez milhões com uma sitcom sobre nada.
Afinal, depois da partida de Peter Gabriel, os Genesis venderam milhões de álbuns em que falavam de nada.
Afinal, há quem leve a melhor acampando à porta de uma embaixada sem nada na barriga…
Há quem do nada crie um império; e há também quem chore por não ter nada, logo adivinho que o nada tenha um peso considerável.
E assim, escrevendo sobre nada, me livrei deste meu primeiro saboroso encargo como colaborador do Tribuna. Mais uma vez o nada triunfa…

Guilherme Silva